{"status":200,"response":{"result":"PUBLIC_ARTICLES_RETRIEVED","data":{"count":3,"content":[{"id":"612ea4bc0b5f4b1a4d160504","updated":"2022-05-05T22:43:55.402Z","created":"2021-08-31T21:53:00.958Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":true,"scheduled_date":"2021-09-01T12:30:00.876Z","rejection_reason":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2021-09-01T01:52:11.134Z","likes_count":4,"bookmarks_count":0,"comments_count":3,"score":"2021-09-01T06:22:11.134Z","sharing_title":"Boa noite, punpun e onde a pediatria e a psiquiatria se encontram","sharing_description":"Crianças, independentemente da origem, capacidade de cognitiva, condição biológica ou social são livros em branco e, conforme sua história vai sendo escrita, você percebe a qualidade, quantidade de papel, das canetas e os instrumentos disponíveis para a escrita de alguns. \n\nSeja como for, há fatores constitucionais (genéticos, biológicos) e psicossociais (ambiente de convivência, relações pessoais e ambiente familiar).\n\nHenri fala sobre a obra Oyasumi Punpun ou Boa noite Punpun, altamente premiada (\"Melhor Edição dos Estados Unidos de Material Estrangeiro—Ásia\" no prêmio Eisner, o Oscar das HQs).\n\nRetrata o lado da percepção de uma criança até sua idade adulta, com direito a todos os assuntos mais pesados se tratando de psiquiatria adulta e principalmente infantil.\n\nLeia o artigo completo acessando a comunidade Academia Médica.\n\n#setembroamarelo #saúdemental #psiquiatria #pediatria #medicos #med #academicosdemedicina #academiamédica","sharing_image":"https://58b04f5940c1474e557e363a.redesign.static-01.com/f/images/34b8b2e5f690edceb134b2803a1cb69bea3d6266.png","tag_ids":["593f587b11eebc073efd5622","611abf6393dd0d573e968d70","611abf6393dd0d573e968d71","612eaaf66795ce66870ab10e","612eaaf66795ce66870ab10f"],"author_user_id":"5b4e9a716a801952ccd2ab54","moderator_user_id":"60da048792cc322a080f3e3d","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":1,"shares_count":5,"tags":[{"id":"593f587b11eebc073efd5622","title":"mangá","slug":"manga","fixed":0,"app_id":"56e066bd9cbb047348354ea6","account_id":"58b04e55e9dd6944b5ee4daf","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"611abf6393dd0d573e968d70","title":"psicologia medica","slug":"psicologia-medica","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"611abf6393dd0d573e968d71","title":"anime","slug":"anime","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"612eaaf66795ce66870ab10e","title":"assuntos aleatorios","slug":"assuntos-aleatorios","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"612eaaf66795ce66870ab10f","title":"boa noite punpun","slug":"boa-noite-punpun","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"}]},"content":{"title":"Boa noite, Punpun e onde a pediatria e a psiquiatria se encontram","slug":"boa-noite-punpun-e-onde-a-pediatria-e-a-psiquiatria-se-encontram","cover_image":"https://58b04f5940c1474e557e363a.redesign.static-01.com/l/images/52e7c863993a4fa7f6ecbafb6bd4ad9c6502e4c3.png","headline":" Atenção: essa obra é extremamente pesada psicologicamente, evitem ver essa obra sob estados mentais alterados sem acompanhamento.  Falar de Evangelion é relativamente fácil. A obra é digestiva, tem personagens por mais odiados que","main_content":"

 Atenção: essa obra é extremamente pesada psicologicamente, evitem ver essa obra sob estados mentais alterados sem acompanhamento.  

Falar de Evangelion é relativamente fácil. A obra é digestiva, tem personagens por mais odiados que sejam, conseguimos uma simpatia inconsciente e ainda o tema \"mecha\" (tradução= porrada com robôs gigantes) tornam as coisas até divertidas. 

Agora falar de outras obras estilo anime-mangá de profundidade  é interessante, mas dá uma certa “azia” por ser muito crua.

Às vezes aquele tipo de obra que gente que acha que Lars von Trier é revolucionário por pegar pesado no terror psicológico (na verdade as obras dele na minha opinião é psiquiatria/psicanálise para idiotas). 

E eu acho que muitos mangás, HQs e quadrinhos tem mais profundidade e assunto.

E hoje vamos falar de Oyasumi Punpun ou Boa noite Punpun. 

Então prepare a pipoca, o lítio, e o benzo. 

A primeira vez que ouvi falar da obra foi quando eu ouvi a trilha sonora de evangelion 2.22, Tsubasa no kudasai(e descobri duas coisas, primeiro que essa música é tipo aquelas músicas que as professoras de ensino fundamental adaptam para crianças cantarem e nos comentários do youtube você mais lia “não ouça isso lendo boa noite Punpun”). 

E eu como todo bom rebelde não o fiz, mas por ironia do destino a obra foi encadernada no Brasil nesse período e eu resolvi comprar. 

Ah e a música era uma música que o coral de crianças da escola cantava.

A obra em si é altamente premiada(\"Melhor Edição dos Estados Unidos de Material Estrangeiro—Ásia\" no prêmio Eisner, o Oscar das HQs) retrata o lado da percepção de uma criança até sua idade adulta, com direito a todos os assuntos mais pesados se tratando de psiquiatria adulta e principalmente infantil. 

Punpun Onodera é uma criança que poderíamos descrever até o começo do primeiro volume como uma criança “normal”, um pouco hiperativa, com toda aquela história de desenvolvimento neuropsicomotor e tudo mais nos eixos. 

Até aí seria somente aquelas obras que dizem sobre o “cotidiano” que não são ruins visto que sucesso de Hayao Miyazaki, criador dos studios Ghibli, não bebe dessa fonte, ele criou essa fonte, nada nela, engarrafa e vende. 

Isso até quando ele descobre sua primeira “paixonite”, a menina Aiko e ele conversa diretamente com ela que diz “olha, o mundo vai acabar”

Então ele decide em seu estado infantil de onipotência de querer ser o macho alfa que ao menos vai postergar isso e ficar ao lado de Aiko como um cientista espacial. E daí que a estética vai se desenvolvendo onde realmente a obra é considerada interessante. 

A sensação de onipotência da criança/adolescente que o persegue até a tenra idade adulta como qualquer pessoa. Eu chamo de \"adultecimento\".  

O que me fascina na obra é a capacidade de como enxergar isso na ótica de uma criança. Como as coisas podem ser suaves e inocentes no olhar de uma criança, mas podemos ver que são na verdade são horrores sociais. 

É engraçado no início que Punpun enxergue as coisas de forma hiperbólica e meio exagerada. Como o sentimento de um professor surtando em sua imaginação se contorcendo e gritando ou até mesmo suas fantasias com a Aiko. 

Punpun e seus amigos principalmente na infância não enxergavam o mundo como o real, de acordo com a maioria, eles enxergavam na sua infância uma forma dissociada com a realidade e à medida que eles vão envelhecendo o mundo se torna mais realista e pior(e isso o autor queria mostrar) é que a realidade tende ser mais crua ou até mesmo menos cruel que a percepção infantil para quem está lendo a obra. 

E nesse ponto que a coisa fica pesada de associar com a psiquiatria: é que maioria dos personagens de \"Boa noite Punpun\" são completamente disfuncionais, ao mesmo tempo que são saudáveis. 

Até nisso faz a reflexão \"o que é saúde mental?\" 

Ele morou com os pais até os primeiros momentos da maioridade. O pai era alcoólatra e agressivo, a mãe vivia em casos extraconjugais se achando péssima amante, pois era descartada porque era velha e mãe e seu tio, um artista depressivo, pobre e frustrado. 

E a obra mostra que ele não enxergava isso, na verdade era até dissociativo. Tanto que ele \"conversava com Deus\", como seu tio lhe ensinara para tentar entender o mundo e Deus sempre o deixava mais esclarecido ao passo que deixa quem ler confuso.

Aliás, o que leva a maior particularidade da obra. Enquanto tudo é bem desenhado, os personagens com rostos, desenhos, estética e arte final (o que dá a impressão de sombreamento e ambiente no desenho) bem definidos, Punpun, seu tio e seus pais são desenhados parecidos com pássaros de rabisco. 

Na foto aiko e PunPun criança, mostrando o contraste do desenho 

E visto isso a obra se divide em vários arcos que se entrelaçam de alguma forma com a história de Punpun. 

O crescimento de Punpun, as relações afetivas, sexuais e emocionais com falhas normais e patológicas, cuja culpa não é dele somente e sim de um ciclo social confuso, que acho que o autor quis transmitir o que é abandono, a depressão e a vida sob a ótica da fantasia infantil. 

Aiko também era uma criança que era fora do normal, ela era pertencente a uma seita de fim dos tempos, no melhor estilo Jim Jones. Sua mãe era uma stripper de webcam (um emprego que hoje está muito na moda e até hoje não entendo a razão) e frequentemente a agredia física e moralmente (e em alguns aspectos até atentando contra sua sexualidade quando a mãe não se importava de a filha não estar no mesmo cômodo no “expediente” vestida de colegial) 

Seus amigos de escola ou eram negligenciados pelos pais ou a escola não conseguia chegar nelas porque, de acordo com a minha percepção, o conselheiro estudantil não enxergava nada na criança além do potencial produtivo (o que bate com a nossa sociedade e mais com a japonesa)

“Como você vai ser um membro prestativo para a sociedade com notas tão baixas e desmotivação” 

Note que eu não mencionei que essas crianças foram “ajudadas”, cada um no seu jeito. O que me lembra muito \"stand by me\".  

Aiko, Pun Pun e seus amigos

Crianças, independentemente da origem, capacidade de cognitiva, condição biológica ou social são livros em branco e, conforme sua história vai sendo escrita, você percebe a qualidade, quantidade de papel, das canetas e os instrumentos disponíveis para a escrita de alguns. 

Seja como for, há fatores constitucionais (genéticos, biológicos) e psicossociais (ambiente de convivência, relações pessoais e ambiente familiar). 

Punpun cresce, o ambiente tende a ser mais frio e o ambiente muda, mas não deixa de ser menos cruel a todos, mesmo com o amadurecimento. 

E no final, a obra te inverte em percepção, nós vemos e queremos presenciar um mundo dissociado e podemos até nos induzir nisso, porque o autor deixa e demonstra justamente como a realidade dessa obra dói (e não é pouco) e como a psicose(no termo de fantasia) é uma fuga da realidade a todos. E isso é usado na capa.

Criança

Ele não sabendo se enxergar como Adolescente

Sua dissociação ao lado que ele queria ser \"mal\"

E a última capa, que é uma regressão a si e uns spoilers que você tem que ler

Uma coisa que eu gosto na obra e que vai contra alguns defensores de esquina de saúde mental. 

Resiliência às vezes é uma grande mentira e criar isso numa pessoa é tão difícil e mal-feito quanto as indicações feitas pelo mesmo médico. 

Punpun frequentemente se sente sozinho, isolado, todos ao seu redor o abandonam ou usam ele para suas próprias frustrações sexuais e emocionais (vide o que sua mãe, a própria Aiko, e a tia, namorada de seu tio fizeram com ele). E ele não era um herói ou algo assim, ele errava como qualquer ser humano. 

Entrou numa situação de ajudar uma “namorada” a abortar uma criança de um relacionamento anterior, mas fugiu, era grudento por quem se apaixonava e constantemente se agredia, seja emocionalmente ou fisicamente.   

Entrou em depressão extrema se isolando de todos(e sem hipocrisia, a maioria das pessoas, menos essa namorada, não tinha paciência ou importância e essa namorada o usava para também não ser solitária).

Foi abusivo, quis ser mal “de propósito”, se enxergava como um monstro e até mesmo nem conseguia definir sua identidade (seus traços de desenho mostram isso ao decorrer do tema). 

Mas ele era mau? Então lembra da parte que eu disse sobre as crianças serem livros em branco? Ele não era mau de acordo com a história, ele só vivia as circunstâncias e a negligência com a falta de compreensão real de suas necessidades. 

Até mesmo a sua “namorada” com quem ele fica no final vai atrás dos pais de Punpun e descobre sob a ótica de um adulto(diferente como o da criança nos volumes iniciais) como foi sua vida e a primeira coisa que ela faz quando ouve a história toda do pai do protagonista: 

“Tenho de encontrar ele logo, ele precisa urgentemente de ajuda e nunca soube disso” 

De fato, todos os personagens dessa obra precisam e infelizmente de forma realista/psicótica não é chegado a ajuda de forma adequada. Ou muitos la passaram por dificuldades inerentes à “normalidade”.  

Ao Punpun e a algumas personagens é fácil inferir o patológico, mas alguns personagens é difícil discernir do que é uma dificuldade de vida normal ou uma vida muito ferrada.   

Se eu quisesse transmitir uma mensagem com a obra com que aprendi sobre psicologia infantil básica e isso aprendi conversando com o palhaço de um hospital infantil de câncer que eu trabalhei: 

Temos que deixar as crianças serem crianças ao máximo” 

O culto do apocalipse teve o mesmo final do Jim Jones e para ironia do autor, a morte foi retratada de forma ambígua como real e fantasiosa. 

Aiko, tentando fugir com Punpun após ambos terem acidentalmente matado a mãe dela, se suicida com uma dor que psicologicamente era intensa e a presença de Punpun naquela fase de vida dele não a ajudava. 

Punpun tenta se matar furando um olho, mas falha e a tempo(para não dar um tom trágico-clichê à obra, um belo toque) consegue ser resgatado de si, por seus amigos e sua namorada. 

O que mostra a subjetividade da obra, não é um final feliz, mas é confortável e real. E definitivamente é uma daquelas obras que eu indicaria tranquilamente a alguém que quer fazer pediatria e entender a criança de verdade. 

“Porque até mentalmente criança não é adulto pequeno” 

 

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Falar de Evangelion é relativamente fácil. A obra é digestiva, tem personagens por mais odiados que sejam, conseguimos uma simpatia inconsciente e ainda o tema \"mecha\" (tradução= porrada com robôs gigantes) tornam as coisas até divertidas. 

Agora falar de outras obras estilo anime-mangá de profundidade  é interessante, mas dá uma certa “azia” por ser muito crua.

Às vezes aquele tipo de obra que gente que acha que Lars von Trier é revolucionário por pegar pesado no terror psicológico (na verdade as obras dele na minha opinião é psiquiatria/psicanálise para idiotas). 

E eu acho que muitos mangás, HQs e quadrinhos tem mais profundidade e assunto.

E hoje vamos falar de Oyasumi Punpun ou Boa noite Punpun. 

Então prepare a pipoca, o lítio, e o benzo. 

A primeira vez que ouvi falar da obra foi quando eu ouvi a trilha sonora de evangelion 2.22, Tsubasa no kudasai(e descobri duas coisas, primeiro que essa música é tipo aquelas músicas que as professoras de ensino fundamental adaptam para crianças cantarem e nos comentários do youtube você mais lia “não ouça isso lendo boa noite Punpun”). 

E eu como todo bom rebelde não o fiz, mas por ironia do destino a obra foi encadernada no Brasil nesse período e eu resolvi comprar. 

Ah e a música era uma música que o coral de crianças da escola cantava.

A obra em si é altamente premiada(\"Melhor Edição dos Estados Unidos de Material Estrangeiro—Ásia\" no prêmio Eisner, o Oscar das HQs) retrata o lado da percepção de uma criança até sua idade adulta, com direito a todos os assuntos mais pesados se tratando de psiquiatria adulta e principalmente infantil. 

Punpun Onodera é uma criança que poderíamos descrever até o começo do primeiro volume como uma criança “normal”, um pouco hiperativa, com toda aquela história de desenvolvimento neuropsicomotor e tudo mais nos eixos. 

Até aí seria somente aquelas obras que dizem sobre o “cotidiano” que não são ruins visto que sucesso de Hayao Miyazaki, criador dos studios Ghibli, não bebe dessa fonte, ele criou essa fonte, nada nela, engarrafa e vende. 

Isso até quando ele descobre sua primeira “paixonite”, a menina Aiko e ele conversa diretamente com ela que diz “olha, o mundo vai acabar”

Então ele decide em seu estado infantil de onipotência de querer ser o macho alfa que ao menos vai postergar isso e ficar ao lado de Aiko como um cientista espacial. E daí que a estética vai se desenvolvendo onde realmente a obra é considerada interessante. 

A sensação de onipotência da criança/adolescente que o persegue até a tenra idade adulta como qualquer pessoa. Eu chamo de \"adultecimento\".  

O que me fascina na obra é a capacidade de como enxergar isso na ótica de uma criança. Como as coisas podem ser suaves e inocentes no olhar de uma criança, mas podemos ver que são na verdade são horrores sociais. 

É engraçado no início que Punpun enxergue as coisas de forma hiperbólica e meio exagerada. Como o sentimento de um professor surtando em sua imaginação se contorcendo e gritando ou até mesmo suas fantasias com a Aiko. 

Punpun e seus amigos principalmente na infância não enxergavam o mundo como o real, de acordo com a maioria, eles enxergavam na sua infância uma forma dissociada com a realidade e à medida que eles vão envelhecendo o mundo se torna mais realista e pior(e isso o autor queria mostrar) é que a realidade tende ser mais crua ou até mesmo menos cruel que a percepção infantil para quem está lendo a obra. 

E nesse ponto que a coisa fica pesada de associar com a psiquiatria: é que maioria dos personagens de \"Boa noite Punpun\" são completamente disfuncionais, ao mesmo tempo que são saudáveis. 

Até nisso faz a reflexão \"o que é saúde mental?\" 

Ele morou com os pais até os primeiros momentos da maioridade. O pai era alcoólatra e agressivo, a mãe vivia em casos extraconjugais se achando péssima amante, pois era descartada porque era velha e mãe e seu tio, um artista depressivo, pobre e frustrado. 

E a obra mostra que ele não enxergava isso, na verdade era até dissociativo. Tanto que ele \"conversava com Deus\", como seu tio lhe ensinara para tentar entender o mundo e Deus sempre o deixava mais esclarecido ao passo que deixa quem ler confuso.

Aliás, o que leva a maior particularidade da obra. Enquanto tudo é bem desenhado, os personagens com rostos, desenhos, estética e arte final (o que dá a impressão de sombreamento e ambiente no desenho) bem definidos, Punpun, seu tio e seus pais são desenhados parecidos com pássaros de rabisco. 

Na foto aiko e PunPun criança, mostrando o contraste do desenho 

E visto isso a obra se divide em vários arcos que se entrelaçam de alguma forma com a história de Punpun. 

O crescimento de Punpun, as relações afetivas, sexuais e emocionais com falhas normais e patológicas, cuja culpa não é dele somente e sim de um ciclo social confuso, que acho que o autor quis transmitir o que é abandono, a depressão e a vida sob a ótica da fantasia infantil. 

Aiko também era uma criança que era fora do normal, ela era pertencente a uma seita de fim dos tempos, no melhor estilo Jim Jones. Sua mãe era uma stripper de webcam (um emprego que hoje está muito na moda e até hoje não entendo a razão) e frequentemente a agredia física e moralmente (e em alguns aspectos até atentando contra sua sexualidade quando a mãe não se importava de a filha não estar no mesmo cômodo no “expediente” vestida de colegial) 

Seus amigos de escola ou eram negligenciados pelos pais ou a escola não conseguia chegar nelas porque, de acordo com a minha percepção, o conselheiro estudantil não enxergava nada na criança além do potencial produtivo (o que bate com a nossa sociedade e mais com a japonesa)

“Como você vai ser um membro prestativo para a sociedade com notas tão baixas e desmotivação” 

Note que eu não mencionei que essas crianças foram “ajudadas”, cada um no seu jeito. O que me lembra muito \"stand by me\".  

Aiko, Pun Pun e seus amigos

Crianças, independentemente da origem, capacidade de cognitiva, condição biológica ou social são livros em branco e, conforme sua história vai sendo escrita, você percebe a qualidade, quantidade de papel, das canetas e os instrumentos disponíveis para a escrita de alguns. 

Seja como for, há fatores constitucionais (genéticos, biológicos) e psicossociais (ambiente de convivência, relações pessoais e ambiente familiar). 

Punpun cresce, o ambiente tende a ser mais frio e o ambiente muda, mas não deixa de ser menos cruel a todos, mesmo com o amadurecimento. 

E no final, a obra te inverte em percepção, nós vemos e queremos presenciar um mundo dissociado e podemos até nos induzir nisso, porque o autor deixa e demonstra justamente como a realidade dessa obra dói (e não é pouco) e como a psicose(no termo de fantasia) é uma fuga da realidade a todos. E isso é usado na capa.

Criança

Ele não sabendo se enxergar como Adolescente

Sua dissociação ao lado que ele queria ser \"mal\"

E a última capa, que é uma regressão a si e uns spoilers que você tem que ler

Uma coisa que eu gosto na obra e que vai contra alguns defensores de esquina de saúde mental. 

Resiliência às vezes é uma grande mentira e criar isso numa pessoa é tão difícil e mal-feito quanto as indicações feitas pelo mesmo médico. 

Punpun frequentemente se sente sozinho, isolado, todos ao seu redor o abandonam ou usam ele para suas próprias frustrações sexuais e emocionais (vide o que sua mãe, a própria Aiko, e a tia, namorada de seu tio fizeram com ele). E ele não era um herói ou algo assim, ele errava como qualquer ser humano. 

Entrou numa situação de ajudar uma “namorada” a abortar uma criança de um relacionamento anterior, mas fugiu, era grudento por quem se apaixonava e constantemente se agredia, seja emocionalmente ou fisicamente.   

Entrou em depressão extrema se isolando de todos(e sem hipocrisia, a maioria das pessoas, menos essa namorada, não tinha paciência ou importância e essa namorada o usava para também não ser solitária).

Foi abusivo, quis ser mal “de propósito”, se enxergava como um monstro e até mesmo nem conseguia definir sua identidade (seus traços de desenho mostram isso ao decorrer do tema). 

Mas ele era mau? Então lembra da parte que eu disse sobre as crianças serem livros em branco? Ele não era mau de acordo com a história, ele só vivia as circunstâncias e a negligência com a falta de compreensão real de suas necessidades. 

Até mesmo a sua “namorada” com quem ele fica no final vai atrás dos pais de Punpun e descobre sob a ótica de um adulto(diferente como o da criança nos volumes iniciais) como foi sua vida e a primeira coisa que ela faz quando ouve a história toda do pai do protagonista: 

“Tenho de encontrar ele logo, ele precisa urgentemente de ajuda e nunca soube disso” 

De fato, todos os personagens dessa obra precisam e infelizmente de forma realista/psicótica não é chegado a ajuda de forma adequada. Ou muitos la passaram por dificuldades inerentes à “normalidade”.  

Ao Punpun e a algumas personagens é fácil inferir o patológico, mas alguns personagens é difícil discernir do que é uma dificuldade de vida normal ou uma vida muito ferrada.   

Se eu quisesse transmitir uma mensagem com a obra com que aprendi sobre psicologia infantil básica e isso aprendi conversando com o palhaço de um hospital infantil de câncer que eu trabalhei: 

Temos que deixar as crianças serem crianças ao máximo” 

O culto do apocalipse teve o mesmo final do Jim Jones e para ironia do autor, a morte foi retratada de forma ambígua como real e fantasiosa. 

Aiko, tentando fugir com Punpun após ambos terem acidentalmente matado a mãe dela, se suicida com uma dor que psicologicamente era intensa e a presença de Punpun naquela fase de vida dele não a ajudava. 

Punpun tenta se matar furando um olho, mas falha e a tempo(para não dar um tom trágico-clichê à obra, um belo toque) consegue ser resgatado de si, por seus amigos e sua namorada. 

O que mostra a subjetividade da obra, não é um final feliz, mas é confortável e real. E definitivamente é uma daquelas obras que eu indicaria tranquilamente a alguém que quer fazer pediatria e entender a criança de verdade. 

“Porque até mentalmente criança não é adulto pequeno” 

 

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E daqui para baixo é spoiler de 2021 então se você ainda tiver aquela criança interior sensível e se incomodar com expectativa melhor parar aqui. E sugiro você ler a parte 1 porque vou evitar ser repetitivo.

A série rebuild traz tudo o que a série anterior trouxe, Shinji deprimido, a Asuka mais histrionica, Misato mentindo sobre si e a todos, Kaji com seu transtorno de stress pós trauma, Dra. Akagi tendo que lidar com sua maternidade artificial com o sistema de computador MAGI(que é uma alusão ao cérebro de sua mãe, Id, Ego e Superego) e o pai de Shinji obcecado com o meme “entra no robô”

Nesse caso a nova versão como a própria se declara, “muito mais fanservice” e para não estragar a graça e fugir do tema não irei me ater a essa crítica, deixo a fãs e não tão fãs assistirem.  

Mas de fato é um sucesso, só no Japão lançado em janeiro e nos outros países em abril, a conclusão desses longas de 4 filmes faturou mais que muitos filmes da Marvel no mundo. E eu que sou um chato para assistir filme no celular esperei até meia noite para ver na Amazon (Patrocina eu).

O que me surpreendeu a ponto de querer mostrar aos médicos, estudantes de medicina e entusiastas da área foi, além do que citei no post anterior, e a partir do 3º filme divergiu da original, criando esse e mais um 4º filme que mesmo tendo nada a ver com a série original(que foi a parte 1) na minha opinião é quase perfeito para encerrar a série Evangelion e saúde mental. 

Não vou me ater até o 2º filme porque ele repete exatamente a série até o meio e no 3º e o 4º filme mostram algo sutil a medicina que é enorme se enxergado. 

O execrável Shinji Ikari no 3º filme encontra-se 14 anos após o 2º filme, com a mesma aparência, mentalidade, confuso perante a rejeição extrema de todos aos seus antigos amigos, com seu quadro clínico se deteriorando a ponto de regredir a maturidade, tornando-se muito mais vulnerável em busca de aceitação.  

Asuka com a mesma aparência de 14 anos mais mal-humorada e com o aspecto da velha ranzinza, uma imaturidade de mulher em corpo de criança, porém seu \"histrionismo\" deu espaço a alguém que não superou a vontade de vencer e sim desistiu(O que é uma forma de manifestação de algum red flag em saúde mental).

Um personagem meio X que é Mari observando os protagonistas como bichinhos de laboratório, e digamos que seja uma mistura de fanservice, o complexo de édipo e a sexualidade, esses batem forte nessa personagem e existe uma história a parte que nos filmes não é mostrada só no mangá.  

A história da Mari na trama tem fatores psicológicos a parte e até tem alguns estudos, mas para evitar o caos só coloco os parênteses, pois até o autor fez isso colocando a história dela em outro lugar.  

Nessa mistura de ódio e rejeição, Shinji acaba sendo misteriosamente aceito (mesmo que de modo frio) por seu pai, “Rei” e Kaworu. 

Shinji descobre que ele iniciou sem querer uma destruição maior da humanidade, a “Rei” que ele conheceu era um clone de substituição de pilotos e acha que obedecendo seu pai, cumprindo seu papel junto com Kaworu tudo irá voltar ao normal.  

Não fica claro que Kaworu e Shinji tenham uma laço romântico-sexual, porém mostram cenas de Shinji se abrindo ao garoto e Kaworu o seduzindo, o famoso “olha, como apesar de nossas diferenças, combinamos” e a cena do piano em quatro mãos em que ambos entram em “sincronia com seus sentimentos na música”(Fanservice).

Não sei se o criador estudou mais psicanálise, mas parece que se aprofundou para dar mais fanservice e obrigado/de nada. 

Há um claro fato que Shinji se abriu a Kaworu de forma emocional. Porém, em um plot twist, Kaworu se sacrifica para salvar Shinji, dizendo para ele ser diferente daquele fadado a repetir a história de dissecar a mente alheia e glorificar a morte. O que aliás, temos essa alusão na cena em que eles andam em cima de caveiras. 

Meio bobo se virmos somente isso, mas calma, que ainda tem mais. 

Shinji, resgatado por Asuka e agora no 4º filme lançado esse ano, encontra-se em um estado severo pós-trauma em catatonia, “Rei” os segue por não ter nada melhor para fazer e Asuka busca voltar ao seu quartel sem tentar ser a perfeita novamente, por desistência mediante fracassos depois de 14 anos. 

Detalhe interessante explorado mais a fundo nessa série é sua historia, no surto psicótico de sua mãe, ela achava que sua filha era uma boneca e a filha orgânica, uma falsificação buscando substituir a “Asuka boneca”. 

Após o suicídio de sua mãe Asuka nessa série conversa com a boneca sobre o seu self, o que ela pensa ou sentia, colocando ambas as personificações mãe, a si e amiga em um conjunto de autoanálise. 

O filme é divido em 3 atos. 

O primeiro é a análise da simplicidade e da paciência à saúde mental

Shinji catatônico em luto vendo o que sobrou do mundo que ele destruiu, mas ao invés da selvageria Mad Max, viu pessoas se ajudando aproveitando a vida como podem e em sociedade. 

“Rei” acompanhava a rotina de uma pessoa comum, os laços com a maternidade, crianças e as coisas simples da vida. O que ela nunca teve já que é um clone, gostando disso, o comum, o banal, aquele dia a dia que achamos tedioso, mas amamos em conjunto porque desenvolvemos bem socialmente se um bom meio. 

Asuka, teimosa como sempre, querendo ser a durona, esperando somente a próxima missão, ser brigão também é uma forma de desistência da vida. E no fundo preocupada com Shinji, sem saber como retirar ele da catatonia, inclusive forçando ele se alimentar, o agredindo verbalmente e fisicamente para um mínimo de reação. Ela falha miseravelmente. 

Isso demonstra nossas dificuldades em novas experiências sendo elas boas ou ruins; e principalmente com a doença mental.  

É fácil para o senso comum lidar com um doente mental com romance ou dar um socão na boca. Porém, nada disso resolve ou pode até piorar. E isso nesse filme é literalmente mostrado. 

Shinji aos poucos recobra parte de sua mente quebrada, assim como o tempo com supervisão ajuda a cicatrizar feridas psiquiátricas e descobre que a “Rei” que estava com eles iria morrer em breve, mas ela sorriu agradecendo por mostrar o lado afetivo do ser humano e oportunidades de mudarmos nossa saúde mental surgem.  

E então ele diz que gostaria de ir atrás de seu pai e descobrir respostas e de parar essa loucura que são esses dois últimos filmes. 

O segundo ato consiste em umas lutas cheias de analogias a criação do mundo, concepção do universo que não compensa nessa crítica voltada a medicina tentar entender, só assistam e se divirtam. 

Um adendo: Enquanto eles percorriam o limite do universo se preparando para a batalha final percorrendo os corredores da nave, Mari e Asuka conversam: 

-Princesa? Por que você não vai ver o cachorrinho? Vocês seriam ótimos juntos. - Disse Mari 

-Ele precisa é de uma mãe, não de uma namorada. - Retrucou a Colega 

Asuka explica o que Shinji procurava em uma linha de mau humor. E isso é bem interessante, porque mostra a maturidade de uma personagem por mais racionalização que tenha nessa frase, errada ela não está.  

Agora o terceiro ato seja talvez a parte mais bela de uma série que sem querer abordou o mais interessante em saúde mental.  

O pai de Shinji conseguiu, ele se uniu ao EVA 013 como entidade perfeita e abriu um caminho para a instrumentalização humana, ou seja, novamente o conceito de mente coletiva, sem barreiras entre as pessoas.  

Shinji tenta pará-lo antes que ele destrua o que sobrou do mundo por motivos que ninguém sabia até então. 

Em um antiuniverso feito de memórias/um cenário de filme, Shinji luta contra seu pai fisicamente, o menino triste no EVA 01 e seu pai no EVA 013, um usando a lança da criação e outro da destruição (conceito de lanças vindas da origem do mundo do xintoísmo, belo toque). 

A luta física em si era empatada, o mesmo pai disse que luta física era inútil nesse domínio e sobre quem tinha maior poder, porque não tinha maior poder. 

Até esse ponto eu achava que seria a jornada do herói em que entraria um deus ex-machina e salvaria Shinji. O que foi feito em \"the end of evangelion\" e eu tenho minhas ressalvas.

Porém, começou o que talvez seja a melhor batalha final que já vi em um filme de ação, mangá ou anime. 

Shinji desistiu da luta física, encarou seu pai na massa de mentes coletivas, ultrapassou a barreira mental de seu pai. 

Se sentaram em um um ambiente confortável a ambos (vagão de trem) onde Shinji e seu pai em suas épocas se isolavam e o menino perguntou, “o que você sente?” 

O pai de Shinji contou sua história ao filho, era solitário, triste, não gostava do contato com outras pessoas, se fechava em livros, no piano e se isolava a medida do necessário.  

Até que ele encontrou Yui com quem ele viria a se abrir, ela corresponde e tem um filho, mas ele não entendia o que era ter um filho (já que os pais o abandonaram).  

Yui morreu, duas mães morreram, a mãe da criança, a mulher de alguém que correspondia todas as necessidades que o pai não teve a vida toda.  

Novidade que analista de saúde mental talvez não diga na internet: Provavelmente o pai era borderline ou personalidade de esquiva. E mais uma vez sem romantismo era um personagem doente mental e odiado por todo mundo.  

Com a morte dela se sentia perdido, não podia mais voltar a ser o solitário mesmo que implorasse a si e achando que abandonando tudo, o filho, se envolver em relações superficiais enquanto tentava ser o centro da humanidade no projeto de instrumentalidade humana encontraria a única a quem ele realmente se sentiu vulnerável. 

Materializar um delírio? Um sonho não correspondido? Morrer em um ambiente coletivo onírico? Não sei, somente assistam nesse ponto. 

O que é interessante constatar é: Quantas vezes na medicina batemos de frente com um paciente verbalmente, moralmente e até fisicamente sendo que podemos resolver maioria dos problemas de conduta médica (seja adesão ou compreensão) com 5 segundos a mais de conversa com a atuação correta. 

Shinji fez aquilo que acho que qualquer médico tem a obrigação de fazer, ele atingiu o centro de vulnerabilidade de onde surge o sofrimento, a patologia, e conversou sobre isso.  

Shinji percorreu todos os caminhos possíveis no antiuniverso que entraram fundidos com o universo atual e como tal era tudo um set de filmes, mostrando a velha premissa do teatro grego que a vida é uma grande peça. 

Viu Asuka criança chorando, querendo somente ter o carinho de alguém que a compreendesse, então a boneca Asuka assume isso, saindo dela Saji, seu amigo de escola, Shinji conta que a amava do jeito que ela era e os momentos dos dois juntos foram bons. 

Juntou Kaworu e Kaji\\Misato na mesma realidade para que ambos aprendam sobre o outro sobre laços familiares e emocionais para existir um mundo melhor. 

E quanto a Rei original, segurando um boneco simbolizando a tentativa de maternidade(e a teoria de apego de Harlow invertida), quis um universo sem EVA, Anjos e destruição para seu filho de pano. 

Não se sabe se era um universo individual, se todos morreram em uma parte, se era um só universo. 

Isso fica a critério de quem assiste, na minha opinião essas mudanças vistas eram só uma perspectiva do mesmo universo que iriam se ajustar com o tempo. 

Todos saíram felizes de seus status, não de forma curativa e perfeita e sim aceitando sua mente com maturidade e acompanhamento. E eu acho que aqui entra parte do “tratamento”. 

O final mostra um Shinji mais amadurecido, sedutor, alegre e não precisando ter medo de mudar sua vida simbolizado pelo colar de explosivos ao redor de seu pescoço, removido por Mari. 

E ambos saem explorando um novo mundo, as mesmas pessoas, com os mesmos problemas de sociedade, porém juntos. 

E assim termina Evangelion, e pelo que descrevo é um final épico, não é todo o dia que se vê uma luta final sem agressão física, só psicológica e daquelas bem-feitas. 

E como disse: Na medicina temos os princípios de comunicação médica, saúde mental e psicanálise em um desenho para criança. E a melhor luta final em um filme que na opinião deste que vos fala já viu. 

Mas enquanto a Evangelion, na franquia, se este foi o final definitivo eles acertaram por mais que o tempo quase atrapalhe um final bom(to falando de você Kingdom hearts 3).  

O que pode ser notado na personalidade do autor Hideaki Anno é que sempre foi lento, tinha fama de brigar com os sócios de estúdio e de ter muitos atrasos. Ele foi diagnosticado com depressão clínica. É lindo eu dizer que ele criou uma obra prima em detrimento de como pessoa ele ser um mala.

Uma forma das pessoas usarem seus problemas psíquicos para algo bom se chama sublimação:

-Um autor depressivo que faz uma obra prima sobre saúde mental
-Um estudante de medicina fisícamente agressivo que vira um cirurgião
-O médico que decide se afastar do paciente e decide se fechar como um patologista ou radiologista.
-Quem busca entrar na mente para se entender como um psiquiatra.
-Entre outros

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Se não gostou e acha que eu estou romantizando um filme digital que era de acetato, comenta ai abaixo.
Só evitem romantizar doença mental, por favor.

Sayonara all the evangelion. 
PS: O titúlo tem easter egg

 

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E daqui para baixo é spoiler de 2021 então se você ainda tiver aquela criança interior sensível e se incomodar com expectativa melhor parar aqui. E sugiro você ler a parte 1 porque vou evitar ser repetitivo.

A série rebuild traz tudo o que a série anterior trouxe, Shinji deprimido, a Asuka mais histrionica, Misato mentindo sobre si e a todos, Kaji com seu transtorno de stress pós trauma, Dra. Akagi tendo que lidar com sua maternidade artificial com o sistema de computador MAGI(que é uma alusão ao cérebro de sua mãe, Id, Ego e Superego) e o pai de Shinji obcecado com o meme “entra no robô”

Nesse caso a nova versão como a própria se declara, “muito mais fanservice” e para não estragar a graça e fugir do tema não irei me ater a essa crítica, deixo a fãs e não tão fãs assistirem.  

Mas de fato é um sucesso, só no Japão lançado em janeiro e nos outros países em abril, a conclusão desses longas de 4 filmes faturou mais que muitos filmes da Marvel no mundo. E eu que sou um chato para assistir filme no celular esperei até meia noite para ver na Amazon (Patrocina eu).

O que me surpreendeu a ponto de querer mostrar aos médicos, estudantes de medicina e entusiastas da área foi, além do que citei no post anterior, e a partir do 3º filme divergiu da original, criando esse e mais um 4º filme que mesmo tendo nada a ver com a série original(que foi a parte 1) na minha opinião é quase perfeito para encerrar a série Evangelion e saúde mental. 

Não vou me ater até o 2º filme porque ele repete exatamente a série até o meio e no 3º e o 4º filme mostram algo sutil a medicina que é enorme se enxergado. 

O execrável Shinji Ikari no 3º filme encontra-se 14 anos após o 2º filme, com a mesma aparência, mentalidade, confuso perante a rejeição extrema de todos aos seus antigos amigos, com seu quadro clínico se deteriorando a ponto de regredir a maturidade, tornando-se muito mais vulnerável em busca de aceitação.  

Asuka com a mesma aparência de 14 anos mais mal-humorada e com o aspecto da velha ranzinza, uma imaturidade de mulher em corpo de criança, porém seu \"histrionismo\" deu espaço a alguém que não superou a vontade de vencer e sim desistiu(O que é uma forma de manifestação de algum red flag em saúde mental).

Um personagem meio X que é Mari observando os protagonistas como bichinhos de laboratório, e digamos que seja uma mistura de fanservice, o complexo de édipo e a sexualidade, esses batem forte nessa personagem e existe uma história a parte que nos filmes não é mostrada só no mangá.  

A história da Mari na trama tem fatores psicológicos a parte e até tem alguns estudos, mas para evitar o caos só coloco os parênteses, pois até o autor fez isso colocando a história dela em outro lugar.  

Nessa mistura de ódio e rejeição, Shinji acaba sendo misteriosamente aceito (mesmo que de modo frio) por seu pai, “Rei” e Kaworu. 

Shinji descobre que ele iniciou sem querer uma destruição maior da humanidade, a “Rei” que ele conheceu era um clone de substituição de pilotos e acha que obedecendo seu pai, cumprindo seu papel junto com Kaworu tudo irá voltar ao normal.  

Não fica claro que Kaworu e Shinji tenham uma laço romântico-sexual, porém mostram cenas de Shinji se abrindo ao garoto e Kaworu o seduzindo, o famoso “olha, como apesar de nossas diferenças, combinamos” e a cena do piano em quatro mãos em que ambos entram em “sincronia com seus sentimentos na música”(Fanservice).

Não sei se o criador estudou mais psicanálise, mas parece que se aprofundou para dar mais fanservice e obrigado/de nada. 

Há um claro fato que Shinji se abriu a Kaworu de forma emocional. Porém, em um plot twist, Kaworu se sacrifica para salvar Shinji, dizendo para ele ser diferente daquele fadado a repetir a história de dissecar a mente alheia e glorificar a morte. O que aliás, temos essa alusão na cena em que eles andam em cima de caveiras. 

Meio bobo se virmos somente isso, mas calma, que ainda tem mais. 

Shinji, resgatado por Asuka e agora no 4º filme lançado esse ano, encontra-se em um estado severo pós-trauma em catatonia, “Rei” os segue por não ter nada melhor para fazer e Asuka busca voltar ao seu quartel sem tentar ser a perfeita novamente, por desistência mediante fracassos depois de 14 anos. 

Detalhe interessante explorado mais a fundo nessa série é sua historia, no surto psicótico de sua mãe, ela achava que sua filha era uma boneca e a filha orgânica, uma falsificação buscando substituir a “Asuka boneca”. 

Após o suicídio de sua mãe Asuka nessa série conversa com a boneca sobre o seu self, o que ela pensa ou sentia, colocando ambas as personificações mãe, a si e amiga em um conjunto de autoanálise. 

O filme é divido em 3 atos. 

O primeiro é a análise da simplicidade e da paciência à saúde mental

Shinji catatônico em luto vendo o que sobrou do mundo que ele destruiu, mas ao invés da selvageria Mad Max, viu pessoas se ajudando aproveitando a vida como podem e em sociedade. 

“Rei” acompanhava a rotina de uma pessoa comum, os laços com a maternidade, crianças e as coisas simples da vida. O que ela nunca teve já que é um clone, gostando disso, o comum, o banal, aquele dia a dia que achamos tedioso, mas amamos em conjunto porque desenvolvemos bem socialmente se um bom meio. 

Asuka, teimosa como sempre, querendo ser a durona, esperando somente a próxima missão, ser brigão também é uma forma de desistência da vida. E no fundo preocupada com Shinji, sem saber como retirar ele da catatonia, inclusive forçando ele se alimentar, o agredindo verbalmente e fisicamente para um mínimo de reação. Ela falha miseravelmente. 

Isso demonstra nossas dificuldades em novas experiências sendo elas boas ou ruins; e principalmente com a doença mental.  

É fácil para o senso comum lidar com um doente mental com romance ou dar um socão na boca. Porém, nada disso resolve ou pode até piorar. E isso nesse filme é literalmente mostrado. 

Shinji aos poucos recobra parte de sua mente quebrada, assim como o tempo com supervisão ajuda a cicatrizar feridas psiquiátricas e descobre que a “Rei” que estava com eles iria morrer em breve, mas ela sorriu agradecendo por mostrar o lado afetivo do ser humano e oportunidades de mudarmos nossa saúde mental surgem.  

E então ele diz que gostaria de ir atrás de seu pai e descobrir respostas e de parar essa loucura que são esses dois últimos filmes. 

O segundo ato consiste em umas lutas cheias de analogias a criação do mundo, concepção do universo que não compensa nessa crítica voltada a medicina tentar entender, só assistam e se divirtam. 

Um adendo: Enquanto eles percorriam o limite do universo se preparando para a batalha final percorrendo os corredores da nave, Mari e Asuka conversam: 

-Princesa? Por que você não vai ver o cachorrinho? Vocês seriam ótimos juntos. - Disse Mari 

-Ele precisa é de uma mãe, não de uma namorada. - Retrucou a Colega 

Asuka explica o que Shinji procurava em uma linha de mau humor. E isso é bem interessante, porque mostra a maturidade de uma personagem por mais racionalização que tenha nessa frase, errada ela não está.  

Agora o terceiro ato seja talvez a parte mais bela de uma série que sem querer abordou o mais interessante em saúde mental.  

O pai de Shinji conseguiu, ele se uniu ao EVA 013 como entidade perfeita e abriu um caminho para a instrumentalização humana, ou seja, novamente o conceito de mente coletiva, sem barreiras entre as pessoas.  

Shinji tenta pará-lo antes que ele destrua o que sobrou do mundo por motivos que ninguém sabia até então. 

Em um antiuniverso feito de memórias/um cenário de filme, Shinji luta contra seu pai fisicamente, o menino triste no EVA 01 e seu pai no EVA 013, um usando a lança da criação e outro da destruição (conceito de lanças vindas da origem do mundo do xintoísmo, belo toque). 

A luta física em si era empatada, o mesmo pai disse que luta física era inútil nesse domínio e sobre quem tinha maior poder, porque não tinha maior poder. 

Até esse ponto eu achava que seria a jornada do herói em que entraria um deus ex-machina e salvaria Shinji. O que foi feito em \"the end of evangelion\" e eu tenho minhas ressalvas.

Porém, começou o que talvez seja a melhor batalha final que já vi em um filme de ação, mangá ou anime. 

Shinji desistiu da luta física, encarou seu pai na massa de mentes coletivas, ultrapassou a barreira mental de seu pai. 

Se sentaram em um um ambiente confortável a ambos (vagão de trem) onde Shinji e seu pai em suas épocas se isolavam e o menino perguntou, “o que você sente?” 

O pai de Shinji contou sua história ao filho, era solitário, triste, não gostava do contato com outras pessoas, se fechava em livros, no piano e se isolava a medida do necessário.  

Até que ele encontrou Yui com quem ele viria a se abrir, ela corresponde e tem um filho, mas ele não entendia o que era ter um filho (já que os pais o abandonaram).  

Yui morreu, duas mães morreram, a mãe da criança, a mulher de alguém que correspondia todas as necessidades que o pai não teve a vida toda.  

Novidade que analista de saúde mental talvez não diga na internet: Provavelmente o pai era borderline ou personalidade de esquiva. E mais uma vez sem romantismo era um personagem doente mental e odiado por todo mundo.  

Com a morte dela se sentia perdido, não podia mais voltar a ser o solitário mesmo que implorasse a si e achando que abandonando tudo, o filho, se envolver em relações superficiais enquanto tentava ser o centro da humanidade no projeto de instrumentalidade humana encontraria a única a quem ele realmente se sentiu vulnerável. 

Materializar um delírio? Um sonho não correspondido? Morrer em um ambiente coletivo onírico? Não sei, somente assistam nesse ponto. 

O que é interessante constatar é: Quantas vezes na medicina batemos de frente com um paciente verbalmente, moralmente e até fisicamente sendo que podemos resolver maioria dos problemas de conduta médica (seja adesão ou compreensão) com 5 segundos a mais de conversa com a atuação correta. 

Shinji fez aquilo que acho que qualquer médico tem a obrigação de fazer, ele atingiu o centro de vulnerabilidade de onde surge o sofrimento, a patologia, e conversou sobre isso.  

Shinji percorreu todos os caminhos possíveis no antiuniverso que entraram fundidos com o universo atual e como tal era tudo um set de filmes, mostrando a velha premissa do teatro grego que a vida é uma grande peça. 

Viu Asuka criança chorando, querendo somente ter o carinho de alguém que a compreendesse, então a boneca Asuka assume isso, saindo dela Saji, seu amigo de escola, Shinji conta que a amava do jeito que ela era e os momentos dos dois juntos foram bons. 

Juntou Kaworu e Kaji\\Misato na mesma realidade para que ambos aprendam sobre o outro sobre laços familiares e emocionais para existir um mundo melhor. 

E quanto a Rei original, segurando um boneco simbolizando a tentativa de maternidade(e a teoria de apego de Harlow invertida), quis um universo sem EVA, Anjos e destruição para seu filho de pano. 

Não se sabe se era um universo individual, se todos morreram em uma parte, se era um só universo. 

Isso fica a critério de quem assiste, na minha opinião essas mudanças vistas eram só uma perspectiva do mesmo universo que iriam se ajustar com o tempo. 

Todos saíram felizes de seus status, não de forma curativa e perfeita e sim aceitando sua mente com maturidade e acompanhamento. E eu acho que aqui entra parte do “tratamento”. 

O final mostra um Shinji mais amadurecido, sedutor, alegre e não precisando ter medo de mudar sua vida simbolizado pelo colar de explosivos ao redor de seu pescoço, removido por Mari. 

E ambos saem explorando um novo mundo, as mesmas pessoas, com os mesmos problemas de sociedade, porém juntos. 

E assim termina Evangelion, e pelo que descrevo é um final épico, não é todo o dia que se vê uma luta final sem agressão física, só psicológica e daquelas bem-feitas. 

E como disse: Na medicina temos os princípios de comunicação médica, saúde mental e psicanálise em um desenho para criança. E a melhor luta final em um filme que na opinião deste que vos fala já viu. 

Mas enquanto a Evangelion, na franquia, se este foi o final definitivo eles acertaram por mais que o tempo quase atrapalhe um final bom(to falando de você Kingdom hearts 3).  

O que pode ser notado na personalidade do autor Hideaki Anno é que sempre foi lento, tinha fama de brigar com os sócios de estúdio e de ter muitos atrasos. Ele foi diagnosticado com depressão clínica. É lindo eu dizer que ele criou uma obra prima em detrimento de como pessoa ele ser um mala.

Uma forma das pessoas usarem seus problemas psíquicos para algo bom se chama sublimação:

-Um autor depressivo que faz uma obra prima sobre saúde mental
-Um estudante de medicina fisícamente agressivo que vira um cirurgião
-O médico que decide se afastar do paciente e decide se fechar como um patologista ou radiologista.
-Quem busca entrar na mente para se entender como um psiquiatra.
-Entre outros

Se curtiu, compartilha
Se não gostou e acha que eu estou romantizando um filme digital que era de acetato, comenta ai abaixo.
Só evitem romantizar doença mental, por favor.

Sayonara all the evangelion. 
PS: O titúlo tem easter egg

 

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Alerta: Tem spoiler, mas qual é? 20 anos de casa e tem na Netfix(Me patrocina?) 

Evangelion é uma série animada sobre crianças pilotando robôs gigantes (os EVA) em um mundo se reconstruindo após um efeito cataclísmico para evitar que monstros (chamados de anjos) destruam o que sobrou.  

Enredo simples, tiro, pancada, sangue e tripa. Tudo o que um jovem gosta. No Japão vende boneco, jogos de azar, sapato e até colírio. O merchandising de Evangelion talvez só perca em nível de clássico para as séries Dragon ball, Gundam, Digimon e Pokémon. 

Porém à medida que a história e a qualidade gráfica se desenvolve começa a se equiparar em narrativa aos Estúdios Ghibli e a qualidade da animação Disney. 

A Saúde mental dos personagens e suas interações são o que fazem justamente a série passar de um desenho genérico de robôs gigantes no começo de alguns episódios e filmes para uma franquia de sucesso. Isso e alguns fanservices. 

Dizem que o criador da série, Hideaki Anno estudou um pouco de psicanálise ao desenvolver os personagens, mas carece de fontes concretas. E dizem as fontes que ele realmente tinha depressão clínica e resolveu usar a obra Neon Genesis Evangelion como uma expressão.

O que se sabe é que os personagens têm características tão complexas de psicopatologia que são cativados e odiados até hoje.  

É fácil classificar os personagens a partir de análises psicológicas, a internet está até saturada, mas vou evoluir isso a mais considerando o que todo mundo diz sobre alguns personagens e o enredo eu colocarei as atribuições externas para a saúde mental. 

Então prepare a pipoca, o ISRS e o Benzo.

Shinji é o protagonista, é quase unânime pelos fãs e na série que ninguém gosta dele, quem assiste não gosta, os personagens ao seu redor têm antipatia, seu pai não gosta dele, nem ele gosta dele mesmo, e o quadro continua por mais que ele ganhe reconhecimento e amigos o sentimento negativo persiste. E é nessa situação que encontramos as sutilezas da saúde mental. 

Shinji tem o quadro clássico de depressão com tudo que tem direito a fatores de risco para o desenvolvimento da patologia.  

Sua mãe morreu, o pai o abandonou, todos o enxergam somente como só “o piloto salvador da humanidade” ou “o idiota que destrói a cidade a cada luta” e a única coisa que ele gostaria era ser “deixado em paz”

É uma personagem chata, birrenta que ninguém aguenta ou sabe abordar adequadamente. 

Uma pessoa que, como disse acima, é o exemplo do típico caso de depressão, da realidade da pessoa comum, ninguém gosta, compreende, porém machuca refletir:

A realidade da pessoa com depressão não é legal, é uma doença complexa de lidar e quem não é da saúde acha até chato e confuso. 

Asuka é a demonstração clássica da pessoa “mais doente é a que transmite mais saúde”

Todos nós conhecemos a pessoa que diz emitir saúde física ou mental e no fundo é totalmente quebrada. 

Ela se considera madura, bonita, inteligente e perfeita combatente.  

No fundo ela é histriônica, vive querendo provar ser a melhor para provar a tudo e a todos que era a melhor.

Porém quando conseguiu algo próximo a isso, a mãe tentou matá-la em um surto psicótico antes de tentar suicídio, nunca conheceu seu pai (somente sabia que ele era de perfil genético perfeito) e como piloto EVA, fato que ela vivia se se exibindo por ser a melhor, por azar acabou perdendo para o deplorável Shinji.  

Tudo o que ela queria era alguém para abraçar, chegando até dar em cima de forma sexual de um homem mais velho para ter seus sentimentos edipianos correspondidos (Freud filha explica).

Rei Ayanami é o caso mais simples e complexo. Ela é um ser humano artificial e vazio, toda sua construção mental foi pré-programada para ter afeição ao pai de Shinji, sendo um clone de sua falecida esposa, mãe do protagonista. Porém ao decorrer da série a correspondência da afetividade de Shinji (Freud pai explica) a fez desenvolver fatores, laços e sentimentos ao nível de se sacrificar ao bem maior de seu filho e consequentemente uma não correspondência ao pai do mesmo. 

Dizem que Rei Ayanami é o típico caso das crianças lobo que foram criadas fora do convívio humano e foram inseridas abruptamente na sociedade, porém, como não tenho experiência em ler sobre o fato e as histórias das crianças lobo são muito questionáveis, não irei continuar. 

E temos Kaworu Nagisa, o último anjo. Kaworu é um dos personagens mais perigosos em saúde mental da série. Ele é a encarnação de tudo o que talvez a psiquiatria e psicologia tenham mais medo: o famoso abismo que contempla de volta.  

O garoto calmo, de feições delicadas, bom de conversa, empático ao ponto de Shinji se abrir (de acordo com alguns críticos) até sexualmente e induz ao pensamento de como você pode acabar com a dor e o sofrimento mental: “Junte se a mim e morra”

Na morte não há dor, tristeza, isolamento ou ódio. Mas não há alegria, união e felicidade. Dane-se você, de quem está do lado ou pior, como disse acima, se você isolar uma pessoa e surgir um Kaworu dentro ou fora da sua vida nesse momento, isso é algo extremamente perigoso: \"O abismo que te contempla\". 

E pior, se você se abrir a esse lado em momentos errados, você pode ter grandes problemas. Não que isso tenha acontecido comigo. 

Discutir os episódios e personagem um por um seriam longos e desnecessários para o texto, maternidade/paternidade, transtorno de stress pós-trauma e tem até quem enxergue analogias à psicose médica. 

O final do anime saiu de forma que nenhuma criança ou jovem entendeu e só lembra do meme \"parabains\", é praticamente uma sessão de terapia concentrada ou aquele famoso “aquele momento que de verdade a pessoa se encara”.  

 

  PS: Eu gosto mais do meme \"PARABENS ZÉ\"

Jung chama isso de Self e quando encarar seus arquétipos principalmente anima e assombra. Mas discutir arquétipos valem um livro e outro post cheio de referências e fanservice.  E sinto dizer, mas o arquétipo de um certo best seller não é Junguiano, na verdade eu acho até que é clickbait em livro.

E se os da MBE acharem que estou falando abobrinha, já existem estudos sobre abandono familiar em pacientes com doença mental leve e moderado. A estatística assusta (assim como você esta disposto a me criticar, não estou em ficar te mostrando, digite no pubmedparental \"abandon\" and mental disease).

Todos os personagens têm algo em comum e aí que mora a magia da psicopatologia da série: os transtornos mentais dos personagens não são engraçados ou empáticos, pelo contrário, todo mundo odeia, são repulsivos e agoniantes. 

Experimente identificar, conviver e analisar todos os aspectos da psicologia médica de um paciente, um colega, um amigo ou familiar, é difícil e não se resume à \"entrevista psiquiátrica\"(como eu detestava isso na faculdade).  

Um desafio: Quando foi que a vida ou faculdade de medicina te ensinaram a lidar com isso adequadamente? 

Citar Nise da Silveira, a luta antimanicomial, apoiar o famosinho com depressão a distância é fácil.  Difícil é estudar psiquiatria e psicologia médica.

É uma dificuldade que hoje sucateia o cuidado em saúde mental, transformando o que deveria ser um fator de reflexão social, em no máximo militância barata atendendo objetivos de grupos convenientes de políticos e até comerciais.   

O final do mangá saiu no penúltimo volume, quase 10 anos após o publicado em 2011 e o último saiu 3 anos após o anterior. Eu sei, comprei na época da faculdade e na época tinha que escolher entre a coxinha da tarde ou minha coleção. 

E foi um final bem satisfatório, e menos confuso, em que Shinji em uma inteligência coletiva encara que a coletividade sempre falha a meu ver: entender o indivíduo e suas reais necessidades. 

E assim foi Evangelion e a psicopatologia, até os idos de 2010 quando o autor lançou em formato de longa metragem um remake (e se o mangá for seguido à risca, quase uma sequência) a série rebuild. 

Mas para isso aguardem a parte 2. 

Enquanto não chega, assistam a uma obra prima mais que ASMR

Curso A Medicina e os Animes

Totoro, Vidas ao Vento, Mushi-shi, Monster, Evangelion e... Medicina! Prepare-se para um discussão inusitada sobre os ricos insights que os animes e as obras da literatura japonesa têm a oferecer à área da saúde!

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Enredo simples, tiro, pancada, sangue e tripa. Tudo o que um jovem gosta. No Japão vende boneco, jogos de azar, sapato e até colírio. O merchandising de Evangelion talvez só perca em nível de clássico para as séries Dragon ball, Gundam, Digimon e Pokémon. 

Porém à medida que a história e a qualidade gráfica se desenvolve começa a se equiparar em narrativa aos Estúdios Ghibli e a qualidade da animação Disney. 

A Saúde mental dos personagens e suas interações são o que fazem justamente a série passar de um desenho genérico de robôs gigantes no começo de alguns episódios e filmes para uma franquia de sucesso. Isso e alguns fanservices. 

Dizem que o criador da série, Hideaki Anno estudou um pouco de psicanálise ao desenvolver os personagens, mas carece de fontes concretas. E dizem as fontes que ele realmente tinha depressão clínica e resolveu usar a obra Neon Genesis Evangelion como uma expressão.

O que se sabe é que os personagens têm características tão complexas de psicopatologia que são cativados e odiados até hoje.  

É fácil classificar os personagens a partir de análises psicológicas, a internet está até saturada, mas vou evoluir isso a mais considerando o que todo mundo diz sobre alguns personagens e o enredo eu colocarei as atribuições externas para a saúde mental. 

Então prepare a pipoca, o ISRS e o Benzo.

Shinji é o protagonista, é quase unânime pelos fãs e na série que ninguém gosta dele, quem assiste não gosta, os personagens ao seu redor têm antipatia, seu pai não gosta dele, nem ele gosta dele mesmo, e o quadro continua por mais que ele ganhe reconhecimento e amigos o sentimento negativo persiste. E é nessa situação que encontramos as sutilezas da saúde mental. 

Shinji tem o quadro clássico de depressão com tudo que tem direito a fatores de risco para o desenvolvimento da patologia.  

Sua mãe morreu, o pai o abandonou, todos o enxergam somente como só “o piloto salvador da humanidade” ou “o idiota que destrói a cidade a cada luta” e a única coisa que ele gostaria era ser “deixado em paz”

É uma personagem chata, birrenta que ninguém aguenta ou sabe abordar adequadamente. 

Uma pessoa que, como disse acima, é o exemplo do típico caso de depressão, da realidade da pessoa comum, ninguém gosta, compreende, porém machuca refletir:

A realidade da pessoa com depressão não é legal, é uma doença complexa de lidar e quem não é da saúde acha até chato e confuso. 

Asuka é a demonstração clássica da pessoa “mais doente é a que transmite mais saúde”

Todos nós conhecemos a pessoa que diz emitir saúde física ou mental e no fundo é totalmente quebrada. 

Ela se considera madura, bonita, inteligente e perfeita combatente.  

No fundo ela é histriônica, vive querendo provar ser a melhor para provar a tudo e a todos que era a melhor.

Porém quando conseguiu algo próximo a isso, a mãe tentou matá-la em um surto psicótico antes de tentar suicídio, nunca conheceu seu pai (somente sabia que ele era de perfil genético perfeito) e como piloto EVA, fato que ela vivia se se exibindo por ser a melhor, por azar acabou perdendo para o deplorável Shinji.  

Tudo o que ela queria era alguém para abraçar, chegando até dar em cima de forma sexual de um homem mais velho para ter seus sentimentos edipianos correspondidos (Freud filha explica).

Rei Ayanami é o caso mais simples e complexo. Ela é um ser humano artificial e vazio, toda sua construção mental foi pré-programada para ter afeição ao pai de Shinji, sendo um clone de sua falecida esposa, mãe do protagonista. Porém ao decorrer da série a correspondência da afetividade de Shinji (Freud pai explica) a fez desenvolver fatores, laços e sentimentos ao nível de se sacrificar ao bem maior de seu filho e consequentemente uma não correspondência ao pai do mesmo. 

Dizem que Rei Ayanami é o típico caso das crianças lobo que foram criadas fora do convívio humano e foram inseridas abruptamente na sociedade, porém, como não tenho experiência em ler sobre o fato e as histórias das crianças lobo são muito questionáveis, não irei continuar. 

E temos Kaworu Nagisa, o último anjo. Kaworu é um dos personagens mais perigosos em saúde mental da série. Ele é a encarnação de tudo o que talvez a psiquiatria e psicologia tenham mais medo: o famoso abismo que contempla de volta.  

O garoto calmo, de feições delicadas, bom de conversa, empático ao ponto de Shinji se abrir (de acordo com alguns críticos) até sexualmente e induz ao pensamento de como você pode acabar com a dor e o sofrimento mental: “Junte se a mim e morra”

Na morte não há dor, tristeza, isolamento ou ódio. Mas não há alegria, união e felicidade. Dane-se você, de quem está do lado ou pior, como disse acima, se você isolar uma pessoa e surgir um Kaworu dentro ou fora da sua vida nesse momento, isso é algo extremamente perigoso: \"O abismo que te contempla\". 

E pior, se você se abrir a esse lado em momentos errados, você pode ter grandes problemas. Não que isso tenha acontecido comigo. 

Discutir os episódios e personagem um por um seriam longos e desnecessários para o texto, maternidade/paternidade, transtorno de stress pós-trauma e tem até quem enxergue analogias à psicose médica. 

O final do anime saiu de forma que nenhuma criança ou jovem entendeu e só lembra do meme \"parabains\", é praticamente uma sessão de terapia concentrada ou aquele famoso “aquele momento que de verdade a pessoa se encara”.  

 

  PS: Eu gosto mais do meme \"PARABENS ZÉ\"

Jung chama isso de Self e quando encarar seus arquétipos principalmente anima e assombra. Mas discutir arquétipos valem um livro e outro post cheio de referências e fanservice.  E sinto dizer, mas o arquétipo de um certo best seller não é Junguiano, na verdade eu acho até que é clickbait em livro.

E se os da MBE acharem que estou falando abobrinha, já existem estudos sobre abandono familiar em pacientes com doença mental leve e moderado. A estatística assusta (assim como você esta disposto a me criticar, não estou em ficar te mostrando, digite no pubmedparental \"abandon\" and mental disease).

Todos os personagens têm algo em comum e aí que mora a magia da psicopatologia da série: os transtornos mentais dos personagens não são engraçados ou empáticos, pelo contrário, todo mundo odeia, são repulsivos e agoniantes. 

Experimente identificar, conviver e analisar todos os aspectos da psicologia médica de um paciente, um colega, um amigo ou familiar, é difícil e não se resume à \"entrevista psiquiátrica\"(como eu detestava isso na faculdade).  

Um desafio: Quando foi que a vida ou faculdade de medicina te ensinaram a lidar com isso adequadamente? 

Citar Nise da Silveira, a luta antimanicomial, apoiar o famosinho com depressão a distância é fácil.  Difícil é estudar psiquiatria e psicologia médica.

É uma dificuldade que hoje sucateia o cuidado em saúde mental, transformando o que deveria ser um fator de reflexão social, em no máximo militância barata atendendo objetivos de grupos convenientes de políticos e até comerciais.   

O final do mangá saiu no penúltimo volume, quase 10 anos após o publicado em 2011 e o último saiu 3 anos após o anterior. Eu sei, comprei na época da faculdade e na época tinha que escolher entre a coxinha da tarde ou minha coleção. 

E foi um final bem satisfatório, e menos confuso, em que Shinji em uma inteligência coletiva encara que a coletividade sempre falha a meu ver: entender o indivíduo e suas reais necessidades. 

E assim foi Evangelion e a psicopatologia, até os idos de 2010 quando o autor lançou em formato de longa metragem um remake (e se o mangá for seguido à risca, quase uma sequência) a série rebuild. 

Mas para isso aguardem a parte 2. 

Enquanto não chega, assistam a uma obra prima mais que ASMR

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