{"status":200,"response":{"result":"PUBLIC_ARTICLES_RETRIEVED","data":{"count":196,"content":[{"id":"6966e8901ba32bfdb9a94cc3","updated":"2026-01-21T00:36:53.682Z","created":"2026-01-14T00:51:28.701Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":true,"scheduled_date":null,"rejection_reason":null,"created_on":"2026-01-14T00:51:28.553Z","updated_on":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2026-01-14T00:51:28.711Z","likes_count":0,"comments_count":0,"bookmarks_count":0,"shares_count":0,"score":"2026-01-14T00:51:28.711Z","sharing_title":"Nova Lei Regulamenta Acupuntura e Define Quem Pode Exercer a Prática","sharing_description":null,"sharing_image":null,"tag_ids":["593f538d11eebc073efd4cca","5ae8cdbda8d9010839fe4b8b","593f57e611eebc073efd5518","593f124a11eebc073efd49a8","68d32d3f9db8ca9da5288b4f"],"author_user_id":"5f63e7c3f396fc711560230b","moderator_user_id":null,"original_author_user_id":"5f63e7c3f396fc711560230b","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":2,"pagetopic":"acupuntura","created_on":"2026-01-14T00:51:28.554Z","updated_on":null,"tags":[{"id":"593f124a11eebc073efd49a8","title":"SUS","slug":"sus","fixed":0,"app_id":"56e066bd9cbb047348354ea6","account_id":"58b04e55e9dd6944b5ee4daf","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"593f538d11eebc073efd4cca","title":"acupuntura","slug":"acupuntura","fixed":0,"app_id":"56e066bd9cbb047348354ea6","account_id":"58b04e55e9dd6944b5ee4daf","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"593f57e611eebc073efd5518","title":"saúde pública","slug":"saude-publica","fixed":0,"app_id":"56e066bd9cbb047348354ea6","account_id":"58b04e55e9dd6944b5ee4daf","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"5ae8cdbda8d9010839fe4b8b","title":"Práticas Integrativas","slug":"praticas-integrativas","fixed":0,"project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"68d32d3f9db8ca9da5288b4f","updated":"2025-09-23T23:29:03.962Z","created":"2025-09-23T23:29:03.962Z","title":"terapias","slug":"terapias","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"}]},"content":{"title":"Nova Lei Regulamenta Acupuntura e Define Quem Pode Exercer a Prática","slug":"nova-lei-regulamenta-acupuntura-e-define-quem-pode-exercer-a-pratica","cover_image":"https://58b04f5940c1474e557e363a.redesign.static-01.com/l/images/ea89fb961b615eeae8d91650bc44eb9bbf6ce29b.png","cover_image_alt_text":null,"headline":"A acupuntura passou a ter regras nacionais para o exercício profissional com a publicação, nesta terça-feira (13), da Lei nº 15.345/2026. A norma regulamenta quem está legalmente habilitado a atuar,","preview_content":"
A acupuntura passou a ter regras nacionais para o exercício profissional com a publicação, nesta terça-feira (13), da Lei nº 15.345/2026 . A norma regulamenta quem está legalmente habilitado a atuar,
","main_content":"A acupuntura passou a ter regras nacionais para o exercício profissional com a publicação, nesta terça-feira (13), da Lei nº 15.345/2026. A norma regulamenta quem está legalmente habilitado a atuar, define critérios de formação e busca aumentar a segurança dos pacientes, ao mesmo tempo em que fortalece o reconhecimento dos profissionais e sinaliza impacto na ampliação do acesso a essa Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) no SUS.
\nSegundo o Ministério da Saúde, a lei estabelece exigência de formação específica, prevê a comprovação de experiência para atuação e reconhece diplomas estrangeiros. A medida “regulamenta definitivamente a acupuntura” no país e reforça o caráter multiprofissional da prática. Pela nova regra, estão regulamentados para exercer acupuntura no Brasil os profissionais de saúde que realizaram curso superior de acupuntura; os profissionais de saúde de nível superior com especialização e título de especialista reconhecido por seus conselhos; e aqueles que já praticam acupuntura há muitos anos como conhecimento tradicional, sem necessariamente possuir os mesmos títulos formais de especialista.
\nOutro ponto previsto é a necessidade de cursos de extensão para profissionais de saúde que queiram incorporar técnicas isoladas da acupuntura à própria atuação, o que, de acordo com o conteúdo divulgado, contribui para ampliar a oferta das PICS com garantia de critérios formativos. A lei também define acupuntura como um conjunto de técnicas terapêuticas baseadas na estimulação de pontos específicos do corpo, por meio de agulhas ou instrumentos próprios, com a finalidade de manter ou restabelecer funções físicas e mentais.
\nA acupuntura integra o SUS desde 2006, com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC). A publicação do Ministério da Saúde, informa que todos os 26 estados e o Distrito Federal oferecem a prática na rede pública, onde ela aparece entre as quatro mais registradas. Em 2024, foram contabilizados mais de 8 milhões de atendimentos em PICS no SUS, incluindo 1,1 milhão de sessões de acupuntura. Somente até outubro de 2025, houve mais de um milhão de registros de atendimentos dessa prática.
\nReferência:
Pietsch, A. (2026, January 13). Com regras claras para exercício profissional, Lei da Acupuntura traz avanços que garantem mais segurança aos pacientes. Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/com-regras-claras-para-exercicio-profissional-lei-da-acupuntura-traz-avancos-que-garantem-mais-seguranca-aos-pacientes
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\nOutro ponto previsto é a necessidade de cursos de extensão para profissionais de saúde que queiram incorporar técnicas isoladas da acupuntura à própria atuação, o que, de acordo com o conteúdo divulgado, contribui para ampliar a oferta das PICS com garantia de critérios formativos. A lei também define acupuntura como um conjunto de técnicas terapêuticas baseadas na estimulação de pontos específicos do corpo, por meio de agulhas ou instrumentos próprios, com a finalidade de manter ou restabelecer funções físicas e mentais.
\nA acupuntura integra o SUS desde 2006, com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC). A publicação do Ministério da Saúde, informa que todos os 26 estados e o Distrito Federal oferecem a prática na rede pública, onde ela aparece entre as quatro mais registradas. Em 2024, foram contabilizados mais de 8 milhões de atendimentos em PICS no SUS, incluindo 1,1 milhão de sessões de acupuntura. Somente até outubro de 2025, houve mais de um milhão de registros de atendimentos dessa prática.
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Uma Temporada Antecipada Diferentemente dos dois anos anteriores, a temporada de Influenza 2025/26 iniciou-se precocemente na Europa, com um aumento na atividade viral observado entre três a quatro semanas antes do
","main_content":"Uma Temporada Antecipada Diferentemente dos dois anos anteriores, a temporada de Influenza 2025/26 iniciou-se precocemente na Europa, com um aumento na atividade viral observado entre três a quatro semanas antes do previsto. Este fenômeno não é apenas uma curiosidade estatística, mas um alerta para os sistemas de saúde e para a prática clínica ambulatorial: o pico de demanda respiratória já está em curso.\n
A circulação viral intensa é impulsionada majoritariamente pelo vírus Influenza A, especificamente pelo recém-emergente variante K do H3N2. A emergência desta variante gerou uma preocupação legítima na comunidade científica global sobre um possível escape vacinal, dado que o vírus circulante apresenta diferenças antigênicas em relação às cepas contidas nas vacinas sazonais disponíveis.\n
O Que Diz a Evidência (ECDC)?
Em um relatório publicado em 19 de dezembro de 2025, o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), através do estudo multicêntrico VEBIS (Vaccine Effectiveness, Burden and Impact Studies), trouxe as primeiras estimativas de efetividade vacinal (VE) na atenção primária.\nApesar do temor inicial causado pela discrepância entre a vacina e o vírus circulante, os dados preliminares são tranquilizadores:\nA eficácia vacinal contra a infecção por Influenza A(H3N2) situa-se entre 52% e 57%. A proteção foi observada tanto em faixas etárias pediátricas (0-17 anos) quanto em adultos (18-64 anos).
Estes dados sugerem que, mesmo com a \"deriva\" (drift) genética da variante K, a vacinação continua a oferecer uma barreira imunológica funcional e clinicamente relevante.\n
Análise Crítica e Impacto Prático Para o médico
A interpretação destes dados exige prudência e ação estratégica.\nPrimeiro, a demografia da infecção apresenta um padrão bimodal clássico, mas acentuado: a circulação é mais alta entre crianças de 5 a 14 anos (vetores primários de transmissão comunitária), enquanto o aumento nas hospitalizações afeta desproporcionalmente adultos acima de 65 anos.
Segundo, embora a eficácia de ~50% possa parecer modesta para quem está habituado a outras imunizações, no contexto de um vírus de alta mutabilidade como o H3N2, historicamente associado a temporadas mais severas e menor eficácia vacinal, estes números sustentam robustamente a recomendação da vacina. A proteção cruzada está ocorrendo.\n
Portanto, a conduta baseada em evidência neste momento envolve:\n
1. Vacinação Imediata: Acelerar a imunização de populações-chave (idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde), visto que a janela de oportunidade está se fechando com a antecipação da temporada.\n
2. Manejo Antiviral: O uso precoce de antivirais em pacientes de risco com síndrome gripal não deve ser negligenciado, independentemente do status vacinal.\n
3. Controle de Infecção: O reforço do uso de máscaras em ambientes de saúde e instituições de longa permanência é imperativo diante da alta transmissibilidade da variante K.\n
Na Academia Médica, reiteramos que a vacina permanece sendo a intervenção de saúde pública mais custo-efetiva para mitigar a morbimortalidade, transformando o que poderia ser uma internação grave em um quadro manejável ambulatorialmente.
A ciência avança corrigindo-se e refinando-se. É importante notar que as estimativas apresentadas pelo ECDC são preliminares. A eficácia contra o H1N1pdm09, por exemplo, ainda carece de robustez estatística devido ao baixo número de casos desta linhagem na amostra atual.\nManteremos o nosso compromisso de vigilância. À medida que a temporada avança e os dados se consolidam, traremos novas atualizações para que a sua prática médica seja sempre um reflexo da melhor ciência contemporânea.
*Texto elaborado por: Carolina C. Reis
Referência:
Early estimates of seasonal influenza vaccine effectiveness against influenza requiring medical attention at primary care level in Europe, week 41 - 49, 2025 – ECDC – Acessar Fonte Oficial
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A circulação viral intensa é impulsionada majoritariamente pelo vírus Influenza A, especificamente pelo recém-emergente variante K do H3N2. A emergência desta variante gerou uma preocupação legítima na comunidade científica global sobre um possível escape vacinal, dado que o vírus circulante apresenta diferenças antigênicas em relação às cepas contidas nas vacinas sazonais disponíveis.\n
O Que Diz a Evidência (ECDC)?
Em um relatório publicado em 19 de dezembro de 2025, o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), através do estudo multicêntrico VEBIS (Vaccine Effectiveness, Burden and Impact Studies), trouxe as primeiras estimativas de efetividade vacinal (VE) na atenção primária.\nApesar do temor inicial causado pela discrepância entre a vacina e o vírus circulante, os dados preliminares são tranquilizadores:\nA eficácia vacinal contra a infecção por Influenza A(H3N2) situa-se entre 52% e 57%. A proteção foi observada tanto em faixas etárias pediátricas (0-17 anos) quanto em adultos (18-64 anos).
Estes dados sugerem que, mesmo com a \"deriva\" (drift) genética da variante K, a vacinação continua a oferecer uma barreira imunológica funcional e clinicamente relevante.\n
Análise Crítica e Impacto Prático Para o médico
A interpretação destes dados exige prudência e ação estratégica.\nPrimeiro, a demografia da infecção apresenta um padrão bimodal clássico, mas acentuado: a circulação é mais alta entre crianças de 5 a 14 anos (vetores primários de transmissão comunitária), enquanto o aumento nas hospitalizações afeta desproporcionalmente adultos acima de 65 anos.
Segundo, embora a eficácia de ~50% possa parecer modesta para quem está habituado a outras imunizações, no contexto de um vírus de alta mutabilidade como o H3N2, historicamente associado a temporadas mais severas e menor eficácia vacinal, estes números sustentam robustamente a recomendação da vacina. A proteção cruzada está ocorrendo.\n
Portanto, a conduta baseada em evidência neste momento envolve:\n
1. Vacinação Imediata: Acelerar a imunização de populações-chave (idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde), visto que a janela de oportunidade está se fechando com a antecipação da temporada.\n
2. Manejo Antiviral: O uso precoce de antivirais em pacientes de risco com síndrome gripal não deve ser negligenciado, independentemente do status vacinal.\n
3. Controle de Infecção: O reforço do uso de máscaras em ambientes de saúde e instituições de longa permanência é imperativo diante da alta transmissibilidade da variante K.\n
Na Academia Médica, reiteramos que a vacina permanece sendo a intervenção de saúde pública mais custo-efetiva para mitigar a morbimortalidade, transformando o que poderia ser uma internação grave em um quadro manejável ambulatorialmente.
A ciência avança corrigindo-se e refinando-se. É importante notar que as estimativas apresentadas pelo ECDC são preliminares. A eficácia contra o H1N1pdm09, por exemplo, ainda carece de robustez estatística devido ao baixo número de casos desta linhagem na amostra atual.\nManteremos o nosso compromisso de vigilância. À medida que a temporada avança e os dados se consolidam, traremos novas atualizações para que a sua prática médica seja sempre um reflexo da melhor ciência contemporânea.
*Texto elaborado por: Carolina C. Reis
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","main_content":"O início da campanha nacional de vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) marca um movimento importante da política de saúde pública brasileira em direção à proteção dos recém-nascidos contra bronquiolite e quadros graves de infecção respiratória. Estados e municípios já estão abastecidos com as doses, permitindo o início imediato da imunização.
\nA vacinação é direcionada a todas as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem restrição de idade, com esquema de dose única em cada gestação. A lógica central é clara: ao imunizar a gestante no final da gestação, oferece-se proteção imediata ao recém-nascido, justamente no período em que ele é mais vulnerável às formas graves de doença respiratória. Segundo o ministro Padilha, o Ministério adquiriu vacinas suficientes para imunizar todas as gestantes brasileiras, reforçando o caráter universal da estratégia. A recomendação de aplicação da dose entre a 28ª semana e o final da gestação se ancora em um dado clínico preocupante: a maior parte das internações e óbitos por bronquiolite ocorre no primeiro ano de vida.
\nDo ponto de vista operacional, a campanha foi estruturada com grande volume de insumos e investimento expressivo. Em 2025, o Ministério da Saúde adquiriu 1,8 milhão de doses da vacina contra o VSR, com um primeiro lote de 673 mil doses enviado aos estados para dar início imediato às aplicações. O investimento total foi de R$ 1,17 bilhão, o que ilustra a prioridade conferida ao tema e o reconhecimento da carga de doença associada ao VSR em crianças pequenas. Na prática, trata-se de um esforço nacional de grande escala para inserir essa imunização de forma sustentada na linha de cuidado materno-infantil.
\nOutro ponto estrutural relevante é o modelo adotado para garantir acesso e sustentabilidade da oferta pelo SUS. Na rede privada, a imunização contra o VSR pode chegar a custar até R$ 1,5 mil por dose, o que a tornaria inacessível para grande parte da população se dependesse apenas do mercado privado. A inclusão no SUS foi viabilizada por um acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor, que prevê a transferência de tecnologia para o Brasil. Esse arranjo projeta o país como futuro fabricante do imunizante, ampliando a autonomia nacional em vacinas, reduzindo a dependência externa e garantindo maior segurança de abastecimento. Para o médico que atua no SUS, isso significa a perspectiva de uma oferta contínua e estável, com forte impacto potencial na redução de internações.
\nO vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, consolidando-se como um dos principais vilões das infecções respiratórias na primeira infância. Em 2025, até 15 de novembro, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atribuídos ao VSR. Destes, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos, representando 82,5% dos casos no período. Esses números evidenciam o peso da doença nas faixas etárias mais jovens e reforçam o foco na proteção já durante a gestação, antes mesmo do nascimento.\n
A estratégia da vacinação materna ganha ainda mais relevância quando se observa o cenário terapêutico da bronquiolite. Como a maioria dos casos é causada por infecções virais, não há tratamento específico para a doença. O manejo clínico é essencialmente de suporte e inclui suplementação de oxigênio quando necessário, hidratação adequada e uso de broncodilatadores, que dilatam as pequenas vias aéreas, especialmente em situações em que há chiado evidente. Em outras palavras, diante de um quadro em que a abordagem é predominantemente paliativa e de suporte, a prevenção por meio da imunização se torna uma ferramenta central para reduzir a necessidade de hospitalizações e desfechos graves.
\nO desenho da campanha também reforça a integração da nova vacina com outras estratégias já consolidadas no cuidado pré-natal. Com a chegada das doses às Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Ministério da Saúde orienta as equipes de saúde a aproveitarem o contato com as gestantes para atualizar todo o cartão vacinal, incluindo as vacinas contra influenza e covid-19. A vacina contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a esses imunizantes, facilitando a logística e reduzindo a perda de oportunidades de vacinação. Para os profissionais da atenção primária, isso significa incorporar a nova vacina ao pacote de intervenções já oferecidas no pré-natal, reforçando a visão de cuidado integral da gestante e do bebê.
\nA base científica da estratégia é sustentada por estudos clínicos, entre eles o Estudo Matisse, que demonstrou eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos primeiros 90 dias de vida dos bebês. Esse dado é particularmente relevante, porque confirma que a imunização materna consegue proteger o recém-nascido justamente no período mais precoce e crítico após o nascimento. Para a comunidade médica, isso sinaliza que a recomendação de vacinação a partir da 28ª semana não é apenas uma decisão administrativa, mas está ancorada em evidência robusta de redução de desfechos graves.\n
Ao articular dados epidemiológicos, evidências clínicas e um arranjo produtivo que inclui transferência de tecnologia para o Instituto Butantan, a política de vacinação contra o VSR destinada às gestantes se configura como um marco no enfrentamento da bronquiolite e de outras formas de SRAG em crianças pequenas no Brasil. Para o médico que atua na assistência, especialmente na atenção primária, obstetrícia, pediatria e neonatologia, o desafio a partir de agora é incorporar essa nova recomendação na rotina, orientar gestantes e famílias sobre a importância da imunização e contribuir para que a promessa de redução de internações e óbitos se materialize nos serviços de saúde.
Referência:
Ministério da Saúde. (2025, 4 de dezembro). Ministro da Saúde e primeira-dama lançam vacinação contra bronquiolite em Brasília. Gov.br. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/ministro-da-saude-e-primeira-dama-lancam-vacinacao-contra-bronquiolite-em-brasilia
O início da campanha nacional de vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) marca um movimento importante da política de saúde pública brasileira em direção à proteção dos recém-nascidos contra bronquiolite
","main_content":"O início da campanha nacional de vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) marca um movimento importante da política de saúde pública brasileira em direção à proteção dos recém-nascidos contra bronquiolite e quadros graves de infecção respiratória. Estados e municípios já estão abastecidos com as doses, permitindo o início imediato da imunização.
\nA vacinação é direcionada a todas as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem restrição de idade, com esquema de dose única em cada gestação. A lógica central é clara: ao imunizar a gestante no final da gestação, oferece-se proteção imediata ao recém-nascido, justamente no período em que ele é mais vulnerável às formas graves de doença respiratória. Segundo o ministro Padilha, o Ministério adquiriu vacinas suficientes para imunizar todas as gestantes brasileiras, reforçando o caráter universal da estratégia. A recomendação de aplicação da dose entre a 28ª semana e o final da gestação se ancora em um dado clínico preocupante: a maior parte das internações e óbitos por bronquiolite ocorre no primeiro ano de vida.
\nDo ponto de vista operacional, a campanha foi estruturada com grande volume de insumos e investimento expressivo. Em 2025, o Ministério da Saúde adquiriu 1,8 milhão de doses da vacina contra o VSR, com um primeiro lote de 673 mil doses enviado aos estados para dar início imediato às aplicações. O investimento total foi de R$ 1,17 bilhão, o que ilustra a prioridade conferida ao tema e o reconhecimento da carga de doença associada ao VSR em crianças pequenas. Na prática, trata-se de um esforço nacional de grande escala para inserir essa imunização de forma sustentada na linha de cuidado materno-infantil.
\nOutro ponto estrutural relevante é o modelo adotado para garantir acesso e sustentabilidade da oferta pelo SUS. Na rede privada, a imunização contra o VSR pode chegar a custar até R$ 1,5 mil por dose, o que a tornaria inacessível para grande parte da população se dependesse apenas do mercado privado. A inclusão no SUS foi viabilizada por um acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor, que prevê a transferência de tecnologia para o Brasil. Esse arranjo projeta o país como futuro fabricante do imunizante, ampliando a autonomia nacional em vacinas, reduzindo a dependência externa e garantindo maior segurança de abastecimento. Para o médico que atua no SUS, isso significa a perspectiva de uma oferta contínua e estável, com forte impacto potencial na redução de internações.
\nO vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, consolidando-se como um dos principais vilões das infecções respiratórias na primeira infância. Em 2025, até 15 de novembro, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atribuídos ao VSR. Destes, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos, representando 82,5% dos casos no período. Esses números evidenciam o peso da doença nas faixas etárias mais jovens e reforçam o foco na proteção já durante a gestação, antes mesmo do nascimento.\n
A estratégia da vacinação materna ganha ainda mais relevância quando se observa o cenário terapêutico da bronquiolite. Como a maioria dos casos é causada por infecções virais, não há tratamento específico para a doença. O manejo clínico é essencialmente de suporte e inclui suplementação de oxigênio quando necessário, hidratação adequada e uso de broncodilatadores, que dilatam as pequenas vias aéreas, especialmente em situações em que há chiado evidente. Em outras palavras, diante de um quadro em que a abordagem é predominantemente paliativa e de suporte, a prevenção por meio da imunização se torna uma ferramenta central para reduzir a necessidade de hospitalizações e desfechos graves.
\nO desenho da campanha também reforça a integração da nova vacina com outras estratégias já consolidadas no cuidado pré-natal. Com a chegada das doses às Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Ministério da Saúde orienta as equipes de saúde a aproveitarem o contato com as gestantes para atualizar todo o cartão vacinal, incluindo as vacinas contra influenza e covid-19. A vacina contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a esses imunizantes, facilitando a logística e reduzindo a perda de oportunidades de vacinação. Para os profissionais da atenção primária, isso significa incorporar a nova vacina ao pacote de intervenções já oferecidas no pré-natal, reforçando a visão de cuidado integral da gestante e do bebê.
\nA base científica da estratégia é sustentada por estudos clínicos, entre eles o Estudo Matisse, que demonstrou eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos primeiros 90 dias de vida dos bebês. Esse dado é particularmente relevante, porque confirma que a imunização materna consegue proteger o recém-nascido justamente no período mais precoce e crítico após o nascimento. Para a comunidade médica, isso sinaliza que a recomendação de vacinação a partir da 28ª semana não é apenas uma decisão administrativa, mas está ancorada em evidência robusta de redução de desfechos graves.\n
Ao articular dados epidemiológicos, evidências clínicas e um arranjo produtivo que inclui transferência de tecnologia para o Instituto Butantan, a política de vacinação contra o VSR destinada às gestantes se configura como um marco no enfrentamento da bronquiolite e de outras formas de SRAG em crianças pequenas no Brasil. Para o médico que atua na assistência, especialmente na atenção primária, obstetrícia, pediatria e neonatologia, o desafio a partir de agora é incorporar essa nova recomendação na rotina, orientar gestantes e famílias sobre a importância da imunização e contribuir para que a promessa de redução de internações e óbitos se materialize nos serviços de saúde.
Referência:
Ministério da Saúde. (2025, 4 de dezembro). Ministro da Saúde e primeira-dama lançam vacinação contra bronquiolite em Brasília. Gov.br. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/ministro-da-saude-e-primeira-dama-lancam-vacinacao-contra-bronquiolite-em-brasilia
O Brasil alcançou dois marcos históricos na resposta ao HIV e à aids: a eliminação da transmissão vertical do vírus como problema de saúde pública e a menor taxa de mortalidade
","main_content":"O Brasil alcançou dois marcos históricos na resposta ao HIV e à aids: a eliminação da transmissão vertical do vírus como problema de saúde pública e a menor taxa de mortalidade por aids em 32 anos. Os dados constam do novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado em 1º de dezembro de 2025, e refletem a combinação entre prevenção combinada, ampliação do diagnóstico e acesso gratuito a terapias antirretrovirais de alta eficácia pelo SUS.
\nEntre 2023 e 2024, o número de óbitos por aids caiu 13%, de mais de 10 mil para 9,1 mil mortes. É a primeira vez, em três décadas, que o país registra menos de dez mil óbitos por ano, o que representa mais de mil vidas preservadas em um ano. No mesmo período, os casos de aids tiveram redução de 1,5%, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil em 2024. Em 2024, o boletim registra 68,4 mil pessoas vivendo com HIV ou aids, mantendo a tendência de estabilidade observada nos últimos anos.
\nNo componente materno-infantil, os indicadores sustentam o anúncio de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública. O país reduziu em 7,9% o número de gestantes com HIV, que chegou a 7,5 mil, e em 4,2% o total de crianças expostas ao vírus, agora 6,8 mil. O início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, sinalizando melhoria na organização da rede de atenção pré-natal e nas maternidades, com início mais oportuno das intervenções profiláticas em recém-nascidos expostos.
\nOs critérios utilizados seguem parâmetros internacionais. O Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2% e a incidência de infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. Ao mesmo tempo, alcançou mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes vivendo com o vírus. Na prática, o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, cumprindo integralmente as metas de eliminação definidas pela Organização Mundial da Saúde.
\nA política de Prevenção Combinada é um dos eixos centrais desse resultado. Antes focada principalmente na distribuição de preservativos, a estratégia incorporou a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), ampliando o leque de métodos para redução do risco de infecção antes e depois de uma possível exposição ao vírus. Diante da queda observada no uso de preservativos entre jovens, o Ministério da Saúde lançou camisinhas texturizadas e sensitivas, com aquisição de 190 milhões de unidades de cada modelo, em tentativa de adequar a oferta às preferências desse público e ampliar a adesão à prevenção.
\nDesde 2023, o número de usuários de PrEP cresceu mais de 150%, e 140 mil pessoas utilizam hoje a profilaxia diariamente. A expansão desse acesso tem impacto direto na dinâmica da epidemia: favorece a testagem, aumenta a detecção de novos casos e contribui para a redução de infecções recentes. A PEP segue como recurso central em situações de exposição sexual ou ocupacional de risco, compondo, junto com a PrEP e o preservativo, o núcleo biomédico da prevenção combinada no SUS.
\nNo campo do diagnóstico, houve aumento expressivo na disponibilidade de testes. Foram adquiridos 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis, um crescimento de 65% em relação ao ano anterior, possibilitando rastreamento simultâneo de duas infecções relevantes para a saúde sexual e reprodutiva. Além disso, 780 mil autotestes foram distribuídos, reduzindo barreiras ligadas a estigma, deslocamento e organização dos serviços, e favorecendo o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento.
\nO SUS mantém o fornecimento gratuito de terapia antirretroviral e seguimento clínico a todas as pessoas diagnosticadas com HIV. Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de lamivudina mais dolutegravir, regime de alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo. A possibilidade de concentrar o tratamento em uma dose diária facilita a adesão e simplifica o manejo terapêutico, com impacto positivo na qualidade de vida e na manutenção da supressão viral. A lógica “indetectável = intransmissível” se consolida, nesse contexto, como pilar clínico e de saúde pública.
\nEsses resultados aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95, que preveem que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% delas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem supressão viral. Segundo o boletim, duas das três metas já foram atingidas, reforçando o papel do SUS como sistema capaz de incorporar tecnologias modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento em larga escala.
\nA resposta brasileira ao HIV também se apoia em participação social estruturada. O Ministério da Saúde lançou editais inéditos, no valor total de R$ 9 milhões, destinados a organizações da sociedade civil, reconhecendo o papel histórico desses atores no controle social e na formulação de políticas públicas de enfrentamento à aids. A pasta reúne hoje o maior número de comissões e comitês consultivos já instituídos na área, ampliando canais de escuta e qualificação técnica das decisões. Em paralelo, liderou a criação de um comitê interministerial voltado à eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente, com foco especial na transmissão vertical do HIV e na aids, iniciativa inédita no campo da saúde.
\n\nReferências:
O Brasil alcançou dois marcos históricos na resposta ao HIV e à aids: a eliminação da transmissão vertical do vírus como problema de saúde pública e a menor taxa de mortalidade
","main_content":"O Brasil alcançou dois marcos históricos na resposta ao HIV e à aids: a eliminação da transmissão vertical do vírus como problema de saúde pública e a menor taxa de mortalidade por aids em 32 anos. Os dados constam do novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado em 1º de dezembro de 2025, e refletem a combinação entre prevenção combinada, ampliação do diagnóstico e acesso gratuito a terapias antirretrovirais de alta eficácia pelo SUS.
\nEntre 2023 e 2024, o número de óbitos por aids caiu 13%, de mais de 10 mil para 9,1 mil mortes. É a primeira vez, em três décadas, que o país registra menos de dez mil óbitos por ano, o que representa mais de mil vidas preservadas em um ano. No mesmo período, os casos de aids tiveram redução de 1,5%, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil em 2024. Em 2024, o boletim registra 68,4 mil pessoas vivendo com HIV ou aids, mantendo a tendência de estabilidade observada nos últimos anos.
\nNo componente materno-infantil, os indicadores sustentam o anúncio de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública. O país reduziu em 7,9% o número de gestantes com HIV, que chegou a 7,5 mil, e em 4,2% o total de crianças expostas ao vírus, agora 6,8 mil. O início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, sinalizando melhoria na organização da rede de atenção pré-natal e nas maternidades, com início mais oportuno das intervenções profiláticas em recém-nascidos expostos.
\nOs critérios utilizados seguem parâmetros internacionais. O Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2% e a incidência de infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. Ao mesmo tempo, alcançou mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes vivendo com o vírus. Na prática, o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, cumprindo integralmente as metas de eliminação definidas pela Organização Mundial da Saúde.
\nA política de Prevenção Combinada é um dos eixos centrais desse resultado. Antes focada principalmente na distribuição de preservativos, a estratégia incorporou a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), ampliando o leque de métodos para redução do risco de infecção antes e depois de uma possível exposição ao vírus. Diante da queda observada no uso de preservativos entre jovens, o Ministério da Saúde lançou camisinhas texturizadas e sensitivas, com aquisição de 190 milhões de unidades de cada modelo, em tentativa de adequar a oferta às preferências desse público e ampliar a adesão à prevenção.
\nDesde 2023, o número de usuários de PrEP cresceu mais de 150%, e 140 mil pessoas utilizam hoje a profilaxia diariamente. A expansão desse acesso tem impacto direto na dinâmica da epidemia: favorece a testagem, aumenta a detecção de novos casos e contribui para a redução de infecções recentes. A PEP segue como recurso central em situações de exposição sexual ou ocupacional de risco, compondo, junto com a PrEP e o preservativo, o núcleo biomédico da prevenção combinada no SUS.
\nNo campo do diagnóstico, houve aumento expressivo na disponibilidade de testes. Foram adquiridos 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis, um crescimento de 65% em relação ao ano anterior, possibilitando rastreamento simultâneo de duas infecções relevantes para a saúde sexual e reprodutiva. Além disso, 780 mil autotestes foram distribuídos, reduzindo barreiras ligadas a estigma, deslocamento e organização dos serviços, e favorecendo o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento.
\nO SUS mantém o fornecimento gratuito de terapia antirretroviral e seguimento clínico a todas as pessoas diagnosticadas com HIV. Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de lamivudina mais dolutegravir, regime de alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo. A possibilidade de concentrar o tratamento em uma dose diária facilita a adesão e simplifica o manejo terapêutico, com impacto positivo na qualidade de vida e na manutenção da supressão viral. A lógica “indetectável = intransmissível” se consolida, nesse contexto, como pilar clínico e de saúde pública.
\nEsses resultados aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95, que preveem que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% delas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem supressão viral. Segundo o boletim, duas das três metas já foram atingidas, reforçando o papel do SUS como sistema capaz de incorporar tecnologias modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento em larga escala.
\nA resposta brasileira ao HIV também se apoia em participação social estruturada. O Ministério da Saúde lançou editais inéditos, no valor total de R$ 9 milhões, destinados a organizações da sociedade civil, reconhecendo o papel histórico desses atores no controle social e na formulação de políticas públicas de enfrentamento à aids. A pasta reúne hoje o maior número de comissões e comitês consultivos já instituídos na área, ampliando canais de escuta e qualificação técnica das decisões. Em paralelo, liderou a criação de um comitê interministerial voltado à eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente, com foco especial na transmissão vertical do HIV e na aids, iniciativa inédita no campo da saúde.
\n\nReferências:
O Ministério da Saúde lançou o novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) , apresentado durante o 33º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em São Paulo. O documento atualiza critérios, orientações
","main_content":"O Ministério da Saúde lançou o novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal (TAN), apresentado durante o 33º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em São Paulo. O documento atualiza critérios, orientações e fluxos assistenciais voltados ao cuidado auditivo de recém-nascidos em todo o país, com o objetivo de garantir diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e melhores oportunidades de desenvolvimento comunicativo, reforçando a equidade e a inclusão social desde o início da vida.
\nA principal mudança é a revisão dos indicadores de risco e a reorganização dos fluxos. Antes, todos os bebês realizavam os mesmos exames (emissões otoacústicas e BERA). Agora, a triagem passa a ser direcionada conforme o tipo de perda auditiva mais provável para cada criança. Bebês que ficam mais de cinco dias em UTI neonatal, por exemplo, têm maior risco de perda retrococlear e serão encaminhados diretamente para o BERA, aumentando a precisão diagnóstica e tornando o fluxo mais racional. O guia também traz novas orientações para maternidades, atenção primária, serviços de referência e equipes multiprofissionais, com padronização de indicadores e fortalecimento do monitoramento contínuo.
\nEntre 2023 e 2024, o Brasil registrou 42% de cobertura da triagem auditiva neonatal; em 2025, esse índice chegou a 46%, mas a meta é atingir 70%. O Distrito Federal lidera com 95% de cobertura, seguido por Santa Catarina (75%), Mato Grosso do Sul (66%), Rio Grande do Sul (63%) e Minas Gerais (61%), enquanto os demais estados permanecem abaixo de 60%. Para ampliar o acesso, o Ministério da Saúde aposta em investimentos, aquisição de equipamentos, atualização de normas e apoio técnico a gestores. Segundo Arthur Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência, atualizar o guia significa orientar melhor a rede, qualificar profissionais e assegurar que nenhuma criança seja excluída do cuidado, garantindo a cada bebê o direito à linguagem, aos vínculos e à participação social. A coordenadora do Departamento de Audição e Equilíbrio da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Doris Ruthy Lewis, destaca que a atualização qualifica a prática clínica, padroniza procedimentos e fortalece ações integradas com educação, inclusão e formação social.
Referência:
Ministério da Saúde. (2025, 29 novembro). Ministério da Saúde lança novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal. Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/ministerio-da-saude-lanca-novo-guia-nacional-da-triagem-auditiva-neonatal
O Ministério da Saúde lançou o novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) , apresentado durante o 33º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em São Paulo. O documento atualiza critérios, orientações
","main_content":"O Ministério da Saúde lançou o novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal (TAN), apresentado durante o 33º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em São Paulo. O documento atualiza critérios, orientações e fluxos assistenciais voltados ao cuidado auditivo de recém-nascidos em todo o país, com o objetivo de garantir diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e melhores oportunidades de desenvolvimento comunicativo, reforçando a equidade e a inclusão social desde o início da vida.
\nA principal mudança é a revisão dos indicadores de risco e a reorganização dos fluxos. Antes, todos os bebês realizavam os mesmos exames (emissões otoacústicas e BERA). Agora, a triagem passa a ser direcionada conforme o tipo de perda auditiva mais provável para cada criança. Bebês que ficam mais de cinco dias em UTI neonatal, por exemplo, têm maior risco de perda retrococlear e serão encaminhados diretamente para o BERA, aumentando a precisão diagnóstica e tornando o fluxo mais racional. O guia também traz novas orientações para maternidades, atenção primária, serviços de referência e equipes multiprofissionais, com padronização de indicadores e fortalecimento do monitoramento contínuo.
\nEntre 2023 e 2024, o Brasil registrou 42% de cobertura da triagem auditiva neonatal; em 2025, esse índice chegou a 46%, mas a meta é atingir 70%. O Distrito Federal lidera com 95% de cobertura, seguido por Santa Catarina (75%), Mato Grosso do Sul (66%), Rio Grande do Sul (63%) e Minas Gerais (61%), enquanto os demais estados permanecem abaixo de 60%. Para ampliar o acesso, o Ministério da Saúde aposta em investimentos, aquisição de equipamentos, atualização de normas e apoio técnico a gestores. Segundo Arthur Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência, atualizar o guia significa orientar melhor a rede, qualificar profissionais e assegurar que nenhuma criança seja excluída do cuidado, garantindo a cada bebê o direito à linguagem, aos vínculos e à participação social. A coordenadora do Departamento de Audição e Equilíbrio da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Doris Ruthy Lewis, destaca que a atualização qualifica a prática clínica, padroniza procedimentos e fortalece ações integradas com educação, inclusão e formação social.
Referência:
Ministério da Saúde. (2025, 29 novembro). Ministério da Saúde lança novo Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal. Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/ministerio-da-saude-lanca-novo-guia-nacional-da-triagem-auditiva-neonatal
Quase metade dos desfechos adversos em saúde é acelerada pelos determinantes sociais da saúde, o conjunto de condições sociais e ambientais que moldam como vivemos, trabalhamos, crescemos e envelhecemos. Esses determinantes
","main_content":"Quase metade dos desfechos adversos em saúde é acelerada pelos determinantes sociais da saúde, o conjunto de condições sociais e ambientais que moldam como vivemos, trabalhamos, crescemos e envelhecemos. Esses determinantes frequentemente operam por meio de comportamentos de saúde, dieta, atividade física, consumo de álcool e manejo do peso, que tendem a ocorrer em conjunto. Em vez de avaliar cada hábito isoladamente, um estudo publicado na revista JAMA Network Open investigou a adesão simultânea a esses comportamentos usando um escore de diretrizes de zero a oito, derivado da Diretriz 2020 da Sociedade Americana do Câncer para prevenção do câncer. Trata-se de uma análise transversal, conduzida em uma grande e diversa coorte de adultos nos Estados Unidos, desenhada para identificar quais determinantes sociais da saúde se associam à adesão combinada à alimentação saudável, à prática de atividade física, ao consumo responsável de álcool e ao controle do índice de massa corporal.
\nOs resultados indicam, de forma consistente, que fatores sociais e ambientais, raça e etnia, renda, escolaridade, estado civil, situação de trabalho, tipo de território (rural ou urbano), viver em áreas com escassez de alimentos saudáveis e exposição à fumaça secundária do tabaco, mantêm associação independente com a adesão às diretrizes da Sociedade Americana do Câncer. Na prática, os escores mais baixos concentram-se entre quem tem menor renda e escolaridade, mora fora de centros metropolitanos, está exposto ao fumo passivo e vive em regiões com oferta limitada de alimentos saudáveis. O achado reforça uma constatação central da saúde pública: além de influenciar escolhas, o contexto social determina o quanto é viável transformar recomendações em rotinas sustentáveis.
\nAs disparidades raciais emergem com força. Entre as mulheres, as participantes negras tiveram 31% menos chance de alcançar alta adesão (escore entre sete e oito) em comparação às mulheres brancas. Mesmo quando se observa nível educacional elevado, o efeito protetor não se distribui de modo uniforme: participantes negros com pós-graduação foram menos propensos a apresentar alta adesão do que brancos com a mesma escolaridade. Esse padrão sugere a presença de inequidades sistêmicas e diferenças culturais que modulam comportamentos de saúde, indicando que ganhos em renda ou educação não se convertem automaticamente, para todos os grupos, em práticas mais saudáveis.
\nA interação entre estado civil e sexo também chama atenção, com achados parcialmente contraintuitivos frente à literatura prévia. Homens que nunca se casaram tiveram 1,23 vez mais chance de alcançar escores mais altos do que mulheres casadas, enquanto mulheres que nunca se casaram apresentaram 11% menos chance. Estudos anteriores costumam associar o casamento a melhores desfechos físicos e mentais, sobretudo entre homens por mecanismos como seleção de indivíduos mais saudáveis, ganhos econômicos e maior conexão social que favorece hábitos saudáveis. Entretanto, a coorte analisada relata, em algumas dimensões (como atividade física), níveis de adesão superiores aos da população geral, o que limita a generalização direta para todos os Estados Unidos e pode explicar parte dessa divergência.
\nO lugar onde se vive pesa de maneira decisiva. A exposição à fumaça secundária do tabaco mostrou efeito consistentemente prejudicial: reduziu a chance de alta adesão em todas as faixas de renda, inclusive nas mais altas, em outras palavras, renda elevada não compensa o impacto do fumo passivo. Como a exposição à fumaça secundária é mais comum em grupos de menor renda, o estudo a interpreta como marcador de desigualdades persistentes e profundas; reduzir essa exposição é peça essencial de qualquer estratégia de promoção da saúde.
\nEm conjunto, os achados direcionam o olhar para grupos com maior vulnerabilidade à baixa adesão (escores entre zero e dois): mulheres negras, pessoas que vivem em escassez alimentares, moradores fora de centros urbanos, indivíduos com menor renda e escolaridade e aqueles expostos à fumaça secundária do tabaco. Do ponto de vista de políticas públicas e da prática clínica, a mensagem é direta. A educação em saúde permanece como ferramenta central e de grande impacto para enfrentar determinantes sociais, mas iniciativas eficazes precisam ir além da transmissão de informação: devem ser concebidas para remover barreiras concretas relacionadas ao território, ao acesso alimentar e à exposição ao tabaco, reconhecendo que o status socioeconômico não protege todos os grupos da mesma forma. Para profissionais de saúde, isso significa orientar ativamente a adesão às recomendações baseadas em evidências da Sociedade Americana do Câncer, com prioridade para os subgrupos sob maior risco.
\nAs limitações do estudo ajudam a calibrar a leitura dos resultados. Embora geograficamente diversa, a amostra inclui proporção maior de participantes brancos e mulheres, o que reduz a generalização. As medidas de dieta, atividade física e peso foram autorreferidas; ainda que validadas, permanecem sujeitas a viés de lembrança e desejabilidade social, tendência que pode atenuar as associações observadas. O desenho transversal impede inferir causalidade. Por necessidade analítica, os autores agruparam os extremos do escore (zero a dois e sete a oito), o que reduz a sensibilidade para captar gradientes de adesão. Alguns determinantes relevantes, como cobertura por plano de saúde não puderam ser incluídos. Por fim, existe pequena defasagem temporal: embora as alterações entre as versões de 2012 e 2020 da diretriz sejam mínimas, a análise aplicou a diretriz de 2020 a dados coletados em 2015.
\nApesar dessas cautelas, o quadro é consistente: determinantes sociais da saúde e adesão simultânea a comportamentos que previnem o câncer estão profundamente interligados. Avançar exigirá investigar como políticas regionais e contextos políticos modulam determinantes sociais e, por consequência, a adesão às recomendações, além de desenvolver intervenções focalizadas em subgrupos vulneráveis que considerem a co-ocorrência de hábitos e não apenas um comportamento por vez.
Referência:
Chiang KE, Padilla HM, Callands TA, et al. Social Determinants of Health and Cancer Prevention Guideline Behaviors. JAMA Netw Open. 2025;8(11):e2542330. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.42330
Quase metade dos desfechos adversos em saúde é acelerada pelos determinantes sociais da saúde, o conjunto de condições sociais e ambientais que moldam como vivemos, trabalhamos, crescemos e envelhecemos. Esses determinantes
","main_content":"Quase metade dos desfechos adversos em saúde é acelerada pelos determinantes sociais da saúde, o conjunto de condições sociais e ambientais que moldam como vivemos, trabalhamos, crescemos e envelhecemos. Esses determinantes frequentemente operam por meio de comportamentos de saúde, dieta, atividade física, consumo de álcool e manejo do peso, que tendem a ocorrer em conjunto. Em vez de avaliar cada hábito isoladamente, um estudo publicado na revista JAMA Network Open investigou a adesão simultânea a esses comportamentos usando um escore de diretrizes de zero a oito, derivado da Diretriz 2020 da Sociedade Americana do Câncer para prevenção do câncer. Trata-se de uma análise transversal, conduzida em uma grande e diversa coorte de adultos nos Estados Unidos, desenhada para identificar quais determinantes sociais da saúde se associam à adesão combinada à alimentação saudável, à prática de atividade física, ao consumo responsável de álcool e ao controle do índice de massa corporal.
\nOs resultados indicam, de forma consistente, que fatores sociais e ambientais, raça e etnia, renda, escolaridade, estado civil, situação de trabalho, tipo de território (rural ou urbano), viver em áreas com escassez de alimentos saudáveis e exposição à fumaça secundária do tabaco, mantêm associação independente com a adesão às diretrizes da Sociedade Americana do Câncer. Na prática, os escores mais baixos concentram-se entre quem tem menor renda e escolaridade, mora fora de centros metropolitanos, está exposto ao fumo passivo e vive em regiões com oferta limitada de alimentos saudáveis. O achado reforça uma constatação central da saúde pública: além de influenciar escolhas, o contexto social determina o quanto é viável transformar recomendações em rotinas sustentáveis.
\nAs disparidades raciais emergem com força. Entre as mulheres, as participantes negras tiveram 31% menos chance de alcançar alta adesão (escore entre sete e oito) em comparação às mulheres brancas. Mesmo quando se observa nível educacional elevado, o efeito protetor não se distribui de modo uniforme: participantes negros com pós-graduação foram menos propensos a apresentar alta adesão do que brancos com a mesma escolaridade. Esse padrão sugere a presença de inequidades sistêmicas e diferenças culturais que modulam comportamentos de saúde, indicando que ganhos em renda ou educação não se convertem automaticamente, para todos os grupos, em práticas mais saudáveis.
\nA interação entre estado civil e sexo também chama atenção, com achados parcialmente contraintuitivos frente à literatura prévia. Homens que nunca se casaram tiveram 1,23 vez mais chance de alcançar escores mais altos do que mulheres casadas, enquanto mulheres que nunca se casaram apresentaram 11% menos chance. Estudos anteriores costumam associar o casamento a melhores desfechos físicos e mentais, sobretudo entre homens por mecanismos como seleção de indivíduos mais saudáveis, ganhos econômicos e maior conexão social que favorece hábitos saudáveis. Entretanto, a coorte analisada relata, em algumas dimensões (como atividade física), níveis de adesão superiores aos da população geral, o que limita a generalização direta para todos os Estados Unidos e pode explicar parte dessa divergência.
\nO lugar onde se vive pesa de maneira decisiva. A exposição à fumaça secundária do tabaco mostrou efeito consistentemente prejudicial: reduziu a chance de alta adesão em todas as faixas de renda, inclusive nas mais altas, em outras palavras, renda elevada não compensa o impacto do fumo passivo. Como a exposição à fumaça secundária é mais comum em grupos de menor renda, o estudo a interpreta como marcador de desigualdades persistentes e profundas; reduzir essa exposição é peça essencial de qualquer estratégia de promoção da saúde.
\nEm conjunto, os achados direcionam o olhar para grupos com maior vulnerabilidade à baixa adesão (escores entre zero e dois): mulheres negras, pessoas que vivem em escassez alimentares, moradores fora de centros urbanos, indivíduos com menor renda e escolaridade e aqueles expostos à fumaça secundária do tabaco. Do ponto de vista de políticas públicas e da prática clínica, a mensagem é direta. A educação em saúde permanece como ferramenta central e de grande impacto para enfrentar determinantes sociais, mas iniciativas eficazes precisam ir além da transmissão de informação: devem ser concebidas para remover barreiras concretas relacionadas ao território, ao acesso alimentar e à exposição ao tabaco, reconhecendo que o status socioeconômico não protege todos os grupos da mesma forma. Para profissionais de saúde, isso significa orientar ativamente a adesão às recomendações baseadas em evidências da Sociedade Americana do Câncer, com prioridade para os subgrupos sob maior risco.
\nAs limitações do estudo ajudam a calibrar a leitura dos resultados. Embora geograficamente diversa, a amostra inclui proporção maior de participantes brancos e mulheres, o que reduz a generalização. As medidas de dieta, atividade física e peso foram autorreferidas; ainda que validadas, permanecem sujeitas a viés de lembrança e desejabilidade social, tendência que pode atenuar as associações observadas. O desenho transversal impede inferir causalidade. Por necessidade analítica, os autores agruparam os extremos do escore (zero a dois e sete a oito), o que reduz a sensibilidade para captar gradientes de adesão. Alguns determinantes relevantes, como cobertura por plano de saúde não puderam ser incluídos. Por fim, existe pequena defasagem temporal: embora as alterações entre as versões de 2012 e 2020 da diretriz sejam mínimas, a análise aplicou a diretriz de 2020 a dados coletados em 2015.
\nApesar dessas cautelas, o quadro é consistente: determinantes sociais da saúde e adesão simultânea a comportamentos que previnem o câncer estão profundamente interligados. Avançar exigirá investigar como políticas regionais e contextos políticos modulam determinantes sociais e, por consequência, a adesão às recomendações, além de desenvolver intervenções focalizadas em subgrupos vulneráveis que considerem a co-ocorrência de hábitos e não apenas um comportamento por vez.
Referência:
Chiang KE, Padilla HM, Callands TA, et al. Social Determinants of Health and Cancer Prevention Guideline Behaviors. JAMA Netw Open. 2025;8(11):e2542330. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.42330