{"status":200,"response":{"result":"PUBLIC_ARTICLES_RETRIEVED","data":{"count":4,"content":[{"id":"6209896175f7dc02740a9170","updated":"2022-02-22T00:09:38.608Z","created":"2022-02-13T22:42:41.599Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":false,"scheduled_date":null,"rejection_reason":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2022-02-21T18:44:33.677Z","likes_count":1,"bookmarks_count":0,"comments_count":0,"score":"2022-02-21T19:44:33.677Z","sharing_title":"Busca de mutações no exon 1 do gene KRAS em carcinoma de vesícula biliar: prognóstico baseado em análise de DNA","sharing_description":"O nosso conhecimento atual sobre os cânceres associados a vírus teve origem em biópsias nas quais foi possível identificar e estudar diversos genes reguladores do Sistema de controle do ciclo celular, entre eles os proto-oncogenes cuja função está  relacionada aos mecanismos de crescimento, diferenciação e proliferação celular normais. Essas proteínas normais perfazem um Sistema de Controle do Ciclo Celular (SCCC). Neste grupo, diversos genes têm sido estudados e reportados na literatura médica pertinente. Em destaque neste artigo está o proto-oncogene KRAS-2B. \n\nConfira o texto completo na Academia Médica.","sharing_image":"https://58b04f5940c1474e557e363a.redesign.static-01.com/f/images/9fef7974e207793b7b07dcab29323cd51bfe6e8c.png","tag_ids":["593f565611eebc073efd51ec","593f5aa711eebc073efd57ae","5ff786baa507b86eec86fb8d","603d2d685d9dc4767750ac57","6213dd914054a64d10fdac4b"],"author_user_id":"5dd51a40c354291814acc9be","moderator_user_id":null,"project_id":"58b04f5940c1474e557e363a","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":1,"tags":[{"id":"593f565611eebc073efd51ec","title":"prognóstico","slug":"prognostico","fixed":0,"app_id":"56e066bd9cbb047348354ea6","account_id":"58b04e55e9dd6944b5ee4daf","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"593f5aa711eebc073efd57ae","title":"genética","slug":"genetica","fixed":0,"app_id":"56e066bd9cbb047348354ea6","account_id":"58b04e55e9dd6944b5ee4daf","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"5ff786baa507b86eec86fb8d","title":"DNA","slug":"dna","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"603d2d685d9dc4767750ac57","title":"PROTO-ONCOGENE","slug":"proto-oncogene","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"},{"id":"6213dd914054a64d10fdac4b","title":"Vesicula biliar","slug":"vesicula-biliar","project_id":"58b04f5940c1474e557e363a"}]},"content":{"title":"Busca de mutações no exon1 do gene KRAS de carcinoma de vesícula biliar: prognóstico baseado em análise de DNA","slug":"busca-de-mutacoes-no-exon-1-do-gene-kras-em-carcinoma-de-vesicula-biliar-prognostico-baseado-em-analise-de-dna","cover_image":"https://58b04f5940c1474e557e363a.redesign.static-01.com/l/images/647aa380241368a53248429a9b13fd1e2521c145.png","headline":"O nosso conhecimento atual sobre os cânceres associados a vírus teve origem em biópsias nas quais foi possível identificar e estudar diversos genes reguladores do Sistema de controle do ciclo celular,","main_content":"

O nosso conhecimento atual sobre os cânceres associados a vírus teve origem em biópsias nas quais foi possível identificar e estudar diversos genes reguladores do Sistema de controle do ciclo celular, entre eles os proto-oncogenes cuja função está  relacionada aos mecanismos de crescimento, diferenciação e proliferação celular normais. Além disso, os produtos desses genes são fatores de crescimento, receptores de membrana e proteínas de ligação ao DNA.

De fato, essas proteínas normais perfazem um Sistema de Controle do Ciclo Celular (SCCC). Neste grupo, diversos genes têm sido estudados e reportados na literatura médica pertinente. Em destaque, a ênfase é para o proto-oncogene KRAS-2B, que produz uma proteína de ligação ao GTP (Guanosina Trifosfato).

A mutação somática pontual no KRAS ocorre com ganho de função e compromete a homeostasia do ciclo celular, cujas principais consequências são a inibição da apoptose e sinalização constitutiva para proliferação descontrolada de células com lesões pré-cancerosas. Em contrapartida, os genes supressores de tumores (GST), como o TP53 e o RB, regulam a transcrição do DNA e mantém as células alteradas em “quarentena”, em um estado quiescente, em G0, impedindo assim, seu retorno ao ciclo celular e posterior divisão celular.

O gene TP53 (conhecido como gene supressor de tumor) é o guardião do genoma enquanto o RB impede a divisão celular de continuar indefinidamente. O efeito de mutações nos GSTs  ocorre com perda de função e, reflete no crescimento das células tumorais, distorcendo a função primária destes genes de suprimirem eventuais tumores em um estágio bem precoce que antecede a decisão celular propriamente dita. Coletando-se biópsias com células malignas pode se detectar por técnicas de Biologia Molecular essas duas classes de  genes  mutados.

Diante destes conhecimentos que se imaginou a possibilidade de pesquisar qual a correlação entre o status mutado do gene KRAS e o prognóstico do carcinoma de vesícula biliar, tendo em vista que este é o oncogene de maior incidência em órgão cujo tecido epitelial está presente. Dadas as funções do KRAS, hoje, sabe-se que os efeitos desse oncogene em carcinoma de vesícula biliar podem ocorrer simultaneamente ou isoladamente.

O KRAS mutado age como um interruptor molecular de sinais externos à membrana plasmática que deve ser conduzidos até o núcleo celular. Assim que ativado, o KRAS reuni e ativa proteínas importantes para a dispersão de fatores de crescimento  e sinais em outros receptores de rotas metabólicas específicas  colaborando com outros genes no controle do ciclo celular.

 

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Referência

PANIAGUA. José Antonio. Busca de mutações no exon 1 do gene KRAS em amostras de carcinoma de vesícula biliar/ 1.4 Prognostico baseado em análise de DNA. 2013, 102f. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia)- Universidade Católica de Brasilia, 2013.

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De fato, essas proteínas normais perfazem um Sistema de Controle do Ciclo Celular (SCCC). Neste grupo, diversos genes têm sido estudados e reportados na literatura médica pertinente. Em destaque, a ênfase é para o proto-oncogene KRAS-2B, que produz uma proteína de ligação ao GTP (Guanosina Trifosfato).

A mutação somática pontual no KRAS ocorre com ganho de função e compromete a homeostasia do ciclo celular, cujas principais consequências são a inibição da apoptose e sinalização constitutiva para proliferação descontrolada de células com lesões pré-cancerosas. Em contrapartida, os genes supressores de tumores (GST), como o TP53 e o RB, regulam a transcrição do DNA e mantém as células alteradas em “quarentena”, em um estado quiescente, em G0, impedindo assim, seu retorno ao ciclo celular e posterior divisão celular.

O gene TP53 (conhecido como gene supressor de tumor) é o guardião do genoma enquanto o RB impede a divisão celular de continuar indefinidamente. O efeito de mutações nos GSTs  ocorre com perda de função e, reflete no crescimento das células tumorais, distorcendo a função primária destes genes de suprimirem eventuais tumores em um estágio bem precoce que antecede a decisão celular propriamente dita. Coletando-se biópsias com células malignas pode se detectar por técnicas de Biologia Molecular essas duas classes de  genes  mutados.

Diante destes conhecimentos que se imaginou a possibilidade de pesquisar qual a correlação entre o status mutado do gene KRAS e o prognóstico do carcinoma de vesícula biliar, tendo em vista que este é o oncogene de maior incidência em órgão cujo tecido epitelial está presente. Dadas as funções do KRAS, hoje, sabe-se que os efeitos desse oncogene em carcinoma de vesícula biliar podem ocorrer simultaneamente ou isoladamente.

O KRAS mutado age como um interruptor molecular de sinais externos à membrana plasmática que deve ser conduzidos até o núcleo celular. Assim que ativado, o KRAS reuni e ativa proteínas importantes para a dispersão de fatores de crescimento  e sinais em outros receptores de rotas metabólicas específicas  colaborando com outros genes no controle do ciclo celular.

 

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Referência

PANIAGUA. José Antonio. Busca de mutações no exon 1 do gene KRAS em amostras de carcinoma de vesícula biliar/ 1.4 Prognostico baseado em análise de DNA. 2013, 102f. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia)- Universidade Católica de Brasilia, 2013.

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O câncer de vesícula biliar (CaVB) é uma neoplasia muito agressiva (com grande potencial de invasão e metatastização), com diagnóstico incidental, via de regra, prognóstico desfavorável e com consequência letal. Entretanto, o conhecimento da evolução natural desse câncer ainda é muito imaturo, parcialmente em função de sua raridade, ausência de sintomatologia, escassez e contradições na literatura. Clinicamente, o câncer de vesícula biliar é uma neoplasia silenciosa, letal, quimio-radiorresistente (ou pouco responsiva à maioria destas terapias, salve exceções), rara e com prognóstico reservado.

Os estudos epidemiológicos revelam um aumento na frequência de Câncer de Vesícula Biliar (CaVB), que é preocupante porque até certo ponto, está associado à dificuldade que se tem de compreendê-lo melhor e de identificar os indivíduos de alto risco.

O sistema de estadiamento da American Joint Committee on Cancer, para CaVB foi modificado e atualizado para a 7ª edição em 2010 e incluiu diferentes tipos de tumor. A classificação UICC é determinada pelas categorias TNM (tumor, lymph nodes, metástases) incorporando a idade ao diagnóstico e ao tipo histológico.

Várias classificações embasadas em aspectos morfofisiológicos e histológicos têm contribuído positivamente para gerir melhor o diagnóstico e o prognóstico do CaVB, esses esforços são justificados pelo grande volume de incidências e vítimas com morte. Contudo, as experiências até aqui tem demonstrado que somente a concordância entre os exames clínicos e histopatológico, muitas das vezes, não são autonômos para definirem por si o diagnóstico e principalmente o prognóstico definitivo do CaVB. Por sua vez, os exames clínicos e histopatológico são muito limitados quando comparados à evolução no diagnóstico precoce e prognóstico direcionado para outros cânceres.

O diagnóstico do CaVB, geralmente é conhecido no pré ou pós-operatório. A cura depende do diagnóstico precoce como atributo para ressecção cirúrgica total da vesícula biliar. O diagnóstico tardio, é a regra, a taxa de sobrevida é estimada em 6 meses com menos de 5% dos pacientes ultrapassando cinco anos pós-diagnóstico (numa fase ressecável), fato que insere um prognóstico ruim e com tratamento paliativo. Geralmente, os pacientes recebem o diagnóstico de CaVB com idade média de 73 anos, no Brasil essa média cai para 71 anos.

Tais fatos, contribuem para dificultar o diagnóstico dessa doença ccomprometendo o êxito no prognóstico e no tratamento. A Colecistectomia é uma opção oferecida aos pacientes como preventivas ou como curativas, em casos suspeitos ou avançados, respectivamente. Portanto, a cirurgia não tem como objetivo melhorar o prognóstico e sim a qualidade de vida e a sobrevida do paciente.

O estabelecimento do tratamento curativo tem o diagnóstico tardio como um fator limitante, pois, na minoria dos casos a suspeita de CaVB ocorre no transoperatório de colecistectomia por colecistite aguda; e ao contrário, na maioria dos casos este diagnóstico ocorre após o exame histopatológico da Vesícula Biliar colecistectomizada. A terapia adjuvante é indefinida e paliativa no geral, mesmo submetendo o paciente a cirurgia não curativa, rádio e/ou quimioterapia. As terapias que empregam rádio e quimioterapia em pacientes com CaVB apresentam resultados decepcionantes e, não há ensaios clínicos randomizados com números suficientes de amostras para avaliar a eficácia destas terapias, senão em grupos pequenos.

Os avanços no tratamento são arcaicos quando comparado a outros cânceres nos quais a incidência é menor e, outros cuja inovação terapêutica é um fato.

Estudos populacionais têm postulado que há diversos fatores e marcadores de riscos associados ao CaVB. No entanto, tais fatores têm baixo ou questionável potencial para auxiliar no prognóstico e terapêutica.

Acredita-se que a presença de macromoléculas marcadoras de oncogenicidade deverão se impor prioritariamente como estratégias para melhor gerir cânceres agressivos. De fato, a literatura é unânime em registrar que vários genes do sistema de controle do ciclo celular são encontrados mutados em diversos cânceres humano e estão clinicamente associados a um fenótipo de maior agressividade e menor sobrevida. O Kirsten Rat Sarcoma Viral Oncogene Homólogo (KRAS2B) é um dos oncogenes deste sistema, capaz de imprimir nas células fisiologia patológica com características típicas de células malignas com alto potencial reprodutivo, então, a identificação precoce dos mecanismos moleculares subjacentes que desencadeiam a tumorigênese otimiza o prognóstico. Devido à importância do KRAS na homeostasia celular e sua maior incidência como oncogene em diversos tipos de cânceres, descrever o status mutado que ocorrem principalmente no domínio de interação a GTPs (nos códons 12 e 13 do éxon 1 desse gene), tem sido um alvo atrativo da medicina molecular. Essas mutações levam a perda da função da enzima GTPase de hidrolisar GTP EM GDP, fenômenos que deságua na ativação constante das vias de sinalização celular desencadeando um processo de alterações celulares cancerosas. Estudos recentes mostraram que o KRAS2B em determinadas populações humanas, além de auxiliar como biomarcador tecidual no prognóstico é promissor na resposta terapêutica. Estes são alguns dos aspectos que deram origem ao presente estudo.

Durante o meu mestrado elaborei um estudo em que foi proposto sequenciar e avaliar o éxon 1 do KRAS, em busca de mutações patogênicas (de ganho de função) nos sítios codantes 12 e 13, como um marcador molecular robusto para auxiliar no prognóstico. A fonte de DNA utilizada para estes testes são oriundas de 42 biópsias de CaVB primário, fixadas em formol e emblocadas em parafina. Foi extraído e amplificado por PCR um fragmento de 295 pb de 40,4% dessas amostras. Pela análise dos eletroferogramas produzidos pelos sequenciamentos nenhuma mutação foi detectada no éxon 1 do KRAS, objeto deste estudo. Otimizar essa tecnologia do uso eficiente de material parafinado em patologia molecular com resultados satisfatórios tem sido um grande desafio. Contudo, isso não impediu a obtenção de bons sequenciamentos, assim como não comprometeu os resultados aqui encontrados em plena concordância com a baixa frequência de mutações no KRAS em CaVB reportado na literatura pertinente.

Clinicamente, no Brasil o câncer de vesícula biliar e uma neoplasia rara e geralmente diagnosticada tardiamente, em relação a sua evolução, com mal prognóstico. De acordo com a bibliografia levantada, este é o primeiro estudo genético molecular no Brasil sobre a suposta correlação entre CaVB e mutações patogênicas somáticas nos códons 12 e 13 do gene KRAS em pacientes brasileiros.

Esse estudo experimental ocorreu e não foram encontradas estas mutações no éxon 1 do gene KRAS, em amostras de tecidos de vesícula biliar com carcinoma em blocos de parafina de brasileiros operados. Diante deste contexto o que sabíamos é o efeito que estas mesmas mutações no mesmo éxon do KRAS em japoneses e coreanos tem sobre o prognóstico de CaVB dado sua alta frequência. Se tivéssemos encontrado estas mutações ao extrair DNA de tecidos de vesícula biliar cancerosa presentes em blocos de parafina esse estudo teria continuidade para uma titulação acima.

Sabíamos que a frequência destas mutações eram baixas em outras populações e, nas amostras de brasileiros utilizadas nesse estudo não foram encontradas mutações nas sequências de DNA sequenciadas e analisadas. Contudo, esperávamos que estas mutações, se presentes em brasileiros, serviriam de indicadores biológicos robustos, utilizados como ferramentas auxiliares na otimização das decisões médicas para submeter o não um paciente à extirpação da vesícula biliar com carcinoma.

A mutação no éxon 1 do gene KRAS códons 12 e 13 é um preditor de prognóstico com resposta negativa para a terapia de primeira linha com anticorpos monoclonais (Cetuximabe e Panitumumabe) inibidores de EGFR (receptor de fator de crescimento epidérmico) e, segundo vários estudos, confere pior prognóstico. No entanto, essas referidas mutações não foram detectadas nas amostras de tecido canceroso extraído de vesícula biliar utilizadas neste estudo em uma amostra populacional considerável de brasileiros.

Acreditamos que estudos semelhantes a este devem continuar, mesmo diante da enorme dificuldade de coleta de amostras de CaVB. Com o avanço inegável de sequenciamento de DNA de última geração as possibilidades de detecção de mutações em menor tempo e com menores gastos são fatos. Diante do contexto, caso essas mutações no KRAS existam de fato, em brasileiros acometidos por CaVB, e esteja correlacionadas ao prognóstico diante de extirpação cirúrgica a precisão na decisão médica para operar seria considerável e humanizadora, por permitir menor sofrimento do paciente.

 


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REFERÊNCIAS

PANIAGUA, José Antonio. Busca de mutações no éxon 1 do gene KRAS em amostras de carcinoma de vesícula biliar. 102 f. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia) - Universidade Católica de Brasília, 2013.


 


 

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O câncer de vesícula biliar (CaVB) é uma neoplasia muito agressiva (com grande potencial de invasão e metatastização), com diagnóstico incidental, via de regra, prognóstico desfavorável e com consequência letal. Entretanto, o conhecimento da evolução natural desse câncer ainda é muito imaturo, parcialmente em função de sua raridade, ausência de sintomatologia, escassez e contradições na literatura. Clinicamente, o câncer de vesícula biliar é uma neoplasia silenciosa, letal, quimio-radiorresistente (ou pouco responsiva à maioria destas terapias, salve exceções), rara e com prognóstico reservado.

Os estudos epidemiológicos revelam um aumento na frequência de Câncer de Vesícula Biliar (CaVB), que é preocupante porque até certo ponto, está associado à dificuldade que se tem de compreendê-lo melhor e de identificar os indivíduos de alto risco.

O sistema de estadiamento da American Joint Committee on Cancer, para CaVB foi modificado e atualizado para a 7ª edição em 2010 e incluiu diferentes tipos de tumor. A classificação UICC é determinada pelas categorias TNM (tumor, lymph nodes, metástases) incorporando a idade ao diagnóstico e ao tipo histológico.

Várias classificações embasadas em aspectos morfofisiológicos e histológicos têm contribuído positivamente para gerir melhor o diagnóstico e o prognóstico do CaVB, esses esforços são justificados pelo grande volume de incidências e vítimas com morte. Contudo, as experiências até aqui tem demonstrado que somente a concordância entre os exames clínicos e histopatológico, muitas das vezes, não são autonômos para definirem por si o diagnóstico e principalmente o prognóstico definitivo do CaVB. Por sua vez, os exames clínicos e histopatológico são muito limitados quando comparados à evolução no diagnóstico precoce e prognóstico direcionado para outros cânceres.

O diagnóstico do CaVB, geralmente é conhecido no pré ou pós-operatório. A cura depende do diagnóstico precoce como atributo para ressecção cirúrgica total da vesícula biliar. O diagnóstico tardio, é a regra, a taxa de sobrevida é estimada em 6 meses com menos de 5% dos pacientes ultrapassando cinco anos pós-diagnóstico (numa fase ressecável), fato que insere um prognóstico ruim e com tratamento paliativo. Geralmente, os pacientes recebem o diagnóstico de CaVB com idade média de 73 anos, no Brasil essa média cai para 71 anos.

Tais fatos, contribuem para dificultar o diagnóstico dessa doença ccomprometendo o êxito no prognóstico e no tratamento. A Colecistectomia é uma opção oferecida aos pacientes como preventivas ou como curativas, em casos suspeitos ou avançados, respectivamente. Portanto, a cirurgia não tem como objetivo melhorar o prognóstico e sim a qualidade de vida e a sobrevida do paciente.

O estabelecimento do tratamento curativo tem o diagnóstico tardio como um fator limitante, pois, na minoria dos casos a suspeita de CaVB ocorre no transoperatório de colecistectomia por colecistite aguda; e ao contrário, na maioria dos casos este diagnóstico ocorre após o exame histopatológico da Vesícula Biliar colecistectomizada. A terapia adjuvante é indefinida e paliativa no geral, mesmo submetendo o paciente a cirurgia não curativa, rádio e/ou quimioterapia. As terapias que empregam rádio e quimioterapia em pacientes com CaVB apresentam resultados decepcionantes e, não há ensaios clínicos randomizados com números suficientes de amostras para avaliar a eficácia destas terapias, senão em grupos pequenos.

Os avanços no tratamento são arcaicos quando comparado a outros cânceres nos quais a incidência é menor e, outros cuja inovação terapêutica é um fato.

Estudos populacionais têm postulado que há diversos fatores e marcadores de riscos associados ao CaVB. No entanto, tais fatores têm baixo ou questionável potencial para auxiliar no prognóstico e terapêutica.

Acredita-se que a presença de macromoléculas marcadoras de oncogenicidade deverão se impor prioritariamente como estratégias para melhor gerir cânceres agressivos. De fato, a literatura é unânime em registrar que vários genes do sistema de controle do ciclo celular são encontrados mutados em diversos cânceres humano e estão clinicamente associados a um fenótipo de maior agressividade e menor sobrevida. O Kirsten Rat Sarcoma Viral Oncogene Homólogo (KRAS2B) é um dos oncogenes deste sistema, capaz de imprimir nas células fisiologia patológica com características típicas de células malignas com alto potencial reprodutivo, então, a identificação precoce dos mecanismos moleculares subjacentes que desencadeiam a tumorigênese otimiza o prognóstico. Devido à importância do KRAS na homeostasia celular e sua maior incidência como oncogene em diversos tipos de cânceres, descrever o status mutado que ocorrem principalmente no domínio de interação a GTPs (nos códons 12 e 13 do éxon 1 desse gene), tem sido um alvo atrativo da medicina molecular. Essas mutações levam a perda da função da enzima GTPase de hidrolisar GTP EM GDP, fenômenos que deságua na ativação constante das vias de sinalização celular desencadeando um processo de alterações celulares cancerosas. Estudos recentes mostraram que o KRAS2B em determinadas populações humanas, além de auxiliar como biomarcador tecidual no prognóstico é promissor na resposta terapêutica. Estes são alguns dos aspectos que deram origem ao presente estudo.

Durante o meu mestrado elaborei um estudo em que foi proposto sequenciar e avaliar o éxon 1 do KRAS, em busca de mutações patogênicas (de ganho de função) nos sítios codantes 12 e 13, como um marcador molecular robusto para auxiliar no prognóstico. A fonte de DNA utilizada para estes testes são oriundas de 42 biópsias de CaVB primário, fixadas em formol e emblocadas em parafina. Foi extraído e amplificado por PCR um fragmento de 295 pb de 40,4% dessas amostras. Pela análise dos eletroferogramas produzidos pelos sequenciamentos nenhuma mutação foi detectada no éxon 1 do KRAS, objeto deste estudo. Otimizar essa tecnologia do uso eficiente de material parafinado em patologia molecular com resultados satisfatórios tem sido um grande desafio. Contudo, isso não impediu a obtenção de bons sequenciamentos, assim como não comprometeu os resultados aqui encontrados em plena concordância com a baixa frequência de mutações no KRAS em CaVB reportado na literatura pertinente.

Clinicamente, no Brasil o câncer de vesícula biliar e uma neoplasia rara e geralmente diagnosticada tardiamente, em relação a sua evolução, com mal prognóstico. De acordo com a bibliografia levantada, este é o primeiro estudo genético molecular no Brasil sobre a suposta correlação entre CaVB e mutações patogênicas somáticas nos códons 12 e 13 do gene KRAS em pacientes brasileiros.

Esse estudo experimental ocorreu e não foram encontradas estas mutações no éxon 1 do gene KRAS, em amostras de tecidos de vesícula biliar com carcinoma em blocos de parafina de brasileiros operados. Diante deste contexto o que sabíamos é o efeito que estas mesmas mutações no mesmo éxon do KRAS em japoneses e coreanos tem sobre o prognóstico de CaVB dado sua alta frequência. Se tivéssemos encontrado estas mutações ao extrair DNA de tecidos de vesícula biliar cancerosa presentes em blocos de parafina esse estudo teria continuidade para uma titulação acima.

Sabíamos que a frequência destas mutações eram baixas em outras populações e, nas amostras de brasileiros utilizadas nesse estudo não foram encontradas mutações nas sequências de DNA sequenciadas e analisadas. Contudo, esperávamos que estas mutações, se presentes em brasileiros, serviriam de indicadores biológicos robustos, utilizados como ferramentas auxiliares na otimização das decisões médicas para submeter o não um paciente à extirpação da vesícula biliar com carcinoma.

A mutação no éxon 1 do gene KRAS códons 12 e 13 é um preditor de prognóstico com resposta negativa para a terapia de primeira linha com anticorpos monoclonais (Cetuximabe e Panitumumabe) inibidores de EGFR (receptor de fator de crescimento epidérmico) e, segundo vários estudos, confere pior prognóstico. No entanto, essas referidas mutações não foram detectadas nas amostras de tecido canceroso extraído de vesícula biliar utilizadas neste estudo em uma amostra populacional considerável de brasileiros.

Acreditamos que estudos semelhantes a este devem continuar, mesmo diante da enorme dificuldade de coleta de amostras de CaVB. Com o avanço inegável de sequenciamento de DNA de última geração as possibilidades de detecção de mutações em menor tempo e com menores gastos são fatos. Diante do contexto, caso essas mutações no KRAS existam de fato, em brasileiros acometidos por CaVB, e esteja correlacionadas ao prognóstico diante de extirpação cirúrgica a precisão na decisão médica para operar seria considerável e humanizadora, por permitir menor sofrimento do paciente.

 


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REFERÊNCIAS

PANIAGUA, José Antonio. Busca de mutações no éxon 1 do gene KRAS em amostras de carcinoma de vesícula biliar. 102 f. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia) - Universidade Católica de Brasília, 2013.


 


 

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RESUMO

A idiotia amaurótica infantil, também conhecida por doença de Tay-Sachs (DTS) foi descrita por um oftalmologista inglês, chamado Warren Tay, 1881, e por Bernad Sachs, um neurologista americano, 1887, o que justifica o nome dessa idiotia. Existem diferentes tipos de idiotias amauróticas, sendo muitas transicionais. Um dos critérios para diferenciá-las é a idade. Percebe-se que quanto maior a idade, a evolução da doença tende a se prolongar e a diminuir a intensidade dos distúrbios visuais, porém o acometimento extrapiramidal tende a se acentuar. Ela é manifestada somente em indivíduos homozigotos autossômico. Dada a importância quanto à idiotia amaurótica, surge então a necessidade da abordagem da seguinte temática, em que o presente trabalho objetiva conhecer a idiotia amaurótica infantil, tendo como objetivo específico, esclarecer os sinais da doença de Tay-Sachs, identificar os fatores genéticos envolvidos na manifestação dessa anomalia e conhecer a população atingida por esta idiotia. A realização deste estudo tem como preceitos metodológicos a pesquisa bibliográfica, desse modo, foi feito uma revisão literária consultando diferentes tipos de artigos na internet e livros acerca do assunto. Foi possível perceber que os objetivos ora propostos foram alcançados por meio de uma revisão literária que possibilitou a descoberta de novos saberes acerca do tema em questão.

Palavras chaves: Idiotia. Tay-Sachs. Infantil

ABSTRACT-There are different types of amaurotic idiotias, with many transiocionais. One of the criteria to differentiate them is age. It is noticed that the higher the age, the evolution of the disease tends to increase and decrease the intensity of visual disturbances, however extrapyramidal involvement tends to increase. Infantile amaurotic idiocy, also known as Tay-Sachs (DTS) disease was described by an English ophthalmologist, in 1881, named Warren Tay and Bernad Sachs, an American neurologist, 1887, which explains the name of idiocy. Expressed only in autosomal homozygotes. Given the importance for the amaurotic idiocy, then if the need arises in the following thematic approach, where the present work aims at knowing the child amaurotic idiocy, with the specific objective, clear signs of Tay-Sachs disease, identify genetic factors disease and meet the people affected by this idiocy. This study has methodological principles as literature search, which was done a literature review querying different types of articles on the internet and books on the subject. It could be observed that the objectives proposed herein were achieved through a literature review which led to the discovery of new knowledge about the topic.

Key words: Idiocy. Tay-Sachs.infant

INTRODUÇÃO

A idiotia amaurótica familiar é uma doença hereditária, autossômica, recessiva, que se caracteriza principalmente por cegueira progressiva e demência. Sua principal lesão é a destruição neuronal, pelo fato de se acumular substâncias anormais oriundas do metabolismo cerebral nas células nervosas.  Existem diferentes tipos de idiotia, conforme a idade de manifestação, como a forma infantil, tardia e a adulta (ALENCA, 1972).

Um dos tipos de idiotia existente é a amaurótica infantil, que também é conhecida por doença de Tay-Sachs, sendo um distúrbio neurológico, degenerativo que se manifesta em crianças a partir de 6 meses, ainda não tendo tratamento (e muito menos cura), o que resulta em morte prematura por volta do 2 anos de idade. A doença está associada à deterioração física e mental intensa, fazendo com que a criança deixe de realizar atividades que já havia aprendido como, engatinhar, pegar objetos, sorrir, dentre outros. Além disso, ela passa a ter aumento da sensibilidade auditiva, o que geralmente deságua em agitação, choro e súbita extensão de membros superiores e inferiores. A paralisia total acontece com o tempo até que ocorra a morte dentre os 2 e 5 anos de idade. Este tipo de idiotia é a forma clássica e também a mais comum, porém alguns grupos étnicos são mais propícios de se desenvolver, como, os descendentes de Judeus, que possuem uma incidência 100x maior do que a de outros grupos existentes (ROZEMBERG, 2008).

Considerando que a enfermagem é um grupo profissional com ampla responsabilidade na assistência à criança e na qual deve ter seu conhecimento sempre amplo, surgiu-se a necessidade de se conhecer acerca da idiotia amaurótica infantil, sendo uma temática pouco divulgada na literatura brasileira de maior credibilidade, necessitando assim de mais incentivos a pesquisas e divulgações para otimizar o conhecimento sobre o tema.

Dada a importância da idiotia amaurótica, surge então a necessidade da abordagem da seguinte temática, em que o presente trabalho pretende conhecer a idiotia amaurótica infantil, tendo como objetivo específico, esclarecer os sinais da doença de Tay-Sachs, identificar os fatores genéticos envolvidos na manifestação da doença e conhecer alguns aspectos a população atingida por esta idiotia.

METODOLOGIA

A realização deste estudo tem como preceitos metodológicos revisão bibliográfica narrativa, a qual foi realizada consultando diferentes tipos de artigos na internet e livros acerca do assunto abordado, o que possibilitou a incorporação de informações organizadas suficientes para dar forma a este artigo. .

Santos (2012), diz que a revisão da literatura pode levar outros nomes, como “revisão bibliográfica” ou até mesmo “estado do conhecimento”, porém todos eles tem o mesmo objetivo que é dissertar acerca de um determinado assunto, a contribuição acadêmica. Por meio dela, é possível ter uma visão de várias pesquisas e contribuições do passado, para que se tenha uma investigação futura e desenvolva estudos. Contudo ela se torna uma forma de comprovar a importância do trabalho realizado pelo pesquisador.

A revisão narrativa é constituída por diferentes fases como a introdução, seguida pelo desenvolvimento do assunto, os comentários e as citações. Este tipo de revisão são publicações amplas, com o objetivo de discutir algum assunto, seja ele pelo ponto de vista teórico ou mesmo contextual (ROTHER, 2007).

Segundo Marconi e Lakatos (2005), na revisão bibliográfica subentende-se que o autor utilizou livros, revistas, e publicações avulsas para levantar uma gama bibliográfica, com o objetivo de fazer o escritor entrar em contato com os diferentes tipos de literatura pesquisados sobre um determinado assunto, tendo estes como auxílio para manipulação das informações. A partir daí que se dá o início de todo tipo de pesquisa.

IDIOTIAS AMAURÓTICAS

Existem diferentes tipos de formas clínicas de idiotia amaurótica familiar, sendo muitas transicionais: idiotia amaurótica infantil ou tipo infantil de Tay e Sachs, idiotia amaurótica congênita, a forma juvenil de Batten e Mayou e a forma tardia de Kufs. Contudo, a distinção entre as formas clínicas, baseia-se na idade em que aparecem os primeiro sintomas, no quadro oftalmológico, no ritmo evolutivo e nas manifestações neurológicas (JULIÃO, CANELAS, LONGO, 1954 e COLAIANNI, SUBHASHINI, 2010).

Por meio de estudos ultraestruturais, histoquímicos e bioquímicos da idiotia amaurótica familiar, foi possível distinguir dois tipos de entidades nosológicas.  A primeira que é constituída de armazenamento de gangliósides é a da doença de Tay-Sachs, em que sua patogenia é baseada na deficiência de enzimas lisossômicos. O segundo, que não possui patogenia, foi designado como ceroide –lipofuscinose neuronal, que na verdade são as idiotia tardias, juvenil e adulto, em que ocorre acúmulo de intraneuronal de lipopigmentos (QUEIROZ, NETO, FARIA, 1974).

Na forma infantil, entre o 3º e o 8º mês após o nascimento, que se dá inicio ao processo, sendo progressiva a evolução, até o êxito letal por volta do dois anos. Na forma juvenil a evolução da doença ocorre de modo lento e ocorre por volta dos cinco aos oito anos de idade, levando a morte dentro de 10 a 15 anos, na média. Pelo exame nota-se degenerescência retiniana e atrofia óptica, podendo apresentar alterações motoras e convulsões. Na forma tardia, percebe-se entre os quinze e vinte e seis anos, os principais sintomas, sendo não muito comum o aparecimento de distúrbios visuais. A evolução ocorre de forma lenta, ultrapassando os 15 anos e o quadro neurológico é de forma parecida com o da forma juvenil (JULIÃO, CANELAS, LONGO, 1954).

Contudo, percebe-se que quanto maior a idade, a evolução da doença tende a se prolongar e a diminuir a intensidade dos distúrbios visuais, porém o acometimento extrapiramidal tende a se acentuar. Mas, apesar da idade ser um critério para distinguir os vários tipos, é preciso ter em mente que diferentes formas de sintomas, apesar de raros, podem acontecer nos diferente tipos das idiotias. Pode verificar-se alternâncias na mesma família de formas infantis e juvenis, apesar do caráter heredofamiliar ser marcante em todas as modalidades (ROZEMBERG, 2008).

As idiotias amauróticas têm como fundamento histopatológico o reconhecimento de alterações na retina e no neuraxe, ocorrendo nas células ganglionares a degeneração do citoplasma, além disso, secundariamente as células gliais, também são atingidas. As células, de modo geral, se tumefazem e passam a ter massas granulosas nos prolongamento e no pericárion, sendo essas massas constituídas por lípides. Disposta ao redor do núcleo fica a substância de Nissl, a qual reduz a grânulos muito finos e sem sofrer muitas alterações as neurofibrilas são deslocadas para a periferia. Contudo, os núcleos, apesar das lesões celulares, apresentam relativamente conservados, o que justifica o fato da persistência de relativa integridade funcional (ROZEMBERG, 2008 e KUMAR, ABBAS, FAUSTO, 2005).

IDIOTIA AMAURÓTICA DE TAY-SACHS

A idiotia amaurótica infantil, também conhecida por doença de Tay-Sachs (DTS) foi descrita por um oftalmologista inglês, 1881, chamado Warren Tay, que observou em uma criança de um ano de idade uma lesão macular incomum, quetambém apresentava fraqueza muscular. No exame oftalmológico ele detectou uma mancha branca conspícua e ao centro havia um ponto circular vermelho amarronzado (COLAIANNI, SUBHASHINI, 2010)

Independentemente, Bernad Sachs, um neurologista americano, 1887, descreveu o caso de uma criança que faleceu aos dois anos de idade, apresentando cegueira e uma forma peculiar de deficiência mental. Além disso, ele assinalou nos resultados da autopsia que havia malformações neuronais e deformação craniana, devido à tumefação de células nervosas. E foi por meio destes dois médicos pesquisadores que a idiotia amaurótica infantil, foi também chamada de doença de Tay-Sachs (ALENCAR, 1972).

Existem outros nomes que designam a doença, como, deficiência em hexosaminidade, degeneração cerebromacular, lipidose por deposição de gangliósides, gangliosidose GM2 tipo 1 e unidade alfa (MATAS, 2009).

GENÉTICA NA DOENÇA DE TAY-SACHS

Manifestado somente em indivíduos homozigotos autossômico, uma heredopatia é dominada como herança recessiva autossômica monogênica, sendo um exemplo a doença de Tay-Sachs. Por meio da doença, ocorre uma deficiência acentuada da hexosaminidase A, que é uma enzima lisossômica, cujo processo é determinado por um gene autossômico, em homozigose. A produção desta enzima é dependente no cromossomo 15, especificamente um alelo no loco do braço inferior que participa do metabolismo do gangliosídio Gm2, um lipídeo do sistema nervoso. Com a ausência da enzima, ocorre o acúmulo deste lipídeo nas células ganglionares do cérebro e de outros órgãos, por não ser metabolizado, e com isso provoca retardamento do desenvolvimento, seguido posteriormente por demência, em seguida cegueira, paralisia e por último levando a morte (BEIGUELMAN, 2008).

O acúmulo de lipídeos nas células ganglionares é perceptível por meio do exame ocular, no qual se observa uma área de cor cinza-claro ao redor da fóvea central, além do ponto central de cor avermelhada. A hexosaminidade A, dos heterozigotos do gene que causa a doença, apresenta um número inferior da sua atividade comparado com os indivíduos normais, podendo assim ser detectados. Sua identificação pode ser feita em fibroblastos e leucócitos em cultura, tornando fácil assim mais fácil, além do pré-natal que diagnóstica a deficiência da hexosaminidase A (DESNICK, KABACK, 2001 e KUMAR, ABBAS, FAUSTO, 2005).

SINAIS DA DOENÇA DE TAY-SACHS

A criança que possui idiotia amaurótica infantil apresenta nos primeiros meses de vida um desenvolvimento normal. Os sinais começam a surgir em seguida, pela falta de tônus muscular, nistagmo, apatia e deficiência visual e auditiva. Além disso, a criança passa a ser atraída pela luz no primeiro ano de vida e começa a mover os olhos, seguindo objetos. Quanto aos olhos, o último sintoma é a cegueira total. Diferente das crianças normais, não tem interesse por brinquedos, nem por ambiente circundante. A criança passa então a ser letárgica e na fase terminal a alimentação necessita de tubos. Convulsões e problemas bronquiais se tornam típicos, levando a morte no segundo ano de vida (ROZEMBERG, 2008).

Caso ocorra dúvida quanto aos sintomas supracitados, o exame oftalmológico é uma opção certa para confirmação da doença, no qual se observa um ponto vermelho na retina, que se dá devido à deposição lipídica, sendo esta mancha encontrada em todos os pacientes. Não existe um tratamento disponível e os sinais e sintomas não mudaram desde as primeiras descrições (ROZEMBERG, 2008 e COLAIANNI, SUBHASHINI, 2010).

POPULAÇÃO ATINGIDA

Apesar de sua raridade, a doença de Tay-Sachs ocorre com maior frequência em certos grupos étnicos, como na população judaica, em que a cada 31 indivíduos, 1 é portador e a cada 4000 nascimentos, ocorre 1 caso da doença. Outra população cuja frequência gênica é 10 vezes maior é a franco-canadense e a Cajun, EUA, onde o risco da incidência pode ser 100 vezes maior (ALENCA, 1972).

A incidência da doença na população de judeus diminuiu cerca de 90% quando o diagnóstico ocorre no pré-natal, por meio de programas que são desenvolvidos para detecção e orientação de heterozigotos da doença. Apena em Israel, Canadá e EUA que são desenvolvidos esses tipos programas devido à incidência em suas populações (ALENCA, 1972).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após todas as discussões realizadas até então, faz-se necessário apresentar considerações finais a respeito da pesquisa ora em questão. Sendo assim, vale salientar que o estudo surgiu pelo fato de ser um assunto pouco discutido e, consequentemente, pouco conhecido.

Portanto, é pertinente ressaltar que o objetivo deste estudo foi explanar um pouco mais sobre idiotia amaurótica infantil. É notório que esse objetivo ora proposto foi alcançado por meio dessa revisão literária que possibilita otimizar o conhecimento do tema em questão. Além disso, foram discutidos durante a revisão bibliográfica a sintomatologia característica da doença, e ficou claro que não existe cura e nem tratamento, o que impetra gravidade nessa doença, e, contudo, foi relatado que existe uma população com maior predisposição para o desenvolvimento daidiotia amaurótica, que são os descendentes de judeus.

Diante disso, percebe-se a importância de ler para conhecer novos temas e discutí-los para que sejam melhor conhecidos. Esse exercício incita a nossa curiosidade e ao mesmo tempo, ressalta a importância de otimizar o conhecimento sobre algumas doenças muito raras, instigando aos futuros acadêmicos o ampliamento de seus saberes a respeito o estudo abordado por meio da realização de outras pesquisas a respeito de temáticas afins.

 


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REFERENCIAS

ALENCAR, Alexandre. Forma Juvenil da Idiotia Amaurótica Familiar (Doença de: Spielmeyer-Vogt-Batten). Instituto Oswaldo Cruz. Guanabara: Rio de Janeiro, 1972.  

BEIGUELMAN, Bernardo. A interpretação Genética da Variabilidade Humana. Ribeirão Preto: SBG, 2000. 152P. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/mioc/v70n3/tomo70(f3)_111-136.pdf

COLAIANNI, Alessandra; SUBHASHINI,  Chandrasekharen; DEEGAN, Robert Cook. Impacto das patentes de genes e as práticas de licenciamento sobre o acesso a testes genéticos e triagem de portadores de doença de Tay-Sachs  e a doença de Canavan. Genética em Medicina, v. 12, s/n, p. 5-14, EUA: 2010. Disponível em: http://www.nature.com/gim/journal/v12/n1s/full/gim2010140a.html

DESNICK, Robert; KABACK, Michael. Doença de Tay-Sachs. San Diego: Academic Press, 2001. Disponível em: http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=3JptzFdNjoMC&oi=fnd&pg=PP2&dq=Tay-Sachs-hexosaminidase+A&ots=jyeMHkW7oE&sig=xHUGoj5dZ4OQb3wVIqaCOZ-wNm4#v=onepage&q&f=false.

JULIÃO, Freitas; CANELA, Horácio; LONGO, Norberto. Idiotia Amaurótica Familiar: Forma Juvenil. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo: julho, 1954. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/anp/v14n2/03.pdf

KUMAR A.; ABBAS V.; FAUSTO. Robbins & Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 7 ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2005.

MARKONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 6 ed. São Paulo: Atlas S.A, 2005.

MATAS, Andréia Felipa Moreira Rodrigues. Lipofuscinose Ceróide Neuronal Juvenil: Da teoria à prática clínica, estudo de dois casos. 2009, 106f. Dissertação - (MESTRADO EM MEDICINA) – Universidade da Beira Interior: Faculdade de Ciências da Saúde, Covilhã: 2009. Disponível em: http://www.fcsaude.ubi.pt/thesis/upload/774/andreia_mataspdf.pdf

QUEIROZ, Luciano de Souza; NETO, Joaquim da Cruz; FARIA, Lopes. Ceróide-lipofuscinose neuronal, um tipo de idiotia amaurótica familiar: um estudo clínico patológico de quatro casos. Arquivo de Neuro-Psiquiatria, v.32, n. 1, São Paulo, 1974. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1974000100001

ROZENBERG, Roberto. Análise da Incidência de Mutações no Gene Hexa na População Judaica Brasileira – Avaliação da importância de um Programa preventivo da Doença de Tay-Sachs. 2000. 114f.  Dissertação - (Mestrado) – Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Departamento de Genética, São Paulo, 2008. Disponível em: file:///D:/Documentos/Downloads/Roberto_Rozenberg_ME.pdf.

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SANTOS, Valdeci. O que é e como fazer uma revisão da literatura. Fides Reformata XVII. Campo Belo, v. 1, n. 1, p. 80-104, 2012.

 

 

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RESUMO

A idiotia amaurótica infantil, também conhecida por doença de Tay-Sachs (DTS) foi descrita por um oftalmologista inglês, chamado Warren Tay, 1881, e por Bernad Sachs, um neurologista americano, 1887, o que justifica o nome dessa idiotia. Existem diferentes tipos de idiotias amauróticas, sendo muitas transicionais. Um dos critérios para diferenciá-las é a idade. Percebe-se que quanto maior a idade, a evolução da doença tende a se prolongar e a diminuir a intensidade dos distúrbios visuais, porém o acometimento extrapiramidal tende a se acentuar. Ela é manifestada somente em indivíduos homozigotos autossômico. Dada a importância quanto à idiotia amaurótica, surge então a necessidade da abordagem da seguinte temática, em que o presente trabalho objetiva conhecer a idiotia amaurótica infantil, tendo como objetivo específico, esclarecer os sinais da doença de Tay-Sachs, identificar os fatores genéticos envolvidos na manifestação dessa anomalia e conhecer a população atingida por esta idiotia. A realização deste estudo tem como preceitos metodológicos a pesquisa bibliográfica, desse modo, foi feito uma revisão literária consultando diferentes tipos de artigos na internet e livros acerca do assunto. Foi possível perceber que os objetivos ora propostos foram alcançados por meio de uma revisão literária que possibilitou a descoberta de novos saberes acerca do tema em questão.

Palavras chaves: Idiotia. Tay-Sachs. Infantil

ABSTRACT-There are different types of amaurotic idiotias, with many transiocionais. One of the criteria to differentiate them is age. It is noticed that the higher the age, the evolution of the disease tends to increase and decrease the intensity of visual disturbances, however extrapyramidal involvement tends to increase. Infantile amaurotic idiocy, also known as Tay-Sachs (DTS) disease was described by an English ophthalmologist, in 1881, named Warren Tay and Bernad Sachs, an American neurologist, 1887, which explains the name of idiocy. Expressed only in autosomal homozygotes. Given the importance for the amaurotic idiocy, then if the need arises in the following thematic approach, where the present work aims at knowing the child amaurotic idiocy, with the specific objective, clear signs of Tay-Sachs disease, identify genetic factors disease and meet the people affected by this idiocy. This study has methodological principles as literature search, which was done a literature review querying different types of articles on the internet and books on the subject. It could be observed that the objectives proposed herein were achieved through a literature review which led to the discovery of new knowledge about the topic.

Key words: Idiocy. Tay-Sachs.infant

INTRODUÇÃO

A idiotia amaurótica familiar é uma doença hereditária, autossômica, recessiva, que se caracteriza principalmente por cegueira progressiva e demência. Sua principal lesão é a destruição neuronal, pelo fato de se acumular substâncias anormais oriundas do metabolismo cerebral nas células nervosas.  Existem diferentes tipos de idiotia, conforme a idade de manifestação, como a forma infantil, tardia e a adulta (ALENCA, 1972).

Um dos tipos de idiotia existente é a amaurótica infantil, que também é conhecida por doença de Tay-Sachs, sendo um distúrbio neurológico, degenerativo que se manifesta em crianças a partir de 6 meses, ainda não tendo tratamento (e muito menos cura), o que resulta em morte prematura por volta do 2 anos de idade. A doença está associada à deterioração física e mental intensa, fazendo com que a criança deixe de realizar atividades que já havia aprendido como, engatinhar, pegar objetos, sorrir, dentre outros. Além disso, ela passa a ter aumento da sensibilidade auditiva, o que geralmente deságua em agitação, choro e súbita extensão de membros superiores e inferiores. A paralisia total acontece com o tempo até que ocorra a morte dentre os 2 e 5 anos de idade. Este tipo de idiotia é a forma clássica e também a mais comum, porém alguns grupos étnicos são mais propícios de se desenvolver, como, os descendentes de Judeus, que possuem uma incidência 100x maior do que a de outros grupos existentes (ROZEMBERG, 2008).

Considerando que a enfermagem é um grupo profissional com ampla responsabilidade na assistência à criança e na qual deve ter seu conhecimento sempre amplo, surgiu-se a necessidade de se conhecer acerca da idiotia amaurótica infantil, sendo uma temática pouco divulgada na literatura brasileira de maior credibilidade, necessitando assim de mais incentivos a pesquisas e divulgações para otimizar o conhecimento sobre o tema.

Dada a importância da idiotia amaurótica, surge então a necessidade da abordagem da seguinte temática, em que o presente trabalho pretende conhecer a idiotia amaurótica infantil, tendo como objetivo específico, esclarecer os sinais da doença de Tay-Sachs, identificar os fatores genéticos envolvidos na manifestação da doença e conhecer alguns aspectos a população atingida por esta idiotia.

METODOLOGIA

A realização deste estudo tem como preceitos metodológicos revisão bibliográfica narrativa, a qual foi realizada consultando diferentes tipos de artigos na internet e livros acerca do assunto abordado, o que possibilitou a incorporação de informações organizadas suficientes para dar forma a este artigo. .

Santos (2012), diz que a revisão da literatura pode levar outros nomes, como “revisão bibliográfica” ou até mesmo “estado do conhecimento”, porém todos eles tem o mesmo objetivo que é dissertar acerca de um determinado assunto, a contribuição acadêmica. Por meio dela, é possível ter uma visão de várias pesquisas e contribuições do passado, para que se tenha uma investigação futura e desenvolva estudos. Contudo ela se torna uma forma de comprovar a importância do trabalho realizado pelo pesquisador.

A revisão narrativa é constituída por diferentes fases como a introdução, seguida pelo desenvolvimento do assunto, os comentários e as citações. Este tipo de revisão são publicações amplas, com o objetivo de discutir algum assunto, seja ele pelo ponto de vista teórico ou mesmo contextual (ROTHER, 2007).

Segundo Marconi e Lakatos (2005), na revisão bibliográfica subentende-se que o autor utilizou livros, revistas, e publicações avulsas para levantar uma gama bibliográfica, com o objetivo de fazer o escritor entrar em contato com os diferentes tipos de literatura pesquisados sobre um determinado assunto, tendo estes como auxílio para manipulação das informações. A partir daí que se dá o início de todo tipo de pesquisa.

IDIOTIAS AMAURÓTICAS

Existem diferentes tipos de formas clínicas de idiotia amaurótica familiar, sendo muitas transicionais: idiotia amaurótica infantil ou tipo infantil de Tay e Sachs, idiotia amaurótica congênita, a forma juvenil de Batten e Mayou e a forma tardia de Kufs. Contudo, a distinção entre as formas clínicas, baseia-se na idade em que aparecem os primeiro sintomas, no quadro oftalmológico, no ritmo evolutivo e nas manifestações neurológicas (JULIÃO, CANELAS, LONGO, 1954 e COLAIANNI, SUBHASHINI, 2010).

Por meio de estudos ultraestruturais, histoquímicos e bioquímicos da idiotia amaurótica familiar, foi possível distinguir dois tipos de entidades nosológicas.  A primeira que é constituída de armazenamento de gangliósides é a da doença de Tay-Sachs, em que sua patogenia é baseada na deficiência de enzimas lisossômicos. O segundo, que não possui patogenia, foi designado como ceroide –lipofuscinose neuronal, que na verdade são as idiotia tardias, juvenil e adulto, em que ocorre acúmulo de intraneuronal de lipopigmentos (QUEIROZ, NETO, FARIA, 1974).

Na forma infantil, entre o 3º e o 8º mês após o nascimento, que se dá inicio ao processo, sendo progressiva a evolução, até o êxito letal por volta do dois anos. Na forma juvenil a evolução da doença ocorre de modo lento e ocorre por volta dos cinco aos oito anos de idade, levando a morte dentro de 10 a 15 anos, na média. Pelo exame nota-se degenerescência retiniana e atrofia óptica, podendo apresentar alterações motoras e convulsões. Na forma tardia, percebe-se entre os quinze e vinte e seis anos, os principais sintomas, sendo não muito comum o aparecimento de distúrbios visuais. A evolução ocorre de forma lenta, ultrapassando os 15 anos e o quadro neurológico é de forma parecida com o da forma juvenil (JULIÃO, CANELAS, LONGO, 1954).

Contudo, percebe-se que quanto maior a idade, a evolução da doença tende a se prolongar e a diminuir a intensidade dos distúrbios visuais, porém o acometimento extrapiramidal tende a se acentuar. Mas, apesar da idade ser um critério para distinguir os vários tipos, é preciso ter em mente que diferentes formas de sintomas, apesar de raros, podem acontecer nos diferente tipos das idiotias. Pode verificar-se alternâncias na mesma família de formas infantis e juvenis, apesar do caráter heredofamiliar ser marcante em todas as modalidades (ROZEMBERG, 2008).

As idiotias amauróticas têm como fundamento histopatológico o reconhecimento de alterações na retina e no neuraxe, ocorrendo nas células ganglionares a degeneração do citoplasma, além disso, secundariamente as células gliais, também são atingidas. As células, de modo geral, se tumefazem e passam a ter massas granulosas nos prolongamento e no pericárion, sendo essas massas constituídas por lípides. Disposta ao redor do núcleo fica a substância de Nissl, a qual reduz a grânulos muito finos e sem sofrer muitas alterações as neurofibrilas são deslocadas para a periferia. Contudo, os núcleos, apesar das lesões celulares, apresentam relativamente conservados, o que justifica o fato da persistência de relativa integridade funcional (ROZEMBERG, 2008 e KUMAR, ABBAS, FAUSTO, 2005).

IDIOTIA AMAURÓTICA DE TAY-SACHS

A idiotia amaurótica infantil, também conhecida por doença de Tay-Sachs (DTS) foi descrita por um oftalmologista inglês, 1881, chamado Warren Tay, que observou em uma criança de um ano de idade uma lesão macular incomum, quetambém apresentava fraqueza muscular. No exame oftalmológico ele detectou uma mancha branca conspícua e ao centro havia um ponto circular vermelho amarronzado (COLAIANNI, SUBHASHINI, 2010)

Independentemente, Bernad Sachs, um neurologista americano, 1887, descreveu o caso de uma criança que faleceu aos dois anos de idade, apresentando cegueira e uma forma peculiar de deficiência mental. Além disso, ele assinalou nos resultados da autopsia que havia malformações neuronais e deformação craniana, devido à tumefação de células nervosas. E foi por meio destes dois médicos pesquisadores que a idiotia amaurótica infantil, foi também chamada de doença de Tay-Sachs (ALENCAR, 1972).

Existem outros nomes que designam a doença, como, deficiência em hexosaminidade, degeneração cerebromacular, lipidose por deposição de gangliósides, gangliosidose GM2 tipo 1 e unidade alfa (MATAS, 2009).

GENÉTICA NA DOENÇA DE TAY-SACHS

Manifestado somente em indivíduos homozigotos autossômico, uma heredopatia é dominada como herança recessiva autossômica monogênica, sendo um exemplo a doença de Tay-Sachs. Por meio da doença, ocorre uma deficiência acentuada da hexosaminidase A, que é uma enzima lisossômica, cujo processo é determinado por um gene autossômico, em homozigose. A produção desta enzima é dependente no cromossomo 15, especificamente um alelo no loco do braço inferior que participa do metabolismo do gangliosídio Gm2, um lipídeo do sistema nervoso. Com a ausência da enzima, ocorre o acúmulo deste lipídeo nas células ganglionares do cérebro e de outros órgãos, por não ser metabolizado, e com isso provoca retardamento do desenvolvimento, seguido posteriormente por demência, em seguida cegueira, paralisia e por último levando a morte (BEIGUELMAN, 2008).

O acúmulo de lipídeos nas células ganglionares é perceptível por meio do exame ocular, no qual se observa uma área de cor cinza-claro ao redor da fóvea central, além do ponto central de cor avermelhada. A hexosaminidade A, dos heterozigotos do gene que causa a doença, apresenta um número inferior da sua atividade comparado com os indivíduos normais, podendo assim ser detectados. Sua identificação pode ser feita em fibroblastos e leucócitos em cultura, tornando fácil assim mais fácil, além do pré-natal que diagnóstica a deficiência da hexosaminidase A (DESNICK, KABACK, 2001 e KUMAR, ABBAS, FAUSTO, 2005).

SINAIS DA DOENÇA DE TAY-SACHS

A criança que possui idiotia amaurótica infantil apresenta nos primeiros meses de vida um desenvolvimento normal. Os sinais começam a surgir em seguida, pela falta de tônus muscular, nistagmo, apatia e deficiência visual e auditiva. Além disso, a criança passa a ser atraída pela luz no primeiro ano de vida e começa a mover os olhos, seguindo objetos. Quanto aos olhos, o último sintoma é a cegueira total. Diferente das crianças normais, não tem interesse por brinquedos, nem por ambiente circundante. A criança passa então a ser letárgica e na fase terminal a alimentação necessita de tubos. Convulsões e problemas bronquiais se tornam típicos, levando a morte no segundo ano de vida (ROZEMBERG, 2008).

Caso ocorra dúvida quanto aos sintomas supracitados, o exame oftalmológico é uma opção certa para confirmação da doença, no qual se observa um ponto vermelho na retina, que se dá devido à deposição lipídica, sendo esta mancha encontrada em todos os pacientes. Não existe um tratamento disponível e os sinais e sintomas não mudaram desde as primeiras descrições (ROZEMBERG, 2008 e COLAIANNI, SUBHASHINI, 2010).

POPULAÇÃO ATINGIDA

Apesar de sua raridade, a doença de Tay-Sachs ocorre com maior frequência em certos grupos étnicos, como na população judaica, em que a cada 31 indivíduos, 1 é portador e a cada 4000 nascimentos, ocorre 1 caso da doença. Outra população cuja frequência gênica é 10 vezes maior é a franco-canadense e a Cajun, EUA, onde o risco da incidência pode ser 100 vezes maior (ALENCA, 1972).

A incidência da doença na população de judeus diminuiu cerca de 90% quando o diagnóstico ocorre no pré-natal, por meio de programas que são desenvolvidos para detecção e orientação de heterozigotos da doença. Apena em Israel, Canadá e EUA que são desenvolvidos esses tipos programas devido à incidência em suas populações (ALENCA, 1972).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após todas as discussões realizadas até então, faz-se necessário apresentar considerações finais a respeito da pesquisa ora em questão. Sendo assim, vale salientar que o estudo surgiu pelo fato de ser um assunto pouco discutido e, consequentemente, pouco conhecido.

Portanto, é pertinente ressaltar que o objetivo deste estudo foi explanar um pouco mais sobre idiotia amaurótica infantil. É notório que esse objetivo ora proposto foi alcançado por meio dessa revisão literária que possibilita otimizar o conhecimento do tema em questão. Além disso, foram discutidos durante a revisão bibliográfica a sintomatologia característica da doença, e ficou claro que não existe cura e nem tratamento, o que impetra gravidade nessa doença, e, contudo, foi relatado que existe uma população com maior predisposição para o desenvolvimento daidiotia amaurótica, que são os descendentes de judeus.

Diante disso, percebe-se a importância de ler para conhecer novos temas e discutí-los para que sejam melhor conhecidos. Esse exercício incita a nossa curiosidade e ao mesmo tempo, ressalta a importância de otimizar o conhecimento sobre algumas doenças muito raras, instigando aos futuros acadêmicos o ampliamento de seus saberes a respeito o estudo abordado por meio da realização de outras pesquisas a respeito de temáticas afins.

 


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REFERENCIAS

ALENCAR, Alexandre. Forma Juvenil da Idiotia Amaurótica Familiar (Doença de: Spielmeyer-Vogt-Batten). Instituto Oswaldo Cruz. Guanabara: Rio de Janeiro, 1972.  

BEIGUELMAN, Bernardo. A interpretação Genética da Variabilidade Humana. Ribeirão Preto: SBG, 2000. 152P. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/mioc/v70n3/tomo70(f3)_111-136.pdf

COLAIANNI, Alessandra; SUBHASHINI,  Chandrasekharen; DEEGAN, Robert Cook. Impacto das patentes de genes e as práticas de licenciamento sobre o acesso a testes genéticos e triagem de portadores de doença de Tay-Sachs  e a doença de Canavan. Genética em Medicina, v. 12, s/n, p. 5-14, EUA: 2010. Disponível em: http://www.nature.com/gim/journal/v12/n1s/full/gim2010140a.html

DESNICK, Robert; KABACK, Michael. Doença de Tay-Sachs. San Diego: Academic Press, 2001. Disponível em: http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=3JptzFdNjoMC&oi=fnd&pg=PP2&dq=Tay-Sachs-hexosaminidase+A&ots=jyeMHkW7oE&sig=xHUGoj5dZ4OQb3wVIqaCOZ-wNm4#v=onepage&q&f=false.

JULIÃO, Freitas; CANELA, Horácio; LONGO, Norberto. Idiotia Amaurótica Familiar: Forma Juvenil. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo: julho, 1954. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/anp/v14n2/03.pdf

KUMAR A.; ABBAS V.; FAUSTO. Robbins & Cotran. Bases Patológicas das Doenças. 7 ed. Elsevier: Rio de Janeiro, 2005.

MARKONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 6 ed. São Paulo: Atlas S.A, 2005.

MATAS, Andréia Felipa Moreira Rodrigues. Lipofuscinose Ceróide Neuronal Juvenil: Da teoria à prática clínica, estudo de dois casos. 2009, 106f. Dissertação - (MESTRADO EM MEDICINA) – Universidade da Beira Interior: Faculdade de Ciências da Saúde, Covilhã: 2009. Disponível em: http://www.fcsaude.ubi.pt/thesis/upload/774/andreia_mataspdf.pdf

QUEIROZ, Luciano de Souza; NETO, Joaquim da Cruz; FARIA, Lopes. Ceróide-lipofuscinose neuronal, um tipo de idiotia amaurótica familiar: um estudo clínico patológico de quatro casos. Arquivo de Neuro-Psiquiatria, v.32, n. 1, São Paulo, 1974. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1974000100001

ROZENBERG, Roberto. Análise da Incidência de Mutações no Gene Hexa na População Judaica Brasileira – Avaliação da importância de um Programa preventivo da Doença de Tay-Sachs. 2000. 114f.  Dissertação - (Mestrado) – Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Departamento de Genética, São Paulo, 2008. Disponível em: file:///D:/Documentos/Downloads/Roberto_Rozenberg_ME.pdf.

ROTHER, Edna Terezinha. Revisão Sitemática x Revisão Narrativa. Acta Paulista em Enfermagem, v. 20, n. 2, abr/jun, São Paulo: 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-21002007000200001&script=sci_arttext

SANTOS, Valdeci. O que é e como fazer uma revisão da literatura. Fides Reformata XVII. Campo Belo, v. 1, n. 1, p. 80-104, 2012.

 

 

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Autores: José Antonio Paniagua e Genacarlo Ribeiro

O estabelecimento do DNA forense se tornou um dos pilares da investigação criminal, principalmente nos países desenvolvidos onde os bancos de dados biológicos estão em uso. A pesquisa familiar representa um tipo diferente de busca, pois neste tipo de pesquisa se aumenta o alcance do banco de dados ao considerar indivíduos que não pertencem ao banco, porém que possa ter um parente com o perfil caracterizado. 

No entanto, programas de extensão destes bancos requerem urgentemente a adoção de medidas legais sobre o relevante tema, tendo em vista que vale a pena investir no potencial desta ferramenta eficiente de investigação criminal pelo seu potencial de produzir provas incontestáveis e de resolver crimes agilmente, em relação à morosidade dos mecanismos convencionais, além da capacidade tanto de incriminar como também de absolver. De fato, os benefícios sociais são muitos em termos de prevenção (ou intimidação), solução e combate ao crime.

Por se tratar de uma sofisticada e inovadora tecnologia de robusta validade é comum superestimar o grau dos efeitos colaterais sujeitos aos desvios de seu uso. Cautela é imprescindível para criar os dispositivos legais que preservem e garantam os direitos de liberdade e privacidade individual e coletiva, evitando os vieses técnicos e éticos sensíveis a possíveis usos e abusos por parte da autoridade quando de posse da informação genética de outrem. O debate continua nos EUA em busca de uma política que faça jus ao uso desta ferramenta.

Os críticos desta tecnologia pressionam o legislativo no Reino Unido para criação de instrumento legal que evite a discriminação. Esse texto ressalta a importância do uso de dados biológicos na criminalística no tocante à pesquisa familiar cujo DNA é o arcabouço da investigação (a metodologia de STRs proporciona alto poder discriminativo, sendo eficaz em amostra degradada e de baixa quantidade), suas implicações jurídicas e penais com reflexo na sociedade e as discussões éticas inerentes aos parâmetros que regula o uso desta ferramenta.

 


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Autores: José Antonio Paniagua e Genacarlo Ribeiro

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Por se tratar de uma sofisticada e inovadora tecnologia de robusta validade é comum superestimar o grau dos efeitos colaterais sujeitos aos desvios de seu uso. Cautela é imprescindível para criar os dispositivos legais que preservem e garantam os direitos de liberdade e privacidade individual e coletiva, evitando os vieses técnicos e éticos sensíveis a possíveis usos e abusos por parte da autoridade quando de posse da informação genética de outrem. O debate continua nos EUA em busca de uma política que faça jus ao uso desta ferramenta.

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