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Gosto muito de te ver, Leãozinho…

Gosto muito de te ver, Leãozinho…

Todo mundo já ouviu a frase “Devemos matar um leão por dia”.

Na época em que se defendia menos os animais essa expressão fazia sentido. Na época em que o entendimento das dificuldades era precário essa expressão fazia sentido. Na época em que gestão de processos era só fazer a esteira rolar essa expressão fazia sentido. É uma alusão às dificuldades do dia a dia. Assim muitos leões foram mortos.

Diante de um desafio existem algumas alternativas:

  1. Fingir que o problema não existe e caminhar paralelamente sem importar com ele;
  2. Dar meia volta e caminhar para trás;
  3. Destruir o problema a todo custo;
  4. Entender e estudar o problema, para que ele não se repita.

Na alternativa 1, o problema sempre vai existir e afetará de sua vida, sempre ficará aquela inquietude de que não existe plenitude. Na alternativa 2, não progredimos, tornamo-nos neofóbicos. Na alternativa 3, dou uma de bombeiro e apago aquele incêndio, sem prevenir os novos. Na alternativa 4, existe uma relação de amor com o problema, entendendo perfeitamente todas etapas que levaram àquele problema.

Os problemas não possuem causa única, eles sempre são um conjunto de outros problemas. A fragmentação e análise desse problema abre um outro universo de problemas menores. Aqui consigo trabalhar um por um, dando a devida atenção e esforço que cada um deles merecem. E no dia a dia percebo que confere sobre Pareto, 80% dos problemas advém de 20% de causas. Assim não resolvo apenas esse problema, mas diversos outros.

Ainda, os problemas servem de professores da vida. São necessários para o amadurecimento profissional e pessoal. Eles vão e devem acontecer, o fato de suportar, entender e seguir em frente, faz com que possamos amadurecer. A vida é a arte de superá-los. Os que nada fazem e esperam algum tipo de amadurecimento ou vitória se frustram. Não vivem. É necessário agir. É necessário se arriscar, nadar pra longe da ilha que vivemos e olhar para ela com outros olhos. Saindo da caixinha.

Nunca gostei do “matar o leão”, pra falar a verdade. Coitado do Simba. Quando o leão vem, só penso em Hakuna Matata. Precisamos entender esse leão para aproveitar a vida. Gosto muito de ver esse leãozinho, caminhando sob o sol, exposto a um mundo que possa compreendê-lo.

Em um desses entender e amar, fragmentar e analisar, dei conta de que posso muito mais em ambientes de colaboração. Dividir para conquistar. Não mato leões, mas ando com lobos, em matilha. Sempre tive a ideia de que matar o leão não me fará rainha da selva, mas andar com lobos me fará aprender e conquistar muita coisa. Outra ideia que tenho é que o leão consegue ser domesticado para ser um animal de circo, para dar show, enquanto não se consegue fazer o mesmo com o lobo. Lobos sempre foram injustiçados na história, porém competência em grupo é para poucos.

Vi muito Simbas sendo mortos e lobos-maus na faculdade. Não entendia à época. Empatia foi minha redenção, empatizar com os problemas me trouxe à tona diversos questionamentos. Hoje entendo que tudo faz parte da gestão do processo. Aprendendo gestão, medicina e tecnologia me permite enxergar muita coisa nova por ai. Enxergo problemas! Sim, problemas. Mas onde há problema, há oportunidade, há solução. E quem aprende a amar, entender e analisar seus problemas, consegue enxergar essas oportunidades e soluções. A medicina já parte da evolução baseada em problemas. Estou ansiosa para resolvê-los. A tecnologia tem sido a oportunidade que precisava. Voltei à sala de aula para aprender uma nova língua, programação. Python e R tem sido meus parceiros nessa jornada. A faísca da criatividade tá solta. Estou encontrando o gás pra fazer essa faísca se realizar em fogo.

De fato, virei uma techmed, andando com techwolves, para meus techpatients. E sabendo que terei um novo leão para amar e entender every saint day, terei a certeza de que posso sempre mais.

 


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