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O passo a passo da intubação orotraqueal

O passo a passo da intubação orotraqueal

Dra. Roberta Fittipaldi é pneumologista e intensivista e professora da curso Ventilação Mecânica Online na Academia Médica.

A intubação oro-traqueal é um procedimento frequente em emergências e na terapia intensiva. O maior objetivo da intubação é manter a permeabilidade das vias aéreas, aspiração das vias aéreas e permitir que a ventilação e oxigenação aconteçam de forma adequada.

Abaixo apresento as principais indicações para a realização da intubação oro-traqueal:

  • Parada cardiorespiratória
  • Instabilidade hemodinâmica
  • Aspiração de secreções pulmonares em pacientes com perda do reflexo de tosse ou debilidade do reflexo de tosse
  • Obstrução de vias aéreas superiores (trauma, corpo estranho ou tumores)
  • Proteção de vias aéreas (ex: TCE extenso)
  • Necessidade de ventilação com pressão positiva e contraindicações à ventilação não invasiva
  • Manter adequada ventilação e oxigenação quando outros métodos não obtiveram sucesso.

Atenção para pacientes que possuem lesões traumáticas de face ou região cervical alta, deformidades crânio faciais, epiglotite, trismo, anquilose de mandíbula ou artrose cervical.

A intubação é definida como DIFÍCIL quando há necessidade de mais de três tentativas ou duração superior há 10 minutos para o posicionamento correto do tubo.

Para estimar o grau de dificuldade de intubação utilizamos a escala de Mallampati, na qual podemos classificar através do exame físico. Além da classificação de Cormack Lehane, onde classificamos através da laringoscopia.

Classificação Mallampati

Classe I – visualiza-se palato mole, fauce, úvula, e pilares amigdalianos

Classe II – visualiza-se palato moloe, fouce, e úvula

Classe III – visualiza-se palato mole e base de úvula

Classe IV – não visualiza-se o palato mole

São consideradas intubações difíceis os pacientes classificados em Classe III e IV

 

Classificação Cormack Lehane

Resultado de imagem para Cormack Lehane
Grau I – glote bem visível

Grau II – somente parte posterior da glote e visualizada

Grau III – nenhuma porção da glote e visível, somente a epiglote é visualizada

Grau IV – nem a epiglote nem a glote podem ser visualizadas

 


Técnica de intubação:

- Primeiramente estar presente equipe treinada, colocar óculos, luvas e máscara

- Preparar o material - selecionar a cânula orotraqueal (homem em geral 8.5-9 e mulheres em geral 8-8.5), testar o cuff e a luz do laringoscópio. Lubrificar o tubo com xilocaína gel ou spray, introduzir o guia, testar o ambu, escolher a máscara mais adequada para a face do paciente

- Se possível explicar o procedimento para o paciente. Monitorizar o paciente com oximetria de pulso, pressão arterial e eletrocardiograma.

- Posicionar a cabeça do paciente: deve-se posicionar o paciente em “posição olfativa”, ou seja, coluna cervical fletida em direção anterior, com a presença de um coxim de 8-10cm. Essa posição alinha o eixo oro-faríngeo-traqueal facilitando a visualização das estruturas da via aérea superior.

Resultado de imagem para eixo oro laringo traqueal- Conectar a máscara e ambu ao paciente e iniciar a ventilação com oxigênio acoplado a 10L por min.

- Realizar sedação e analgesia, se se necessário bloqueio neuromuscular.

- Com a mão esquerda, introduzir a lamina do laringoscópio no lado direito da boca do paciente, desviando a língua para a esquerda, e progredindo ate a valécula.

- Deslocar superiormente a epiglote, expondo a abertura glótica.

- Introduzir a cânula oro-traqueal, visualizando a sua passagem pelas cordas vocais.

- Insuflar o cuff.

- Checar o posicionamento do tubo: ventilar e auscultar os pontos epigástrico, bases direta e esquerda, terços superiores direto e esquerdo. Visualizar a expansão torácica a cada ventilação. Avaliar a oximetria de pulso e se possível a capnografia.

- Fixar a cânula em mulheres em 21 e 22 cm, em homens em 23-24 cm, em relação à rima labial.

- Solicitar radiografia de tórax para confirmar a posição do tubo, e caso seletivo exteriorizar a cânula oro-traqueal na distância adequada.

- Verificar pressão arterial, oximetria e eletrocardiograma. Em geral, após a intubação oro-traqueal, pacientes evoluem com hipotensão devido à sedação, ou hipovolemia - caso necessário avalie reposição volêmica com soluções cristaloides.


Complicações precoces

  • Traumáticas: lesão de dentes, lesão traqueal, trauma de lábio, língua ou palato.
  • Mecânicas: intubação esofágica ou no brônquio fonte, broncoaspiração.
  • Reflexas: espasmo da glote, broncoespasmo, bradicardia, hipotensão, arritmias, tosse e vômitos.

Espero que esse conteúdo prático ajude no seu dia a dia. Muito obrigada!


Curso de Ventilação Mecânica Online com Dra. Roberta Fittipaldi

Roberta Fittipaldi é colaboradora da Academia Médica e professora do curso Ventilação Mecânica Online, uma um curso para se manter atualizado e ainda aprender de vez Ventilação Mecânica, com o intuito de melhorar a qualidade e segurança do paciente, intensivo ou não, que necessita de suporte ventilatório. 
É também doutora em Ventilação Mecânica pela FMUSP, especialista em Educação Medica pela Harvard TH Chan e médica intensivista das UTIs respiratórias do HIAE e Incor.

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Academia Médica
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Medica pneumologista e intensivista. Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Professora da Pós graduação em Terapia Intensiva HIAE. Cursando doutorado em Pneumologia FMUSP. Médica Assistente UTI Respiratória FMUSP.

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