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Médicos Sem Fronteiras: uma opção de carreira
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Médicos Sem Fronteiras: uma opção de carreira

Médicos Sem Fronteiras: uma opção de carreira

Por Dra. Marina Maia

Em 1971 foi criada a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) por um grupo de jovens médicos e jornalistas que tinham trabalhado como voluntários em Biafra, região da Nigéria, que, no final dos anos 60, estava sendo destruída por uma guerra civil brutal. Enquanto trabalhavam para socorrer as vítimas do conflito, eles perceberam que as limitações da ajuda humanitária internacional da época eram fatais. Para tratar dos doentes e feridos, era preciso esperar por um entendimento entre as partes em conflito e pela autorização oficial das autoridades locais. Além do emperramento burocrático, os grupos de ajuda humanitária não se manifestavam diante dos fatos testemunhados. O sentimento de frustração desse grupo cresceu, até que e a vontade de assistir às populações mais necessitadas de modo rápido e eficiente deu origem ao MSF. A organização surgiu com o objetivo de levar cuidados de saúde para quem mais precisa, independentemente de interesses políticos, raça, credo ou nacionalidade. No ano seguinte, o MSF fez sua primeira intervenção na Nicarágua, após um terremoto que devastou o país. No Brasil, a organização começou a atuar em 1991, devido a uma emergência de cólera na Amazônia. Hoje, possui uma unidade de atendimento de emergência no Complexo do Alemão, comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Atualmente, mais de 22 mil profissionais trabalham com o Médicos Sem Fronteiras em mais de 70 países.

Quem mantém o MSF?

Três milhões de pessoas em todo o mundo fazem doações individuais para a organização Médicos Sem Fronteiras. Os fundos recolhidos constituem 75% dos recursos. É o que permite ao MSF ter total independência de decisão quanto aos projetos que leva a cabo no campo, sem sofrer influências ou pressões de ordem econômica ou política. O restante dos recursos financeiros provém de fundações privadas e órgãos públicos de fomento como o escritório para a ajuda humanitária da União Europeia ou de governos em reação a crises humanitárias de vastas proporções. O compromisso do MSF com os doadores é levar a ajuda para aqueles que mais precisam. Por isso, anualmente, cerca de 83% do orçamento são investidos nas operações de campo; 11% são empregados para conseguir mais doadores e 6% cobrem os custos de administração. Para saber como doar, basta entrar no site ou ligar para (21) 2215-8688.

Para ser um médico sem fronteiras

Desde junho de 2006, o escritório de MSF no Rio de Janeiro passou a realizar o recrutamento de profissionais brasileiros interessados em trabalhar em projetos da organização fora do Brasil. Até agora, mais de 60 brasileiros já passaram pelo processo de seleção e estão trabalhando em projetos no exterior. Alguns profissionais, no entanto, são mais procurados pela organização: cirurgiões, anestesiologistas, enfermeiros obstetras, ginecologistas, farmacêuticos e médicos generalistas com experiência em HIV/Aids. Há também vagas para profissionais de comunicação e de saúde mental, nas áreas de logística e administrativa/financeira. Para participar do processo, é necessário se identificar com as causas que a organização defende, ter verdadeira motivação humanitária, uma formação acadêmica de qualidade, experiência comprovada e falar francês ou inglês fluentemente. O processo de seleção é feito em etapas. A primeira é a análise dos currículos. Em seguida, os candidatos selecionados são convidados para uma reunião informativa e um dia de atividades de recrutamento. Uma vez aprovados, os novos membros da equipe internacional do MSF são enviados ao Centro Operacional de Bruxelas para um treinamento antes de partir para a primeira missão.

Salário de um médico sem fronteiras

O MSF não divulga o valor dos salários que paga. A justificativa é a de que a organização quer atrair profissionais com motivação humanitária e não pelo salário. Há, em sendo MSF, plano de carreira: em média, um profissional de saúde permanece em terreno por 3 anos. Depois, pode assumir outros cargos – de coordenador, por exemplo, ou nos escritórios-sede. O sistema de remuneração é diferente. O expatriado (profissional que trabalha fora de seu país) ganha um salário mensal, que é depositado na conta bancária dele no Brasil. O MSF paga as passagens aéreas, a moradia e oferece uma diária para o expatriado usar em gastos pessoais, como comida, remédios etc. Sobre levar família, dependente muito do contexto. Em uma primeira missão, isso nunca é permitido, pois se trata de uma adaptação com a vida no terreno. Para profissionais veteranos e mais experientes, isso pode ser negociado: se a pessoa for trabalhar em um contexto estável e se a missão concordar, a família seguirá junto. O MSF arca com os custos da passagem. Maridos, mulheres e crianças de expatriados também ganham uma porcentagem da diária.

Pode casar ou ficar grávida em missão?

Com relação à gravidez no terreno, há uma lista de países onde ela não é recomendada por razões de saúde. Na África Oriental, por exemplo, ficam países como Libéria e Serra Leoa, onde a malaria é endêmica. Se a profissional viajar e se descobrir grávida em algum desses países, ela imediatamente retorna ao seu país natal. Em contextos estáveis e onde existe uma boa estrutura de saúde, como em Moçambique e Quênia, não há restrição para gravidez. Mas a profissional tem que parar de trabalhar três meses antes da data do parto. Sobre casamentos e namoros, o MSF não faz nenhuma restrição. Há muitos casamentos entre expatriados e até mesmo entre eles e pessoas da equipe nacional. Mas, em geral, essas uniões não são oficializadas no papel. As pessoas namoram e acabam morando juntas.

Dra. Marina Maia tem 27 anos e é médica, formada pela Escola de Medicina Souza Marques, no Rio de Janeiro. É R3 em Cirurgia Geral no Hospital Miguel Couto, Rio de Janeiro, e fará parte do contingente brasileiro dos MSF no Congo, em 2013. Filha de embaixador, resolveu largar sua vida de princesa pra ser uma MSF depois que sua mãe, a 1 ano atrás, sofreu um infarto no miocárdio na sua frente e ela não teve reação para socorrê-la. Depois desse fato, não via mais motivos pra continuar exercendo a medicina já que se culpava pela morte da mãe. Foi então que decidiu começar a vida do zero, entrando para o MSF.


Sei que o trabalhador humanitário está mais sujeito a infecção por HIV, sofre de solidão e stress cumulativo por ficar longe de casa, da língua nativa; enfrenta, às vezes, alojamentos sem energia elétrica, tomando banho de balde. Tudo isso o torna mais suscetível ao suicídio e ao abuso de álcool e drogas
- reflete. Mesmo assim, minha vocação é estar no mundo, entre as pessoas que têm as demandas mais agudas e urgentes. É desse modo que resolvo os meus conflitos internos e me sinto realmente feliz. - Marina Maia

Emerson Wolaniuk

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