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Eu sou hipocondríaca (?)

Eu sou hipocondríaca (?)

Sabe, em algum momento eu passei a acreditar que sou hipocondríaca. Sim, tenho muitos sintomas de uma pessoa hipocondríaca. Sempre tive medo de estar muito doente, porque sempre senti dores que não têm qualquer explicação clínica ou em exames. Sempre procurei médicos com medo de ter adquirido alguma doença grave. Dores, tonturas, alergias, crises de ansiedade… todos sintomas de hipocondria. E, como eu sou uma paciente que procura entender todos os sintomas que o meu corpo apresenta, conversei com a minha médica, na época, para ela me ajudar a entender isso.

Ela era a médica que fazia o controle do meu hipotireoidismo. E me pediu para ir a um psiquiatra ou psicoterapeuta. Também, orientou-me a buscar ajudas alternativas no yoga, na meditação, na atividade física. E, eu como uma boa paciente, fui buscar isso. A atividade física era fácil. Mas procurar um profissional para quem eu abriria toda a minha vida, era bem difícil. Embora os profissionais de psiquiatria e psicologia estejam preparados para isso, eu nunca estou. Eu não vejo um profissional. Eu vejo uma pessoa estranha para quem eu preciso me abrir, de forma que não faço com ninguém. Mas fui buscar essa superação.

O primeiro psiquiatra, após 1 hora de consulta, apenas me disse o seguinte: "o plano só cobre 1 consulta mensal para controle do remédio" Que remédio? – pensei eu. Ele me dispensou e saí do consultório com uma receita de um antidepressivo, que eu não sabia para o que era. Ouvi ele me dizer – enquanto me acompanhava até a porta – para voltar no mês seguinte para ajustar a dose. Acho que não fui eficiente como paciente. Falei sobre a minha vida, minha história, meu trabalho, minhas alergias e dores. Falei o que ele pediu, mas não sei se a minha resposta estava certa. Fiquei triste porque tive a sensação que ele desistiu de mim já na primeira consulta. Eu devia ser uma péssima paciente.

Continuei minha vida da forma mais normal que eu pude. Tentando esconder a maioria das minhas dores, porque tinha vergonha de ter sintomas que não significavam nada em exames e nem para os médicos. Passei a ficar mais em casa. Busquei tratamentos alternativos para as dores na acupuntura, na massoterapia, no yoga, na quiropraxia. Tudo isso ajuda até hoje. Mas todos são tratamentos caros – para mim – para manter de forma contínua. Assim, quando posso faço e quando não posso, aguento.

Fiz outras 3 tentativas com psicoterapeutas. Em uma delas, eu fugia, na cara dura, dos assuntos mais espinhosos para mim. Eu não sei se ela não percebia ou se fingia não perceber. Se isso fazia parte do tratamento ou não. Mas eu estava andando em círculos. As demais, eu não me adaptei às pessoas mesmo. Gostava das linhas de tratamento, focadas em comportamento, mas não tivemos afinidade. E sempre pensei que a culpa era minha.

Então fui para a quarta tentativa. Pensei na época: "é a última que vou tentar." E foi a última. Após 1 ano e meio de tratamento psicoterapêutico, ganhei alta. Cheguei no consultório dela destruída – como pessoa – e saí nova. Ganhei ferramentas para lidar com tudo que entorna a minha vida, mesmo após a alta. Tenho plena consciência de como eu reajo física e emocionalmente, diante do que a vida me traz. A vida ficou mais fácil e leve.

No entanto, isso não eliminou minhas dores. Eu fui diagnosticada com fibromialgia próximo dos 30 anos. E faço tratamento medicamentoso para isso. Sem medicação, minha vida é mais difícil. Com medicação, melhora. Eu não escolhi tomar remédios. Negocio tudo com meu médico, porque, definitivamente, não gosto de usar drogas que interferem no modo natural como meu corpo entende o mundo. Mas fui vencida. Uso drogas lícitas para melhorar minha qualidade de vida. Se eu puder parar, melhor. Se eu não puder, sigo com as medicações.

Acho cômodo, médicos me dizerem que sou hipocondríaca. Assim como a fibromialgia, o diagnóstico não é feito por exames. Mas a fibromialgia, quando diagnosticada, exige tratamento. E a estabilidade do tratamento está longe de ser algo fácil. Já a hipocondria rotula o paciente como "alguém que procura doenças" e pronto. Parece-me que acaba aí a responsabilidade do diagnóstico. "Vai pro psicólogo ou pro psiquiatra". Já fui! :)

 

Mônica Mendes

Paciente Profissional

 


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Sou Designer Gráfica e Gerente de Projetos por formação, corredora por amor e aqui sou a "Paciente Profissional" porque "eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim..." (CRAVO E CANELA. Gabriela). Ou por falta de opção. Ou por ignorância.

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