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Design Thinking como processo de inovação

Design Thinking como processo de inovação

Quantos de nós já não acordou com uma ideia que poderia mudar o mundo? Tá, talvez tenha exagerado e alguns já estejam respondendo que isso nunca ocorreu com eles. Mas, todos nós já tivemos uma ideia seguida da pulga atrás da orelha que trás a questão: mas, será que isso realmente é bom e inovador? Será que essa ideia resolve, de fato, algum problema. É sobre isso que quero conversar com você hoje.

O Design Thinking, que pode ser traduzido de forma mais simples como “pensar como designer”, é uma abordagem que vem como forma de suprir essa necessidade. Buscando solucionar problemas a partir da colaboração coletiva, essa forma de pensar propicia que primeiramente se faça uma visualização e mapeamento dos problemas existentes para que depois se inicie o processo de se pensar nas possíveis soluções para eles.

Para isso, as pessoas envolvidas nesse processo são colocadas no centro do desenvolvimento das soluções através do trabalho multidisciplinar, o qual envolve diferentes olhares. Isso ocorre para que através do compartilhamento da visão e experiência de vida e cultural de cada pessoa se consiga abranger de forma mais completa esse processo e com isso ocorrer a identificação de mais barreiras no desenvolvimento dessa ideia, para se ter uma solução mais completa para essa questão.

O Design Thinking parte de necessidades reais, já que sua realização se dá a partir da observação de situações que já ocorrem no cotidiano para, através delas, encontrar problemas que requerem solução. Ou seja, foge do senso comum de simplesmente identificar um problema, funcionando como uma ferramenta para organizar  e melhor gerir as ideias. Dessa forma torna-se mais fácil encontrar soluções para os problemas que existem relacionando-se, assim, com o processo de inovação para o mundo que vivemos.

Para isso, podemos elencar algumas etapas que fazem parte desse processo:

1. Avaliação do cenário (imersão)

Essa etapa pode ser resumida pelo pensamento de Sun Tzu, filósofo chinês, quando diz que:

se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

Para tanto é preciso que se busque caminhos para que se possa inovar, sendo, contudo, necessário conhecer a si mesmo e ao ambiente externo no qual se deseja implementar uma possível ideia. Aqui é possível a utilização de ferramentas como a análise SWOT, visando a identificação de fortalezas e fraquezas, além de possíveis oportunidades.

2. Discussão com a equipe multidisciplinar sobre oportunidades de solução (ideias)

Aqui é preciso que as pessoas se sintam a vontade para conversar, debater e dar ideias, sendo necessário que todos tenham voz e vez para que os participantes não se sintam acuados, nem com medo de serem julgados.

3. Desenvolvimento de uma oportunidade para inovação (prototipagem)

Momento no qual esse processo iniciará o ganho de forma. Aqui, ocorrerá o desenvolvimento da ideia, sendo que para isso deverá se partir, como discutido anteriormente, das necessidades que foram elencadas nas etapas anteriores.

4. Teste das ideias (desenvolvimento)

Antes de implementar, de fato, a ideia, é necessário ver se ela é aplicável, se ela resolve os problemas elencados e se ela está pronta ou se falta algo para que ela possa ser implementada por completo.

5. Implementação da solução

Após a execução de testes e verificação de que a ideia resolve os problemas e está de acordo com o que se esperava nos passos iniciais é o momento de implementar ela. Isso não exclui, no entanto, a etapa anterior. É necessário ter em mente que no Design Thinking a ideia sempre estará em constante processo de melhora através das diferentes visões que compõe a equipe que a executa.

Depois de tudo o que já conversamos é possível que surja um questionamento interessante e importante: por que o Design Thinking é algo tão promissor?

Para responder a essa questão podemos elencar alguns pontos

O fato dele ser um processo de baixo custo com possibilidade de retorno grande já fala por si só. Outro é o fato do destaque que ocorre entre os concorrentes, além do agregamento de valor a todas as áreas da empresa, por exemplo, que o Design Thinking promove. Ainda, podemos citar que essa técnica é muito eficaz no encontro de respostas para os problemas que se levantam no cotidiano. Não a toa marcas de peso no cenário nacional e internacional lançam mão desse instrumento, como é o caso da Natura e Netflix.

Mas, e na área da saúde, nosso principal foco aqui na Academia Médica? Como o Design Thinking pode atuar como um processo de inovação?

O Design Thinking quando aplicado na área médica pode ser chamado também de Design Medicing, o qual traz como diferenciais a empatia (capacidade de ver a necessidade do usuário do sistema de saúde com o entendimento de seu problema), a viabilidade (capacidade de análise do problema visando a identificação dele e a compreensão se este pode ou não ser resolvido, além da busca inicial da melhor forma de resolvê-lo, caso ele possa ser resolvido) e a sustentabilidade (capacidade de verificação se a solução é, de fato, viável e sustentável para o usuário e para o sistema de saúde).

Como exemplos que trazem a utilização dessa técnica para a área da saúde podemos citar algumas histórias, as quais serão elencadas abaixo.

*Kaiser Permanente

Funcionando como um consórcio de saúde na Califórnia a empresa recorreu ao Design Thinking como forma de buscar o desenvolvimento de um novo processo de troca de turno para as equipes de enfermagem de um dos centros de saúde do grupo. Isso foi motivado pela percepção de que as interrupções ao longo dessas trocas ocasionavam maiores erros nos atendimentos e na realização de procedimentos. A solução encontrada recebeu o nome de “Nurse Knowledge Exchange”, onde a troca de turno ocorre ao lado da cama do paciente, que foram inseridos nesse processo, o que faz com que seja minimizada a chance de que algo relacionado aos seus cuidados passe desapercebida tanto por profissionais quanto por usuários do sistema de saúde californiano.

*GE Healthcare

A empresa foi responsável pela criação de uma ressonância magnética que causou grande repercussão. No entanto, quando os profissionais chegaram ao local onde estava instalado o equipamento, notou-se que as crianças presentes ficavam aterrorizadas com esse. A partir desse momento lançou-se mão do Design Thinking, processo esse que culminou com o desenvolvimento de um ambiente lúdico que atrai de forma fofa e humanizada crianças, as quais na sua maioria não mais choram e nem precisa receber sedação para a realização do exame.

O Design Thinking oferece a chance de que busquemos soluções para problemas cotidianos através da observação de nossa realidade, com a posterior testagem das ideias desenvolvidas antes de trabalharmos em sua implantação. Assim como a telemedicina vem ganhando forma e corpo ao longo dessa pandemia, é importante que estejamos antenados e preparados para utilizarmos mais essa ferramenta que vem para nos ajudar em nosso trabalho na saúde. Por isso convido você a conhecer um pouco mais sobre o Design Thinking através dos links abaixo e a compartilhar suas visões e experiências nos comentários. Vamos conversar e juntos revolucionar a saúde e nossa forma de pensar.

Para saber mais...

Stanford Biodesign – Canal do Youtube.

Curso “Design Thinking Aplicado à Área da Saúde” - Fundação Getúlio Vargas.

Texto “Design Medicing” – Daniel Heringer.

 


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Referências

https://setorsaude.com.br/design-thinking-como-o-design-esta-mudando-a-experiencia-na-saude/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/design-thinking-aplicado-area-da-saude (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://saudebusiness.com/mercado/o-design-thinking-e-importante-para-a-saude/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://www.portalgessaude.com.br/design-thinking-na-gestao-de-saude/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://blog.iclinic.com.br/design-thinking-na-medicina/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

http://www.educasaude.com.br/design-thinking-na-saude-5-exemplos-de-sucesso/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://meusucesso.com/artigos/inovacao-e-tecnologia/o-que-e-design-thinking-conceitos-e-definicoes-132/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://www.novoed.com/solutions/innovation-design-thinking/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://designthinkingforeducators.com/about-toolkit/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://endeavor.org.br/tecnologia/design-thinking-inovacao/ (Acesso em 15 de outubro de 2020).

https://academiamedica.com.br/blog/design-medicing (Acesso em 15 de outubro de 2020).

Academia Médica
Leonardo Cardoso
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Acadêmico de medicina, cursando o 10º período pelas Faculdades Pequeno Príncipe. Sonho com uma Saúde mais humanizada, equitativa e de qualidade, além de gostar muito de ler e escrever.

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