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Tomei calote, e agora? 10 dicas para não se dar mal.

Tomei calote, e agora?  10 dicas para não se dar mal.

Infelizmente virou rotina(mas não deveria) um médico além de fazer um serviço com todo o stress e condições inadequadas, receber em mais de 60 dias, receber menos, não receber ou pior não receber e ainda receber ameaças se cobrar.

Retirando as causas estruturais que vem de uma educação financeira muito pobre na faculdade de medicina (isso é tema de um outro dia) grande parte da pobreza financeira do médico jovem vem do desconhecimento do mesmo e seus direitos na sociedade como cidadão, médico e prestador de serviços.

No artigo de hoje após conversar com colegas médicos com experiência e advogados irei dar algumas dicas de como lidar e principalmente como prevenir a surpresa desagradável de não receber pagamento ou de ter sua mão desvalorizada.

1ª - Tenha registros de execução do serviço:

Faça um contrato assinado com um responsável, registre contato com o serviço, documentos que comprovou sua entrada/atuação e saída. Essas são provas valiosas que você atuou.

2ª - Guarde as provas de contato e negociação:

Mensagens de texto, e-mails, aplicativos e afins. Em um processo é essencial a presença dos mesmos como provas.

3ª - Evite empresas com histórico ruim de não pagamento e desrespeito ao médico:

Além de colaborar com um serviço médico ruim você pode estar ganhando pagamento de outro médico que não recebeu. Um colega que tem família para sustentar, contas a pagar e você recebendo em cima dele. Lembre-se que poderia ser você.

4ª - Nunca aceite ameaças:

Na hora de trabalhar é bondade e educação por parte de alguns “jestores”, mas na hora de receber e não ganhar é ignorância, desculpas esfarrapadas e ameaças incabíveis. Procure um bom advogado e de confiança, o mesmo tem expertise e capacidade de resolução. Ameaça e assédio moral junto com o não pagamento de serviço ainda é crime.

5ª  -  Não se rebaixe ao nível de quem te ameaçou: 

Por mais que pessoas má intencionadas digam o contrário, médico ainda é um representante da elite intelectual da sociedade. Com os benefícios merecidos(mesmo que não aplicados), porém com obrigações e postura a serem cumpridos. E por bom senso não se deve descontar no paciente, ele é tão vitima quanto você de um sistema podre. Existem saídas e comentários mais honrosos que gritaria e palavras de baixo calão.

6ª - Grave conversas e registre chamadas:

 Os que ameaçam, não respondem podem argumentar que tentaram conciliação, de um cheque mate.

7ª - Proteste o cheque sem fundo:

 Em caso de cheque retornado no banco por não haver fundos, existe a possibilidade protestar o cheque do emissor. O procedimento após o primeiro retorno do banco é emitir o cheque e usar o mesmo para emissão do código necessário para ir ao cartório de título e protesto e protestar o nome do emissor na praça. Nesse caso o mesmo que passou o famoso "borrachudo" fica impossibilitado de abrir contas e diversas operações financeiras até acertar o débito com você. É ele que tem correr atrás de você não o oposto. Leia o que fazer com um cheque sem fundo.

8ª - Além do advogado de confiança consulte seu sindicato e seu conselho regional:

Os sindicatos são por lei os que aplicam as convenções trabalhistas mais os assuntos de remuneração e direitos do trabalhador e alguns conselhos regionais possuem núcleos de remuneração para orientar o médico em situações de maus pagadores.

9ª - Não acreditar em conversa furada:

As desculpas mais mentirosas sempre vem com exaltação de “tenho os contatos certos”, “eu sou especialista” e de “Jestor” que diz “a lei não se aplica nesse caso” e “não há o que ser feito”. Médico é um profissional liberal e um prestador de serviço. O não pagamento configura um crime caso seja provado e julgado. Um bom advogado sabe como proceder.

10ª dica e talvez a mais importante: Auto estima elevada e cabeça erguida sempre:

 Tenha sempre em mente que você fez o seu melhor trabalho, fez um serviço justo e honesto pelo mesmo e merece ser pago.

Não é incomum receber avisos do tipo “Mas o senhor mesmo certo fez tal situação que causou desconforto administrativo”, “vou te demitir e vai vir um por um serviço mais barato”, “se não fizer desse jeito(geralmente anti-ético) vamos procurar outro “prestador””, “quem é você para falar esse tipo de coisa? Não tem nem especialidade”.

Você é médico, por mais que seja fora de moda dizer que médico não é, as provas são claras perante a sociedade de que o médico faz parte da elite intelectual da sociedade, trabalhou duro seis anos, passou por inúmeras provas dentro e fora da faculdade de medicina, tem uma função essencial à sociedade e merece ter sua mão valorizada mais que muito serviço burocrático.

Lembre que banco, boleto, SPC/SERASA não perdoam dívidas de médico ou pedem “compreensão de mais um tempo”, a justiça não perdoa e nem deve perdoar porque “recebeu ordens de cima”, até cobrador de ônibus não perdoa 10 centavos a menos na catraca.

Não tenha medo de cobrar os seus direitos principalmente porque a vida tem valor alto o suficiente para não se tomar calote.

Mas esses assuntos de valorização da mão do médico deixarei aos próximos artigos.

 

Como sempre deixo as referencias (mesmo que o artigo do dia seja mais ligada com experiências)

Como fonte da imagem uso a tirinha do colega de profissão Solon Maia do Blog Meus Nervos que diz de forma humorada e bem crítica sobre a medicina e a situação do médico.

Vale a pena conferir o seu trabalho no Blog http://www.meusnervos.com.br  e em sua pagina oficial do Facebook https://www.facebook.com/MeusNervos/

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Academia Médica
Henri Hajime Sato
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Médico, curioso local, formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, falhei em ser patologista pelo hospital de amor de Barretos e hoje procuro a significancia na vida e no trabalho

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