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Nunca antes na história deste país tivemos 308 faculdades de medicina
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Nunca antes na história deste país tivemos 308 faculdades de medicina

Nunca antes na história deste país tivemos 308 faculdades de medicina

Jargão odiado por muitos devido as falácias proferidas por aquele que hoje não pensa em outra coisa que não seja as barras da prisão, o "Nunca antes na história deste pais" da vez é mais um dos reflexos imediatos do populismo exagerado que ainda nos persegue.

Sim, foi no governo Temer que as novas 37 instituições foram liberadas a abrir mais de 2355 novas vagas em faculdades de medicina pelo país. Populista e inconsequente também! Ao dar continuidade a toda a temeredade anunciada pela classe médica desde os momentos que anteciparam a Lei dos Mais Médicos, o atual presidente cedeu aos prefeitos que querem continuar no poder e marcharam a Brasília em prol de suas faculdades de medicina, feno de seus currais eleitorais.

Serão necessários 20 anos para desfazer (ou ajustar) toda a lambança que os 5 capítulos da Lei dos Mais Médicos fez nos país. Os cubanos não têm nada a ver com isso, pois foram apenas cortina de fumaça que escondeu todos os malefícios à formação médica, residência médica, precarização do trabalho do médico e despotismo condizente com o Executivo que comandava este país.

As entidades médicas fazeram o que podiam para tentar resistir ao rolo compressor e truculento do governo passado, o que infelizmente foi ineficaz quanto a Lei em questão. Agora mais uma vez, não têm as suas impressões respeitadas. Novas ferramentas tem sido criadas para tentar dar qualidade a formação médica, como é o caso do SAEME, uma parceria do CFM com ABEM.

Mas, mais uma vez seremos comprimidos pelo poder dos interesses financeiros das escolas que, sem o mínimo abrem os cursos de medicina. As 37 novas faculdades de medicina eclodirão em municípios pequenos, sem hospital escola, sem corpo docente, sem sistema de atenção de saúde secundário e terciário, sem o mínimo necessários para que novos médicos sejam formados.

Neste momento vivemos [quando o assunto é escolas de medicina] exatamente como os EUA há 100 anos. Naquela época, o governo criou uma comissão chefiada por Abraham Flexner (1855-1959) para visitar e elaborar um relatório sobre as 155 faculdades de medicina existentes no país e no Canadá. O resultado foi o fechamento de muitas das instituições e convenceu o Governo e a sociedade sobre a necessidade de financiar e monitorar as melhores instituições. Ao fechamento de seu relatório, Flexner escreveu: “As escolas médicas eram essencialmente iniciativas privadas cujo espírito e objetivo eram gerar dinheiro… Um homem que pagasse suas mensalidades, assim, praticamente tinha seu título assegurado, assistisse ele ou não às aulas.”

Mais de 100 anos depois, as conclusões do relatório Flexner são completamente aplicáveis ao nosso país, que infelizmente, desde o ano 2000, expandiu o número de escolas médicas de forma descontrolada.

Descontrolada é a palavra mesmo. Não há meios de uma fiscalização eficaz do Ministério da Educação para que estas escolas sejam abertas. Não há remuneração adequada ao corpo docente das novas instituições caça-níqueis. Há sim uma ilusão de que ao abrir escolas de medicina por aí, a saúde vai melhorar.

Enquanto a nação não passar por um choque de gestão e pelo entendimento de todos, que o populismo do "mais médicos" em nada contribui (assim como em nada contribuiu nestes 3 anos de Lei) teremos ainda uma população vulnerável e com péssimas condições de cuidado a saúde.

Vale lembrar que estas novas 37 escolas são todas particulares. Num estudo preliminar feito por nós do Academia Médica no ano passado, levantamos que o aluno que entrasse na faculdade de medicina particular no primeiro ano, facilmente pagaria meio milhão de reais para se formar. A média de mensalidade naquela ocasião (setembro de 2015), era de 5240 reais. Nesta época o Fies permitia aos estudantes um financiamento a taxas baixas, proporcionando a conclusão do sonho e o pagamento em 20 anos.

quanto custa a vistaHoje não. O Fies mudou porque o dinheiro do país foi consumido pelas oleosas mãos dos ratos que governaram este país nos últimos 15 anos. Alunos terão que assumir créditos estudantis que, como nos EUA e outros países, são difíceis (as vezes impossíveis) de pagar.

Por esses motivos, os mais médicos do futuro terão que trabalhar naqueles lugares que oferecem os melhores salários. O que não significa melhor emprego. Aliás, emprego para médico começa a ser um problema em algumas capitais do país. Agora imagine você, pagar MEIO MILHÃO DE REAIS, sem ganhar o mínimo para manter a sua dignidade.

Em uma sociedade onde o populismo impera, teremos mais médicos sim. Muitos endividados MD. Talvez alguns Taxistas MD (ou Uber MD quem sabe). E teremos sim, com toda a certeza, menos saúde.

Referências:

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Fernando Carbonieri

Fernando Carbonieri

Fundador da comunidade Academia Médica, que desde 2012 tem o intuito de expandir os horizontes falando o que a faculdade esqueceu de nos contar.

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