[ editar artigo]

5 grandes descobertas acidentais da Medicina

5 grandes descobertas acidentais da Medicina

“A arte da Medicina consiste em distrair enquanto que a natureza cuida da doença”.

Com essa frase emblemática, o filósofo e escritor François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo de Voltaire, ele se referia à profissão da Medicina apenas como um instrumento da natureza, exercendo papel secundário enquanto que a verdadeira cura era oferecida pelo meio em que os pacientes estavam inclusos.

De fato, quase todos os principais medicamentos utilizados pela Medicina foram derivados da observação do funcionamento de compostos naturais, sendo criados para interferir ou imitar a ação de um produto presente no ambiente.

A Farmacognosia, nome atribuído a uma subárea da Farmacologia que lida com o estudo de artifícios naturais para o tratamento de enfermidades, é uma prova viva de que até hoje dependemos do meio ambiente para o avanço da ciência. Atualmente, produtos como o própolis ou o óleo de pracaxi vêm se tornando cada vez mais famosos no meio acadêmico, enquanto que as opções farmacológicas, tanto em virtude da questão financeira como pelos efeitos colaterais, vem sendo deixadas em segundo plano por muitas pessoas.

Contudo, muitas dessas descobertas realizadas pela Medicina não foram feitas a partir da plena observação e consciência do que um determinado produto realizaria, mas sim ao acaso. Por isso, listei algumas das maiores descobertas já realizadas pela Medicina, que se deram de modo acidental, sem que os seus inventores soubessem, inicialmente, dos seus efeitos.

 

Anestesia

Com uma importância efetiva nos tempos atuais, a anestesia representou um marco na realização de cirurgias, pois as tornava tornava indolor, evitando efeitos colaterais para os pacientes, como desmaios e traumas psicológicos decorrentes da intensa dor gerada por procedimentos cirúrgicos que eram realizados antes, até então. O químico britânico Humphry Davy foi o primeiro a descrever os efeitos relacionados à utilização do então óxido nitroso (ao qual se referia por “gás do riso”) em pleno século XIX. No entanto, suas anotações acabaram não gerando o estardalhaço que era esperado.

Pouco tempo depois, em 1840, o dentista estadunidense Horace Wells, após frequentar um espetáculo circense, percebeu que, ao inalar o gás, um dos participantes chamado Samuel Cooley machucara a perna, e não havia sentido dor. Intrigado com a ausência de dor sentida pelo apresentador numa situação daquelas, ele pediu para que um estudante extraísse um dos seus dentes, enquanto inalava o gás, o que resultou também na ausência da sensação dolorosa. Por isso, foi considerado o pioneiro na utilização do óxido nitroso, como forma de anestesia.

 

Bactérias e Protozoários

Em 1675, o então comerciante de tecidos Antony van Leeuwenhoek ajudou a estabelecer as principais bases dos ramos biológicos existentes até hoje, a partir da observação e identificação que realizara em seus próprios microscópicos, de seres não visíveis a olho nu. O interessante é que o mesmo não possuía nenhum título de doutor ou mestre, apenas comercializava seus tecidos de fabricação caseira, e gostava de construir microscópios nas horas vagas. Segue um trecho da carta enviada pelo mesmo à Royal Society of London for Improving Natural Knowledge, em 1676.

"Esses pequenos animais diante de meus olhos eram mais de dez mil vezes menores que... a mosca ou piolho d'água, que você pode ver se movendo na água a olho nu".

 

Penicilina

Até hoje, a descoberta da penicilina continua sendo um dos pontos mais discutidos em toda a Medicina, em virtude da importância e repercussão em várias áreas que se estabelece, e do fato de ser ter sido oferecido um tratamento para as infecções bacterianas que assolavam e assolam o mundo, além e ter iniciado a chamada Era dos Antibióticos.

Em 1928, o médico inglês Alexander Fleming, realizava estudos de investigação com o uso de amostras contendo bactérias Staphylococcus aureus. No entanto, após ter tirado duas semanas de férias, havia percebido que esquecera uma de suas amostras contidas numa placa de Petri na mesa de trabalho.

O doutor, então, percebeu que a bactéria havia se proliferado em algumas áreas da placa (que havia sido deixada sob temperatura ambiente de 25 C°), com exceção de outras que haviam sido contaminadas ao acaso por esporos do fungo Penicillium notatum, que não apenas havia controlado o crescimento bacteriano, como também matado diversos indivíduos nas regiões próximas a ele fato esse que não acontecia com outras espécies de fungo Penicilium.

Fleming realizou estudos mais aprofundados de sua descoberta, mas depois de publicá-la, acabou deixando-a de lado. Por isso, outras investigações de Ernst Chain e Howard Florey foram realizadas, comprovando-se a presença e eficácia da penicilina, substância descoberta e nomeada em homenagem ao fungo.

 

Raios-X

Sua descoberta foi realizada pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen, enquanto ele observava o efeito da passagem de um feixe de elétrons sobre um tubo de vidro (nomeado por ele por "tubo catódico").

Ao presenciar um brilho de coloração esverdeada, Röntgen não sabia, mas estava constatando um tipo desconhecido de radiação. Isso rendeu a tão famosa imagem que retrata a mão da esposa do pesquisador sendo analisada sob o efeito da radiação. Ele acabou recebendo o Prêmio Nobel de física de 1901.

 

Relação entre o pâncreas e o diabetes

Em 1889, os cientistas alemães Oskar Minkowski e Joseph von Mering decidiram remover o pâncreas de um cachorro, visando observar os efeitos colaterais que isso gerava. Com o tempo, eles observaram que tanto a urina do animal atraía moscas, em virtude da alta concentração de açúcar, como também o cão havia desenvolvido sede excessiva. Por isso, acabaram deduzindo que a glândula era essencial para o metabolismo da glicose, e posteriormente, em 1921, cientistas canadenses acabaram isolando o hormônio responsável por isso: a insulina.

Um detalhe interessante sobre tal descoberta é que ambos os cientistas não se conheciam, e a ideia de fazer o experimento surgiu a partir de um encontro aleatório na biblioteca da Universidade de Strasbourg, onde uma discussão sobre enzimas pancreáticas acabou levando à realização do experimento.

 

Referências Bibliográficas

1. REIS JÚNIOR, Almiro dos. El primero en utilizar la anestesia en cirugía no fue un dentista, fue el médico Crawford Williamson Long. Revista Brasileira de Anestesiologia, v. 56, n. 3, p. 304-324, 2006.

2. Saúde. As dez descobertas acidentais que marcaram a medicina. URL: https://saude.abril.com.br/medicina/as-dez-descobertas-acidentais-que-marcaram-a-medicina/. Arquivo capturado em 1 de maio de 2020.

3. Superinteressante. Quais foram as dez maiores descobertas da medicina?. URL: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quais-foram-as-dez-maiores-descobertas-da-medicina/. Arquivo capturado em 1 de maio de 2020.

Academia Médica
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto Seguir

Atual graduando em Medicina pela Universidade Salvador.

Ler conteúdo completo
Indicados para você