[ editar artigo]

A situação crítica do novo coronavírus na Amazônia

A situação crítica do novo coronavírus na Amazônia

A pandemia causada pelo novo coronavírus é a principal emergência de saúde a nível global. No mundo inteiro, os casos positivos já totalizam mais de 3,2 milhões, com mais de 200 mil mortes. No Brasil, o número de casos confirmados já ultrapassa a marca de 85 mil quase 6 mil mortes causadas pela doença [1,2].

A amazônia brasileira é composta por nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do estado do Maranhão [3] Com o avanço da doença no Brasil, a COVID-19 já se encontra presente na região amazônica.

Em alguns estados existem números alarmantes em relação aos infectados e óbitos. A tabela abaixo traz alguns dados sobre a situação da doença na amazônia legal, segundo o Ministério da Saúde*.

*O estado maranhão foi removido da tabela porque estamos contabilizando por estado e apenas alguns municípios compõem o bioma do artigo. Dados atualizados no dia 30 de abril de 2020.

O estado do Amazonas é o mais afetado na região amazônica com mais de 5 mil pessoas infectadas e mais de 400 óbitos. Tal cenário de alta incidência e mortalidade fica evidente como no caso do cemitério Parque Tarumã que teve que abrir “trincheiras” para o sepultamento das vítimas. O sistema de Saúde do Estado entrou em colapso e não suporta mais atender a população que procura atendimento [4].

Além de todo esse cenário aterrorizante, o governo do Amazonas prevê que o pico da doença ainda deve acontecer no mês de maio [5]. Devido a todo esse caos causado pela doença, o governador do Amazonas enviou uma carta à ONU pedindo mobilização internacional no combate ao novo coronavírus na Amazônia [6].

O estado do Pará vem em segundo lugar no número de casos. Com mais de 90% de seus leito de UTI ocupados [7] e com o pico da doença estimado para a primeira quinzena do mês de maio [8] a situação no estado é preocupante, com o potencial de vitimizar muita pessoas.

Levando esses fatores em consideração, a capital paraense decretou o “lockdown” no dia 27 de abril de 2020 para tentar conter o avanço da doença [9]. Os demais estados apresentam números reduzidos de infectados, com exceção do Amapá com mais de 1000 casos.

Com o número crescente de casos da doença na região amazônica também cresce a preocupação com as populações mais vulneráveis da região como ribeirinhos e indígenas. Segundo um artigo da Academia brasileira de ciências (ABC) [10]:

“Considerando que a maior parte da população humana da Amazônia vive em cidades, que modalidades de transporte fluvial foram reduzidas por medidas governamentais, e que a fronteira com outros países foi fechada, poderíamos antever que as populações ribeirinhas e indígenas estivessem, de certa forma, protegidas pelo distanciamento social natural. Contudo, não é possível assegurar isso completamente.”

De fato, o número de infectados entre os indígenas vem crescendo, totalizando 105 casos no dia 30 de abril de 2020 segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) [11].

Os autores Anna Beatriz Anjos e Bruno Fonseca da Agência Pública [12], baseados em um estudo publicado pela Associação Brasileira de Estudos Populacionais [13], argumentam que:

“Está na Amazônia a maioria das Terras Indígenas (TIs) em situação crítica para a pandemia do coronavírus no Brasil. Além de sete territórios com maior fragilidade, os estados da Amazônia Legal possuem 239 TIs com índices de vulnerabilidade intensos ou altos em relação à Covid-19.”

Ainda segundo os acadêmicos Fernando Val e Adalberto Val da ABC:

“Não é possível, ainda, 'baixar a guarda' com qualquer classe etária e relaxar o isolamento social, como o que tem sido sugerido e denominado 'isolamento vertical' ou 'isolamento seletivo'. Pouco sabemos sobre o comportamento do vírus. Para a Amazônia o isolamento é ainda mais importante, frente ao precário sistema de saúde do estado em relação à baixa disponibilidade de leitos de UTI, profissionais e ventiladores mecânicos.”

Com o avanço da COVID-19 é de fundamental importância que cada um de nós contribua para interromper a cadeia de transmissão da doença. Também se faz necessário uma maior intervenção dos governos na região amazônica para evitar maiores perdas humanas tanto na população em geral, como nas populações especiais que se apresentam em situação de extrema vulnerabilidade. 

 

Referências

1. COVID-19 Map. Johns Hopkins Coronavirus Resource Center n.d. https://coronavirus.jhu.edu/map.html (accessed April 30, 2020).

2. Coronavírus Brasil n.d. https://covid.saude.gov.br/ (accessed April 30, 2020).

3. Amazônia Legal | 2014 | IBGE n.d. https://www.ibge.gov.br/geociencias/cartas-e-mapas/mapas-regionais/15819-amazonia-legal.html?=&t=o-que-e (accessed April 30, 2020).

4. Com SUS em colapso, Amazonas enterra vítimas da covid-19 em vala coletiva. EXAME n.d. https://exame.abril.com.br/brasil/com-avanco-do-covid-19-manaus-comeca-a-enterrar-vitimas-em-vala-coletiva/ (accessed April 30, 2020).

5. Governador do Amazonas diz que pico de covid-19 deve acontecer em maio. Agência Brasil 2020. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-04/governador-do-amazonas-diz-que-pico-de-covid-19-deve-acontecer-em-maio (accessed April 30, 2020).

6. Em carta à ONU, Wilson Lima pede mobilização internacional no combate ao novo coronavírus na Amazônia n.d. http://www.amazonas.am.gov.br/2020/04/em-carta-a-onu-wilson-lima-pede-mobilizacao-internacional-no-combate-ao-novo-coronavirus-na-amazonia/ (accessed April 30, 2020).

7. Quatro estados têm ocupação de mais de 90% dos leitos de UTI para Covid-19. Folha de SPaulo 2020. https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/04/quatro-estados-tem-ocupacao-de-mais-de-90-dos-leitos-de-uti-para-covid-19.shtml (accessed April 30, 2020).

8. Grupo de estudos realiza pesquisa para analisar a inferência de crescimento do número de infectados por Covid-19 no Pará n.d. https://portal.ufpa.br/index.php/ultimas-noticias2/11531-grupo-de-estudos-realiza-pesquisa-para-analisar-a-inferencia-do-crescimento-do-numero-de-infectados-por-covid-19-no-para (accessed April 30, 2020).

9. Pará D do. Veja o que é permitido funcionar durante “lockdown” em Belém | Diário do Pará. https://www.diarioonline.com.br 2020. https://www.diarioonline.com.br/noticias/para/585658/veja-o-que-e-permitido-funcionar-durante-lockdown-em-belem (accessed April 30, 2020).

10. Covid-19 na Amazônia: desafios regionais – ABC n.d. http://www.abc.org.br/2020/04/09/covid-19-na-amazonia-desafios-regionais/ (accessed April 30, 2020).

11. Saúde Indígena n.d. http://www.saudeindigena.net.br/coronavirus/mapaEp.php (accessed April 30, 2020).

12. Mais vulneráveis à Covid-19, indígenas sofrem com falta de UTIs. Agência Pública 2020. https://apublica.org/2020/04/ineditomais-de-200-terras-indigenas-na-amazonia-tem-alto-risco-para-covid-19/ (accessed April 30, 2020).

13. https://apublica.org/wp-content/uploads/2020/04/caderno-demografia-indigena.pdf

 

Academia Médica
Diego Arthur Castro Cabral
Diego Arthur Castro Cabral Seguir

Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Pará. Jovem pesquisador em neurociências com projetos de iniciação científica. Coordenador discente de projetos de Extensão. Insta: @arthurcastropro

Ler matéria completa
Indicados para você