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A vida é mesmo efêmera

A vida é mesmo efêmera
ANA CAROLINA AZEVEDO SALEM
nov. 5 - 2 min de leitura
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Tem sempre algum caso que marca a gente…alguma situação, paciente, familiar…

No meu caso, foi essa semana…

[Esse texto foi escrito em 2017, quando eu ainda era interna do 6º ano]:

Chegando ao plantão, já recebemos de cara uma paciente com “aneurisma roto de aorta”. Pra quem não sabe é uma condição gravíssima, com prognóstico péssimo, devido a alta mortalidade (90%). Quando o paciente ainda consegue chegar ao hospital com vida, ou acaba morrendo na cirurgia, ou no pós-operatório…
Era uma senhora de 65 anos, aparentemente bem, acompanhada da filha. Já estava estabilizada e consciente, aguardando ser chamada para a cirurgia de urgência...
Sabíamos da gravidade do caso, o segundo filho estava a caminho.
Quando ele chegou, a equipe chamou os dois filhos para conversar e explicar a gravidade, sobre o prognóstico que era muito ruim e que ela poderia morrer…
O centro cirúrgico chamou. Demos um tempo para que os filhos se “despedissem”.

Talvez aquela seria a última vez em que eles se veriam, poderiam falar o que gostariam, um “eu te amo”, pedir perdão, ser perdoado. Aquele poderia ser o último momento…

Um instante.

Chegou a hora de levá-la para o centro cirúrgico, os filhos acompanharam. Mais alguns segundos poderiam passar com a mãe…

A linha entre a vida e a morte é muito tênue…

Um segundo estamos aqui, outro podemos não estar mais…
Eu estava observando tudo do lado de fora do quarto.
Uma imagem que ficará marcada pra sempre…

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