"A pobreza e a obesidade são dois lados da mesma moeda da má nutrição."
Parece contraintuitivo, mas a insegurança alimentar — a incerteza sobre a próxima refeição — é um dos maiores preditores de obesidade em países de renda média e alta. O custo das calorias "vazias" é baixo, enquanto alimentos nutritivos são caros. Em lares onde o orçamento é apertado, a saciedade é comprada com açúcar e farinha refinada.
Calorias Baratas
Em muitas comunidades, um refrigerante custa menos que uma garrafa de água, e um pacote de biscoito custa menos que um quilo de maçã. A lógica econômica empurra as famílias vulneráveis para a obesidade.
Economia da Obesidade (2025)
Estudos revisados confirmam:
Insegurança Alimentar: Associada ao dobro do risco de obesidade em alguns contextos.
Food Deserts: Famílias inseguras que vivem em "desertos alimentares" (longe de supermercados) têm crianças com IMCs mais altos.
Subsídios Reversos: A venda de junk food a preços baixos no entorno escolar correlaciona-se com maior peso; já o acesso a lojas subsidiadas com foco em saúde reduz o IMC.
Política Social é Política de Saúde
Combater a obesidade infantil exige combater a pobreza e rever a estrutura de preços dos alimentos. Taxar bebidas açucaradas e subsidiar frutas e vegetais (ou facilitar o acesso a eles via programas sociais) são medidas essenciais para nivelar o campo de jogo e garantir que a saúde não seja um luxo acessível apenas aos ricos.
Texto escrito por Carolina C. Dos Reis
Referências
Liu Y, Yang Z, Deng T, Bi C, Li H, Qu P, et al. Food Environment and Childhood Overweight/Obesity: A Systematic Review. Adv Nutr. 2025;100564.






