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Brasileiros MD - Doutor Zerbini

Brasileiros MD - Doutor Zerbini

Brasileiros MD - Doutor Zerbini

Quando começamos a falar dos expoentes da medicina, fizemos uma enquete com nossos professores. Perguntamos a eles quem não poderia faltar nessa sessão do Academia Médica. A resposta foi unânime:  "Não dá pra falar de Medicina no Brasil sem falar no Doutor Zerbini". No ano de 2012, o maior expoente da medicina brasileira até o momento comemoraria seu centenário. Essa é nossa humilde homenagem a esse notável médico.

Quem foi o Dr. Euryclides de Jesus Zerbini?

"Operar é divertido, é uma arte, é ciência e faz bem aos outros". - Prof Dr. Euryclides de Jesus Zerbini

Nascido em 10 de Maio de 1912 em Guaratinguetá - SP, formou-se em Medicina em 1935 na USP e especializou-se em cirurgia geral. Foi se especializar no Estados Unidos em Cirurgia Torácica e, a partir de 1945, dedicou-se à Cirurgia Cardíaca.

Em 1957 iniciou experiências para abertura do coração, em animais, utilizando circulação extracorpórea - aparelho que na atualidade, e segundo o próprio médico, leva desenhos de sua esposa, a também médica, Dra. Dirce Costa. Na Universidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, foi colega do Dr. Christian Barnard, o primeiro cirurgião a realizar um transplante cardíaco.

Em 26 de Maio de 1968, realizou-se no Hospital das Clínicas, em São Paulo, pela equipe de Zerbini, o primeiro transplante de coração da América Latina, o 17º do mundo. Foi a quinta pessoa do mundo a realizar esse procedimento, apenas 6 meses após o primeiro transplante cardíaco, que ocorreu na África do Sul. Seu paciente viveu 28 dias - pois naquela época ainda não existiam medicamentos supressores do sistema imune. Ainda nos anos 60, realizou mais dois transplantes. Um de seus pacientes viveu por 15 meses após o recebimento do órgão.

Em 3 de Junho de 1985, aos 73 anos, foi o primeiro cirurgião a transplantar um coração para um paciente com Doença de Chagas. Já com a disponibilidade da ciclosporina - um potente imunossupressor, a cirurgia foi considerada um sucesso.

Professor da USP, criou o Centro de Ensino de Cirurgia Cardíaca, que se transformaria no Instituto do Coração (InCor), em 1975. Mais tarde, fazendo parte do InCor, surgiu a Fundação Zerbini para o Desenvolvimento da Bioengenharia, que também exporta tecnologia.

O InCor, hoje, é considerado um hospital de vanguarda, com capacidade para fazer cirurgias usando as mais modernas técnicas disponíveis no mundo.

"Não ficamos a dever nada em relação aos centros mais evoluídos e o nosso desafio é continuar mantendo essa modernização." - Fábio Jatene, presidente do Conselho Diretor do InCor.

O Brasil é o segundo país do mundo em número de cirurgias cardiovasculares, com mais de 100 mil operações por ano. Isso se deve principalmente a história de vanguarda iniciada pelo Doutor Zerbini, que ensinou outros expoentes desse tipo de cirurgia, que é considerada a mais estudada do mundo.

É difícil de pensar que o maior médico que o país já teve nunca havia pensado em fazer medicina. Acompanhe esse relato feito pelo próprio cirurgião para a revista Super Interessante, em 1993, no ano de sua morte:

E pensar que, garoto, Zerbini jamais sonhou em ser médico. [...] Aos 17 anos, o jovem Euryclides assustou o pai: “Ele estranhou que eu não falasse a respeito de uma carreira”, conta o cirurgião, risonho. ”Então, me chamou para um bate-papo. Perguntou sobre a minha vocação e eu, com a maior calma, respondi que não tinha vocação alguma.” Daí o pai, conforme a memória do filho, coçou a cabeça, matutou alguns segundos e sugeriu a Medicina. “Eu teria aceitado qualquer idéia. Se ele falasse de outra profissão, eu certamente não estaria aqui, neste hospital."

 Na mesma matéria, ainda falou que o início na medicina não foi fácil. A cadeira que ele "menos odiava" era  Anatomia. Devido a isso, o Acadêmico Zerbini resolveu assistir uma cirurgia. Sobre esse momento, relatou: “Saí de lá quase desmaiado. Achei tudo aquilo um horror.”

Zerbini, em 1942, ao se deparar com o caso de um menino de 7 anos, que tinha transfixado seu coração com uma lasca de ferro, realizou uma toracotomia com a intensão de salvar-lhe a vida. Deu certo, e dois anos antes da primeira cirurgia cardíaca da História (Blalock-Taussig). Não foi a primeira correção de um trauma cardíaco, mas vale a pena ressaltar o feito, pois ocorreu em uma época em que era proibido tocar no coração.

Saiba outros grandes feitos do Dr. Zerbini: 1951 - Primeira comissurotomia mitral digital no HC-USP; 1965 - Zerbini e Adib Jatene introduzem no Brasil as operações diretas sobre as artérias coronárias; 1968 - Também com Jatene, iniciou as primeiras cirurgias de pontes de safena; Em 58 anos de carreira, realizou 40 mil cirurgias cardíacas. Zerbini recebeu 125 títulos honoríficos e inúmeras homenagens de governos de todo o mundo.Participou de 314 congressos médicos. Trabalhou até poucos meses antes de morrer, em 1993.Assista a essa entrevista cedida a um jornal de Santa Maria, RS, em 1991

Referências :

Pequena história da cirurgia cardíaca: e tudo aconteceu diante de nossos olhos...

Super Interessante 069

 

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