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Camillo Golgi - O tempo não para!

Camillo Golgi - O tempo não para!

 

Certamente dono de um dos mais famosos epônimos da biologia, Camillo Golgi, o cara do "complexo de Golgi", foi um neurocientista italiano nascido no século XIX. 

Entre suas contribuições está "La Reazione Nera" ou "Reação Negra", uma mistura de elementos químicos que nos proporcionou avanços sem precedentes no estudo do cérebro, e que o consagrou com um Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1906.

Quais foram as motivações e os desafios enfrentados por ele em sua jornada?

Quais eram as possibilidades de funcionamento cérebral mais aceitas na época?

Quais foram os principais trabalhos publicados por Camillo Golgi? 

No primeiro texto que eu publico na Academia Médica, faremos uma viajem ao norte da Itália para falar sobre neurologia, microscopia e técnicas histológicas.

Caso prefira, você poderá em breve, ouvir esse texto nas principais plataformas agregadoras de podcast. Busque por "Historynemia".  

Bartolomeu Camillo Golgi nasceu no dia 7 de julho de 1843, no pequeno município de Corteno, uma cidadezinha na Itália, fica bem ao norte, em meio as alpes, perto da fronteira com a Suíça, naquela paisagem típica de pinheiros, picos nevados, cachoeirinhas de água de degelo, um lugar ainda hoje pacato, muito bonito na região da Lombardia. Sua mãe se chamava Carolina Golgi e seu pai Alessandro Golgi.

Para permitir que o filho estudasse, a família se mudou para Abbiategrasso, uma outra cidade que fica entre Milão e Pavia. Um pouco depois, o pai consegue um emprego em Cava Manara, bem pertinho dali. Golgi entra na universidade com 22 anos e em 1865 se forma em medicina também em Pavia, algo nada incomum para um lombardo, já que na época essa era a única universidade da região. Ele terminou a faculdade sem grandes ambições científicas, se tornar um pesquisador não era um objetivo dele a princípio. Depois de concluir o internato e passar por alguns empregos, trabalhou nas forças armadas da itália por algumas semanas, trabalhou também por um curto período durante uma epidemia de cólera, ele finalmente conseguiu um trabalho melhor no hospital San Matteo, um tradicional hospital do norte da Itália que existe desde o século XV.

O Golgi chegou a trabalhar por um certo tempo sob a supervisão de Cesare Lombroso, que supervisiona um trabalho, algo equivalente ao TCC deles, pra que  Golgi pudesse se graduar. Vale abrir um parêntese pra dizer que Lombroso foi um famoso criminologista italiano, muito influente, nascido no século XIX e que durante décadas por meio de dados antropométricos, tentou encontrar o estereótipo do criminoso médio, ou seja, ele era um frenologista. Pra ele, coisas como o tamanho do crânio, que refletiria o formato do cérebro, tamanho dos lábios, entre outras medidas e sinais corporais, determinariam se o indivíduo teria ou não tendências criminosas, um conceito que estava bastante em voga na época, mas que é extremamente problemático por abordar o determinismo racial, hoje está claro, isso não tem nenhum embasamento científico.

 

Agora, o fato de o lombroso querer entender melhor o comportamento humano, querer trazer o cérebro, ou a consciência, pra dentro do corpo, chamou bastante a atenção do Golgi e foi meio que um gatilho, clareando pra ele o que de fato ele queria fazer, enquanto médico.  

 

Enquanto isso, havia um médico em Pavia, um cara que estava em plena ascensão, Giulio Bizzozero.  Bizzozero era aquele cara boa pinta, promissor, assim que se formou já se tornou professor e ao contrário de muitos docentes naquele meio, ele era um cara totalmente disposto a ter novos conhecimentos, fazia várias perguntas, pra ele estava claro que a medicina tinha muito a evoluir ainda. E não só isso, ele também era um ótimo microscopista, inclusive chegou a visitar o laboratório do Rudolf Virchow em Berlin. Foi um cara que também deixou suas contribuições. No âmbito da hematologia por exemplo, conduziu vários estudos sobre os glóbulos vermelhos, a medula óssea, plaquetas, também estudou dermatologia, foi professor na universidade de Turim. Essa postura progressista atraía vários estudantes e um desses estudantes era o próprio Camillo Golgi.

 

Então, podemos dizer que apesar de seus métodos estranhos, Lombroso despertou em Golgi o interesse pela neurociência comportamental, depois chegou Bizzozero, que dominava técnicas histológicas e transmitiu ao Golgi uma visão científica mais categórica, baseada em observações rigorosas e meticulosas realizadas por meio das lentes do microscópio. Para Golgi, foi determinante isso, porque ele tinha adquirido uma boa bagagem em relação aos processos comportamentais do indivíduo, psicologia, estudou a etiologia, ou seja, a origem de doenças neuropsiquiátricas. Agora, olhando através do microscópio, ele via uma nova oportunidade, tinha a esperança de encontrar pequenas estruturas que compõem o encéfalo e, talvez, encontrar ali os segredos comportamentais da mente humana. No início da de 1870, Golgi seguia firme nesse objetivo, ele já havia publicado trabalhos científicos sob supervisão do Lombroso e estava começando a publicar trabalhos no âmbito histológico, entre eles, um sobre células gliais, que são células presentes cérebro mas não são neurônios, a publicação intitulada "Contribuzione alla fna anatomia degli organi centrali del sistema nervoso" ou Contribuição para a anatomia fina dos órgãos centrais do sistema nervoso, de 1871, teve uma boa repercussão. Outro trabalho que foi bem recebido, foi um sobre os vasos linfáticos do cérebro "Sulla normale struttura e sulle alterazioni dei linfatici nel cervello" ou Sobre a estrutura normal e alterações dos vasos linfáticos do cérebro. Eu adoraria ter lido esse artigo de Golgi, para saber o que ele disse, porque foi só recentemente, eu acho que nessa última década mesmo, que os cientistas conseguiram de fato entender como funciona a drenagem linfática no cérebro, é algo mais complexo que no restante do organismo, envolve vários sistemas associados, etc.

 

Ok, então podemos dizer que Golgi estava indo bem nas pesquisas, estava fazendo o que gostava, beleza! O problema é que financeiramente ele não vinha tendo um bom retorno, muitas vezes ele pagava ou ajudava com as despesas das publicações e das pesquisas que ele fazia tirando dinheiro do próprio bolso, ele já estava perto dos 30 anos. A essa altura o cotidiano dele era basicamente fazer pesquisas científicas, dar umas aulinhas gratuitas na faculdade e clinicar no San Matteo, mas aparentemente “tava osso”. Em 1872 o pai dele ficou sabendo de uma vaga de trabalho que surgiu na cidade de Abbiategrasso, num hospício chamado Pia casa degli incurabili. A princípio, Golgi relutou em se inscrever no concurso, mas o pai insistiu, ele se inscreveu, passou e foi pra lá. Com isso ele infelizmente teria que abandonar a pesquisa científica que era o que mais ele gostava de fazer. Chegando em Abbiategrasso no início de junho, ele viu que a Casa dos Incuráveis não tinha nenhum compromisso científico, não que ele esperasse isso, mas logo ele se deu conta que não havia ali equipamentos de pesquisa, nem laboratórios, nem nada dessa natureza. Pra ele foi ruim, ele chegou a ficar meio deprimido, ficou uns 2 meses meio cabisbaixo, não rendia direito no serviço, mas gradativamente foi se recompondo e no final do ano já estava bem, graças a um raso contato científico que ele ainda conseguia manter através de correspondências trocadas com o Bizzozero.

 

A verdade é que não tinha muito pra onde correr, então ele procura uma forma de conciliar o seu trabalho à beira do leito, como chefe do hospício, e suas atividades científicas, e pra isso, ele improvisou uma espécie de laboratório na cozinha do seu apartamento, que era bem pequeno diga-se de passagem. Talvez não fosse tão bem iluminado, era basicamente composto por uma mesa, uma cadeira, um microscópio, e algumas substâncias químicas em meio aos frascos.

 

Nesse cotidiano, alguns meses depois, Golgi escreve uma carta a um amigo, Nicolo Manfredi. No texto ele escreve que depois de usar uma técnica até então experimental, em que deixou nitrato de prata reagir com pedaços de cérebro (talvez de coruja) que tinham sido previamente endurecidos em dicromato de potássio, ele conseguiu observar algumas estruturas intrigantes no cérebro. Depois de impregnados nessas substâncias químicas, o que acontecia era que a membrana plasmática das células nervosas, ou seja, dos neurônios, ficavam pretas. Essa carta é o primeiro registro histórico, que se tem da Reazione Nera ou da Reação Negra. Todo esse processo durava facilmente um ou dois meses para ser concluído. Na verdade os neurônios ainda não tinham esse nome, tecnicamente falando os neurônios ainda nem existiam enquanto objeto de estudo. Mas afinal de contas, o que é um neurônio?

 

Simplificadamente falando, um neurônio é uma célula, que recebe e transmite informações, é a unidade funcional do tecido nervoso que é composto pelo cérebro, a medula espinhal e os nervos periféricos. Uma clássica analogia didática é dizer que um neurônio se parece com uma árvore, existem várias formas de neurônio, mas um neurônio multipolar médio é igual uma árvore. É como se os galhos dessa árvore fossem os dendritos, que basicamente recebem os sinais vindos de outros neurônios ou do meio externo em alguns casos, da mesma forma como uma árvore recebe a luz solar. Entre os galhos nós teríamos localizados no chamado corpo celular, o núcleo dessa célula, o tronco da árvore pode ser algo equivalente ao axônio, é uma prolongação comprida e estreita, e a raiz é a terminação do axônio, com algumas ramificações que vão conversar com os dendritos de um outro neurônio e assim sucessivamente. Estima-se que o número de conexões existentes em apenas um cérebro humano seja maior que  o número de grãos de areia no oceano, muitos dizem também que o cérebro humano é a estrutura mais complexa do universo conhecido. 

 

Algo muito curioso que tornou possível ao Golgi: o isolamento microscópico da célula, foi que essa reação química pegava só alguma ou outra célula da amostra. Por exemplo, vamos supor que ele preparava uma folha de 1cm de cérebro para observar, um quadradinho de 1cm² e colocava na lâmina do microscópio. Nesse pedacinho existem milhares de células mas a reação não se dava em todas as células da amostra. Várias não ficavam pretas, é como se nenhum produto tivesse sido aplicado, esse contraste foi fundamental. La Reazione Nera, proporcionou avanços sem precedentes nas pesquisas sobre a estrutura cerebral. Antes do Golgi, a técnica amplamente utilizada na observação de células nervosas consistia em fixar a amostra com dicromato de potássio e depois de alguns procedimentos a coloração era feita com vermelho carmim ou hematoxilina. Atualmente a eosina é a substância de cor vermelha mais utilizada em histologia geral, e a hematoxilina, que tem uma coloração azulada, vem sendo usada nos laboratórios mundo afora até hoje. Essa técnica (vermelho carmim-hematoxilina) funcionava muito bem, mas em outros tipos de célula, os neurônios talvez por serem células com um alto teor lipídico, são células compostas por uma grande quantidade de água, não conversava muito bem com as substâncias empregadas nas técnicas habituais.

 

Ora, para Golgi a descoberta ou invenção desse método de impregnação foi uma bela motivação intelectual pra ele. Veja bem, há menos de um ano o cara estava meio deprê, seu salário não era lá tudo isso, ele precisou abrir mão da pesquisa científica, mudou de cidade, improvisou um laboratório rudimentar na cozinha do seu apartamento, voltou pra pesquisa científica e descobriu uma maneira de visualizar isoladamente uma célula nervosa. O cara estava indo bem! Em um de seus manuscritos ele descreve algo que sugere que mesmo antes de mudar para Abbiategrasso ele já se preocupava em desenvolver novos métodos que fossem capazes de tornar visíveis os neurônios, o que nos indica que La Reazione Nera talvez não tenha sido uma descoberta acidental e sim uma invenção dele, talvez ele tenha testado várias coisas antes, mas isso não se sabe exatamente. A grande sacada de Golgi foi ter usado nitrato de prata ao invés de carmim. Se você não está habituado com técnicas histológicas eu te digo que para se ver uma amostra no microscópio não basta simplesmente pegar um pedacinho do tecido, da pele por exemplo e por sob as lentes, é necessário toda uma preparação química antes. Além de ter mudado o corante, talvez o longo tempo que Golgi deixou a amostra de molho possa também ter ajudado.

 

Nos métodos tradicionais, pré-Golgi, os caras até conseguiam ver algo do neurônio, mas eram imagens incompletas, dava pra ver o núcleo, um pouca da membrana plasmática, uma pequena parte inicial dos dendritos, o axônio ora aparecia e ora não, era algo bem inconclusivo e que não permitia avanços significativos no estudo encefálico. O método de Golgi foi um divisor de águas pra época. Esse tipo de reação aliás, depois acabou dando certo também para alguns outros tipos de tecido, com pequenas modificações eles conseguiram observar as células parietais do estômago que são responsáveis pela secreção de ácido clorídrico, fundamental na digestão dos alimentos. Emílio Veratti conseguiu ver o sistema T das células musculares, entre outras coisas.

 

Bom, agora, Golgi usava e abusava de seu novo método, suas obrigações como chefe do hospital dos incuráveis em Abbiategrasso já não lhe tomavam tanto tempo e suas “horas vagas” eram dedicadas ao seu laboratório, que apesar de improvisado vinha trazendo bons resultados. Conforme o andamento das pesquisa ele começa a perceber também que que as células nervosas têm formas variadas, além da menção anterior em que eu usei uma árvore como exemplo, existem neurônios que se estruturam de forma diferente, os chamados neurônios tipo 1 de Golgi por exemplo, podem ter um axônio com mais de 1m de comprimento.

 

"Sulla struttura della sostanza grigia del cervello, ou Sobre a estrutura da massa cinzenta do cérebro. Esse foi o título de um dos principais trabalhos que compõem a obra de Camillo Golgi, publicado na Gazzeta Médica Italiana - Lombardia. Aqui foi a primeira vez em que ele publicamente diz algo sobre a reação negra, porém, ele não dá muitos detalhes de como alcançou tal coloração, no que diz respeito a dosagem dos produtos utilizados, tempo exato de exposição, etc. Talvez ele não quisesse concorrer na sua pesquisa, talvez nem ele soubesse exatamente o que ele havia feito para obter esses resultados, esse artigo é de 1872-73 mais ou menos. Nos anos de 1874-75 ele continua a publicar artigos de relevância científica, descreve células nervosas do bulbo olfatório que estão relacionadas ao processo de sentir cheiros, por exemplo. A essa altura do campeonato os trabalhos de Golgi já eram bem conhecidos no meio acadêmico-científico italiano, principalmente. Em 1876 ele finalmente retorna a Pavia. Nessa cidade, além de lecionar e clinicar no San Matteo, ele continua com suas pesquisas, muitas delas iniciadas ainda em Abbiategrasso. Um desses trabalhos rendeu a ele o prêmio Fossati do Real Instituto Lombardo, nesse trabalho ele foi elogiado pela precisão nos desenhos neuroanatômicos, tanto macro quanto microscopicamente ele soube bem representar o que ele observava através de suas lentes. A partir de 1881 ele se torna também o catedrático de patologia geral da universidade pavese.

 

Entre o fim da década de 70 e o início da década de 80 do século XIX, Golgi publicou muita, muita coisa mesmo. Ele propôs uma relação entre o pólo vascular do corpúsculo de Malpighi e a regulação da pressão arterial nos rins, algo que hoje nós sabemos que procede. No que diz respeito aos músculos do corpo, ele descreveu pela primeira vez os chamados órgãos tendinosos de Golgi, que assim como as células do fuso são responsáveis por manter a integridade muscular. É algo interessante, enquanto as células do fuso fiscalizam o grau de estiramento muscular, o quanto você estica um determinado músculo, por exemplo; quando você é um iniciante em alguma modalidade esportiva e durante o alongamento o professor ou a professora pede pra você encostar mão sobre seus pés sem dobrar os joelhos e você começa a sentir aquela dorzinha atrás dos joelhos. Isso são as células do fuso te avisando pra pegar leve se não você pode até romper o músculo ou os tendões.

 

Agora vamos supor que você vai pegar uma taça que está em cima da mesa, uma taça de cristal bem delicada, o que te impede de não quebrar a taça? O que te impede de não apertar a taça com força suficiente para explodi-la? Os órgãos tendinosos de Golgi. Eles ajudam a refinar o movimento e evitam uma contração, um encurtamento excessivo dos músculos da sua mão, impedem que você faça uma sobreforça. Juntamente com com alguns sensores da pele, em conjunto esses sistemas informam ao seu cérebro, mesmo se você estiver com os olhos fechados, que você está levantando uma taça e não um tijolo e te induzem a pegar o objeto com delicadeza.

 

O contrário também pode acontecer; se você segura um tijolo entre o polegar e o indicador e esse tijolo começa a escorregar, sua pele vai detectar que o tijolo está escorregando e o orgão tendinoso será inibido, ele vai dar uma segurada pra te deixar fazer mais força na contração e você não deixar o tijolo cair. Claro, existem outras estruturas do organismo envolvidas nesse processo, mas os órgãos tendinosos de Golgi têm papel fundamental nisso.

 

Dentro do hospital San Matteo o Golgi vinha ganhando cada vez mais espaço e inclusive já existia uma ala mais reservada onde ele tinha mais liberdade pra conduzir as pesquisas, não só com os equipamentos laboratoriais, mas também por meio do acompanhamento de casos clínicos. Durante o atendimento aos enfermos ele conseguia fazer várias observações, desde regeneração renal até o desenrolar de infestações parasitárias e ia documentando isso. Falando em parasitas, Golgi fez importantes associações entre o protozoário causador da malária e as chamadas febres terçã e quartã, que são  febres intermitentes que se apresentam nos indivíduos acometidos por essa moléstia. Isso também lhe rendeu alguns prêmios. Na verdade, vários cientistas italianos do século XIX contribuíram imensamente com pesquisas que ajudaram no entendimento do ciclo da malária, já que durante toda sua história a Itália sofreu essa “doença tropical”

 

Somente no início do século XX se inicia um projeto de drenagem de pântanos ao redor de Roma por exemplo e os casos começam a diminuir significativamente. Não só a Itália sofreu, também países da região, os balcãs, e pelo que eu aprendi na escola a Itália não é um país tropical, e olha que legal, além dos italianos cientistas de outras nacionalidades, inclusive do Brasil, pois é, não existe ciência só na Europa e também não existe malária só nos trópicos. Cientistas brasileiros como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, lá no Instituto Soroterápico Federal, no Rio de Janeiro, que depois viria a se chamar Fundação Oswaldo Cruz também fizeram suas contribuições à elucidação da doença.

 

No começo de 1898 enquanto Golgi estava com as lentes de seu microscópio pousadas sobre amostras de células que residem perto da medula espinhal, ele viu que ali dentro do citoplasma perinuclear, ou seja, no corpo dos neurônios que residem nessa região, perto do núcleo da célula, com uma certa constância, aparecia uma espécie de mancha, uma manchinha até organizada em forma de rede. Seu aluno Emílio Veratti observou a mesma estrutura em outro grupo de neurônios, dessa vez mais perto do cérebro. Como essa aparição se tornou algo cada vez mais recorrente, Golgi pensou em divulgar algum relato sobre essa visualização em algum artigo por aí, mas ele ainda tinha dúvidas se publicava ou  não algo sobre isso. Então resolveu que sim, e em abril desse mesmo ano ele comunicou a existência dos achados a sociedade médico-cirúrgica de Pávia. Algum tempo depois, alguns de seus alunos, entre eles, Adelchi Negri, o cara que batiza os corpúsculos de Negri, um achado microscópico nas células de hospedeiros do vírus da raiva, também encontra essa mesma estrutura em células não nervosas. Talvez a essa altura você já saiba do que eu estou falando: o aparato de Golgi. Eu acho que esse é o principal epônimo do Camillo Golgi, é um nome bem comum que a gente ouve falar bastante na escola.

 

Após suas observações, a tal manchinha foi tema de debate entre os científicos, alguns acreditavam que aquilo não era nada de mais, argumentado que fosse somente uma reação inesperada causada durante a preparação química do material, entretanto alguns anos depois, principalmente após o advento da microscopia eletrônica, ficou estabelecido que o também chamado complexo golgiense é uma organela associada ao retículo endoplasmático rugoso, tem uma função de modificar, aprimorar alguma substância a ser secretada posteriormente, inclusive, células com características secretoras possuem um complexo de Golgi mais desenvolvido ou em maior quantidade.

 

Em meados do século XIX alguns estudiosos, entre eles o francês Jean Marie Pierre Flourens, argumentam que o cérebro seria uma estrutura holística, global, uma massa única, praticamente sem subdivisões e tudo interconectado continuamente. Hoje está claro que o cérebro não se molda de forma tão simplificada, existem circuitos formados por grupos de células que se originam em uma parte, se dirigem a outra e, dessa outra, partem juntos pra alguma outra e assim por diante. Para o Joseph Von Gerlach, anatomista alemão do século XIX que tinha seus métodos de coloração, essa unificação também existia e se dava através de dendrito unido com dendrito. Quando o Golgi observou suas preparações obtidas com a Reação Negra ele rapidamente refutou a teoria de união dendrito-dendrito defendida pelo alemão, ele viu que os dendritos terminavam em contato com as células gliais, que são células também presentes no tecido nervoso mas não são neurônios, são células de sustentação que ajudam os neurônios se manterem vivos. 

 

Nesse momento, Golgi acredita ter achado uma interrupção nessa suposta rede interneuronal dendrítica, ele acha algo que separa um neurônio do outro e agora Golgi vê a estrutura do sistema nervoso como: dendrito-célula glial-dendrito. Depois de um tempo conforme as pesquisas avançam o Golgi percebe que o axônio do neurônio está sempre presente na célula nervosa, não é algo às vezes está lá e às vezes não como se achava antes, ele percebe que os neurônios estão sim unidos, mas da seguinte forma: Dendrito de um no axônio do outro, e nesse momento a célula glial deixa de ser uma barreira de separação. Em outras palavras, por um instante Golgi entendeu que a célula glial no meio do caminho desconectou a rede defendida pelo Flourens, pelo Gerlach, nesse momento ele foi um não reticularista, logo esse termo será melhor explicado. No entanto vieram os axônios e conectaram à rede de novo, é nesse momento que nasce a teoria da rede interaxonal difusa que enfaticamente foi defendida por Camillo Golgi.

 

Ok, Golgi. Assumindo então que os axônios de um neurônio estão unidos com os dendritos de outro, como é feita essa união, e como se dá a transmissão de impulsos (ainda que ninguém soubesse exatamente de que o cérebro era feito, a transmissão de impulsos já vinha sendo postulada a algum tempo)? Segundo Paollo Mazzarello que é um neurocientista, historiador e biógrafo de Golgi, escreveu uns 3 ou 4 livros sobre ele, o Golgi aparentemente não estava muito interessado em saber isso, não importa! Poderia ser tanto por anastomose, um termo mais técnico pra dizer união, do ponto de físico mesmo, um grudado no outro ou a transmissão poderia ser algo muito forte que fosse capaz de “pular” de um neurônio para o outro. Essa pressuposição que ele coloca, de que o impulso possa saltar de um neurônio para o outro deixa claro que ele sabia da possibilidade da descontinuidade mas ao mesmo tempo parece que ele não queria acreditar nela, por quê?

 

A Reação Negra não era perfeita, ainda que fosse o melhor que se pudesse ter na época. Quando observado através do microscópio, realmente existe a ilusão de uma sobreposição, parece que um axônio está entrando no outro, mas algo intrigante é que dependendo da forma como você regula as lentes do microscópio, um pequeno espaço chamado fenda sináptica, existente entre os axônios se faz visível, não tão nitidamente, mas sim, tende a aparecer diante dos seus olhos. Golgi era muito bom em microscopia, isso já está claro. Então por que ele não percebeu isso? O Mazzarello argumenta que ao mesmo tempo em que a conexão dendrito-axônio da rede nervosa era uma hipótese até que original, ela vinha como uma atualização da proposta interdendrítica defendida por Gerlach e ao mesmo tempo combinava bem com a proposta holística do Flourens. Então essa possibilidade de atualizar/corrigir os estudos do Gerlach e corroborar a postulação do Flourens colocava Golgi em outro patamar, isso proporcionou a ele uma posição de muito destaque no âmbito neurocientífico europeu do século XIX.

 

Então, só pra deixar claro, a ideia de rede interconectada contínua não é uma proposta original de Golgi. Gerlach acreditava nisso e o Flourens também. Golgi foi influenciado por esses caras, existem indícios disso. Esses indícios se dão com um olhar mais atento às representações, aos desenhos que o Golgi fez retratando o que ele supostamente estava vendo através do microscópio. Em vários desses desenhos, especificamente os primeiros, existe a presença de pequenos espaços, pequenas fendas entre os neurônios, um indicativo de que talvez ele visse algo, mas preferisse acreditar em outro, ou seja, Golgi sim queria ver o reticularismo, então o que ele fez foi adaptar o que ele enxergou a essa teoria e essa visão guiou todo o seu trabalho neurocientífico desde então. Provavelmente, Golgi admirava muito e não queria discordar do trabalho do Flourens.

 

O método que o Golgi desenvolveu não se firmou instantaneamente, ele começou a usar La Reazione Nera no início da década de 80 do século XIX, mas só a partir da década seguinte ela começou a ser de fato explorada por outros histologistas. No contexto geral da obra, Golgi foi um assíduo reticularista, esse era o nome dado pros caras que acreditavam que o cérebro era uma massa única, homogênea e que os neurônios eram fisicamente colados um no outro. Do outro lado, havia os não reticularistas, esses defendiam que não havia união física entre os neurônios, eles sim se comunicavam e deveria existir algo que fizesse a ponte entre um e outro. Chega um momento na história em que os não reticularistas começam a ganhar cada vez mais força, e sempre com boas evidências, o Wilhelm His por exemplo, argumentava usando dados embriológicos, ele falava sobre formação neuronal ainda na fase embriológica, durante formação do feto. Outro cara, o cientista suiço Auguste Forel se baseava em suas observações sobre a degeneração celular, ele percebeu que em algumas situações quando um neurônio morria o seguinte na fila não morria, e isso também sugere uma separação celular. No entanto, o principal defensor dessa teoria era o espanhol Santiago Ramon y Cajal. Seria praticamente uma infração falar sobre a obra de Camillo Golgi sem mencionar o Cajal.

 

O Cajal foi um cara que fez o seguinte, ele pegou a reação negra de Golgi e melhorou, otimizou muito a forma de usá-la. O Cajal percebeu que se ele usasse cérebro de animais jovens, tipos pássaros ainda em estágio embrionário, ele conseguiria observar os neurônios com uma maior riqueza de detalhes, e essa melhora na observação se deve a bainha de mielina. Essa estrutura é uma camada de gordura que serve como isolante elétrico em alguns axônios, é exatamente como se fosse um fio de energia elétrica, o fio do carregador do seu celular, existe a camada de borracha em volta, que equivale a mielina e o cobre por dentro, que equivale ao axônio. A mielina impede que os impulsos elétricos se dissipem pelo meio do caminho, os mantém concentrados e com voltagem suficiente pra que haja uma transmissão ótima. Você talvez já tenha ouvido falar nas doenças desmielinizantes como a esclerose múltipla por exemplo, que afeta essa estrutura e causa problemas neurológicos. O Cajal fez diversos outros trabalhos, vários estudos, foi sem dúvidas um dos grandes cientistas do século XIX, alguns dizem até que ele foi o maior neuroanatomista dessa época. Dentre os defensores do não reticularismo ele certamente foi o principal.

 

Essa mudança, o fato de ele observar animais jovens e ainda sem mielina em volta do neurônio foi a grande sacada dele, aí ficou praticamente indiscutível que o cérebro é composto por neurônios individuais. Nos primeiros anos as observações do Cajal não tiveram muita atenção, ele era espanhol, pesquisava na Espanha e o então grande centro científico europeu era a Alemanha, a Suiça era e ainda é muito forte. O Cajal queria mostrar ao mundo suas descobertas e com a intenção de ganhar uns likes ele parte pra Berlim, ele foi apresentar o trabalho dele, foi bem na apresentação, teve o apoio de Albert Von Kolliker por exemplo e desde então ele começou a ter notoriedade. Tudo isso que o espanhol fez, pro Golgi foi um tapa na cara. Ora, o Cajal usou a técnica que o italiano havia desenvolvido, melhor que ele, pra discordar dele e conseguiu muitíssimo prestígio com isso. Essa desavença dos dois durou anos e teria seus highlights na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de 1906.

 

Os anos foram passando, quando a teoria neuronal de que o cérebro seria composto por várias partes individuais e não por uma massa contínua, já estava algo bem estabelecida, o Golgi já não mais estava imerso na esfera da neurociência, ele continuava sim a pesquisar, mas no âmbito microbiológico. Além disso, ele foi reitor em Pavia por 10 anos, também foi eleito senador do reino, além de exercer outras atividades, como os estudos sobre o complexo de Golgi. Ele não gostava nada dessa história de célula nervosa individual, ele negou veementemente essa teoria.

 

Recapitulando, até aqui existem basicamente dois grupos teóricos, os reticularistas que acreditam que o cérebro, diferente dos outros órgão do corpo, é uma peça única com um neurônio grudado no outro sem multicelularidade e os não reticularistas, a rapaziada que acreditava sim na singularidade celular.

 

Bom, se você não quiser ficar ao lado dos reticularistas nem ao lado dos não reticularistas, não se preocupe, a gente pode tentar te encaixar no time dos neoreticularistas, tem pra todos os gostos. Em uma discussão parecida, também havia os localizacionistas, que basicamente falando, acreditavam que o cérebro tinha várias partes individuais específicas para cada função, por exemplo, área da fala, da memória do movimento e por aí vai. Isso meio que está certo! Os anti-localizacionistas, como o Flourens por exemplo, achavam que não é bem por aí, pra eles seria tudo uma coisa só, trabalhando junto e ao mesmo tempo em um sistema integrado. Dependendo do ponto de vista isso também está certo! Esse é um tema que ainda gera debates. 

 

Voltando a falar dos neoreticularistas, essa galera surgiu com um novo conceito, talvez devido ao avanço da microscopia, novas técnicas de visualização e etc. Fato é que esses caras conseguiam enxergar dentro da célula, uma estrutura chamada neurofilamento, é algo que faz parte do esqueleto celular. Sabe as vezes quando você vê por aí uns ferros saindo de dentro do cimento, na coluna um muro inacabado por exemplo? Isso é o neurofilamento, serve pra dar sustentação estrutural à célula, está presente em praticamente todas do corpo humano. A rapaziada neoreticularista ficava com um pé atrás em relação a técnica de coloração porque na Reazione Nera isso não aparecia e com o surgimento de novas técnicas, quando eles conseguiram ver isso, eles tiveram a certeza de que essa estrutura seria a responsável por transmitir os impulsos nervosos de uma a outra célula, hoje sabemos que isso não procede. Essa não era exatamente a mesma proposta do Golgi, mas ele até que olhou pra isso com simpatia, uma certa amistosidade.

 

Certo dia o Golgi estava provavelmente em algum laboratório fazendo suas pesquisas ou em alguma sala de aula lecionando quando ele recebeu proveniente de estocolmo uma carta o convidando para se dirigir até a Suécia e receber o cobiçado Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, em parceria com seu brother Santiago Ramón y Cajal. Algo que nunca havia acontecido antes, o Prêmio Nobel de Medicina seria dividido entre duas pessoas, que talvez não necessariamente fossem inimigos, mas pelo que eu pude apurar o Golgi não ia nem um pouco com a cara do Cajal, lembra da eterna rixa entre Senna x Prost na fórmula 1?

 

Veja, os caras tinham pensamentos completamente opostos sobre o mesmo tema e no fundo, ambos haviam contribuído com a evolução da neurociência, algumas fontes mais empolgadas diziam até pro nascimento da neurociência, algo que eu discordo completamente, uma vez que muita gente contribuiu com a evolução desse campo, você percebeu a quantidade de nomes que eu venho mencionando durante o texto e certamente existem vários outros que aqui não foram mencionados.

 

Tranquilo! Os dois já haviam se estranhado nos últimos quase vinte anos, chegava a hora de deixar as indiferenças de lado dar as mão e celebrar, afinal de contas não é todos os dias que se ganha um Nobel. Pois é, só que não! Aparentemente a desavença ficou ainda maior depois que o Golgi terminou seu discurso na cerimônia. Ele foi o primeiro dos dois a discursar e já foi com os dois pés no peito do Cajal, da teoria neuronal como um todo, talvez por temer que o Cajal pudesse fazer o mesmo. O problema é que o Golgi já não pesquisava neuroanatomia há muitos anos, ele estava bem desatualizado nesse campo. Algo que acabou amenizando seu discurso foi a teoria neoreticularista, que era uma idéia que tinha lá seus adeptos e que de certa forma conversava com a idéia defendida pelo italiano, o que fez seu discurso parecer um pouco mais atual, vagamente atual, no geral estava bem atrasado.Os relatos daquela noite dizem que os convidados do evento ficaram todos consternados com a fala do Golgi.

 

No dia seguinte, ao meio dia, foi a vez do Cajal discursar e ele apresentou suas observações tranquilamente. Ele menciona outros pesquisadores que compactuam com suas ideias, entre eles o Von Kolliker, Retzius o Gehuchten, em outro momento fala sobre a teoria neoreticularista, não concordando com ela, obviamente.

 

A cerimônia do Prêmio Nobel de 1906 foi no mínimo irônica, uniu dois cientistas falando sobre a mesma coisa mas com ideias completamente opostas uma da outra. Foi um evento que consagrou o Santiago Ramón y Cajal e formulou no que diz respeito ao Golgi, a idéia de um cara ranzinza, arrogante, desumilde e que com o passar dos anos foi caindo no esquecimento, justamente em dos dias que é bem importante e que raramente acontece numa carreira científica. O engraçado é que o Cajal se consagrou, utilizando logicamente aliada a toda sua habilidade investigativa, La Reazione Nera, que o Golgi criou.

 

Em 1906 o Prêmio Nobel ainda não tinha exatamente todo esse prestígio que tem hoje e a verdade é que ter ganhado esse prêmio não agregou muita coisa na vida imediata do Golgi, ele já tinha ganhado vários outros prêmios que talvez fossem até mais relevantes. Entre eles, um diploma honorário da Universidade de Cambridge, prêmio Ricker na Universidade de Würzburg na Alemanha, a maioria desses foram conquistados ainda na década anterior ao Nobel, então de certa forma ele já era um cara respeitado e influente. O Nobel ao invés de ser a cereja do bolo, foi na verdade a água no capuccino dele, porque a imagem que ele deixou entre os cientistas, de teimosia, marra, somente seria apagada postumamente por futuras gerações.

 

O Golgi também tinha umas idéias meio problemáticas, ele foi completamente contra a construção da universidade de Milão que fica a menos de uma hora de Pavia, ele chegou a liderar movimentos contrários à construção por acreditar que de alguma forma a nova universidade poderia atrapalhar a que ele se formou. Eu digo problemática no sentido de que um cientista deve apoiar a construção de novas universidades, centros de pesquisa, buscando assim cada vez mais agregar e disseminar novos conhecimentos independente da área. 

 

Durante a primeira guerra mundial o Golgi dirigiu um hospital militar que atendia feridos de guerra. A comuna em que ele nasceu, mudou de nome em 1956 e passou a se chamar Corteno Golgi, lá existe inclusive um museu sobre ele. Quando ele morreu em Pavia em 21 de janeiro de 1926 exceto por alguns de seus alunos, a possibilidade de que os neurônios fossem literalmente unidos uns aos outros já nem existia mais entre os neurologistas. Como proposto por Cajal, hoje está claro que existe um espacinho ultra microscópico entre um neurônio e outro. Através desse espaço, as sinapses, passam os neurotransmissores, hormônios entre outras substâncias que desencadeiam ou inibem impulsos elétricos, essa é a ponte para que dois ou mais neurônios se comuniquem. O Golgi ainda viu a fundação da universidade de Milão que se deu em 1924.

 

E sim, no geral, seu saldo é bem positivo, depois de quase 100 anos de sua morte isso está claro, apesar dos pesares ele foi um grande médico, biólogo, neurocientistas e deixou ótimas contribuições nesses campos.






 

REFERÊNCIAS:

 

Mazzarello, P (2002) History of Neuroscience Series: Camillo Golgi (1843-1923),IBRO History of Neuroscience

Golgi, C. (1885) Sulla fina anatomia degli organi centrali del sistema nervoso, Tipografia di StefanoCalderini e Figlio, Reggio Emilia. 

Ross, Michael H, Gordon I. Kaye, and Wojciech Pawlina. Histology: A Text and Atlas. Philadelphia, Pa: Lippincott Williams & Wilkins, 2003.

Hall, J. E. (2015). Guyton and hall textbook of medical physiology (13th ed.). W B Saunders.

Bentivoglio, M. (2002) History of Neuroscience: The Discovery of the Golgi Apparatus, IBRO History of Neuroscience

Mazzarello, P. & Bentivoglio, M. (1998) The centenarian Golgi apparatus, Nature (1998)

Taneda M, Pompeu JE. Fisiologia e importância do órgão tendinoso de Golgi no controle motor normal. Rev Neurocienc 2006; 14(1):037-042.

Mazzarello, P. (2015) 1906 | Camillo Golgi – premio Nobel per la Medicina, in "I premi NobelItaliani", SEPS (Bononia University Press), Bologna, pp. 39-75

Mazzarello, P. The rise and fall of Golgi's school, Brain research reviews 66, (2011) 54-67

Mazzarello, P. Camillo Golgi's Scientific Biography, Journal of the History of the Neurosciences · September 1999

De Carlos JA, Borrell J. A historical ref lection of the contribu-tions of Cajal and Golgi to the foundations of neuroscience. Brain Res Rev 2007;55:8-16

Academia Médica
Luan Gustavo
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Estudante de medicina em Santa Cruz, Bolívia. Apaixonado por livros, história e esportes.

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