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Câncer: Metáforas e Silêncios

Câncer: Metáforas e Silêncios

Sorrateiro. Rastejante. Letal.

Tratam-se de algumas imagens associadas aos processos de neoplasias malignas, em outras palavras, o câncer. Um problema de saúde envolto em muitas camadas de complexidade como a mística, os desconhecimentos e as simbologias.

Essa representação tácita de uma doença que pode atacar a qualquer momento e que vive na nossa espreita não é nova. Outrora a tuberculose já fora a doença protagonista dessa mística. Antes das descobertas de Robert Koch, a tuberculose não tinha uma causa aparente, acontecia devido ao “ar impuro”, fruto da teoria miasmática vigente na época. Surpreendentemente, você estava acometido da tuberculose e o tratamento, para os que podiam pagar, eram os sanatórios, locais separados da sociedade onde o paciente descansava e respirava “ares puros”.

Após a descoberta do bacilo da tuberculose, houve uma vaguidade no imaginário social acerca de uma doença misteriosa, obscura, sem causas aparentes e letal. Historicamente diversas doenças já tiveram seu momento de protagonismo: varíola, peste negra, AIDS, câncer, por exemplo. Assumir esse papel no contexto social só é possível devido à falta de elucidação de caracteres etiológicos, ou seja, da origem da doença.

Desde metáforas animalescas como o caranguejo, até o silêncio de não se pronunciar a palavra câncer, essa doença tornou-se um fenômeno sociológico e salutar. Entender todo o contexto histórico, cultural e científico é uma tentativa de compreender o que representa o diagnóstico do câncer.

Sem dúvida é uma problemática que está em evolução. Alguns cânceres já detém tratamentos efetivos e com grandes taxas de sucesso. A imunoterapia trata-se da próxima fronteira para os tratamentos oncológicos. Há muito tempo um diagnóstico de câncer deixou de ser uma sentença de morte, todavia, o imaginário acerca da doença ainda é muito místico e a falta de clareza ainda sobre as causas fertilizam os medos.

Creio que no futuro o câncer será esclarecido, como a tuberculose também houvera sido, entretanto, haverá uma nova vaguidade no cargo de doença sorrateira, rastejante e letal. Por fim, o processo se repetirá.

 


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Medicina em Crônicas - Elomar R. Moura
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Olá! Sou Elomar R. Moura (@medicinaemcronicas), 22 anos, de Aracaju - SE. Estudante de medicina da Universidade Tiradentes (UNIT) - SE. Um apaixonado pela literatura que escreve reflexões sobre a medicina tanto na sua prática, como na sua simbologia.

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