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CID Z73.0: O esgotamento dos profissionais de saúde

CID Z73.0: O esgotamento dos profissionais de saúde

Estamos enfrentando mais um aumento de casos de COVID-19, dessa vez associados a uma epidemia de Influenza. Enfrentamos mais uma vez as superlotações de emergências, falta de testes, falta de medicamentos e uma população cada vez mais cansada de medidas restritivas e cercada de desinformação. 

Escrevo esse texto não para trazer soluções mágicas, mas para que nenhum profissional se sinta só. Se nessa pandemia acreditavam que estávamos no mesmo barco, hoje sabemos que enfrentamos esse mesmo mar em barcos diferentes, de acordo com condições sociais, acesso a saúde e letramento em saúde. E nesse mar que vivenciamos juntos, muitas vezes a sensação é de afogamento, de estar exausto de tanto remar sem nunca chegar a margem. Sim, não é só você. Estamos todos esgotados. 

Recentemente, Burnout foi classificado como uma doença do trabalho. E isso significa que é uma doença que não se resolve individualmente. Meditação, exercício físico e psicoterapia são medidas positivas e bem-vindas, mas é preciso mais. O Burnout é uma doença do trabalho, e como tal, são necessárias medidas institucionais para diminuir o esgotamento que toma conta dos profissionais de saúde. 

Estamos adoecendo. Vemos dia após dia os profissionais sendo afastados por covid, gripe, depressão, ansiedade, burnout. E espero ansiosamente pelo dia em que teremos programas institucionais para cuidar daqueles que cuidam dos outros. E se o bem-estar dos profissionais não for justificativa suficiente para isso, que fique claro que é uma medida eficaz de gestão. Pessoas saudáveis cometem menos erros, tem melhor produtividade (incluindo no aspecto financeiro) e a satisfação dos usuários do sistema também melhora. 

Cuidar dos profissionais de saúde é uma medida que melhora a saúde de toda uma população. Cuidar dos profissionais de saúde é o mínimo que devemos aos chamados “heróis da saúde”, tão aplaudidos nas janelas. O aplauso que precisamos é disponibilidade de medicações e exames nas emergências, é o aumento do número de profissionais, é a discussão sobre como melhorar a gestão do fluxo de atendimentos durante a crise, é o pagamento do salário sem atrasos e o compromisso da mídia de divulgar informações verdadeiras e se posicionar contra fake news e desinformação. 

Estamos esgotados, mas continuamos remando. Continuamos atendendo. Continuamos nos dedicando a cuidar da saúde da população mesmo quando arriscamos a nossa. Que os aplausos se convertam em verdadeira mudança.

Academia Médica
Maria Eduarda Mesquita
Maria Eduarda Mesquita Seguir

Médica e Chair da Gender Equity Initiative in Global Surgery (GEIGS). Apaixonada por educação na saúde, artes e principalmente literatura. Advogo pela equidade de gênero e saúde global, além de uma educação mais amorosa, engajada e transformadora!

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