Ciência sem fronteiras para medicina. Vale a pena?
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Ciência sem fronteiras para medicina. Vale a pena?

Ciência sem fronteiras para medicina. Vale a pena?

Olá, sou Ana Raísa. aluna do sexto ano de Medicina da UFCG e acabo de voltar da Hungria pelo Ciência sem Fronteiras-CSF. Antes de ir, várias dúvidas surgiam a cada segundo, fora a insegurança  de ir para outro país. O que eu tenho a dizer é:

“Não entre em pânico”.

Vamos primeiro considerar algumas coisas. A primeira é a de que talvez passe um ano ou um ano e meio longe de casa. Uma das cláusulas do programa é a de que você não voltará ao Brasil antes de terminar o referido.  Alguns  desistiram e outos conseguiram “passar as férias” em casa, mas não é algo fácil ou recomendável.

A segunda é que talvez sua universidade de origem não aceite nada do que foi feito no exterior, mas isso não quer dizer que “será um ano perdido”.  Nesse período você pode fazer optativas ou participar de pesquisas que não existem ou que você não tem acesso no Brasil.

A última coisa é a língua. Se você não sabe inglês, trate de aprender, assim como a língua do país escolhido. A CAPES e Cnpq oferecem cursos de língua pela internet e, em alguns editais, poderão acontecer no exterior.

Se informe sobre as provas de proficiência da língua do país escolhido. Falando nisso, devemos ver para qual país você gostaria de ir. No caso da Medicina, há países que aceitam alunos apenas no ciclo Básico, como é o caso do Reino Unido.

Quem optar por esse país é aconselhável escolher projeto de pesquisa na universidade de destino, optativas ou ir durante o ciclo básico do seu curso no Brasil, assim você cursará o mesmo que cursaria em casa.

Sobre o ciclo Clínico, é bem parecido com o nosso, no entanto, as cargas horárias constumam ser inferiores. Se você planeja aproveitar disciplinas em casa, deverá pesquisar isto e a possibilidade de preencher essa falta de horas com blocos práticos extras ou outro tipo de atividade extracurricular. Além disso, deve saber se isso é aceito pela sua universidade de origem.

Se informe também sobre as provas. Os exames acadêmicos costumam ser bem diferentes do que no Brasil. Lá na minha universidade estrangeira, as provas eram orais, nas quais eu deveria discorrer sobre 4 tópicos sorteados de uma lista de 200 tópicos que foi fornecida anteriormente.

Quanto ao Internato, a mesma coisa. Na Europa, por exemplo, é apenas um ano de internato, enquanto no Brasil, na maioria das escolas Médicas já são dois anos.

Eu cursei o internato em Debrecen e a vivência é bem diferente da do Brasil. Basicamente, foi observar os médicos e estudar para as provas.  Não coloquei muito “a mão na massa”.  Por isso que optei por fazer metade das minhas práticas nas Hungria e complementá-las no Brasil.

Não queria terminar nenhuma disciplina de internato lá, pois a prática em casa parece mais rica. Pode ser diferente em outros países, mas, na Europa, aparentemente é assim em sua maioria.

Por fim, mesmo que sua universidade ou faculdade não aceite nada do que você fez ou vai fazer, o programa nunca deve ser visto como “ano perdido”, pois você passa a perceber que nosso país não é de todo mal e que temos plena condição de sermos a potência que deveriamos ser. Depende de nós. Você vai perceber que as universidades, algumas aulas ou, até nosso sistema de saúde é superior do que alguns por aí. Burocracia, aula ruim e professor que lê slides tem em qualquer lugar.

Enfim, você amará e odiará o Brasil pelos motivos certos e, se tiver sorte, ainda poderá voltar uma pessoa completamente diferente como cidadão do mundo.

Ana Raisa Bezerra cursou medicina na University of Debrecen na Hungria e recém retornou ao Brasil para concluir a sua formação básica na Universidade Federal de Campina Grande.

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