[ editar artigo]

Conselho 4.0

Conselho 4.0

Todos os conselhos profissionais de saúde devem reavaliar seus papéis sociais.

Imagine que você irá começar uma empresa, e que sua hipótese de valor esteja na supervisão da ética profissional em saúde. Quais seriam as ações que você, fundador dessa empresa, realizaria nas questões educacionais, fiscalizadoras, judicantes, cartoriais, regulamentadoras e políticas?

Vamos chamar sua empreitada de startup. Qual seria o produto mínimo viável dessa startup? Como escalar a entrega? Que métricas usar?

Eu escrevo esse texto num momento singular.

Há cerca de dois anos, após futricar um pouco em gestão hospitalar, recebi a visita de um novo mundo. Um mundo que nos poupou de sua existência durante nossas carreiras tradicionais em saúde. Mas que também nós nos poupamos de vê-lo. Ele bate em nossa porta e está acenando!

Um cidadão entra num pronto socorro privado ou público. Carrega consigo um dispositivo amplamente disponível, surpreendentemente banal, chamado celular. Esse dispositivo está online e escuta, fala, grava, fotografa e reproduz todo o atendimento do cidadão em questão ou de quem está próximo, desde os momentos anteriores ao atendimento até o desfecho. É o big data em ação. Direito ou crime?

Essa reflexão não é exclusiva do Brasil. É mundial. Evito até pensar o que aconteceria há alguns anos se alguém tentasse aproximar as palavras "mercado" e "saúde". Hoje abro qualquer massive online open course via internet que me ocorre e me salta um curso, totalmente gratuito, intitulado “Healthcare Marketplace”.

Costumo dizer que:

a tecnologia tem atropelado o regulatório.

A partir do momento que se dá a conexão de dois indivíduos direta e livremente, de maneira fluída e segura, a função do intermediário se dissipa, como num passe de mágica. Alguns mais ousados chegam a dizer que esse processo é tão revolucionário que até mesmo a corrupção deixará de existir. E não tiro parte da razão.

Legal, e as pessoas que vivem momentos de solidão ou de saturação dos relacionamentos digitais? Os relacionamentos sociais tornaram-se líquidos. A todo momento novas relações trabalhistas, econômicas e sociais surgem e se desfazem. Proliferam os linchamentos digitais. Subversão e anarquia digital. Digitalização, desmaterialização, desmonetização, democratização.

Temos que encarar a realidade de frente:

a assimetria de informações está se reduzindo. 

Aproximamo-nos de um novo para o qual não temos respostas éticas. Há urânio por toda a parte. Perigo! Onde cairá a primeira bomba atômica?

Voltemos ao design dessa startup que propus a você. E agora, amigo fundador da saúde? Quem você chamaria para ajudá-lo a desenhá-la?

 

Nota do autor: esse texto surgiu após discussão num grupo de empreendedorismo médico que descrevo como um relógio-bomba de ideias exponenciais. Publicado na mesma data no LinkedIn.

Grato aos colegas Carlos Ballarati, Diógenes Silva, Fernando CarbonieriFernando CembraneliMarcelo TournierMarcus Vinícius GimenesRafael Morgado Thiago Júlio.

Academia Médica
Guilherme Zwicker
Guilherme Zwicker Seguir

Médico Radiologista, trabalha com capital de risco em saúde e educação médica

Ler matéria completa
Indicados para você