Um estudo publicado no JAMA Network Open em 17 de janeiro de 2025, pesquisadores exploraram as consequências cognitivas da anemia falciforme em adultos, revelando associações significativas entre a idade cerebral estimada e diversos fatores socioeconômicos, bem como a condição de saúde. A pesquisa destaca que, apesar dos avanços no rastreamento neonatal e na prevenção de AVCs por meio da ultrassonografia transcraniana, adultos com anemia falciforme frequentemente exibem sinais de envelhecimento cerebral prematuro e deficiências cognitivas.
Um dos principais achados do estudo é que adultos com anemia falciforme têm uma "lacuna de idade cerebral" maior em comparação com indivíduos saudáveis, indicando envelhecimento cerebral acelerado ou crescimento cerebral insuficiente. Esta lacuna é também influenciada por privações econômicas severas, sugerindo que fatores socioeconômicos desempenham um papel crítico no desenvolvimento e envelhecimento cerebral.
🟦 A figura a seguir, mostra a lacuna de idade cerebral entre indivíduos do grupo controle e indivíduos com anemia falciforme: 


Fonte: Ford AL, Fellah S, Wang Y, et al.,2025
O estudo utilizou métodos avançados de ressonância magnética para analisar mudanças estruturais e funcionais no cérebro, e descobriu que mesmo na ausência de AVC, indivíduos com anemia falciforme mostram alterações microestruturais significativas na substância branca, além de atrofia regional do cérebro associada a vasculopatias intracranianas e síndrome de Moyamoya. Estas alterações estão diretamente ligadas a prejuízos em várias funções cognitivas.
Além disso, a pesquisa enfatizou a influência do índice de privação , um indicador de privação econômica baseado na residência do indivíduo, e de baixos níveis de hemoglobina, que foram associados a uma maior lacuna de idade cerebral nos controles saudáveis. Isso sugere que a pobreza e fatores associados, como riscos cardiovasculares, podem acelerar o envelhecimento cerebral mesmo em adultos saudáveis.
Os autores do estudo propõem que a lacuna de idade cerebral, obtida a partir de sequências comuns de ressonância magnética, poderia servir como um biomarcador promissor para deficiências cognitivas, especialmente em ambientes com recursos limitados. Essa métrica pode ajudar a triar a necessidade de avaliações cognitivas mais detalhadas e medir o impacto de estratégias neuroprotetoras na saúde cerebral da população geral.
Esta pesquisa sublinha a necessidade de estratégias de proteção cerebral e intervenções cognitivas específicas para indivíduos com anemia falciforme, considerando não apenas a prevenção de AVC, mas também o gerenciamento amplo das manifestações cerebrais da doença. A compreensão dessas associações oferece novas perspectivas para o tratamento e o manejo da anemia falciforme, destacando a importância de abordagens integrativas que considerem tanto as condições médicas quanto os fatores socioeconômicos.
Referência:
Ford AL, Fellah S, Wang Y, et al. Brain Age Modeling and Cognitive Outcomes in Young Adults With and Without Sickle Cell Anemia. JAMA Netw Open. 2025;8(1):e2453669. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.53669

