Academia Médica
Academia Médica
Você procura por
  • em Publicações
  • em Grupos
  • em Usuários
loading
VOLTAR

Diálogos com Bebês Fortalecem Habilidades da Fala

Diálogos com Bebês Fortalecem Habilidades da Fala
Academia Médica
abr. 9 - 4 min de leitura
000

O ato de um pai ou mãe interagindo amorosamente com seu bebê é uma cena universalmente tocante, repleta de conversas em voz alta e respostas entusiasmadas às tentativas de comunicação da criança. Além do evidente vínculo afetivo que esses momentos constroem, pesquisadores da Universidade de Washington's Institute for Learning & Brain Sciences (I-LABS) trouxeram à luz novas evidências científicas que reforçam a significativa influência dessas interações sociais no desenvolvimento linguístico infantil. 

Publicado em 8 de abril na revista Current Biology e divulgado em Science Daily, o estudo empregou uma técnica de imagem cerebral segura e não invasiva, conhecida como magnetoencefalografia (MEG), para monitorar a atividade cerebral de bebês durante interações sociais e não sociais com adultos. A pesquisa revelou que, quando um adulto conversava e brincava de maneira social com um bebê de 5 meses, a atividade cerebral do infante aumentava notavelmente em regiões ligadas à atenção. Surpreendentemente, o nível dessa atividade cerebral predizia o aprimoramento do desenvolvimento linguístico em fases posteriores da vida da criança.

Esse cenário 'social' foi contraposto a um cenário 'não social', onde o adulto desviava sua atenção para outra pessoa, ignorando o bebê. Como resultado, observou-se uma diminuição da atividade nas mesmas áreas cerebrais. "Este é o primeiro estudo a comparar diretamente as respostas cerebrais infantis à interação social adulto-infante versus interação não social, seguindo o desenvolvimento linguístico das crianças até os 2,5 anos de idade", destaca Alexis Bosseler, cientista pesquisador do I-LABS e autor principal do estudo.

A tecnologia de imagem cerebral MEG permitiu que os bebês se movessem e interagissem naturalmente, possibilitando aos pesquisadores acompanhar a ativação neuronal em várias áreas do cérebro enquanto os adultos falavam, brincavam e sorriam para os bebês. Posteriormente, a atividade cerebral do infante foi monitorada novamente enquanto o adulto se voltava para outra direção, prestando atenção em alguém mais. Essas ações, que ocorrem naturalmente todos os dias, mostraram ter efeitos mensuráveis e distintos no cérebro do bebê.

Os resultados indicaram que a atividade neural aumentada em resposta à interação social aos 5 meses previa um desenvolvimento linguístico aprimorado em cinco idades posteriores: 18, 21, 24, 27 e 30 meses. A progressão do desenvolvimento linguístico dos infantes foi acompanhada por meio de uma pesquisa bem documentada e validada que questiona os pais sobre as palavras e frases ditas por seus filhos em casa.

"A conexão entre as reações cerebrais precoces e a linguagem posterior é consistente com o fascínio dos cientistas pelo período inicial da vida e abre muitas novas questões que nós e outros estaremos explorando", afirma Andrew Meltzoff, co-diretor do I-LABS e professor de psicologia na UW.

O estudo focou em bebês de 5 meses devido a esta idade preceder imediatamente o "período sensível" para a aprendizagem da fala e linguagem, que se inicia por volta dos 6 meses. É crucial que, uma vez começado esse período, os infantes observem adultos, pois a atenção potencializa a aprendizagem.

Patricia Kuhl, autora sênior e co-diretora do I-LABS, reflete sobre o uso do 'parentese' com infantes como uma expressão do desejo intuitivo de conexão. "Há um entendimento implícito de que a linguagem é sobre conexão. É sobre um caminho comunicativo entre você e o outro. Isso começa na infância com o desejo de fazer essa conexão comunicativa."




Referência: 

University of Washington. "Everyday social interactions predict language development in infants." ScienceDaily. ScienceDaily, 8 April 2024. <www.sciencedaily.com/releases/2024/04/240408130604.htm>.


Denunciar publicação
    000

    Indicados para você