As Diretrizes 2025 da American Heart Association (AHA) para ressucitação cardio pulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE) trazem uma revisão ampla, incluindo o cuidado neonatal, do pré-natal ao acompanhamento pós-natal, com ênfase em preparo de equipe, priorização da ventilação e manejo do cordão umbilical. Abaixo, organizamos uma relação sobre o que mudou no cuidado neonatal e a razão das mudanças em linguagem prática para equipes de sala de parto e UTI neonatal.
Linha do cuidado do recém-nascido
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A “cadeia de cuidados” começa no pré-natal e se estende até a recuperação e o seguimento no pós-natal. Times treinados, individualmente e como equipe são essenciais.
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Clampeamento tardio do cordão (≥ 60 s) e contato pele a pele podem ser mantidos na maioria dos bebês estáveis, com monitorização durante o atraso.
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Ventilação eficaz é prioridade quando há necessidade de reanimação. O ECG é recomendado antes das compressões torácicas. O Algoritmo Neonatal foi atualizado e a tabela-alvo de SpO₂ agora começa em 2 minutos (após clampeamento tardio).
Atualizações principais (com a justificativa científica)
1) Manejo do cordão umbilical
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Atualizado (2025): Em a termo sem necessidade imediata de reanimação, adiar o clampeamento por ≥ 60 s é benéfico vs. clampeamento imediato. Por quê? Meta-análises mostram melhora de índices hematológicos e do estado de ferro na infância; estudos recentes com 60 s reforçam os achados.
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Novo (2025): Em não vigorosos a termo e pré-termo tardios ≥ 35 semanas, ordenha do cordão intacto pode ser aceitável vs. clampeamento imediato. Por quê? Um ensaio clínico randomizado de grande porte, envolvendo recém-nascidos entre 35 e 42 semanas de gestação, associou a ordenha do cordão umbilical intacto a menor necessidade de suporte cardiorrespiratório, menor incidência de encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave e menor uso de hipotermia terapêutica.
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Atualizado (2025): Em < 37 semanas sem reanimação imediata, recomenda-se adiar o clampeamento ≥ 60 s vs. imediato. Por quê? Meta-análises indicam redução de mortalidade em prematuros com clampeamento tardio ≥ 60 s.
2) Ventilação e pressão positiva contínua nas vias aéreas
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Atualizado (2025): Pressão de pico inicial de 20–30 cmH₂O é aceitável, com ajuste para obter ventilação eficaz. Por quê? Estudos observacionais (a termo e prematuros) relatam picos até 30 cmH₂O associados a volumes correntes adequados; ajusta-se conforme resposta clínica.
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Atualizado (2025): Frequência de ventilação 30–60 incursões/min é aceitável. Por quê? Estudos Observacionais mostraram Vt 5–10 mL/kg nessa faixa; em tardios/a termo, 30/min teve melhor depuração de CO₂.
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Novo (2025): Videolaringoscopia pode ser útil para intubação traqueal. Por quê? Meta-análise de 6 ECRs aumentou o sucesso de intubação vs. laringoscopia direta; a técnica tradicional permanece aceitável.
3) Vias aéreas supraglóticas (máscara laríngea)
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Novo (2025): Em ≥ 34 semanas, máscara laríngea é alternativa aceitável à intubação quando a ventilação com máscara facial fracassa. Por quê? 4 ECRs não mostraram diferença em tempo de inserção ou sucesso na primeira tentativa; estudo observacional ligou seu uso a menos admissões na UTIN.
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Novo (2025): Em ≥ 34 semanas, é aceitável usar máscara laríngea como interface primária (em vez de máscara facial). Por quê? Meta-análise de 6 ECRs: menos falha do dispositivo, menos intubação, menor duração da ventilação e tempo mais rápido para FC > 100 bpm.
4) Oxigênio e monitorização
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Novo (2025): Oxímetro de pulso deve ser colocado o quanto antes em bebês recebendo suporte respiratório ou O₂ suplementar. Por quê? Leitura mais precoce de SpO₂ auxilia o ajuste da terapia; tempo mediano para leitura inicial ~238–260 s, maior em prematuros.
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Atualizado (2025): Em < 32 semanas que recebem suporte respiratório ao nascer, pode ser aceitável iniciar entre 30% e 100% de O₂, reduzindo gradualmente conforme metas de SpO₂. Por quê? Meta-análise com dados individuais associou FiO₂ inicial alta (90–100%) a menor mortalidade vs. baixa (21–30%); a estratégia deve descer conforme os alvos.
Metas de SpO₂ (após clampeamento tardio): 2 min: 65–70%; 3 min: 70–75%; 4 min: 75–80%; 5 min: 80–85%; 10 min: 85–95%.
5) Compressões torácicas
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Novo (2025): Local: terço inferior do esterno, evitando o processo xifoide. Por quê? Estudo de autópsia: compressões no terço médio não associadas a ruptura hepática; xifoide gerou lacerações; radiografias mostram o coração sob o terço inferior na maioria dos bebês.
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Novo (2025): Trocar o compressor a cada 2–5 min, sincronizando com a reavaliação da FC. Por quê? Estudos em manequins mostram queda da qualidade das compressões após 2–5 min com um único profissional.
Checklist rápido de sala de parto
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Protocolo de manejo do cordão (≥ 60 s; critérios para ordenha em ≥ 35 s não vigorosos).
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Treino de ventilação com metas de 20–30 cmH₂O e 30–60/min (com capnografia/observação de elevação torácica).
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Disponibilidade e proficiência em máscara laríngea e videolaringoscópio (≥ 34 s).
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Oxímetro precoce + estratégia de titulação de O₂ com metas por minuto.
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Pontos-chave de compressão (terço inferior do esterno) e rodízio do compressor 2–5 min.
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Debriefing pós-evento e atualização dos materiais de ensino com o Algoritmo 2025.
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Para acessar o documento da AHA na íntegra, clique aqui.

