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Diretrizes AHA 2025: o Que Muda no Suporte de Vida Neonatal

Diretrizes AHA 2025: o Que Muda no Suporte de Vida Neonatal
Comunidade Academia Médica
out. 28 - 5 min de leitura
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As Diretrizes 2025 da American Heart Association (AHA) para ressucitação cardio pulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE) trazem uma revisão ampla, incluindo o cuidado neonatal, do pré-natal ao acompanhamento pós-natal, com ênfase em preparo de equipe, priorização da ventilação e manejo do cordão umbilical. Abaixo, organizamos uma relação sobre o que mudou  no cuidado neonatal e a razão das mudanças em linguagem prática para equipes de sala de parto e UTI neonatal.

Linha do cuidado do recém-nascido

  • A “cadeia de cuidados” começa no pré-natal e se estende até a recuperação e o seguimento no pós-natal. Times treinados, individualmente e como equipe são essenciais.

  • Clampeamento tardio do cordão (≥ 60 s) e contato pele a pele podem ser mantidos na maioria dos bebês estáveis, com monitorização durante o atraso.

  • Ventilação eficaz é prioridade quando há necessidade de reanimação. O ECG é recomendado antes das compressões torácicas. O Algoritmo Neonatal foi atualizado e a tabela-alvo de SpO₂ agora começa em 2 minutos (após clampeamento tardio).

Atualizações principais (com a justificativa científica)

1) Manejo do cordão umbilical

  • Atualizado (2025): Em a termo sem necessidade imediata de reanimação, adiar o clampeamento por ≥ 60 s é benéfico vs. clampeamento imediato. Por quê? Meta-análises mostram melhora de índices hematológicos e do estado de ferro na infância; estudos recentes com 60 s reforçam os achados.

  • Novo (2025): Em não vigorosos a termo e pré-termo tardios ≥ 35 semanas, ordenha do cordão intacto pode ser aceitável vs. clampeamento imediato. Por quê? Um ensaio clínico randomizado de grande porte, envolvendo recém-nascidos entre 35 e 42 semanas de gestação, associou a ordenha do cordão umbilical intacto a menor necessidade de suporte cardiorrespiratório, menor incidência de encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave e menor uso de hipotermia terapêutica.

  • Atualizado (2025): Em < 37 semanas sem reanimação imediata, recomenda-se adiar o clampeamento ≥ 60 s vs. imediato. Por quê? Meta-análises indicam redução de mortalidade em prematuros com clampeamento tardio ≥ 60 s.

2) Ventilação e pressão positiva contínua nas vias aéreas

  • Atualizado (2025): Pressão de pico inicial de 20–30 cmH₂O é aceitável, com ajuste para obter ventilação eficaz. Por quê? Estudos observacionais (a termo e prematuros) relatam picos até 30 cmH₂O associados a volumes correntes adequados; ajusta-se conforme resposta clínica.

  • Atualizado (2025): Frequência de ventilação 30–60 incursões/min é aceitável. Por quê? Estudos Observacionais mostraram Vt 5–10 mL/kg nessa faixa; em tardios/a termo, 30/min teve melhor depuração de CO₂.

  • Novo (2025): Videolaringoscopia pode ser útil para intubação traqueal. Por quê? Meta-análise de 6 ECRs aumentou o sucesso de intubação vs. laringoscopia direta; a técnica tradicional permanece aceitável.

3) Vias aéreas supraglóticas (máscara laríngea)

  • Novo (2025): Em ≥ 34 semanas, máscara laríngea é alternativa aceitável à intubação quando a ventilação com máscara facial fracassa. Por quê? 4 ECRs não mostraram diferença em tempo de inserção ou sucesso na primeira tentativa; estudo observacional ligou seu uso a menos admissões na UTIN.

  • Novo (2025): Em ≥ 34 semanas, é aceitável usar máscara laríngea como interface primária (em vez de máscara facial). Por quê? Meta-análise de 6 ECRs: menos falha do dispositivo, menos intubação, menor duração da ventilação e tempo mais rápido para FC > 100 bpm.

4) Oxigênio e monitorização

  • Novo (2025): Oxímetro de pulso deve ser colocado o quanto antes em bebês recebendo suporte respiratório ou O₂ suplementar. Por quê? Leitura mais precoce de SpO₂ auxilia o ajuste da terapia; tempo mediano para leitura inicial ~238–260 s, maior em prematuros.

  • Atualizado (2025): Em < 32 semanas que recebem suporte respiratório ao nascer, pode ser aceitável iniciar entre 30% e 100% de O₂, reduzindo gradualmente conforme metas de SpO₂. Por quê? Meta-análise com dados individuais associou FiO₂ inicial alta (90–100%) a menor mortalidade vs. baixa (21–30%); a estratégia deve descer conforme os alvos.

Metas de SpO₂ (após clampeamento tardio): 2 min: 65–70%; 3 min: 70–75%; 4 min: 75–80%; 5 min: 80–85%; 10 min: 85–95%.

5) Compressões torácicas

  • Novo (2025): Local: terço inferior do esterno, evitando o processo xifoide. Por quê? Estudo de autópsia: compressões no terço médio não associadas a ruptura hepática; xifoide gerou lacerações; radiografias mostram o coração sob o terço inferior na maioria dos bebês.

  • Novo (2025): Trocar o compressor a cada 2–5 min, sincronizando com a reavaliação da FC. Por quê? Estudos em manequins mostram queda da qualidade das compressões após 2–5 min com um único profissional.


    Checklist rápido de sala de parto

    1. Protocolo de manejo do cordão (≥ 60 s; critérios para ordenha em ≥ 35 s não vigorosos).

    2. Treino de ventilação com metas de 20–30 cmH₂O e 30–60/min (com capnografia/observação de elevação torácica).

    3. Disponibilidade e proficiência em máscara laríngea e videolaringoscópio (≥ 34 s).

    4. Oxímetro precoce + estratégia de titulação de O₂ com metas por minuto.

    5. Pontos-chave de compressão (terço inferior do esterno) e rodízio do compressor 2–5 min.

    6. Debriefing pós-evento e atualização dos materiais de ensino com o Algoritmo 2025.


Para acessar o documento da AHA na íntegra, clique aqui.


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