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Enquanto houver vida, haverá esperança

Enquanto houver vida, haverá esperança

"Não adentre a boa noite apenas com ternura, A velhice queima e clama ao cair do dia. Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura. Embora os sábios, no fim da vida, saibam que é a treva que perdura, p

Pois suas palavras não mais capturam a centelha tardia. Não adentre a boa noite apenas com ternura,
Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura…”


Mais de 365 dias enfrentando uma guerra, o maior desafio da nossa geração. A nossa estrutura social em 2021 muito me lembra a sociedade em crise retratada no filme Interstellar. Naquele cenário era retratada uma crise de abastecimento, o homem que até pouco tempo se julgava no ápice do desenvolvimento tecnológico e científico, já não era mais necessário, pois as plantações precisavam de agricultores e não de cientistas.

A crise sanitária mundial coloca em check tudo que aprendemos sobre o ser social.  O mundo se torna ainda mais desigual a cada dia de pandemia e nós, médicos ou outros profissionais da saúde, sentimos na pele (ou nos pulmões) tudo que essa nova condição aterrorizante nos trouxe. Contamos pouco mais de um ano do ápice do caos, embora pareça tão presente quanto real, pois conseguimos nos deparar com um cenário pior do que no último ano.

Não existem saídas fáceis, temos uma comunidade científica trabalhando em prol de uma solução, ainda distante. Um velho professor (no bom sentido) costumava repetir que em pacientes extremos, medidas extremas. No atual momento, parece que todos os pacientes são extremos, desde os pacientes infectados, aos não infectados que ficaram perdidos, vagando no já deficiente sistema de saúde que construímos.

No dia 12 de Fevereiro de 2021 nós tínhamos as seguintes cifras:
 

Mundo

107.423.526 casos confirmados
2.360.280 mortes 

Região Africana

2.703.899 casos confirmados
67.586 mortes

Região das Américas

47.814.602 casos confirmados
1.120.144 mortes

Região Europeia

36.294.484 casos confirmados
805.071 mortes

fonte: www.paho.org/pt/covid19


Não tínhamos vacina há um ano e hoje temos:


fonte: OMS, 05 de Março de 2021

Não sabíamos como manejar a ventilação artificial desses pacientes, hoje utilizamos ventilação protetora, posição prona e dispositivos não invasivos como ELMOcpap, cateter de alto fluxo (antes medidas de exceção).

O fato é que aprendemos muito com o pouco que tínhamos,  mas não foi o suficiente e estamos novamente no olho do furacão. Não existe combate a qualquer doença sem educação.  O ponto é que se nos faltava saúde antes, educação então nem podemos comentar. 

Todos estamos cansados, do vírus, das limitações que ele impõe, das perdas que ele trouxe. Porém, apesar de não parecer no momento, avançamos muito e retiramos muitas vendas dos nossos olhos. Mar calmo nunca fez bom marinheiro e parafraseando um famoso cientista: não deveria haver fronteiras ao esforço humano, por pior que a vida pareça, enquanto houver vida, existe esperança.

Os próximos 30 dias serão definidores da maior crise sanitária da história recente da humanidade, especialmente no Brasil. Mantenhamos a fé e não adentremos a boa noite apenas com ternura, mas com a certeza de que venceremos.

 


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Pedro Helder
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Médico pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Residente de Neurologia (UFC) Tenho na música um hobbie, como sanfoneiro, tecladista, violinista, gaiteiro. Amante da arte médica, cuja inspiração advém dos grandes mestres da Medicina cearense.

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