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Enrichement Studies e o caminho para a medicina personalizada

Enrichement Studies e o caminho para a medicina personalizada

Dra. Roberta Fittipaldi é médica pneumologista e intensivista e líder doa Comunidade de prática online de Pneumo Intensiva na Academia Médica

 

Os estudos de enriquecimento populacional, ou mais, popularmente conhecidos com Enrichment Studies foram descritos inicialmente em 1972, em estudos com analgésicos, e hoje estão cada vez mais presentes na pesquisa clínica em diversas especialidades.  

Este tipo de estudo visa procurar pacientes com características clínicas, laboratoriais e genéticas semelhantes , caracterizando assim populações mais "respondedoras" a determinado tipo de tratamento e/ou intervenção. A consequência disso seriam trials mais robustos, com menos custo e menos perda de seguimento dos indivíduos estudados. Um grande exemplo são os estudos em oncologia, onde o comportamento genético tumoral é analisado e consequentemente avaliado a resposta ao tratamento. Logo, seriam alocados num estudo somente pacientes com um tumor de comportamento favorável a nova droga.

Os estudos de enrichment podem ser divididos de diversas maneiras:

  1. Realizando inicialmente um estudo aberto onde se avaliam indivíduos respondedores a determinado tratamento, e em seguida estes seriam randomizados para um estudo duplo-cego, droga x placebo.
  2. Realizando primeiramente um estudo randomizado, onde são selecionados somente os respondedores, e estes participariam de um segundo trial randomizados para receberem a intervenção ou placebo.
  3. Pessoas que já usam determinada droga e sabe-se que tem um benefício são selecionadas para um estudo randomizado.
  4. O chamado "Flare Design" onde pessoas que já utilizam a droga são convidadas a deixar de usá-la, aqueles que tiverem recaída sem a medicação são selecionados para um estudo randomizado.

No âmbito da pneumologia e terapia intensiva, os estudos de enrichment focam principalmente na Síndrome do Desconforto Respiratório, avaliando por meio de citocinas inflamatórias os pacientes com fenótipos inflamatórios mais graves e respondedores as estratégias ventilatórias presentes até o momento.

De outra forma, nas doenças obstrutivas como DPOC e Asma Grave, a caracterização de alterações genéticas e de citocinas inflamatórias também poderia ajudar a direcionar o tratamento para aqueles que possuem exacerbações frequentes na DPOC ou um tratamento mais individualizado para aqueles com asma grave, pois sabemos que hoje para esse grupo de indivíduos as opções de tratamento são limitadas e por vezes ineficazes.

Dessa forma, esperamos que em um futuro próximo, possamos direcionar com mais precisão o tratamento para nossos pacientes, melhorando assim a assistência, minimizando efeitos colaterais e consequentemente os custos. 

 

 


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Roberta Fittipaldi Palazzo
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Medica pneumologista e intensivista. Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Professora da Pós graduação em Terapia Intensiva HIAE. Cursando doutorado em Pneumologia FMUSP. Médica Assistente UTI Respiratória FMUSP.

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