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Epidemias: um projeto de poder e dominação

Epidemias: um projeto de poder e dominação

Qual a doença mais famosa descoberta em território europeu que você conhece?

Febre-amarela? Conta a história que foi em Cuba.
Cólera? Egito.
Malária? Argélia.
Peste-negra? Ásia
Varíola? África.
AIDS? África.
Gripe H1N1? México.
Tuberculose? África.

Dentre erros e acertos, existe um exercício de poder histórico através das ciências da saúde.
Doenças infectocontagiosas e tropicais sempre assolaram o território europeu. A tragédia marcada por epidemias de cólera, peste, varíola e tuberculose, por si só já seriam um capítulo a parte. Todavia, existe uma incômoda congruência em todas essas doenças, ela sempre vem de outro local, quanto mais longe, melhor.

A invenção do oriente como um bolsão de síndromes gripais e epidemias não é contemporânea. Para além da generalização grosseira do termo “oriente” incluindo desde: japoneses, chineses, mongóis, parte dos russos, australianos, indianos, etc. É curiosa a frequência com que as grandes epidemias nascem das regiões afastadas da Europa, antigamente nas colônias do século XIX, atualmente do extremo oriente, e invadem o velho continente.
De forma curiosa existe a criação da medicina tropical. Dessa forma, nasce um questionamento importante, a Europa está nos trópicos? Não. Logo, a medicina tropical se debruça sobre doenças que não pertencem às terras mais ao norte.

A malária, afetou a Europa por séculos, porém, a partir de um determinado momento foi definida como uma doença tropical. Assim, se é tropical, não pertence aos europeus.

Se os grandes centros de pesquisa sempre estiveram na França, Alemanha, Estados Unidos da América, Itália, porque as doenças principalmente ligadas ao sanitarismo sempre vêm de fora?

A cólera era uma tormenta constante em todo o território Europeu, porque será que foi necessário que o Robert Koch, médico alemão, realizar uma expedição até o Egito e Índia para estudar tuberculose e cólera? Falta de casos, imagino.

 

 

Academia Médica
Medicina em Crônicas - Elomar R. Moura
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Olá! Sou Elomar R. Moura (@medicinaemcronicas), 22 anos, de Aracaju - SE. Estudante de medicina da Universidade Tiradentes (UNIT) - SE. Um apaixonado pela literatura que escreve reflexões sobre a medicina tanto na sua prática, como na sua simbologia.

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