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Escala de Evidência Científica

Escala de Evidência Científica

Escalas de evidência científica estão na moda. É comum ouvirmos as frases “este estudo é nível 1”, “tem grau de recomendação B”…

O que significa isso? Qual a vantagem de usarmos as escalas? E afinal para que elas realmente servem?

Não tem como entender uma escala de evidência científica se não entendermos um mínimo dos tipos principais de estudos e da história.

Se fizermos uma divisão extremamente simplista, podemos dividir os estudos em:

1-      Observacionais (coorte) – observamos o que acontece ao longo do tempo, são os estudos que determinam incidência ou risco. Por exemplo, se quisermos saber qual a incidência de infarto em sedentários teremos que ficar observando eles durante um determinado tempo para chegar a uma conclusão.

2-      Experimentais (ensaios) – para saber se um tratamento é superior ao outro nada melhor que um experimento. Por exemplo, separamos dois grupos, damos a medicação A para um e B para outro e depois comparamos os resultados.

3-      Descritivos – para sabermos uma técnica de cirurgia não adianta nada ler um experimento, temos que ler a descrição dos seus passos.

4-      Estudos de base – são os estudos de ciência pura, que muitas vezes não estão associados com um objetivo aplicado.

Exemplo: estudos anatômicos.

Logo vem a questão mais importante deste texto, se cada estudo tem uma função específica, para que serve uma escala de evidência?

Por que graduar a importância destes estudos se eles têm fins diferentes?

A resposta é simples: As escalas de evidência têm o objetivo de determinar o melhor estudo para conduta médica, ou seja, tratamento.

Uma das primeiras escalas com o desenho moderno foi publicada em 1999 no JAMA.

Tenha especial atenção para não confundir escala de evidência com grau de recomendação. O grau de recomendação refere-se a um tratamento e não a um estudo. O estudo é nível 1, 2… o tratamento tem grau de recomendação A, B, conforme o seu embasamento. Muitas vezes um estudo nível 1 determina que um tratamento não deve ser feito, ou seja, o estudo é nível 1, porém o grau de recomendação é baixo.

Nós brasileiros não ficamos para trás e temos a nossa própria pirâmide de evidência proposta pela CAPES.

Fonte: Prof. Osvaldo Malafaia.

Note que no topo da pirâmide estão os estudos de revisão sistemática ou metanálise.Estes estudos são a junção de vários estudos, portanto são fontes secundárias de conhecimento. Eles estão no topo da pirâmide por terem a capacidade de juntar várias conclusões e chegar a um consenso. Lembre-se que revisão é uma junção de artigos, logo para ser uma revisão sistemática que fique no topo da pirâmide, precisa ser a revisão de ensaios clínicos randomizados nível 1. Um monte de lixo junto é apenas um monte de lixo.

Apesar de alguns críticos a revisão sistemática hoje é o estudo mais respeitado para definir a conduta médica.

Não confunda:

Revisão sistemática: revisão com critérios explícitos. Os critérios devem ser suficientemente claros para que outro pesquisador possa chegar ao mesmo resultado aplicando a metodologia.

Metanálise: processo de análise dos dados da revisão sistemática. Nem sempre é possível fazer uma metanálise em uma revisão sistemática. Nos casos em que ela acontece, muitas vezes o termo metanálise é utilizado para dar nome ao desenho do estudo. Ao invés de chamarmos de Revisão com Metanálise, chamamos somente de Metanálise.

Revisão bibliográfica: revisão sem critérios explícitos. Normalmente realizada para escrever a introdução de artigos.

As escalas de evidência são muito úteis para clarearmos os artigos que nos ajudam definir conduta terapêutica. Cada revista científica usa uma escala específica, normalmente apresentada junto com as normas de publicação. Apesar das inúmeras escalas o conceito é o mesmo e ele é que deve ser entendido.

  1. Junção de vários ensaios (revisão sistemática de ensaios)
  2. Experimentos – ensaios clínicos
  3. Observações – coorte
  4. Opiniões de especialista, estudos descritivos  e estudos de base

*Edmar Stieven Filho é professor de Ortopedia da Universidade Federal do Paraná, Mestre em princípios da Cirurgia pela Faculdade Evangélica do Paraná e Doutorando em Clínica Cirúrgica da Universidade Federal do Paraná.  É Cirurgião de Joelho no Hospital VITA, com experiência na área de Ortopedia, atuando principalmente nos seguintes temas: Cirurgia do Joelho e Trauma do Esporte. É escritor e curador do Portal CTEA

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