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Há relação entre uso da internet, potencial de suicídio e automutilação?

Há relação entre uso da internet, potencial de suicídio e automutilação?

Com o intuito de trazer uma comunicação científica conectada com a realidade, busco aqui provocar a discussão sobre algumas hipóteses que me ocorrem ante a divulgação das imagens e a exacerbação da violência do atentado de Suzano, além da histeria coletiva no whatsapp e outras mídias da "MOMO", a Baleia Azul da vez.

O presente texto visa ampliar a discussão científica acerca do assunto. Para isso, trago os pontos mais relevantes que encontrei no artigo "A systematic review of the relationship between internet use, self-harm and suicidal behaviour in young people: The good, the bad and the unknown".

Fica como chamado para que acadêmicos (graduandos, mestrandos e doutorandos) de medicina, psicologia, sociologia e antropologia se debrucem sobre o tema e produzam mais artigos de qualidade para melhorar o nosso entendimento sobre o fenômeno da enxurrada de informações provindas de meios digitais ante à manutenção, piora ou resgate da saúde mental de jovens e adultos.

Não sou psiquiatra, tenho apenas o interesse no assunto pois trabalho com processos e eficiência em comunicação em saúde desde 2012, quando iniciei a Academia Médica. Gostaria de convidar aos que leem esse texto, que comentem abaixo sobre essa revisão sistemática em discussão, pontuando outros pontos ainda não abordados e trazendo outros artigos a serem discutidos. 

Fique à vontade também para criar a sua publicação na seção "Psiquiatria" [LINK AQUI].


Uma revisão sistemática da relação ente o uso da internet e a automutilação e o comportamento suicida em jovens: O bom, o mau e o desconhecido.

Pesquisas que exploram o uso da internet e a automutilação estão se expandindo rapidamente em meio a preocupações com as influências de atividades online sobre automutilação e suicídio, especialmente em jovens. Nosso objetivo foi revisar sistematicamente as evidências sobre a influência potencial da internet sobre a automutilação e o comportamento suicida em jovens.

Resultados observados na metanálise:

A análise consiste em 46 estudos independentes de qualidade variada que reuniram ao todo 192.950 participantes:

  • Em 11 estudos, que reuniram 38.191 participantes, foi observada influência positiva da internet na prevenção e resgate;
  • Em 18 estudos, que reuniram 119.524 participantes, a influência da internet  foi negativa;
  • E, em 17 estudos, que reuniram 35.235, observamos resultados mistos.

Uma relação entre o uso da internet e comportamento nocivo foi observada entre pacientes que tem adicção, altas taxas de uso e com a visualização de websites que contém conteúdos relacionados à automutilação e a comportamentos suicidas.

Apesar dos números, os pesquisadores apontam para uma grande oportunidade para a criação de ferramentas e materiais que funcionem como preventores do risco suicida e de automutilação. 

As formas de uso da internet avaliadas pelos estudos compreendem:

  • Acesso geral à internet
  • Adicção à internet
  • Tratamento e intervenção online
  • Uso de mídias sociais 
  • Fóruns online
  • Websites com materiais nocivos sobre suicídio e automutilação
  • Compartilhamento de vídeos e imagens
  • Blogs

Conclusões

Existe um significativo potencial nocivo devido ao comportamento online que se translada para a nossa prática assistencial como normalização dos eventos, gatilho para a ação, competição entre os participantes e contágio. Há ainda um potencial para explorar os benefícios da internet no tratamento como o suporte à crises, redução do isolamento social, entrega de terapias específicas e individualizadas e divulgação ampla sobre o assunto.

Segundo os autores, o foco deveria ser sobre como esses meios digitais podem ser utilizados em terapias de resgate. Os clínicos que trabalham com jovens que se automutilam ou que são diagnosticados com desordens psiquiátricas/psicológicas devem se engajar na discussão sobre o uso da internet com seus pacientes e isso deve ser um padrão em suas consultas.

Não deixe de ler o essa metanálise na íntegra, ela é gratuita.

Comente abaixo para expandirmos essa discussão!


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Academia Médica
Fernando Carbonieri
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Inovação é sua forma de exercer a medicina. Em 2012 criou a Academia Médica, comunidade dedicada a "FALAR O QUE A FACULDADE ESQUECEU CONTAR". Membro Comissão do Médico Jovem do CFM, especialista em Bioética

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