Uma pesquisa publicada no jornal Thorax traz evidências de que a exposição de meninos à fumaça passiva durante a infância pode repercutir negativamente na saúde pulmonar de seus futuros filhos, aumentando o risco de doenças respiratórias graves como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
A DPOC, que inclui bronquite crônica e enfisema, já é a terceira principal causa de morte no mundo, responsável por cerca de 3 milhões de óbitos anuais. Embora fatores individuais como tabagismo ativo, poluição e histórico de doenças respiratórias sejam bem conhecidos, este estudo reforça que os efeitos nocivos do tabaco podem ultrapassar gerações, mesmo quando a exposição ocorreu indiretamente e na infância do pai.
O estudo
Os pesquisadores analisaram dados do Tasmanian Longitudinal Health Study (TAHS), envolvendo 8.022 crianças, acompanhadas ao longo de várias décadas. Foram incluídos dados de espirometria (teste de função pulmonar), questionários de saúde respiratória e histórico familiar de exposição ao fumo.
Entre os 5.097 pais com informações completas, 2.096 eram homens. A análise final concentrou-se em 890 pares de pais e filhos, avaliando a exposição dos pais ao fumo passivo na infância e os desfechos pulmonares de seus filhos até os 53 anos.
Principais achados:
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Exposição elevada: Quase 69% dos pais e 56,5% de seus filhos foram expostos à fumaça passiva durante a infância.
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Tabagismo ativo: Cerca de 49% dos filhos se tornaram fumantes em algum momento da vida.
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Prevalência de DPOC: Mais de 5% dos filhos apresentaram DPOC diagnosticada por espirometria aos 53 anos.
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Função pulmonar reduzida: A exposição paterna ao fumo passivo antes da puberdade aumentou em 56% as chances de os filhos apresentarem VEF1 (volume expiratório forçado) abaixo da média ao longo da vida.
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Declínio precoce: Essa mesma exposição dobrou o risco de os filhos terem queda acelerada da relação VEF1/CVF (capacidade vital forçada), um marcador precoce de obstrução pulmonar.
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Risco combinado: Filhos cujos pais foram expostos e que também vivenciaram fumaça passiva na infância tiveram risco duas vezes maior de apresentar VEF1 abaixo da média.
Possíveis mecanismos biológicos
Embora não seja possível comprovar causalidade, os autores levantam hipóteses:
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Efeitos epigenéticos: A exposição ao tabaco antes da puberdade pode modificar a expressão genética e os mecanismos de reparo celular nos meninos, tornando essas alterações transmissíveis às próximas gerações.
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Herança indireta: Mesmo sem histórico genético detalhado disponível, os resultados sugerem que fatores intergeracionais têm papel relevante.
Limitações do estudo
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Ausência de dados sobre função pulmonar e genética dos pais.
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Definição ampla de “exposição passiva” (ao menos um dos pais fumando seis dias por semana), o que pode subestimar casos de exposição moderada.
O estudo ressalta que a exposição ao fumo passivo é muito mais prevalente entre adolescentes (63%) do que o tabagismo ativo (7%), indicando que milhares de jovens podem estar sujeitos a consequências não apenas para sua própria saúde, mas também para seus futuros filhos e netos.
Os pesquisadores concluem que a prevenção começa em casa: pais que foram expostos na infância ainda podem interromper esse ciclo prejudicial ao evitar fumar perto de seus filhos.
Referência:
Medical Xpress. (2025, September 2). Dad's childhood passive smoking may confer lifelong poor lung health onto his kids. https://medicalxpress.com/news/2025-09-dad-childhood-passive-confer-lifelong.html



