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Hostilidade, discriminação e assédio na medicina - American College of Cardiology

Hostilidade, discriminação e assédio na medicina - American College of Cardiology

O assédio e a discriminação incluem uma ampla gama de comportamentos que os médicos e acadêmicos de medicina percebem como humilhantes, hostis ou abusivos. Esse abuso durante o treinamento cria ambientes de trabalho insultuoso e induz estresse e desconforto, o que pode prejudicar o desempenho. A discriminação e o assédio emocional e sexual criam um ambiente de trabalho hostil (ATH). A prevalência global de ATH a área da cardiologia era desconhecida até a pesquisa de Sharma e colaboradores, bem como seu impacto. Desta maneira eles elaboraram um estudo que buscou avaliar o assédio emocional, a discriminação e o assédio sexual experimentado por cardiologistas e seu impacto na satisfação profissional e nas interações com os pacientes em todo o mundo.


Metodologia utilizada no estudo

Os pesquisadores filiados ao American College of Cardiology utilizaram dados de cardiologistas da África, Ásia, Caribe, Europa Oriental, União Europeia, Oriente Médio, Oceana e América do Norte, Central e do Sul (infelizmente o Brasil e a américa do sul não foram incluídos). Dados demográficos, informações práticas e o ATH foram tabulados e comparados, e seu impacto na vida dos médicos foi avaliado.

Os valores de p foram calculados usando os testes qui-quadrado, exato de Fisher e Mann-Whitney. A análise de regressão logística univariada e multivariada determinou a associação das características com o ATH e seus subtipos.

Mais de 40% dos cardiologistas relataram um ambiente de trabalho hostil

De 5.931 cardiologistas (77% homens; 23% mulheres), 44% relataram ATH.

Taxas mais altas foram encontradas entre as mulheres, negros e norte-americanos.

Os componentes do ambiente hostil, de modo geral, incluíram:

  • assédio emocional (29%),
  • discriminação (30%)
  • e assédio sexual (4%)

Os fatores mais prevalentes entre as mulheres foram:

  • assédio emocional (43% vs. 26%),
  • discriminação (56% vs. 22%) e
  • assédio sexual (12% vs. 1%).

O gênero foi a causa mais frequente de discriminação (44%), seguido por idade (37%), raça (24%), religião (15%) e orientação sexual (5%).

Esse ambiente hostil afetou negativamente as atividades profissionais com colegas (75%) e pacientes (53%). A análise multivariada mostrou que mulheres  e cardiologistas no início da carreira tiveram as maiores chances de experimentar ambientes de trabalho hostis.

O ambiente de trabalho hostil é prevalente e prejudica a prática clínica

Há uma alta prevalência global de um ambiente de trabalho hostil em cardiologia (e todos nós sabemos que na medicina como um todo), incluindo discriminação, assédio emocional e assédio sexual. O ATH tem um efeito adverso nas interações profissionais e pacientes, confirmando assim as preocupações com o bem-estar e otimizando o atendimento ao paciente.

E você, prezado leitor, já presenciou ou sofreu algum episódio de discriminação ou vive em um ambiente de trabalho hostil como foi apresenta neste estudo? Conta para a gente nos comentários.

 


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Referências

  1. Sharma, G., Douglas, P. S., Hayes, S. N., Mehran, R., Rzeszut, A., Harrington, R. A., ... & Mehta, L. S. (2021). Global Prevalence and Impact of Hostility, Discrimination, and Harassment in the Cardiology Workplace. Journal of the American College of Cardiology, 77(19), 2398-2409.
  2. Fnais, N., Soobiah, C., Chen, M. H., Lillie, E., Perrier, L., Tashkhandi, M., ... & Tricco, A. C. (2014). Harassment and discrimination in medical training: a systematic review and meta-analysis. Academic Medicine, 89(5), 817-827.

Conteúdo elaborado por Diego Arthur Castro Cabral

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