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Importância da relação médico-paciente na pandemia da Covid-19

Importância da relação médico-paciente na pandemia da Covid-19

          “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”, essa é a célebre frase atribuída ao pai da psicologia analítica, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875–1961). Tal pensamento pode ser encaixado nos dias atuais com a discussão da importância da humanidade médica no cenário pandêmico da Covid-19.

          É indiscutível a necessidade de se haver um entendimento coletivo entre os profissionais de saúde, sobre conhecer o indivíduo na sua forma mais completa e não, somente, a doença que representa uma parte superficial da vida do paciente. Pois, um cenário de moléstia, que atingiu e tirou a vida de muitas pessoas em diversos países, pode ocasionar efeitos catastróficos nas relações familiares, sociais e políticas.

          Desse modo, percebe-se que, como se não bastassem os problemas de saúde decorrentes da doença, iniciaram problemas éticos, familiares, sociais e políticos junto à situação, devendo a equipe de saúde se atentar a tais questões ao cuidar de um paciente.  

          Deve-se perceber que uma desestruturação sociofamiliar está, completamente atrelada à saúde mental de um indivíduo. Sendo assim, o cenário pandêmico que iniciou um colapso entre as relações interpessoais humanas torna imprescindível que se tenha um entendimento concreto das situações de vida dos pacientes, para que se possam estabelecer atendimentos mais humanizados.

          De acordo com o médico e pai da psicanálise Sigmund Schlomo Freud (1856–1939) distinguem-se três fontes principais de dor: a doença, as agressões do mundo exterior e os relacionamentos com o próximo que revelam injustiças. Tal situação demonstra a necessidade de se manter ou aumentarem as condutas necessárias e possíveis para que os atendimentos humanizados continuem sendo executados.

          As questões que tangem à humanização da medicina, em suma, estão sendo colocadas à prova em um momento que, além de um vírus com alto potencial de contaminação, se incluem os sentimentos de medo, dúvida, raiva e de receio, que promovem um desgaste psicológico de inúmeras famílias.

          Ao se entender que os profissionais de saúde são vistos como uma espécie de porto seguro, não apenas para a doença em si, mas para todas as angústias que foram formadas no decorrer da pandemia, fica evidente que um estado crítico de saúde populacional não concede permissão para colocar a relação médico-paciente em segundo plano. 

 


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Referências

1. CAMPOS, Antonia do Carmo Soares. Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro, v. 23, n. 4, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2007000400027. Acesso em: 10 jul. 2020. 
 
2. CARL Jung: Conheça todas as teorias, domine todas... [S. l.], 2020. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/NTI0Nzc4/. Acesso em: 10 jul. 2020. 
 
3. DESLANDES, Suely Ferreira (org.). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. 1. ed. [S. l.]: FIOCRUZ, 2006. 416 p. ISBN 857541-079-2. 
 
4. QUEIROZ, Edilene Freire de. Dor e gozo: de Freud a Lacan. Rev. latinoam. psicopatol. fundam., São Paulo, v. 15, n. 4, p. 1415-4714, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1415-47142012000400008. Acesso em: 10 jul. 2020. 
 
5. RIOS, Izabel Cristina. Humanidades e medicina: razão e sensibilidade na formação médica. Ciência & Saúde Coletiva, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 17251732, 2010. Disponível em: https://scielosp.org/article/csc/2010.v15suppl1/17251732/pt/. Acesso em: 10 jul. 2020. 
 
6. SIGMUND Freud obras completas: O mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à psicanálise e outros textos. Tradução: Paulo Cézar de Souza. São Paulo: Schwarcz LTDA., 2010. 286 p. v. 18. ISBN 978-85-8086-0481. 
 
 

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Pedro Joaquim Fleith Rodrigues Seguir

Acadêmico de medicina e bombeiro

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