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Maria Montessori: educar é o melhor remédio! - Parte 1

Maria Montessori: educar é o melhor remédio! - Parte 1

Seja bem-vindo à coluna Historynemia que conta as histórias de personagens importantes da medicina e suas contribuições para a sociedade. Fique à vontade para comentar, curtir e compartilhar com seus amigos. 

Vamos lá?

Quem foi Maria Montessori?

Apesar de ter sido uma das primeiras mulheres a se formar em medicina pela Universidade de Roma, a italiana Maria Montessori trilhou um caminho diferente em sua carreira. 

Com um método educacional infantil baseado na autocorreção e autoaprendizado, ela disseminou pelo mundo suas ideias, visando proporcionar uma educação humanizada que respeita cada criança como um ser individual, pronto para absorver o mundo ao seu redor.

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Montessori: uma mulher visionária

Maria Montessori foi uma mulher que se formou em medicina na universidade de Roma, na Itália no final do século XIX, e fez sua carreira pelo mundo afora, mas não usando jaleco, estetoscópios e remédios. Seus materiais de trabalho eram basicamente, peças de madeira em forma de letras do alfabeto, números, bloquinhos de madeira, giz de cera, papel, lápis de cor e por aí vai. Isso não quer dizer também que ela tenha sido uma pediatra, com um consultório bem legal e agradável. Apesar de ter se formado em medicina, Maria Montessori foi uma das grandes educadoras do final do século XIX e da primeira metade do século XX.

Da medicina à educação

Influenciada por nomes como Seguín, Pestalozzi e Piaget ela tratou de estudar, aperfeiçoar, disseminar e ensinar ao redor do mundo um método educacional que pode ser chamado de alternativo, focando principalmente nas crianças, um método alternativo a essa clássica configuração, ao qual ela mesma foi submetida na escola San Nicola da Tolentino, na infância, que consiste na figura de um professor, centralizado, discursando por horas, fazendo perguntas e esperando respostas, em que os alunos devem decorar fórmulas, datas e poesias, em que punições aos alunos por mau comportamento eram frequentes. Esse tipo de doutrina inquietava Maria, ela foi uma aluna dispersa, que não conseguia se concentrar nas aulas. Apesar disso, provavelmente influenciada por sua mãe, a professora Renilde Stoppani, ela sempre teve o hábito de ler livros, adorava escrever.

A princípio ela pensou em ser atriz de teatro, ela adorava interpretar, improvisava palcos e camarins na sua casa e até chegou a frequentar aulas de teatro durante a infância. Depois de um tempo ela abandona essas ideias, termina o ensino médio e decide que quer seguir estudando. Uma ala feminina acabava de ser inaugurada no Regio Istituto Tecnico di Roma. A partir daí, com a intenção de entrar no ensino superior, mundo extremamente masculino, a postura dela muda completamente, ela se sente desafiada, entrar nesse mundo parece ser uma questão de honra pra menina Montessori e em 1886 após três anos de ensino técnico ela sai aprovada nos exames finais com ótima nota.

 

Seu pai, um funcionário público chamado Alessandro Montessori, sugere que filha estude para se tornar professora, era uma carreira “mais aceita” para as mulheres da época, mas Maria discorda, o pai sabia também que ele não poderia ser aquele tipo machista ao qual a filha sempre vinha lutando contra, e acaba cedendo sem grandes objeções, eles tinham uma ótima relação, e a verdade é que cedendo ou não, de um jeito ou de outro, Montessori acabaria seguindo seu coração. A essa altura, a possibilidade de ser uma das poucas mulheres do Reino a estar matriculada numa universidade mexe com ela, que pensa em cursar engenharia. Ela teve um crush durante os períodos de escola técnica. Crush eu acho que é uma palavra moderna, era um rapaz, colega de escola que pretendia pedir a mão dela pra família, algo assim. E se casar àquela altura do campeonato e se tornar um objeto precioso de marido era algo que não passava de modo algum pela cabeça dela. Ela desiste de ser engenheira e com muita dificuldade, ela entra na Universidade de Roma para estudar medicina. 

Desafios da medicina 

Ainda que legalmente fosse permitido, culturalmente, ser uma aluna universitária era extremamente difícil nessa época. As aulas de anatomia eram um sufoco. Além do baque de lidar com um cadáver na sua frente, algo que pra ela foi bastante assustador, os pais dela percebiam em casa depois das aulas de anatomia que ela não estava legal, imagine, em um mundo onde uma mulher mostrar o tornozelo já era considerado um absurdo, estar diante de um cadáver nu na presença de outros homens era algo extremamente embaraçoso para ela. O cadáver com o qual ela trabalhou era de uma mulher, e sei lá, talvez seus colegas fizessem piadinhas, risadinhas. O professor tentou ajudar dando uma aula meio que exclusiva só pra ela e ainda assim era embaraçoso estar sozinha com um homem diante de uma mulher nua, ela temia até ser mal vista na faculdade por isso. As explicações sobre órgãos genitais então... Essas aulas de anatomia certamente estão entre os momentos mais difíceis que tiveram que ser superados por ela durante sua jornada acadêmica.

 

 

Você pode conferir a continuação da história dessa médica/educadora na próxima quarta-feira, aqui na Academia Médica. 

Academia Médica
Luan Gustavo
Luan Gustavo Seguir

Estudante de medicina em Santa Cruz, Bolívia. Apaixonado por livros, história e esportes.

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