A menopausa, uma fase natural da vida de cerca de metade da população, está recebendo uma atenção renovada graças aos avanços em pesquisa e terapia. A fase, caracterizada pela cessação da menstruação e marcada por sintomas como ondas de calor, distúrbios do sono e mudanças de humor, tem sido tradicionalmente um terreno pouco explorado pela medicina convencional. No entanto, pesquisadores estão revendo tratamentos antigos e investigando novas abordagens que podem transformar a maneira como entendemos e tratamos a menopausa.
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH), que foi amplamente utilizada até 2002, enfrentou um declínio drástico após publicações do Women's Health Initiative que relataram riscos aumentados de câncer de mama, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais associados ao tratamento. Estes resultados, porém, foram amplamente questionados e estudos subsequentes destacaram as limitações e a interpretação equivocada dos achados originais.
Pesquisadores agora apontam que a formulação dos hormônios, a dosagem e a via de administração utilizadas nos ensaios do Women's Health Initiative diferem significativamente das práticas atuais. O uso de adesivos transdérmicos, por exemplo, pode mitigar preocupações relacionadas à formação de coágulos sanguíneos associados à administração oral. Além disso, a recente mudança para hormônios idênticos aos produzidos pelo corpo e a prescrição de doses mais baixas podem reduzir ainda mais os riscos.
Uma abordagem promissora é o prolongamento da função ovariana. Pesquisadores estão investigando o uso de rapamicina, um medicamento oral aprovado para prevenção de rejeição de transplantes de órgãos, que demonstrou prolongar a vida dos ovários em camundongos. Em humanos, isso poderia retardar a perda de óvulos e potencialmente adiar a menopausa por cerca de sete anos.
Técnicas mais invasivas, como a remoção e criopreservação de tecido ovariano para reimplante futuro, também estão sendo exploradas. Essa abordagem já se mostrou bem-sucedida para restaurar a fertilidade após quimioterapia e poderia, teoricamente, adiar a menopausa por vários anos.
A crescente conscientização sobre a menopausa é acompanhada por um aumento no financiamento para pesquisa. Iniciativas globais e defensores, como a atriz Halle Berry e grupos como Menopause Mandate no Reino Unido, estão pressionando por maior reconhecimento dos impactos da menopausa na saúde.
No entanto, há um déficit significativo na formação médica relacionada à menopausa. Programas de treinamento estão sendo desenvolvidos para preencher essa lacuna, com o objetivo de equipar profissionais de saúde com as ferramentas necessárias para oferecer cuidados informados e empáticos durante esta transição.
O futuro do tratamento da menopausa parece promissor, com a combinação de terapias revisadas e novas abordagens emergentes oferecendo esperança para milhões de pessoas. Com o avanço contínuo da ciência e uma maior conscientização, o cuidado com a menopausa está se transformando em um campo de imenso potencial para melhorar a qualidade de vida das mulheres em todo o mundo.
Referência:
Peeples, L. (2025, January 22). The new science of menopause: These emerging therapies could change women’s health. Nature. https://www.nature.com/articles/d41586-025-00069-4






