A urgente necessidade de uma mudança profunda no Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo
Academia Médica 2017/03/29 15:33:01 +0000 | 6 minutos de leitura
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A urgente necessidade de uma mudança profunda no Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo

por Dr. Arthur H. Danila

Me formei médico há 5 anos, e psiquiatra há 2 anos. Durante minha trajetória acadêmica na Faculdade de Medicina da USP, assim como penso ser o caso da maioria dos colegas de minha turma e de outras instituições médicas, tive pouco acesso a questionamentos acerca do mercado de trabalho que enfrentaria quando terminasse minha formação, e a presença do Sindicato passou a ser uma formalidade apenas lembrada a mim no início de cada ano, com o recebimento, por correio, do boleto de pagamento da Contribuição Sindical.

Essa infeliz realidade constatada me parece ter raízes originadas na incapacidade do atual movimento sindical de São Paulo de dar conta das demandas reais relacionadas aos diferentes vínculos e direitos trabalhistas, além da quase inexistente política de fomento de discussões formativas para a realidade que o médico jovem enfrentará ao ser “lançado” ao sabor do mercado de trabalho paulista.

Cabe aqui ressaltar que a população médica brasileira tem apresentado crescimento exponencial nas últimas quatro décadas, significativamente maior que a população geral. Se em 1970 havia 58.994 médicos no país, em outubro de 2015 somavam-se 432.870 registros médicos em atividade, o que representa aumento de mais de 633% nesse período (apenas como base de comparação, no mesmo período, a população brasileira cresceu apenas 116%).

Com isso, a idade média do médico brasileiro, hoje de 45,7 anos, passou a cair, revelando a surpreendente estatística de que 43% de todos os profissionais em atividade no país de médicos brasileiros tenham menos de 40 anos de idade.

Além do aspecto etário, na questão de gênero, o perfil populacional dos médicos também está mudando. A partir de 2003, a taxa de ingresso de mulheres em cursos de medicina superou a de homens, e a partir de 2009, pela primeira vez, se inscreveram mais profissionais do sexo feminino do que masculino no Conselho Federal de Medicina.

Com esse panorama de juvenilização e feminilização da medicina brasileira, também encontrada no estado de São Paulo, mais do que nunca será necessária a mudança dos sindicatos, no caso especificamente em questão, o SIMESP, para que estejam atentos às transformações e demandas dos colegas, sobretudo jovens.

Nesse sentido, trata-se de necessidade urgente o retorno do SIMESP para a luta contundente pelas demandas, direitos e condições de trabalho de cada um dos colegas médicos, sob a égide de uma atuação transparente e participativa, e que não seja orientada por interesses alheios, sobretudo por agendas externas político-partidárias, como por exemplo as recentes atuações questionáveis de contrariedade ao ato médico, o pronunciamento favorável ao Programa Mais Médicos, entre outras ações no mínimo suspeitas.

Enquanto categoria profissional, necessitamos que o sindicato atue de forma abrangente e intensiva nos diferentes segmentos etários da população médica: que instrua preventivamente os estudantes aos percalços que poderão passar após a formatura da faculdade, que oriente os recém-egressos das faculdades e programas de residência médica quanto aos diferentes vínculos trabalhistas, que negocie diretamente em negociações de valores de atividades assistenciais com os convênios e planos de saúde, que fiscalize e garanta condições de trabalho dignas para os colegas nas OSs, que consiga dar suporte inclusive para os médicos aposentados.

Precisamos de um sindicato eficiente, ágil nas premissas de defesa dos médicos e seus direitos, com bom relacionamento interinstitucional com outras entidades médicas, em nível nacional com a AMB, CFM, FENAM, ANMR, sociedades de especialidades e em nível estadual, com as associações científicas, CREMESP, AMERESP, além de demais entidades profissionais, como Ministério Público, OAB, etc.

Faz-se urgente um sindicato com atuação pujante junto ao governo nas diferentes esferas administrativas, que consiga retomar negociações de carreira de estado para a medicina, que construa a possibilidade de instalação de preceptoria nos serviços de residência médica, qualificando esses serviços e oferecendo, desta maneira, uma assistência melhor aos nossos cidadãos.

A minha análise das eleições ao SIMESP que se aproximam, agora em abril de 2017, me faz concluir, enquanto médico jovem que sou, pela análise do exposto acima e das propostas de ambas chapas que concorrem ao pleito desta entidade, que a chapa que me representa e traz as propostas mais condizentes com as necessidades de mudança que identifico no SIMESP é a CHAPA 2 – MUDA SIMESP, a quem, publicamente, ofereço meu total apoio, estima e simpatia.

O Dr. Arthur H. Danila foi Presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes em 2015 e Presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo em 2013-2014. É atualmente Médico Psiquiatria Assistente Voluntário do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, membro das Câmaras Temáticas de Médicos Jovens e de Violência nas Escolas Médicas do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, membro da Câmara Técnica de Psiquiatria e da Comissão de Integração do Médico Jovem do Conselho Federal de Medicina.

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