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Nature - 150 anos de pesquisas e descobertas

Nature - 150 anos de pesquisas e descobertas

A Nature é uma revista internacional conhecida por publicar pesquisas revisadas por pares em todos os campos da ciência e tecnologia. Se você é médico, acadêmico de medicina ou profissional da área da saúde, com certeza já se deparou - ou vai se deparar - com alguma publicação da Nature na sua área de estudo.

Este notório canal de publicação científica está completando 150 anos e trouxe, em sua edição online, um especial para compartilhar a história, não apenas de uma revista, mas da evolução da ciência. O link para a publicação completa está disponível aqui.


Abaixo você confere um breve resumo do impacto da Nature nas publicações científicas e principalmente na Medicina:

 

"Todo artigo tem sua própria história, sua própria rede única, e cada uma dessas redes se conecta à outra para formar um todo. Todos os trabalhos, em todos os campos do conhecimento, desempenham seu papel no processo global de pesquisa e descoberta."

 

Em 4 de novembro de 1869, no Reino Unido, foi publicado a primeira edição da Nature. E, segundo o editorial comemorativo dos 150 anos da revista, a ambição da primeira publicação era intelectualmente ousada e comercialmente arriscada: trazer notícias das últimas descobertas e invenções para cientistas e o público.

Um século e meio depois, o propósito da primeira edição continua válido, e ler o especial publicado pela revista é um mergulho na história das ciências em todas as áreas do conhecimento.

Você já parou para pensar como uma publicação pode mudar significativamente todo o conhecimento já consolidado? 

Um aspecto fascinante da descobertas científicas é que, ao publicar um artigo, na maioria das vezes não conseguimos imaginar o impacto que uma descoberta pode ter e suas implicações para toda a comunidade científica. Uma publicação pode mudar não apenas a ciência, mas também a sociedade como um todo. 

Isso pode ser observado, por exemplo, com a publicação em 1925 sobre o primeiro elo fóssil entre humanos e macacos - Australopithecus africanus - , que não só confirmou os estudos de Charles Darvin, em A Origem das Especies, como também deu um gás à continuidade de novas pesquisas. Anos mais tarde, após a publicação da sequência do genoma humano em 2001, a genômica comparada demonstrou que não diferimos muito mais do que 1% do DNA de um chimpanzé.

  • Primeira edição da Nature, publicada em 04 de novembro de 1869.

 

A contribuição da Nature para Medicina

Em 1876, uma versão traduzida pela Nature trouxe a publicação de um periódico alemão com as primeiras descobertas sobre os raios-X, por Wilhelm Röntgen. Quase 100 anos depois a ressonância magnética foi descrita pela primeira vez também nas páginas da Nature. Como imaginar a medicina moderna ser essas contribuições?

Outra revolução na biologia, e com consequências para a Medicina, foi a descrição da estrutura helicoidal dupla do DNA, publicada em 1953. A primeira descrição de anticorpos monoclonais, em 1975, também revolucionou os testes e o tratamento diagnóstico, incluindo o de muitos tipos de câncer.

A ovelha Dolly se tornou famosa em 1997, quando Ian Wilmut descreveu o primeiro mamífero clonado a partir de células-tronco adultas. A publicação estimulou a pesquisa sobre o uso de células-tronco adultas, levando ao surgimento da engenharia de tecidos e à promessa de uso em terapia. 

Em 2012, o Projeto Microbioma Humano mostrou que nosso corpo pode ser menos nosso do que pensamos ao analisar o maior coorte e conjunto de habitats corporais distintos e clinicamente relevantes.

Mais recentemente, em 2017, a publicação de um estudo de caso de uma criança de sete anos de idade que foi tratada por uma grave condição genética da pele autoimune também trouxe uma luz para futuros estudos futuro na área.

 

A rede da ciência

Para marcar o aniversário de 150 anos, a Nature fez um trabalho visual de rastreamento sobre como os artigos citam e são citados em várias áreas de conhecimento. Foram usados dados de dezenas de milhões de artigos indexados a partir de 1900 no banco de dados Web of Science (WoS), do Clarivate Analytics.  O resulta da publicação da Nature revela como os trabalhos científicos estão se tornando cada vez mais uma mistura de áreas de conhecimento.

Confira o vídeo sobre a rede de co-citação em que os 88.637 artigos publicados pela Nature se relacionam em citações e são representado por pontos colorido. 

 

Cronologia de publicações da Nature com grande relevância científica:

  • 1903 - Os químicos William Ramsay  e Frederick Soddy  relataram que o gás hélio é produzido pelo decaimento radioativo do rádio.
  • 1913 - Frederick Soddy cunhou o termo 'isótopo' nas páginas da  Nature. Ele ganhou Prêmio Nobel de Química em 1921  por trabalho com elementos radioativos e isótopos.
  • 1921 - Primeira edição especial: quase todas as páginas da edição de 17 de fevereiro de 1921 foram dedicadas à teoria da relatividade de Einstein.
  • 1925 - A Nature publicou a descoberta do Australopithecus africanus na África do Sul por Raymond Dart. Foi o primeiro elo fóssil entre humanos e macacos.
  • 1932 - John Cockcroft e Ernest Walton dividiram o átomo usando o primeiro aparelho para acelerar partículas atômicas artificialmente com altas energias: o acelerador Cockcroft-Walton. A descoberta ganhou Prêmio Nobel de Física em 1951
  • 1939 - Otto Hahn e Fritz Strassmann o observaram experimentalmente,  e Lise Meitner e Otto Frisch  propuseram um processo pelo qual a adição de um nêutron poderia dividir o núcleo de urânio. Hahn recebeu o  Prêmio Nobel de Química de 1944 pela descoberta da fissão de núcleos pesados.
  • 1947 - Cecil Powell e Giuseppe Occhialini relataram a observação de padrões semelhantes a estrelas em emulsões fotográficas expostas a raios cósmicos nas montanhas em alta altitude.  Powell recebeu o Nobel de Física em 1950.
  • 1948 - A Nature publicou um relatório de uma Máquina Experimental de Pequena Escala da Universidade de Manchester, apelidada de 'Baby', que executou com sucesso seu primeiro programa de computador.
  • 1953 - A estrutura de dupla hélice do DNA alcançou status icônico com a publicação do artigo de James Watson e Francis Crick "Uma estrutura para o ácido nucleico da desoxirribose". Watson e Crick do receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1962.
  • 1970 - Howard Temin e Satoshi Mizutani , e depois  David Baltimore , descobriram a enzima de transcriptase reversa em partículas de vírus formadores de tumores.  Temin e Baltimore dividiram o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1975.
  • 1974 - Um grande avanço na imunidade foi a compreensão de como as células T do corpo  matam as células infectadas por vírus.  As publicações renderam a Peter Doherty e Rolf Zinkernagel o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1996 . 
  • 1974 - O trabalho de  Mario Molina e F. Sherwood Rowland  estabeleceu que o cloro originário dos clorofluorcarbonos (CFCs) era um agente de destruição do ozônio. Receberam o Prêmio Nobel de Química de 1995.
  • 1975 - A aplicação da biologia molecular à medicina deu um salto à frente com a criação, dos primeiros  anticorpos monoclonais, levando ao Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1984 .
  • 1976 - Publicações sobre canais de íons dentro e fora das células levaram ao prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1991. 
  • 1978 - Um bacteriófago foi o primeiro organismo  a ter seu DNA inteiro sequenciado. 
  • 1985 - A técnica conhecida como impressão digital do DNA  foi descrita na Nature.  
  • 1986 - Steen Willadsen relatou o primeiro mamífero clonado (antes da ovelha Dolly).
  • 2001 - O Projeto Genoma Humano foi formalmente lançado em 1990 com cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, China e Japão e teve o rascunho do genoma humano publicado em uma edição especial.
  • 2004 - A descoberta dos restos do Homo floresiensis.
  • 2006 - O esboço final do genoma humano foi concluído. A sequência do último cromossomo foi publicada em um  suplemento especial da Coleção do Genoma Humano.

 


 

E para você, qual foi a grande contribuição da revista Nature para a ciência e para a Medicina?

Queremos saber a sua opinião!

O que ela impactou na sua área de atuação?

 

Academia Médica
Juliana Karpinski
Juliana Karpinski Seguir

Community Manager na Academia Médica, jornalista e acadêmica de Medicina na Universidade Federal do Paraná.

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