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Neuropatia Periférica: Atualizações JAMA Clinical Reviews

Neuropatia Periférica: Atualizações JAMA Clinical Reviews
Comunidade Academia Médica
nov. 18 - 4 min de leitura
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A neuropatia periférica, uma das condições neurológicas mais comuns na prática clínica, foi tema de uma recente entrevista da JAMA Clinical Reviews com a neurologista Michelle Mauermann, professora e chefe da Divisão Neuromuscular da Mayo Clinic. A discussão integra o conteúdo de sua revisão publicada na JAMA sobre o estado atual do conhecimento em diagnóstico, etiologia e manejo dessa condição.

Segundo Mauermann, neuropatia periférica é definida como qualquer dano aos nervos periféricos, geralmente manifestando-se por perda sensorial, fraqueza motora ou sintomas autonômicos. O comprometimento estrutural pode ocorrer por degeneração axonal, morte neuronal, hiperexcitabilidade ou disfunção das células de Schwann, responsáveis pela mielinização e suporte dos axônios.

Por que é tão relevante?

A condição afeta até 1% dos adultos e figura entre os principais motivos de consulta neurológica. Seu impacto clínico é amplo: desequilíbrio, quedas, úlceras nos pés e limitação funcional são consequências frequentes, sobretudo em casos crônicos.

Principais causas e fatores de risco

O diabetes é a causa mais comum de neuropatia periférica em todo o mundo. Outros fatores relevantes incluem:

  • deficiência de vitamina B12,

  • uso de medicamentos neurotóxicos,

  • consumo excessivo de álcool,

  • neuropatias hereditárias,

  • presença de gamopatia monoclonal.

O padrão mais comum: neuropatia periférica dependente do comprimento

O subtipo mais prevalente é a neuropatia length-dependent, na qual os sintomas surgem inicialmente nos pés, devido ao maior comprimento dos axônios envolvidos. Formigamentos, queimação, hipersensibilidade e perda de sensibilidade são manifestações iniciais típicas. À medida que progride, pode atingir as mãos após alcançar o nível dos joelhos.

Sintomas e exame físico

Os sintomas sensoriais predominam, especialmente o formigamento, sensação de frio, dor ou perda de percepção dos pés, muitas vezes acompanhados de instabilidade ao andar — pior em ambientes escuros.

O exame físico, quando bem conduzido, é altamente sensível. Deve incluir:

  • avaliação de força distal (mãos e tornozelos),

  • pesquisa de reflexos, especialmente aquileu,

  • teste de vibração e propriocepção com diapasão,

  • avaliação de dor e temperatura.

A combinação de sintomas e sinais aumenta a acurácia diagnóstica.

Quando pedir eletroneuromiografia?

Os estudos eletrodiagnósticos ajudam a confirmar neuropatia e a diferenciar outras condições que simulam o quadro, como radiculopatia lombar ou mielopatia cervical. Além disso, fornecem dados sobre o tipo de lesão — axonal ou desmielinizante — informação crucial para guiar o diagnóstico etiológico.

Exames laboratoriais recomendados

De acordo com a Academia Americana de Neurologia, devem ser solicitados:

  • glicemia (jejum, HbA1c ou TOTG),

  • vitamina B12 com ácido metilmalônico (e possivelmente homocisteína),

  • eletroforese de proteínas séricas com imunofixação.

Neuropatia em pré-diabetes

Embora controverso, o pré-diabetes pode associar-se especialmente à neuropatia de fibras pequenas, caracterizada por dor e alteração térmica. Contudo, a gravidade e duração da hiperglicemia seguem sendo determinantes na progressão da neuropatia diabética.

A neuropatia é reversível?

Depende da causa. Mauermann explica que, uma vez removido o fator desencadeante, os nervos podem regenerar-se a uma velocidade de 1 a 3 mm por dia. No entanto, em muitos casos permanece dano residual de longo prazo.

Tratamento: abordagem escalonada

O manejo depende da intensidade dos sintomas. Para quadros leves e restritos aos pés, Mauermann recomenda iniciar com medidas conservadoras:

  • imersão dos pés em água fria,

  • uso de cremes ou géis tópicos (lidocaína, capsaicina),

  • formulações tópicas manipuladas com fármacos como gabapentina ou amitriptilina.

Caso não haja melhora suficiente, definida como redução de aproximadamente 50% da dor, iniciam-se os tratamentos orais de primeira linha:

  • gabapentina ou pregabalina,

  • antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina),

  • inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina, venlafaxina).

A escolha depende do perfil de efeitos colaterais, comorbidades e momento do dia em que os sintomas são mais intensos. Mauermann enfatiza que muitos pacientes abandonam o tratamento antes de atingir doses terapêuticas adequadas, o que compromete a eficácia.

Para sintomas refratários, a estimulação da medula espinhal pode ser considerada.

Cuidado além dos medicamentos

A neurologista destaca que a prevenção de complicações é essencial: treinamento de equilíbrio e marcha para evitar quedas, uso de órteses quando indicado, e inspeção diária dos pés para prevenir úlceras são medidas indispensáveis.


Referência:

Mauermann, M. (2025, May ??). Diagnosis and treatment of peripheral neuropathy [Audio podcast episode]. In M. McDermott (Host), JAMA Clinical Reviews. JAMA Network. https://edhub.ama-assn.org/jn-learning/audio-player/19018458



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