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Neutralizadoras da COVID-19: a grande descoberta

Neutralizadoras da COVID-19: a grande descoberta

Olá, amig@ leitor@, hoje vamos falar de uma descoberta que logo se espalhou no meio científico. Cientistas conseguiram gerar proteínas que podem neutralizar os ligantes do Novo Voronavírus ou SARS-CoV-2. Exatamente!

Em artigo intitulado "Design picomolar de miniproteínas inibidoras da SARS-CoV-2 (tradução livre)", a descoberta foi publicada por BAKER, D. e seus colaboradores no dia nove de setembro de 2020 em uma revista de grande relevância no meio científico, a SCIENCE. Seu idealizador é da Universidade de Washington, do departamento de Bioquímica.

Mas, antes de tudo, uma breve revisão sobre a entrada do novo coronavírus nas células.

A SARS-CoV-2 entra preferencialmente nas nossas células através dos ligantes da enzima 2 conversora de angiotensina ou ACE2. Sabe aquelas pontas que vemos na representação do vírus (imagem da capa desta publicação)? Então, aqueles são os ligantes que usam o receptor ACE2 para entrar e, consequentemente, infectar nossas células.

O que eles desenvolveram?

Basicamente eles selecionaram proteínas que competem com os receptores da COVID-19 para se ligar aos receptores ACE2, ou seja, proteínas que visam impedir que o vírus consiga se ligar na célula para executar sua entrada e posterior infecção se ligando a ele e impedindo que execute sua ação em nossas células.

Para isso, montaram essas proteínas usando de duas estratégias:

Primeiro, eles incorporaram a alfa-hélice da ACE2 em uma proteína, simulando os receptores de uma célula nossa.

Como segunda estratégia, eles desenharam ligantes baseados nas mais variadas formas de interações conhecidas que o ligante da célula viral pode apresentar. Essa estratégia é interessante, segundo o autor, pois possibilita uma maior gama de possíveis projetos a serem desenvolvidos de diferentes formas de miniproteínas.  

Dentre todas as variantes proteicas produzidas, se destacam a AHB1, AHB2 e a que chamaram também de LCB1-5.

Quais foram as descobertas?

Os cientistas concluíram que AHB1 e AHB2 conseguiram fortemente neutralizar a ligação do vírus, ou seja, se ligaram a ele e, dessa forma, impediram a infecção desses vírus a outras células. A LCB1-5, segundo BAKER, D. et al., desempenhou em outros testes uma neutralização ainda mais eficaz.

Os cientistas concluem mencionando que esse achado pode ter um grande potencial terapêutico da doença. Citam também que o fato da molécula criada ser 20 vezes menor que uma cadeia de anticorpo completa, favorece a rapidez da ação e eficácia contra o vírus.

Algo de muito interessante que o artigo também cita é que essas moléculas desenvolvidas podem, no futuro próximo, ser inseridas em gel para aplicação nasal e em nebulização como pó seco para aplicação nas vias aéreas, o que poderia diretamente combater a doença nas vias aéreas também.

Esse artigo contribuiu para que saibamos que há um esforço muito grande de controle da doença, bem como uma busca incessante de alguma alternativa de abordagem terapêutica eficaz e que não gere reações adversas. É importante lembrar que o desenvolvimento de um tratamento deve considerar que ele esteja disponível, em primeiro plano, às porções mais afetadas pelo COVID-19 (pessoas com problemas mais sérios de saúde) e também àqueles que não possuem condições de arcar com tratamentos de alto custo. 

A busca continua e espero manter você atualizad@.

Dessa forma, amig@ leitor@, continuemos a dar extrema atenção às recomendações de isolamento e precaução contra a pandemia. É vital mantermos as medidas de proteção para que o problema não se torne ainda mais complexo. Lembre-se: a maneira mais rápida para estarmos perto de novo é, agora, ficando devidamente afastados e tomando os cuidados necessários.

Precisa sair? Saia seguindo à risca as recomendações. Dessa forma você faz a sua parte e protege a si e as pessoas à sua volta.

Até breve! 

BIBLIOGRAFIA

BAKER, D. et al. De novo design of picomolar SARS-CoV-2 miniprotein inhibitors. SCIENCE, 2020.

https://science.sciencemag.org/content/early/2020/09/08/science.abd9909

 


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Gabriel Couto
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Aluno do Curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Gosta de ouvir em primeiro lugar e de ser ouvido e, quem sabe, futuro oncologista.

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