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Está faltando medicação de alto custo.

Está faltando medicação de alto custo.

O filho de uma amiga minha, muito simples, empregada doméstica, está na fila de para transplante renal. É um rapaz de 26 anos que teve diagnóstico de insuficiência renal crônica aos 13. Ele já fez um transplante quando recebeu o órgão doado do pai. Ficou 5 anos bem e acabou entrando em um processo de rejeição tardia. Agora está na fila para receber doação de cadáver.

Enquanto não consegue o transplante, ele precisa fazer hemodiálises frequentes o que, como vocês sabem, é um sofrimento e prejudica muito a vida, ainda mais de pessoas jovens como ele. É quase impossível trabalhar, estudar, namorar, enfim, a vida fica em suspenso. Tudo fica em função da doença.

Para fazer o transplante ele precisa tomar Imunoglobulina Humana. Acontece que há mais de 2 meses a farmácia de alto custo não libera essa medicação. A informação é de que o “governo não comprou”. Ele acompanha no hospital do rim em SP. Isso fez com que ele perdesse mais de uma chance de transplante devido imunidade estava alta.

É a vida de um rapaz jovem, trabalhador e estudioso que está em risco.

Não é o único. O filho de um outro amigo, professor universitário em Brasília também precisa de medicação de alto custo para viver. Tem mês que ele consegue o remédio no SUS, tem mês que o dinheiro precisa sair do bolso da família. Tem a sorte de ter bolso de onde o dinheiro pode sair.

Essa saída é impossível para a minha amiga. O custo mensal da medicação para o filho dela é de R$ 23.400,00 (segundo um diretor de uma empresa farmacêutica que produz o medicamento). O filho da minha amiga precisa de 36 frascos de um remédio e ela não tem como comprar nenhum. Mas quem teria esse dinheiro?

Esse é o drama que vivem os pacientes que esperam na fila de transplante e também naqueles que foram transplantados, já que a medicação que evita rejeição após transplante também está em falta nas farmácias de alto custo.

Segundo a médica, Heloísa Malfatti, da Unicamp essa é a realidade do SUS atual. “Tenho pacientes meus que transplantaram e ficaram sem receber imunossupressores também, com risco de rejeição. Estou trabalhando no SUS há 20 anos, nunca vi uma situação tão ruim quanto recentemente.”

O Dr. Alex Gonçalves, nefrologista da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, concorda “Acho que esse é realmente o pior período que já vivi desde 2000. E não parece haver sinais de melhora.”

O jornalista Lélio Teixeira, da Rádio Bandeirantes, escreveu na sua página do Facebook que recebeu um telefonema do Dr. José Medina Pestana, da Unifesp e um dos maiores especialistas em transplante de rim do mundo. Segundo ele, o médico está apavorado, com medo das pessoas transplantadas morrerem por falta de remédio que o Ministério da Saúde não está comprando “Já é difícil conseguir doadores de orgãos, fazer a cirurgia e agora os transplantados poderão morrer por falta de remédios.”

Acredito que seja nosso papel como médicos, denunciar esse descaso absurdo e pressionar as autoridades competentes para que cumpram a sua parte e forneçam os medicamentos que significam a diferença entre a vida e a morte da nossa população.

Academia Médica
Renata Kotscho Velloso
Renata Kotscho Velloso Seguir

Médica formada pela Unicamp, e administradora de empresas formada pela FGV-SP

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