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O limite entre o efeito Werther, a loucura, a fama e o suicídio

O limite entre o efeito Werther, a loucura, a fama e o suicídio

Existe uma mística de que grandes artistas do passado e do presente tinham talento e isso foi fator decisivo de diferencial. Infelizmente, alguns dos mais célebres deles, ao longo da história cometeram suicídio, deixando o talento no esquecimento.

Chris Cornell do soundgarden/audioslave, Chester Bennigton do Linkin Park, Kurt Cobain do Nirvana, Van Gogh, Robin Williams(meu ator favorito), Ernest Hemingway entre outros são alguns exemplos. 

Não irei considerar neste os que morreram de overdose, autonegligência ou acidentes (como a Janis Joplin, que no caso dela foi um erro grotesco do traficante que deu um produto com alta quantidade de heroína que ela não estava acostumada).  

Essa mística tem duas explicações: 

Primeira: o péssimo hábito da população querer dar um significado a uma tragédia e, muitas vezes, ganhar em cima disso. Existem artistas que, do ponto de vista comercial, tiveram mais valor mais em morte,  do que em vida, vide o caso do Michael Jackson por overdose de propofol.

Segunda é uma espécie de consequência do efeito Werther, que em resumo é o efeito oposto da conscientização do suicídio, no qual pessoas se identificam com personagens suicidas e acaba aumentando consideravelmente o índice. 

Há formas e orientações corretas para se falar sobre suicídio, por isso, por mais pesado que eu aparente pegar nesse texto, procuro aqui seguiro ao máximo a cartilha da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Existe um livro meio antigo de psicanálise chamado, Os loucos egrégios, que tenta relatar com mais exatidão, o que acontece entre o estado mental alterado e o talento de um artista. 

Em resumo existem 3 tipos: 

  • Os que têm doenças da psiquiatria/psicologia e fica por isso (eu e inúmeros pacientes podemos ser exemplo) 

  • Os que têm a saúde mental controlada e são excelentes artistas 

  • Os que têm a saúde mental toda destruída e são considerados artistas consagrados 

Aliás o estudo de doenças dos famosos é sempre um desafio. Eles podem está relacionados a diferentes fatores: 

  • Sigilo médico: diferente de acidentes e grandes tragédias coletivas, os relatórios são pouco conclusivos, confidenciais e esparsos. 
  • Sensacionalismo: podem dar viés de diagnóstico. Exemplo Marylin Monroe que se criou uma teoria que não foi suicídio e sim assassinato até hoje criando um ar de mistério. 
  • Ocultação de reais diagnósticos por preservação de autoimagem: um exemplo são alguns artistas que esconderam o diagnóstico até o fim da vida ou foram mal diagnosticados, como Bob marley e o melanoma e o Freddie Mercury e a AIDS.  

Dizer que uma pessoa famosa antigamente era psiquiátrica era quase uma sentença de morte social, suicídio então ou era escondido ou ganhava status de “cult”(um exploração sensacionalista).  E, cá entre nós, até hoje isso é feito.

O livro concluiu que a doença mental é um fator relevante, porém não único podendo às vezes atrapalhar a tal da "genialidade".  Santos Dummont poderia ter inventado mais que do que ele contribuiu para a física, a ergonomia e a aviação. Van Gogh poderia ter feito mais quadros tão bons ou melhores que “a noite estrelada” (que foi pintada da janela do manicômio). 

“Entre tantos outros artistas que ao invés de entender em vida, só reconhecemos após a tragédia. Para o meu alívio a maioria dos idiotas também” já dizia Alfred E. Newman da revista Mad 

Existem milhares de possibilidades para discutir se é valido ou não a genialidade e o suicídio, mas, às vezes, uma pergunta como “está tudo bem?” pode contribuir para que esse debate seja menos sombrio. 

 

Academia Médica
Henri Hajime Sato
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Sou médico formado em uma faculdade que não gosto, passei pela pós USP, por Barretos e falhei. Não tenho grandes títulos, mestrados doutorados, livre docência, cargos ou Fellowships. Sou um andarilho que de vez em quando fala algumas coisas.

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