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Semiologia - O primeiro gostinho de ser médico

Semiologia - O primeiro gostinho de ser médico

Semiologia - O primeiro gostinho de ser médico

Sonho e medicina se entrelaçam na maioria dos discursos de vestibulandos e acadêmicos. Independente das razões que levam às pessoas a almejarem tanto esse curso, ele é posto em um altar bem alto em que o percurso é, por regra, repleto de obstáculos e sacrifícios. E, por isso, a sensação de realização e felicidade é indescritível quando vemos nosso nome na lista de aprovados pela primeira vez... pela segunda... terceira... décima vez se for preciso para acreditarmos que, enfim, conseguimos. Mas essa não é a única vez que sentimos esse sabor da vitória. O primeiro dia de aula... A primeira vez que vestimos o jaleco com nosso nome bordado... O contato com nosso primeiro paciente.

Tenho guardado com muito carinho as memórias desse dia. “RSC, 27 anos, sexo feminino...”; “...diagnóstica com Doença de Cushing...”, “...era professora, porém alega que teve que se afastar devido ao agravamento do quadro”. Aguardava a disponibilidade de um cirurgião no serviço público e o prognóstico não era um dos melhores. E apesar das limitações impostas pelo quadro na sua vida e a falta de perspectiva em resolvê-lo, ela estava sorridente, desenhando com lápis de cera em folhas de ofício e feliz em poder ajudar. Assim, tive meu primeiro gostinho da rotina de um médico. Encantado pelo processo, mas abalado pelo prognóstico fugir às minhas mãos. Ela me ensinou muito naquele dia. E não foi só pela prática da disciplina, pelo entendimento da doença ou por me mostrar um pouco do que me espera na minha jornada. E sim pela sua postura perante a vida, mesmo frente a tantos contras. E para a maioria de nós é a disciplina de semiologia que proporciona esse momento mágico.

Porém, para que tal momento fosse possível, existe toda uma bagagem de conceitos e recomendações que nos é passada e explorada para encararmos ele menos despreparados. O que compõe o exame clínico? Como colher uma história? Quais são os elementos de uma anamnese? O que é importante perguntar? Como perguntar? A amplamente debatida “relação médico-paciente”. Aprendemos a enxergar o paciente como um ser biopsicossocial.  Assim como diferenciar sinais de sintomas. Ouvimos termos como prognóstico, sensibilidade que confundimos com especificidade, padrão-ouro, patognomônico, entre outros, pela primeira vez, e logo são adicionados ao nosso vocabulário médico.

Semiologia - Conceitos Básicos

Semiologia - Dicas e mais conceitos

A partir daí as visitas aos hospitais já são realizadas e temos nosso esperado momento. Um misto de ansiedade e insegurança nos envolve horas antes de realizarmos nossa primeira anamnese. Idealizamos como será o paciente, como reagiremos e se não vamos esquecer de perguntar nada importante, mesmo de posse de um roteiro para nos guiar. A experiência a partir daí é única para cada um de nós e já compartilhei um pouco do que foi a minha. Porém, seja na primeira ou nas seguintes, logo descobrimos que o processo pode ser muito desgastante, tanto para o paciente, quanto para você.  Até porque, independente se o paciente tem uma queixa de trauma em pé direito, iremos perguntar se ele nasceu de parto normal, se toma banho em lagoa, se utiliza preservativo, se está com diplopia, se ele teve sarampo na infância e muitas outras questões que sentimos perdendo tempo e fugindo do foco. Contudo, esse é um degrau de nosso aprendizado indispensável. Então aproveite para internalizar o roteiro por completo, ampliar seu vocabulário médico e o mais importante, aprender a cuidar verdadeiramente do paciente.

Semiologia - Anamnese

Até que entramos nos estudos do exame físico, quando um mundo se abre para nós e nossos parentes e amigos viram cobaias de nosso aprendizado. O exame físico geral já nos parece extenso o suficiente e torna as visitas aos hospitais ainda mais longas. Sem contar quando a inspeção, ausculta, percussão e palpação, dos mais diversos sistemas corpóreos, vão fazendo parte da nossa rotina e passamos horas com o mesmo paciente. E assim, a necessidade de se criar um ambiente favorável para ele só aumenta. O paciente é o bem feitor do momento. Ele está te ajudando a aprender, muitas vezes, mesmo em quadros de dor e tristeza, muitos colaboram para que você possa extrair o que precisa e ajudar outros lá na frente. Então valorize isso. Cuide bem dele, mostre respeito e interesse pela sua história, saiba ouvir também o que não é tão importante para você, console e aconselhe se for necessário e lá na frente, lembre que possui uma dívida com eles. Uma dívida a ser paga nas suas relações médico-paciente, quando o cenário se inverter e os pacientes precisarem mais de você do que você deles.

Semiologia - Introdução ao exame físico

Acabamos por aqui esse bate-papo introdutório a semiologia. Daremos continuidade com essa conversa no próximo final de semana. Espero que gostem dos vídeos e que, principalmente, eles acrescentem algo nas suas formações.  Críticas e sugestões construtivas são sempre bem vindas. Então, até o próximo final de semana com a continuação do estudo do exame físico no Medicina Resumida.

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