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Orgulho e Ignorância - Um breve artigo acerca do negacionismo e do movimento antivacina.

Orgulho e Ignorância - Um breve artigo acerca do negacionismo e do movimento antivacina.
Guilherme Ramajo
abr. 30 - 6 min de leitura
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Viver uma pandemia é viver um fenômeno histórico, recheado de conflitos éticos, sociais e econômicos. 

Momentos de crises, tais como o que estamos vivendo, propiciam um aumento estratosférico de movimentos conspiracionistas. E isso não é surpreendente, visto que milhares de vidas perdidas diariamente causam um caos difícil de mensurar. Não entendemos, exatamente, o que está acontecendo.

Não é natural ao ser humano viver de mãos dadas com a morte. 

Não é natural ao ser humano morrer sem ser velado ou morrer sem velar quem ama. 

Porém, não deveria, também, ser natural ao ser humano negar o que está em sua frente, extravagante, absurdamente claro. 3.963 novas mortes em um dia. 3.963! Isso não é normal e nem deveria ser. 

Vivemos um caos político, social, econômico e, especialmente, ético. 

Vendo milhares de mortes diariamente, ainda enxergamos negacionistas, amadores, do ponto de vista moral, que não respeitam quem antes chegou e que não entendem - ou não querem entender - a realidade. 

O negacionismo se encontra baseado no tripé de medo, covardia e ignorância. Medo e ignorância são passíveis de mudança e, quem sabe, com sua anulação, consigamos abolir a covardia. Mas não é fácil, ao tentar fazê-lo estamos indo contra a maré governamental e conspiracionista que assombra parte da população brasileira - em muitos casos a mais avantajada do ponto de vista econômico. Mas vamos tentar. Vamos obedecer o tripé da academia: ensino, pesquisa e extensão, e seguir firme na expansão do conhecimento. Dividindo para multiplicar, o paradoxo da sapiência, que funciona de forma incrível. 

Pensando nisso, nosso projeto, a Liga Acadêmica de Medicina Intensiva da Universidade Estadual de Maringá pensou em uma forma de fazer valer a extensão acadêmica para a comunidade e surgimos com uma ideia que se resume em ir em escolas - particulares e públicas - conversar um pouco sobre um tema muito presente em momentos pandêmicos: a vacinação.

Ao fazermos isso, estamos tentando cortar pela raiz uma das conspirações mais presentes no dia a dia brasileiro:  o movimento antivacina (movimento este tão antigo quanto a vacina e antônimo quando olhamos no vértice da saúde pública). 

Pensar no movimento é pensar em dois pontos diferentes. 

Primeiramente vem o movimento histórico, que tem na sua gênese uma falha da comunidade científica e governamental em explicar para a população o que são vacinas e como elas são seguras.

Um erro cuja concepção vem da ideia - no mínimo antiquada - de que, a fim de vacinar a população, dever-se-ia utilizar da força, e não da eloquência e propaganda. 

Vemos reflexos desse movimento inicial até hoje. Pessoas com medo de se vacinar, com medo de estarem fazendo parte de estudos maléficos… Tudo que, em um passado não tão distante, realmente aconteceu.

Mas a pergunta que fica é: como se comunicar com essa população? Uma população muitas vezes carente do ponto de vista de educação formal e que não faz parte do movimento antivacina por maldade ou por posicionamento político. Faz parte do movimento, simplesmente, por medo. E a resposta não é simples, mas existe.

Devemos, inicialmente, respeitar o posicionamento e entender o porquê da existência dele. Tratar com ignorância é a pior forma, e beira o preconceito. Além disso, é importantíssimo fazer a mea culpa como comunidade acadêmica e entender que houveram erros no passado e que existem erros até hoje, como preconceitos e tentativas de culpabilizar uma população ou outra por um problema que, na maioria das vezes, simplesmente é parte do acaso. 

Após esses pontos iniciais, é importante explicar o porquê as vacinas são seguras. Esclarecer sucintamente como uma vacina funciona e, especialmente, responder, com calma, as inseguranças e dúvidas da pessoa com relação ao processo de vacinação.  

Pois bem, até aqui falamos sobre um dos pilares do movimento, a ignorância sem culpa, a ingenuidade que é vítima de uma conspiração. Mas de onde vem a conspiração hoje em dia? Como  o movimento se mantém?

Nem tudo podemos colocar no colo da história. Ainda há um conspiracionismo rondando nossos dias, de forma obscura, muitas vezes (que parece inofensivo, mas não o é). 

E esse conspiracionismo provém de uma população estudada, que tem influência sobre a população como um todo. Esse conspiracionismo provém de falas presidenciais, governamentais e políticas. Flui, de forma quase natural, de pessoas com ensino superior que, ao invés de esclarecer, trazem mais dúvidas e caos à população. Mas por que isso acontece? 

Bom, a resposta não é transparente, mas podemos tentar resumir em um ponto: as pessoas gostam de ouvir e seguir um ponto de vista, uma pessoa, sem muito pensar. Mesmo possuindo educação formal, preferem repetir discursos prontos, feitos por políticos ou pseudocientistas que trazem informações falsas por maldade, ganância, ignorância ou orgulho. 

E aí mora o grande perigo. Comparado a essas pessoas (presidentes, governadores, cientistas com “fórmulas mágicas”...) nós, estudantes, somos “peixe pequeno”, mas vamos nos manter na luta. 

Ao espalhar o conhecimento, ao espalhar a verdade - de forma clara e sem devaneios - conseguiremos acabar com uma segunda pandemia, a pandemia da ignorância, que reverbera nos nossos dias diariamente (incluindo, desde posts negacionistas, a festas clandestinas). 

É nossa função pedir responsabilidade governamental e foco na ciência, e não em falsos messias conspiracionistas, que, em seus discursos, preferem a fábula, em detrimento da razão.

Devemos sentir as dores, lutar pelo fim de novas saudades e buscar uma solução para a ignorância maléfica, que tem multiplicado a periculosidade de uma doença já muito mortal. 

Por isso pedimos,  #VacinaSIM e #VacinaJÁ!

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