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Os testes para diagnóstico de COVID-19 e as pseudo controvérsias.

Os testes para diagnóstico de COVID-19 e as pseudo controvérsias.

Importa pouco a experiência clínica para reconhecer sinais e sintomas de COVID-19 uma vez que, na fase inicial, eles seguem um padrão genérico comum a praticamente qualquer virose respiratória. Se quisermos falar em achado patognomônico, talvez já seja possível associar a imagem do pulmão comprometido, por meio da tomografia computadorizada, que evidencia aspecto de "vidro fosco".

O fato é que o diagnóstico da COVID-19 é essencialmente laboratorial. Quando muito, é possível enquadrar o paciente dentro da definição de "Caso clínico", cujo enfoque é epidemiológico, para orientar a tomada de decisão em Saúde Pública. Entretanto, ao falarmos em diagnóstico laboratorial, tem-se algumas possibilidades de testes e isso produz muita confusão na cabeça das pessoas. Já no âmbito das autoridades sanitárias isso não pode ser motivo de controvérsia!

Nenhuma autoridade sanitária - deve ou deveria! - aconselhar uma autoridade política (prefeito, governador, presidente) a passar para a população a ideia de que os testes imunológicos: imunocromatografia (teste rápido), imunoensaio enzimático (ELIZA) e quimiluminescência são suficientes para o adequado manejo dessa enfermidade.

Somente exames fundamentados em métodos baseados em Biologia Molecular são capazes de identificar o material genético do agente etiológico presente na amostra clínica e, portanto, ratificar com segurança a infecção com ou sem doença. A precisão é tamanha que, por meio do exame RT-PCR, a presença do Sars-CoV-2 pode ser detectada a partir de 24 horas de contaminação. Entretanto o sucesso do exame está condicionado à qualidade da amostra.

Vender para a população a ideia da suficiência desses testes imunológicos no manejo da COVID-19 pode resultar na pior estratégia de controle, dado ao potencial que esses testes tem de produzir uma informação que agrada ao paciente (por exemplo, você não está infectado!), mas que não representa a realidade.

No momento em que a população manifesta forte resistência a qualquer orientação de isolamento social e utilização correta de máscara, como medidas profiláticas, a informação resiste como imprescindível para apoiar as atitudes e comportamentos públicos, considerando que tratamento e vacina para o enfrentamento da COVID-19 ainda figuram no território do desejo, especialmente no Brasil.

 


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José Francisco de SANTANA
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Inquieto em relação às questões pertinentes ao mundo que nos cerca, sou de opinião que a terra é um imenso e complexo "Laboratório Natural" onde todas as formas de vida, inclusive a espécie humana, são continuamente testadas e experimentadas.

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