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Ozempic Pode Proteger o Cérebro Contra AVC

Ozempic Pode Proteger o Cérebro Contra AVC
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ago. 6 - 5 min de leitura
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Pesquisas recentemente apresentadas na 22ª Reunião Anual da Society of NeuroInterventional Surgery (SNIS) e publicadas em 03 de agosto de 2025, em Science Daily sugerem que medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic®, um agonista do receptor de GLP-1 amplamente utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e na perda de peso, podem oferecer benefícios além do controle glicêmico e da redução ponderal: potencial neuroproteção em casos de acidente vascular cerebral (AVC) e lesões cerebrais relacionadas.

Três estudos de alto impacto, conduzidos por instituições norte-americanas de referência, apontam que o uso da semaglutida está associado a redução da mortalidade por AVC, menor risco de ocorrência de AVCs e melhor recuperação neurológica após eventos vasculares e hemorrágicos no cérebro.

1. Menor mortalidade em pacientes com AVC isquêmico

O estudo “The Impact of Semaglutide (Ozempic) on Mortality and Survival in Patients with Acute Ischemic Stroke” foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison. Utilizando dois grandes bancos de dados, um internacional (com mais de 2 milhões de pacientes que sofreram AVC) e outro institucional (com 13.510 pacientes) os pesquisadores compararam os desfechos clínicos de pacientes que usavam Ozempic com os de não usuários.

Os resultados foram expressivos:

  • No banco de dados global, a taxa de mortalidade inicial por AVC foi de apenas 5,26% nos usuários de Ozempic, contra 21,61% nos não usuários. A taxa de sobrevivência a longo prazo também foi significativamente maior entre os usuários do medicamento: 77,5% contra 30,95%.

  • No banco de dados institucional, os números foram semelhantes: 5,26% de mortalidade entre usuários de Ozempic versus 26,57% entre os não usuários.

2. Menor risco de sofrer AVC

O segundo estudo da mesma instituição, intitulado “Association between Ozempic Use and Stroke Risk”, analisou registros de atendimentos em departamentos de emergência nos EUA. A análise revelou que pessoas que provavelmente utilizavam Ozempic apresentaram chances significativamente menores de sofrer um AVC. Embora os dados não tenham partido diretamente de prescrições confirmadas (mas de inferências baseadas em histórico clínico), os pesquisadores recomendam que novos estudos validem a hipótese utilizando dados farmacêuticos mais precisos.

3. Menos sequelas neurológicas e risco de hemorragias futuras

No terceiro estudo, “Impact Of GLP-1 Agonists on Stroke, SAH, and ICH”, pesquisadores da University of Texas Medical Branch, em Galveston, avaliaram o impacto do uso de agonistas do GLP-1 em pacientes que sofreram AVCs ou hemorragias cerebrais (incluindo hemorragias subaracnóideas e intracerebrais espontâneas ou por ruptura de aneurisma).

A análise seguiu os pacientes por até dois anos após os eventos vasculares, e os resultados sugerem que:

  • O uso desses medicamentos está associado à menor ocorrência de efeitos colaterais cognitivos, convulsões e novos episódios de hemorragia cerebral.

  • Houve também redução da mortalidade após o evento vascular, especialmente em casos de hemorragia cerebral.

Novo paradigma na prevenção e recuperação neurológica

Segundo o Dr. Ahmed Elbayomy, pesquisador do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Wisconsin-Madison e autor principal de dois dos estudos, as descobertas são animadoras e merecem investigações mais aprofundadas. “Ainda precisamos de mais estudos para confirmar esses efeitos, mas os dados são realmente fascinantes”, afirmou.
Já o Dr. Matias Costa, da Universidade do Texas, ressalta que essa linha de pesquisa pode transformar a forma como pensamos a prevenção e mitigação dos impactos neurológicos do AVC. “É uma nova perspectiva sobre a proteção cerebral no contexto de lesões vasculares e neuroinflamação”, completou.

Implicações clínicas e futuras linhas de pesquisa

Esses achados reforçam a necessidade de se explorar os efeitos pleiotrópicos dos agonistas do GLP-1, que parecem ir além do controle metabólico. Em um cenário onde o AVC continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, medicamentos já aprovados e em uso clínico para outras indicações podem representar uma rota terapêutica alternativa e complementar na neurologia preventiva e na reabilitação.

A próxima fase, segundo os autores, deve incluir ensaios clínicos randomizados e uso de dados farmacológicos diretos para estabelecer com clareza o efeito causal do uso da semaglutida na redução do risco e da severidade dos AVCs e lesões cerebrais.


Referência:

Society of NeuroInterventional Surgery. "Weight loss drug Ozempic could protect the brain from stroke." ScienceDaily. ScienceDaily, 3 August 2025. <www.sciencedaily.com/releases/2025/08/250803011814.htm>.


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