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Para diminuir erros em hospitais devemos reiniciar o Brasil
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Para diminuir erros em hospitais devemos reiniciar o Brasil

LEITO DE MORTE

Para diminuir erros em hospitais devemos reiniciar o Brasil

por Fernando Carbonieri

Devido a diversas falhas históricas, há a cada dia mais a necessidade de implementar medidas que visam o controle sobre a ação de saúde. A falta da aplicação dos conceitos éticos por diversos profissionais de saúde proporcionam erros, desinformação e acusação de profissionais envolvidos. Essa falta de vigilância dos preceitos éticos só tem uma origem - a educação falha em todos os níveis (cultural, familiar e escolar).

Os dispositivos para evitar erros baseados em negligência existem em cada uma das profissões envolvidas no cuidado da saúde brasileira. A não vigilância desses dispositivos acarreta em erros que são dignos de punição, desde que ao profissional certo e não apenas ao médico.

Podemos falar também de invasões de ato profissionais. Outros profissionais de saúde estão agindo sem a capacidade ou formação em práticas que deveriam ser exclusivamente médicas.

Enfermeira em Goias prescreve medicação e carimba "prescrição multiprofissional". Há relatos que enfermeiros do mesmo estado estejam "laudando" exames eletrocardiográficos Enfermeira em Goiás prescreve medicação e carimba "prescrição multiprofissional". Há relatos que enfermeiros do mesmo estado estejam "laudando" exames eletrocardiográficos

Os 5 certos na administração de medicamentos é algo inerente a enfermagem e técnicos de enfermagem. O checklist da cirurgia segura da OMS é inerente a todos os profissionais que compõem a equipe envolvidos no procedimento (cirurgião, anestesiologista, técnico de enfermagem, instrumentador... ). Ao médico cabe fazer diagnósticos, discutir a terapêutica com pacientes e familiares ( a maioria dos processos são decorrentes das falhas nesse item) e indicar o tratamento. O médico tem de responder a erros de negligência, imprudência e imperícia. Além disso, por ser sempre chefe da equipe que trata o cidadão, responde ao erro dos outros profissionais - vale dizer que não defendo isso mas, antes que me censurem, é o que acontece na prática. A não observância desses protocolos pelos profissionais acarretam em erros, que chegam a quase 10% de todos os atendimentos hospitalares do país.

Para abordar o assunto o Ministério da Saúde lançou dia 01/04 um programa para diminuir falhas em procedimentos hospitalares.

Sob meu ponto de vista, o programa precisa deixar bem claro sobre o como essa vigilância será feita. Protocolos tem de ser ensinados e cobrados de todos os profissionais. Todas as atitudes a serem implementadas enfrentarão problemas em todas as esferas profissionais:

Foram inúmeras as vezes que vimos descasos ou atalhos na prática profissional de todos. Médicos que não preenchem documentos, enfermeiros e técnicos que não lavam suas mãos ou não fazem a conferência da prescrição, falta do material correto para tal procedimento, por fim, equipes que não conversam. Apoio todo esse ponto de vista no padrão cultural do Brasil.

O Brasil é o país do jeitinho, da prepotência e, mais recentemente, da desvalorização do conhecimento e da ética. Fazer certo é malvisto (só assistir as telenovelas brasileiras para ver que o mais "malandro" é mais valorizado), a hierarquia é desrespeitada, as politicas frequentemente diminuem a meritocracia e não existe punição daqueles que tem poder - além disso - os que possuem condutas e histórico reprováveis estão frequentemente em cargos de referência na política nacional, esfregando em nossos narizes que somos impotentes frente a bandidagem e as influências políticas que esses exercem.

Saindo da esfera dos profissionais de saúde, muitos dos ditos "erros"  poderiam (não há dados sobre isso) ser evitados se boa parte da população (principalmente aquela grande parte formada por analfabetos funcionais) tivesse discernimento para entender as orientações que profissionais de saúde dão. Falo isso porque sempre temos que reforçar que a medicina e as demais profissões de saúde são atos de meio e não de fins. Muito dos maus resultados são obtidos justamente pela falta de entendimento do paciente sobre as condutas recomendadas. A falta da educação de base gera todo esse cenário.

Precisamos reiniciar todo o sistema educacional brasileiro. Só assim podemos, quem sabe, ter um país onde haja o respeito entre os profissionais e também entre pacientes e profissionais.

O texto acima foi apenas um desabafo que vem junto com a notícia sobre o programa do MS para diminuir falhas em procedimento hospitalares.

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MS lança programa para diminuir falhas em procedimentos de hospitais

Aline Leal

Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançaram hoje (1º) o Programa Nacional de Segurança do Paciente, que tem o objetivo de diminuir "eventos adversos" em pacientes internados, como quedas, administrações incorretas de medicamentos e erros em procedimentos cirúrgicos. Em coletiva à imprensa, a pasta divulgou estudo apontando que 7,6% dos paciente internados passam por esses incidentes e 66% deles são evitáveis.

O programa determina a obrigatoriedade da implantação de Núcleos de Segurança do Paciente em todos os hospitais, públicos ou particulares, para aplicar e fiscalizar regras sanitárias e protocolos de atendimento que previnam falhas. Segundo o Ministério da Saúde, os núcleos devem entrar em funcionamento em 120 dias.

O programa prevê ainda o estabelecimento de seis protocolos nacionais de prevenção de falhas no atendimento, que ainda vão passar por consulta pública. Eles vão trazer regras sobre higienização das mãos em hospitais,  cirurgia segura,  prevenção de úlcera por pressão,  identificação de pacientes, prevenção de quedas e prescrição, uso e administração de medicamentos.

“É importante que os conceitos sejam consensos nacionais, até para que a cobrança sobre a responsabilidade  dos profissionais sejam baseadas nesses consensos. [Os protocolos] vão desde coisas bastante simples como a forma e quantas vezes lavar a mão, a forma de identificar um medicamento”, explicou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Os hospitais serão obrigados a notificar mensalmente a Anvisa sobre a ocorrência desses eventos adversos. Caso os hospitais não sigam as normas do programa, podem ser punidos até mesmo com a suspensão do alvará de funcionamento.

Para Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa, o programa vem reposicionar e reafirmar o que deve ser prática no cotidiano dos hospitais. “ Achar que todo mundo faz é o primeiro passo para errar. Muitas vezes os protocolos falam o óbvio, mas ele vem chamar a atenção para essas coisas do dia a dia que permitem uma troca de medicamento, que permitem que um paciente seja tratado no lugar do outro, que um membro seja operado no lugar do outro” disse Barbano.

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Fernando Carbonieri

Fernando Carbonieri

Fundador da comunidade Academia Médica, que desde 2012 tem o intuito de expandir os horizontes falando o que a faculdade esqueceu de nos contar.

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