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Fármaco para Parkinson pode Revolucionar Terapia da Tuberculose

Fármaco para Parkinson pode Revolucionar Terapia da Tuberculose
Comunidade Academia Médica
ago. 13 - 3 min de leitura
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Um medicamento desenvolvido na década de 1950 para tratar a doença de Parkinson pode ser considerado promissor no combate à tuberculose (TB). Pesquisadores da University of British Columbia (UBC) descobriram que a benztropina, tradicionalmente utilizada para controlar tremores em pacientes com parkinson, é capaz de reduzir drasticamente a carga bacteriana da tuberculose ao potencializar a resposta imunológica do organismo.

O estudo, publicado na npj Antimicrobials and Resistance, revela que o fármaco atua de forma inovadora, não matando diretamente as bactérias, mas “turbinando” a capacidade das células imunes, especialmente os macrófagos de destruir o Mycobacterium tuberculosis. Essa abordagem, chamada de terapia direcionada ao hospedeiro (host-directed therapy), pode ser fundamental na luta contra cepas resistentes a antibióticos.

A tuberculose é a doença infecciosa mais letal do mundo, responsável por cerca de 1,3 milhão de mortes anuais. O tratamento convencional exige meses de uso de múltiplos antibióticos, frequentemente associados a efeitos colaterais importantes e cuja eficácia vem sendo comprometida pelo aumento da resistência bacteriana.

Segundo um dos autores do estudo, “novas abordagens terapêuticas são urgentemente necessárias. Ao fortalecer a função imunológica, este medicamento pode ser uma poderosa ferramenta contra a tuberculose resistente, além de já possuir um histórico de segurança em humanos.”

Como a benztropina funciona contra a Tuberculose

O Mycobacterium tuberculosis sobrevive dentro dos próprios macrófagos, células que deveriam destruí-lo, explorando receptores específicos para se proteger. A benztropina bloqueia um desses receptores, permitindo que os macrófagos recuperem sua capacidade de matar as bactérias.

Essa estratégia oferece uma vantagem crítica: como não ataca diretamente o patógeno, reduz a probabilidade de surgimento de resistência e pode ser combinada com antibióticos existentes para melhorar os resultados terapêuticos.

Do laboratório aos modelos animais

Para identificar a benztropina, os cientistas examinaram mais de 240 medicamentos já aprovados pela FDA em células imunes humanas infectadas com tuberculose. O fármaco se destacou por reduzir significativamente a carga bacteriana. Em testes subsequentes com camundongos infectados, o tratamento oral resultou em uma redução de 70% na carga bacteriana pulmonar, desempenho comparável ao de terapias antituberculosas atuais.

Curiosamente, o medicamento também mostrou eficácia em um modelo murino de infecção por Salmonella, sugerindo potencial de uso contra outros patógenos intracelulares.

Por já ter aprovação para uso humano e um perfil de segurança conhecido, a benztropina pode avançar rapidamente para testes clínicos como tratamento adjuvante ou alternativo contra tuberculose e outras infecções.


Referência:

Goldhawk, B. (2025, August 12). Seventy-year-old Parkinson's drug shows promise against tuberculosis. University of British Columbia. Medical Xpress. https://medicalxpress.com/news/2025-08-seventy-year-parkinson-drug-tuberculosis.html


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