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Primeiro Transplante de Pulmão de Porco em Humano

Primeiro Transplante de Pulmão de Porco em Humano
Comunidade Academia Médica
ago. 26 - 3 min de leitura
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Um marco na medicina translacional foi alcançado na China: pesquisadores da First Affiliated Hospital of Guangzhou Medical University transplantaram, pela primeira vez, um pulmão de porco geneticamente modificado em um ser humano. O receptor foi um homem de 39 anos em morte cerebral, e o enxerto sobreviveu nove dias sem sinais imediatos de rejeição aguda. Os resultados foram publicados na revista Nature Medicine.

Xenotransplante

Nos últimos anos, pelo menos meia dúzia de pessoas na China e nos Estados Unidos receberam órgãos de porcos editados geneticamente, incluindo corações, rins, fígados e até o timo. A realização com o pulmão é especialmente significativa, já que este é considerado o órgão mais complexo para transplantes, devido à grande quantidade de vasos sanguíneos e à alta suscetibilidade à rejeição e formação de coágulos.

Segundo Muhammad Mohiuddin, pesquisador da University of Maryland School of Medicine, responsável pelo primeiro transplante de coração suíno em um humano vivo em 2022, “os pulmões são os mais difíceis de todos os órgãos a serem transplantados”. Para ele, a experiência chinesa é um primeiro passo encorajador para a viabilidade do procedimento em pacientes vivos.

Como o pulmão foi modificado

O órgão utilizado veio de um porco desenvolvido pela Chengdu Clonorgan Biotechnology, com seis edições genômicas:

  • Três genes removidos, responsáveis por desencadear uma resposta imune intensa.

  • Três genes humanos adicionados, voltados a reduzir rejeição e prevenir formação de coágulos.

Essas alterações visam reduzir a barreira imunológica natural entre espécies, considerada um dos maiores obstáculos para o xenotransplante.

Detalhes do procedimento

  • Data do transplante: 15 de maio de 2024.

  • Primeiros três dias: sem sinais de rejeição, infecção ou falha do enxerto.

  • 24 horas pós-transplante: observou-se inchaço do pulmão e danos devido ao período de isquemia (falta de oxigênio durante a cirurgia).

  • Dias 3 e 6: detectou-se ataque de anticorpos, com lesões teciduais.

  • Dia 9: surpreendentemente, a intensidade do dano havia diminuído, sugerindo adaptação progressiva do enxerto. O estudo foi encerrado a pedido da família.

Implicações para o futuro

Especialistas como Wayne Hawthorne, cirurgião de transplantes da University of Sydney, destacam que os próximos passos devem incluir ensaios clínicos em pequena escala. Os principais beneficiários seriam pacientes com doença pulmonar em estágio terminal, para os quais não há alternativas terapêuticas e que frequentemente morrem na fila de espera.

Além disso, técnicas de preservação de órgãos estão sendo aprimoradas. Mohiuddin sugere a perfusão de soluções preservadoras nos vasos do pulmão logo após a retirada, para minimizar danos isquêmicos. Os próprios autores do estudo reconhecem que a engenharia genética mais avançada, incluindo a introdução de genes protetores adicionais pode reduzir ainda mais riscos de rejeição, trombose e lesão tecidual.

Por que importa

Este experimento reforça a viabilidade do xenotransplante pulmonar como alternativa para a crise global de escassez de órgãos. A prova de conceito sugere que, no futuro, quase qualquer órgão de porco geneticamente modificado poderá ser utilizado em humanos, ampliando a expectativa de vida de milhares de pacientes que hoje morrem sem acesso a um doador compatível.


Referência:

Fieldhouse, R. (2025, August 26). Pig lung transplanted into a person in world first. Nature. https://www.nature.com/articles/d41586-025-02708-2


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