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Qual a melhor forma de oferecer oxigênio para pacientes com doenças agudas?

Qual a melhor forma de oferecer oxigênio para pacientes com doenças agudas?

Dra. Roberta Fittipaldi é médica pneumologista e intensivista e líder da Comunidade de prática online de Pneumo Intensiva na Academia Médica

 

Aproximadamente 25% dos pacientes que dão entrada em um setor de emergência, independente da saturação periférica de O2, recebem oxigenioterapia suplementar. Existe uma crença de que todos os pacientes sofrendo de injúrias agudas, como infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC), se beneficiariam de oxigênio suplementar. Mas será que isso é real?

Em abril de 2018, uma revisão sistemática, publicada na revista "The Lancet", concluiu que suplementar oxigênio em pacientes com oximetria normal aumentava a mortalidade hospitalar.  Os autores recomendam um uso conservador de oxigênio, porém não especificam qual quantidade e população de doentes que realmente se beneficiam da terapia.

Por essas e outras questões que em outubro de 2018 o British Medical Journal (BMJ) publicou um Guideline com recomendações específicas para o uso de oxigenioterapia em doentes agudos.

Os estudos são enfáticos em concluir que manter a SpO2 >= 96% em pacientes hospitalizados com oxigênio suplementar já não é mais recomendado. O uso de oxigênio em pacientes que em ar ambiente mantem SpO2 >= 96% estaria aumentando a mortalidade geral em 1%.

Em geral, níveis de SpO2 90-94% são seguros e não causam nenhum malefício para doentes com injúrias agudas.

Abaixo resumo as principais indicações e recomendações atuais para o uso de oxigenioterapia em pacientes com doenças agudas.  

Recomendações gerais:

1.  Adaptação e recuperação: o suporte de oxigênio deve sempre prezar a independência do paciente e permitir a fala, alimentação e mobilização. Exceto em condições de insuficiência respiratória onde cada caso é avaliado individualmente.

2. Monitorização continua: o suporte de oxigênio deve ser periodicamente monitorizado para garantir o correto posicionamento e tolerância do paciente.

3. Observar e prever efeitos adversos: epistaxe (cânula nasal), claustrofobia (mascara nasal), faringite, odinofagia e estenose traqueal (tubo oro-traqueal)

4. Bem estar do paciente: oxigenioterapia é para dar conforto ao paciente e familiares.

5. Avaliar custo-beneficio: suplementar oxigênio em quem não tem indicação aumenta o custo hospitalar. Portanto uma indicação precisa é fundamental.

6. Suplementar oxigênio para manter SpO2 em no máximo 96%. Mais do que 96% aumenta a mortalidade, e não traz nenhum benefício. O nível mínimo de SpO2 a ser atingido ainda não foi definido mas é possivelmente menor que 96%

7. Níveis mínimos para iniciar oxigenioterapia em AVC e IAM: somente iniciar se SpO2 <92%

8. Manter níveis mais baixos (88-92%) para as situações com risco de hipercapnia como na DPOC, na síndrome de hipoventilação da obesidade, nas doenças neuromusculares, na apneia obstrutiva do sono e na redução do nível de consciência.

9. Manter níveis mais altos de SpO2 (próximo a 100%) em: crise falcêmica, intoxicação por monóxido de carbono, cefaleia de cluster e pneumotórax.


Conclusão:

Dessa forma, concluímos que a utilização da oxigenoterapia, seja por cateter nasal, máscara facial ou ventilação não invasiva é cada vez mais restrita para pacientes com hipoxemia definida, ou seja, SpO2< 90%, e em situações de risco para hipoxemia grave ou que a hipóxia poderia prejudicar a oxigenação tecidual. A SpO2 >= 96% a todo custo, está contra-indicada para a maioria dos pacientes com doenças agudas.

 

Referencias: Oxygen Therapy of acutely ill medical patients: a clinical practice guideline. Brithsh Medical Journal, oct 2018.

 

 


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Roberta Fittipaldi Palazzo
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Medica pneumologista e intensivista. Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Professora da Pós graduação em Terapia Intensiva HIAE. Cursando doutorado em Pneumologia FMUSP. Médica Assistente UTI Respiratória FMUSP.

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