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Rabdomiolise em atividades militares
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Rabdomiolise em atividades militares

Rabdomiolise em atividades militares

 por Rodrigo Rocha Correa

O significado etimológico desta palavra por muitos considerada de difícil pronúncia embasa-se na seguinte construção: rabdomio(músculo esquelético) e lisis (quebra). Portanto é uma entidade médica definida como a quebra de células musculares por diversos fatores internos e externos, levando a variados sinais e sintomas, podendo levar ao êxito letal. A sua fisiopatologia consiste na liberação de substâncias intracelulares após a ruptura da barreira constituída pela membrana celular. Dentre estas substâncias , podemos citar certos eletrólitos e um pigmento presente no citoplasma de células musculares, a mioglobina, a qual terá papel primordial na gênese da principal complicação da rabdomiólise, a injúria renal aguda, através da agressão direta desta pigmento nos túbulos renais, levando a um quadro de necrose tubular aguda. Os principais eletrólitos liberados pelo processo de lise são o fosfato e o potássio; a elevação da concentração deste último pode levar a uma desestabilidade da membrana dos miócitos cardíacos, podendo levar a arritmias ventriculares fatais e conseqüente morte súbita. As principais causas desta afecção são:

- traumas diretos na musculatura

- uso crônico de álcool

- desidratação

- intermação

- uso irregular de termogênicos

- atividades físicas prolongadas e extenuantes

- agressão por animais peçonhentos

Na última década houve vários casos desta patologia no ambiente militar, ocasionando severas baixas no efetivo. Em posse dessas informações, o Comando do Exército Brasileiro decidiu redigir a Portaria n° 129 de 11 MAR 2010, o qual determinara a implantação do Programa de Prevenção e Controle da Rabdomiólise Induzida por Esforço Físico e pelo Calor. A partir desse momento foram instituídas diversas ações no sentido de orientação no âmbito do EB, principalmente para os instrutores dos diversos cursos operacionais que exigem dos instruendos um aporte físico intenso, através de palestras e cartilhas. Desta forma houve maior conscientização sobre esta doença de certa forma negligenciada não somente no meio militar, como no civil. Recentemente tivemos um caso de ampla divulgação midiática sobre um militar da Marinha que estava realizando um treinamento intenso no ComAnf( Curso de Comandos Anfíbios) no meio da Selva Amazônica que devido ao esforço extenuante evoluiu com injúria renal aguda e conseqüente estado comatose, provavelmente devido à desidratação, lesão muscular direta e efeitos da alta umidade relativa do ar. Devido a posição desfavorável do militar, houve a evacuação aeromédica até o Hospital Militar de Área de Manaus, permanecendo na UTI por tempo prolongado. Neste caso, felizmente o tenente da MB não faleceu; no entanto, há relatos de diversos casos, nas três Forças, que não tiveram a mesma sorte. O link de uma das reportagens sobre o acontecido encontra-se abaixo:
http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2015/11/tenente-da-marinha-fica-em-coma-apos-treino-em-selva-do-am.html

As principais causas no meio militar, como já citado, são a desidratação, trauma muscular direto, atividades físicas extenuantes e uso irrestrito de termogênicos, com o intuito de melhorar o rendimento físico. É cada vez mais freqüente a utilização destas substâncias sem a orientação adequada. Ocorre como conseqüência um aporte metabólico súbito pelos miócitos, levando a um gasto energético além da capacidade basal, levando a acúmulo de líquidos intraceulares (edema intracelular), tendo como evento final o processo de lise destas células.

Após o conhecimento destas informações, faz-se mister a divulgação e conhecimento acerca da fisiopatologia e principais complicações desta doença de certa forma negligenciada, para que assim apliquemos no universo da Medicina Preventiva evitando ocorrências adversas como incapacidade funcional ou até a morte.
Vídeo produzido pelo Centro de Comunicação Social do EB sobre a RABDOMIÓLISE

https://www.youtube.com/watch?v=4VM2xc0j07I

Rodrigo Rocha Correa

Rodrigo Rocha Correa

1 Tenente Médico do Exército Brasileiro.

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