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Raciocínio Clínico, por onde começar...

Raciocínio Clínico, por onde começar...

Uma dica rápida e simples que vai te ajudar a raciocinar sobre as histórias e achados do exame físico de um paciente é saber organizar todas as informações adquiridas.  Como fazer isso? Para te ajudar com uma sequência lógica de construção do seu raciocínio clínico, veja as dicas abaixo segundo o método cognitivo do pensamento: 

1. Anamnese e Exame Físico: Primeiro estabeleça uma relação médico-paciente adequada para que você obtenha sucesso nessa etapa. Escreva a história do paciente atentando-se para informações que poderão te auxiliar no diagnóstico (Dx). Faça um exame físico pormenorizado e dê grande atenção as queixas do paciente (isso vai te ajudar muito no exame físico). Seja romântico nessa parte, com as informações tente criar mentalmente uma linha de conexão entre elas. 

2. Sumário de Problemas: se você está iniciando nesse processo de raciocínio clínico, pode parecer um pouco difícil ser seletivo, mas tente conectar a Anamnese + Exame Físico buscando enumerar de 3 a 6 sintomas e/ou sinais que te chamaram a atenção. Atende-te para a relevância desse problema frente ao Caso Clínico atual do paciente. 

3. Hipóteses Diagnósticas: Com as informações em mãos e na mente, é hora de pensar, associar seus aprendizados anatomofuncionais + suas experiências de histórias anteriores + seus conhecimentos técnicos e clínicos aprendidos. Assim, é sempre importante elencar uma hipótese principal e para não limitar seu raciocínio clínico, pense em outras causas, amplie seu pensamento, é extremamente importante fazer diagnóstico diferencial. Lembre-se, essa etapa é muito relacionada a experiência que você adquire, com o passar do tempo e depois de várias vezes realizando esse esquema, você notará que algumas informações já consegue associar e conectar aos casos devido a experiências pregressas. (Crie as hipóteses, confronte-as e responda a pergunta: O que te levou a pensar nela?) 

4. Conduta Propedêutica: É hora de pensar nos exames complementares que poderão te auxiliar na comprovação da sua hipótese. Teste sua hipótese. Lembre-se que para essa etapa é importantíssimo você saber o "Por quê" da solicitação dos exames e pensar em quais interpretações possíveis você esperaria, referente ao seu caso clínico. (É uma etapa que exige um pouco mais de experiência e conhecimento técnico, mas lembre-se que seu diagnóstico é muitas vezes - quase sempre - clínico)

5. Diagnóstico: Sua hipótese foi comprovada e você pensa fortemente no diagnóstico do paciente. Uma dica para vocês: "As doenças são semelhantes entre si, mas os doentes nunca são os mesmos", sempre desconfie, afinal, quem nunca ouviu a frase: "Na medicina não existe nem sempre e nem nunca", está aí a importância do diagnóstico diferencial.

6. Conduta Terapêutica: Hora de tratar seu paciente, se você é acadêmico este momento será de bastante estudo e aprendizado com as condutas que nossos preceptores nos ensinam. Anote essa conduta e entenda o motivo da sua utilização.

Por fim, de modo simplificado, o raciocínio clínico é algo para ser lapidado diariamente, afinal, estamos em aprendizado constante. Estude, Tente, Acerte, Erre, mas não desista. Termino com uma frase de Aristóteles que deve sempre ser lembrada por nós: " Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A busca da excelência não deve ser um objetivo, e sim um hábito".

Se você é acadêmico e quer um roteiro para aprimorar seu raciocínio clínico, fiz uma apostila para você realizar anotações, estudos e guardar seus casos clínicos e discussões, afinal, isso tudo é experiência. Imprima e leve junto com sua prancheta ao hospital, nela você anotará: Anamnese + Exame Físico, fará o esquema de Raciocínio Clínico, terá um espaço para anotar os estudos de casa referente ao Caso Clínico e uma última folha para escrever as informações aprendidas nas discussões com preceptores. 

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Grande Abraço

Academia Médica
Gustavo Oliveira
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Acadêmico da FM/UFMT, apreciador da Semiologia Médica e adepto do Movimento Medicina Sem Pressa

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