"O recurso mais caro na saúde é aquele que não funciona. E o tratamento do câncer sem suporte nutricional é, muitas vezes, um investimento incompleto."
A radioterapia (RT) é um pilar custo-efetivo do tratamento oncológico, mas sua eficácia é drasticamente reduzida quando o paciente entra em catabolismo. Em países de baixa e média renda (LMICs), onde o diagnóstico é tardio e a infraestrutura limitada, a perda de massa muscular induzida pela radiação não é apenas um efeito colateral; é um preditor de falha terapêutica e mortalidade.
A Inflamação que Consome
O câncer por si só já altera o metabolismo, mas a radioterapia adiciona uma camada extra de estresse. A resposta inflamatória aguda e tardia não apenas causa sintomas que impedem a alimentação (como a mucosite em câncer de cabeça e pescoço), mas também ativa vias catabólicas que degradam proteínas musculares, levando à sarcopenia mesmo em pacientes com peso estável.
Perspectiva Global (2025)
Os autores destacam que, em LMICs, a situação é agravada por diagnósticos tardios. Pacientes chegam com tumores avançados e reservas nutricionais já depletadas.
Prevalência: Em tumores sólidos, a sarcopenia afeta 35% dos pacientes globalmente, chegando a >50% em câncer de esôfago e próstata.
Consequência: A perda de músculo durante a RT não é apenas estética; ela reduz a tolerância ao tratamento, forçando pausas que permitem o repovoamento tumoral e falha terapêutica.
O Músculo como Órgão Vital
Monitorar a massa muscular não é luxo; é biomarcador. Em LMICs, onde a tecnologia de ponta pode faltar, a integração de avaliações nutricionais básicas e o uso oportunista de tomografias (já feitas para o planejamento da RT) para medir a musculatura podem ser intervenções de baixo custo e alto impacto para personalizar o suporte nutricional e salvar vidas.
Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis
Referências
Murphy-Alford AJ, Grossberg AJ, Baracos VE, Barbar M, Bauer J, Bennett JP, et al. Perspective: Radiotherapy and Body Composition: Unmet Needs in Low- and Middle-Income Countries. Adv Nutr. 2025;100563.



